{"id":6379,"date":"2009-07-24T11:03:45","date_gmt":"2009-07-24T15:03:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=6379"},"modified":"2009-07-24T11:03:45","modified_gmt":"2009-07-24T15:03:45","slug":"30-dos-obesos-que-procuram-tratamento-para-obesidade-tem-transtorno-de-compulsao-alimentar-periodica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2009\/30-dos-obesos-que-procuram-tratamento-para-obesidade-tem-transtorno-de-compulsao-alimentar-periodica\/6379","title":{"rendered":"30% dos Obesos que Procuram Tratamento para Obesidade t\u00eam Transtorno de Compuls\u00e3o Alimentar Peri\u00f3dica"},"content":{"rendered":"<p>T\u00e3o importante quanto a bulimia e a anorexia, pouco se fala do Transtorno de Compuls\u00e3o Alimentar Peri\u00f3dica (TCAP), que apresenta uma preval\u00eancia maior na popula\u00e7\u00e3o geral (3% a 5%) \u2013 quando comparados aos problemas citados acima, que ficam entre 1% e 05%, respectivamente \u2013 e atinge cerca de 30% das pessoas obesas que procuram tratamento para obesidade. Apesar de bastante freq\u00fcente nesse grupo, o TCAP tamb\u00e9m acomete indiv\u00edduos com peso considerado normal. \u201cAt\u00e9 1\/3 dos pacientes relatam que tornam-se obesos ap\u00f3s desenvolver o TCAP\u201d, afirma Sergio Carlos Stefano, psic\u00f3logo do Programa de Orienta\u00e7\u00e3o aos Pacientes com Transtornos Alimentares (PROATA) da UNIFESP.<\/p>\n<p>O TCAP acomete, de forma quase equivalente, ambos os sexos, numa propor\u00e7\u00e3o de tr\u00eas mulheres para dois homens, e manifesta-se mais tardiamente que a anorexia e a bulimia, entre os 20 e 30 anos. \u00c9 definido, atualmente, por epis\u00f3dios recorrentes de ingest\u00e3o, em curto espa\u00e7o de tempo, de uma quantidade de alimentos definitivamente maior do que a maioria das pessoas consumiria num per\u00edodo e circunst\u00e2ncias similares e com a sensa\u00e7\u00e3o de perda de controle sobre o que ou quanto est\u00e1 comendo, seguido por um sentimento de culpa e ang\u00fastia profundas. \u201cPara se ter no\u00e7\u00e3o do tamanho do descontrole e da gravidade da situa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 casos de pessoas que j\u00e1 quebraram os dentes por comer comida at\u00e9 mesmo congelada\u201d, explica Stefano. \u201cEm um \u00fanico epis\u00f3dio de compuls\u00e3o, que geralmente ocorre escondido, longe dos olhos alheios, a pessoa pode consumir mais de\u00a0\u00a0mil calorias\u201d.<\/p>\n<p>Entretanto, de acordo com o psic\u00f3logo, a compuls\u00e3o alimentar n\u00e3o est\u00e1 associada a comportamentos compensat\u00f3rios inadequados como jejuns, exerc\u00edcios excessivos e purga\u00e7\u00e3o, nem ocorre durante o curso de anorexia ou bulimia nervosa.\u00a0\u00a0\u201cPessoas que, eventualmente, passam longos per\u00edodos do dia sem se alimentar e depois assaltam a geladeira, n\u00e3o se enquadram na compuls\u00e3o\u201d, diz. \u201cO diagn\u00f3stico \u00e9 feito pelo relato de dois ou mais epis\u00f3dios, por semana, do consumo descontrolado e excessivo de alimentos nos \u00faltimos seis meses, seguidos por marcado sofrimento que compromete sua qualidade de vida\u201d.<\/p>\n<p>Mais depress\u00e3o e complica\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas e metab\u00f3licas<\/p>\n<p>Estudos tamb\u00e9m apontam que os indiv\u00edduos obesos com TCAP t\u00eam duas vezes mais chances de sofrerem problemas psiqui\u00e1tricos, como depress\u00e3o e ansiedade, e apresentarem uma imagem corporal mais negativa de si mesmo que \u00e0queles que n\u00e3o apresentam compuls\u00e3o. De acordo com esses estudos, al\u00e9m das implica\u00e7\u00f5es da obesidade para a sa\u00fade, &#8212; maior risco de mortalidade decorrente da hipertens\u00e3o arterial, dislipidemia, diabetes, doen\u00e7as cardiovasculares, entre outros \u2013 e dos problemas psiqui\u00e1tricos decorrentes, tamb\u00e9m s\u00e3o descritos discrimina\u00e7\u00e3o no trabalho, menos oportunidades de emprego, dificuldades em chegar \u00e0 universidade e menor n\u00famero de amigos e relacionamentos amorosos.<\/p>\n<p>Terapias e antidepressivos<\/p>\n<p>De acordo com Sergio Stefano, as interven\u00e7\u00f5es combinadas com psicoterapias e uso de antidepressivos parecem ser as mais eficazes no tratamento do TCAP. \u201cEstabelecer h\u00e1bitos saud\u00e1veis de alimenta\u00e7\u00e3o e ajudar o indiv\u00edduo a evitar formas de hiperalimenta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m s\u00e3o importantes para o sucesso do tratamento\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Stefano est\u00e1 desenvolvendo uma cartilha \u2013 a primeira no pa\u00eds \u2013 com informa\u00e7\u00f5es detalhadas sobre o TCAP com o prop\u00f3sito de ser uma primeira interven\u00e7\u00e3o entre o diagn\u00f3stico e a espera das consultas.\u00a0\u00a0\u201cAo inv\u00e9s de ficar esse tempo sem esclarecimento das prov\u00e1veis d\u00favidas que possam aparecer, pretendemos que a cartilha ajude a implementar mudan\u00e7as tanto no comportamento como na alimenta\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos com compuls\u00e3o\u201d, explica o psic\u00f3logo.<\/p>\n<p>O projeto da cartilha ser\u00e1 apresentado no VIII Congresso Brasileiro de Transtornos Alimentares e Obesidade, que acontecer\u00e1 em S\u00e3o Paulo, entre os dias 11 e 13 de junho, sob a organiza\u00e7\u00e3o do PROATA da UNIFESP.<\/p>\n<p>Entenda os crit\u00e9rios diagn\u00f3sticos do TCAP<\/p>\n<ul>\n<li>Ingest\u00e3o, em at\u00e9 duas horas,      de uma quantidade de alimentos definitivamente maior do que a maioria das      pessoas consumiria em um per\u00edodo e circunst\u00e2ncias similares;<\/li>\n<li>Sentimento de falta de      controle sobre o que se come e do quanto se come.<\/li>\n<\/ul>\n<p><em>Associados a tr\u00eas ou mais dos crit\u00e9rios abaixo relacionados:<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p>\u00b7\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Comer muito e mais rapidamente do que o normal;<\/p>\n<p>\u00b7\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Comer at\u00e9 sentir-se empanturrado;<\/p>\n<p>\u00b7\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Comer demais quando n\u00e3o est\u00e1 sentindo realmente fome;<\/p>\n<p>\u00b7\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Comer sozinho por ter vergonha da quantidade que consome;<\/p>\n<p>\u00b7\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Sentir repulsa por si mesmo, depress\u00e3o ou demasiada culpa ap\u00f3s comer excessivamente;<\/p>\n<p>\u00b7\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Ang\u00fastia pela compuls\u00e3o;<\/p>\n<p>\u00b7\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Freq\u00fc\u00eancia dos epis\u00f3dios deve ser igual ou superior a duas vezes na semana, nos \u00faltimos seis meses.<\/p>\n<p>Sobre a UNIFESP<\/p>\n<p><em>Criada em 1933 por um grupo de m\u00e9dicos reunidos em uma sociedade sem fins lucrativos, a Escola Paulista de Medicina (EPM) foi federalizada em 1956 e, em 1994, transformada em Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (UNIFESP), primeira universidade especializada em sa\u00fade no Pa\u00eds. Atualmente, com 18 mil alunos matriculados nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o, p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e demais programas de p\u00f3s, a UNIFESP conta com 874 docentes, sendo que 93% possuem t\u00edtulo de doutor, um percentual que marca a qualidade de ensino oferecida por uma das universidades que mais cresce no Pa\u00eds.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>T\u00e3o importante quanto a bulimia e a anorexia, pouco se fala do Transtorno de Compuls\u00e3o Alimentar Peri\u00f3dica (TCAP), que apresenta uma preval\u00eancia maior na popula\u00e7\u00e3o geral (3% a 5%) \u2013 quando comparados aos problemas citados acima, que ficam entre 1% e 05%, respectivamente \u2013 e atinge cerca de 30% das pessoas obesas que procuram tratamento [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":{"0":"post-6379","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-saude-e-vida","7":"entry","8":"gs-1","9":"gs-odd","10":"gs-even","11":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6379","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6379"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6379\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6379"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6379"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6379"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}