{"id":64664,"date":"2015-01-08T18:04:43","date_gmt":"2015-01-08T20:04:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=64664"},"modified":"2015-01-08T18:04:43","modified_gmt":"2015-01-08T20:04:43","slug":"pesquisa-indica-relacao-entre-tontura-persistente-e-ansiedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2015\/pesquisa-indica-relacao-entre-tontura-persistente-e-ansiedade\/64664","title":{"rendered":"Pesquisa indica rela\u00e7\u00e3o entre tontura persistente e ansiedade"},"content":{"rendered":"<p> Por Karina Toledo &#8211; Ag\u00eancia FAPESP rela\u00e7\u00e3o entre <strong><em>tontura persistente e ansiedade<\/em><\/strong> \u2013 O equil\u00edbrio, que permite aos humanos caminhar em terra firme ou enfrentar o mar revolto sobre uma prancha de surfe, depende de pequenas estruturas existentes no ouvido interno conhecidas como vest\u00edbulo. Junto com a c\u00f3clea \u2013 estrutura respons\u00e1vel pela audi\u00e7\u00e3o \u2013, o vest\u00edbulo forma o labirinto.<\/p>\n<p>Uma s\u00e9rie de doen\u00e7as que prejudicam a fun\u00e7\u00e3o labir\u00edntica, algumas popularmente conhecidas como labirintite, pode interferir no controle do equil\u00edbrio e causar sintomas como tontura, que costumam ser controlados entre 1 e 3 meses com o tratamento adequado.<\/p>\n<p>Em alguns pacientes, por\u00e9m, a tontura persiste mesmo ap\u00f3s a doen\u00e7a labir\u00edntica de base ter sido compensada e sem qualquer outro motivo aparente. Uma nova pesquisa feita na Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMUSP) sugere que a explica\u00e7\u00e3o para esses casos pode ser a atividade exacerbada de partes do sistema nervoso central relacionadas com ansiedade e medo.<\/p>\n<p>\u201cExames de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica funcional indicam haver uma diferen\u00e7a fisiol\u00f3gica no c\u00e9rebro desses pacientes. Embora as estruturas cerebrais sejam id\u00eanticas \u00e0s do grupo controle, as vias relacionadas com ansiedade e medo ficam mais ativas que o normal quando submetidas a determinados est\u00edmulos\u201d, contou Roseli Saraiva Moreira Bittar, docente da FMUSP e coordenadora da pesquisa .<\/p>\n<p>Conforme explicou Bittar, nesses casos hoje classificados como tontura postural e perceptual persistente (TPPP), a doen\u00e7a labir\u00edntica funciona como um gatilho para um dist\u00farbio do equil\u00edbrio imposs\u00edvel de ser diagnosticado e tratado pelos m\u00e9todos convencionais.<\/p>\n<p>\u201cDepois que esse gatilho \u00e9 acionado, a doen\u00e7a entra em moto-cont\u00ednuo. Qualquer est\u00edmulo, seja motor, emocional ou situacional, pode ativar as vias de ansiedade e medo e causar tontura. Esse paciente sente-se tonto quando est\u00e1 em p\u00e9, sentado ou deitado. Sente que est\u00e1 flutuando ou que vai cair. Nunca est\u00e1 bem e n\u00e3o melhora sem um tratamento psiqui\u00e1trico espec\u00edfico\u201d, disse Bittar.<\/p>\n<p>Desvendando o c\u00e9rebro<\/p>\n<p>A pesquisa ainda est\u00e1 em andamento no Hospital das Cl\u00ednicas da FMUSP e conta com a participa\u00e7\u00e3o do neurorradiologista Edson Amaro Junior e da p\u00f3s-graduanda Eliane Von Sohsten. Tamb\u00e9m colabora o psiquiatra Jeffrey Staab, membro da Mayo Clinic, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Atualmente, os cientistas est\u00e3o comparando mais detalhadamente os exames de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica funcional de portadores de TPPP com os de pacientes que se curaram da tontura ap\u00f3s o tratamento (grupo controle) para descobrir o que exatamente funciona de forma diferente no c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>A mostra inclui 16 mulheres entre 18 e 60 anos em cada grupo. Segundo explicou Bittar, foram selecionadas apenas destras, para que o funcionamento do c\u00e9rebro de todas as volunt\u00e1rias pudesse ser mais facilmente comparado.<\/p>\n<p>Foram exclu\u00eddas portadoras de outras doen\u00e7as que poderiam afetar a funcionalidade do labirinto, como diabetes, hipertens\u00e3o e dist\u00farbios de tireoide. Tamb\u00e9m foram exclu\u00eddas as volunt\u00e1rias cujos exames de resson\u00e2ncia revelaram altera\u00e7\u00f5es na estrutura cerebral.<\/p>\n<p>As volunt\u00e1rias foram submetidas a uma s\u00e9rie de exames para comprovar que a doen\u00e7a labir\u00edntica de base estava de fato controlada, al\u00e9m de testes para avaliar o perfil de equil\u00edbrio e question\u00e1rios psiqui\u00e1tricos usados no diagn\u00f3stico dos transtornos de ansiedade e depress\u00e3o.<\/p>\n<p>Um dos estudos j\u00e1 conclu\u00eddos, que incluiu uma mostra de 81 volunt\u00e1rios (ambos os sexos) e foi publicado no , revelou que os portadores de TPPP apresentam um perfil considerado lim\u00edtrofe para ansiedade e depress\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEmbora eles n\u00e3o possam ser considerados doentes psiqui\u00e1tricos, s\u00e3o muito mais sens\u00edveis do que os pacientes do grupo controle. Apresentam um escore at\u00e9 seis vezes mais alto nos question\u00e1rios\u201d, contou Bittar.<\/p>\n<p>Outro estudo em colabora\u00e7\u00e3o com Staab,\u00a0\u00a0que deve ser publicado em breve, indicou que portadores de TPPP t\u00eam um perfil de equil\u00edbrio diferente em rela\u00e7\u00e3o ao grupo controle. Segundo Bittar, mesmo em situa\u00e7\u00f5es tranquilas do cotidiano, as mulheres avaliadas apresentaram um n\u00edvel de tens\u00e3o muscular exagerado.<\/p>\n<p>\u201cAndam sobre o solo como se estivessem caminhando sobre uma viga estreita de salto alto. Mas reagem da mesma forma que o grupo controle em uma situa\u00e7\u00e3o de real perigo de queda\u201d, disse a pesquisadora.<\/p>\n<p>Embora ainda preliminares, os resultados da pesquisa j\u00e1 est\u00e3o, segundo Bittar, promovendo uma importante mudan\u00e7a no tratamento de TPPP.<\/p>\n<p>\u201cO grande m\u00e9rito foi promover a integra\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de otoneurologia e psiquiatria. Antes, nenhuma das duas especialidades sabia ao certo qual encaminhamento dar a esses casos. Os pacientes eram muitas vezes tratados com antidepressivos, mas apenas metade respondia. Hoje, posso dizer que mais de 90% de meus pacientes est\u00e3o bem\u201d, disse Bittar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo &#8211; Ag\u00eancia FAPESP rela\u00e7\u00e3o entre tontura persistente e ansiedade \u2013 O equil\u00edbrio, que permite aos humanos caminhar em terra firme ou enfrentar o mar revolto sobre uma prancha de surfe, depende de pequenas estruturas existentes no ouvido interno conhecidas como vest\u00edbulo. 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