{"id":63546,"date":"2014-12-09T15:33:32","date_gmt":"2014-12-09T17:33:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=63546"},"modified":"2014-12-09T15:33:32","modified_gmt":"2014-12-09T17:33:32","slug":"custo-do-trabalho-na-industria-brasileira-sobe-116-entre-2010-e-2014","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/custo-do-trabalho-na-industria-brasileira-sobe-116-entre-2010-e-2014\/63546","title":{"rendered":"Custo do trabalho na ind\u00fastria brasileira sobe 11,6% entre 2010 e 2014"},"content":{"rendered":"<p> O <strong><em>custo unit\u00e1rio do trabalho na ind\u00fastria<\/em><\/strong> de transforma\u00e7\u00e3o do Brasil subiu 11,6% entre 2010 e 2014, revela estudo divulgado pela Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). O gerente de Economia e Estat\u00edstica do Sistema Firjan, Guilherme Merc\u00eas, disse que isso decorreu da mudan\u00e7a ocorrida na composi\u00e7\u00e3o dos custos do trabalho no per\u00edodo p\u00f3s-crise internacional. Nos quatro anos anteriores \u00e0 crise (2004 a 2007), foi identificada queda do custo de trabalho de 1,4%.<\/p>\n<p> \u201cAntes da crise, tinha a produtividade do trabalho crescendo mais do que os sal\u00e1rios e nos [anos] p\u00f3s-crise, com a produ\u00e7\u00e3o industrial em baixa, teve o contr\u00e1rio. O processo foi invertido e os custos do trabalho, basicamente os custos com sal\u00e1rios, passaram a crescer muito acima da produtividade. Ou seja, as ind\u00fastrias brasileiras passaram a pagar mais por trabalhadores que produzem menos em uma hora de trabalho e, obviamente, o resultado pr\u00e1tico disso \u00e9 um choque de custos para a ind\u00fastria brasileira\u201d, informou o economista.<\/p>\n<p>Dos 15 setores avaliados, 13 mostraram aumento nos custos do trabalho. Quase todos os segmentos tiveram eleva\u00e7\u00e3o do custo no p\u00f3s-crise. Guilherme Merc\u00eas destacou o setor t\u00eaxtil, com alta de 28,2% nos \u00faltimos quatro anos. O setor sofreu forte concorr\u00eancia de produtos importados. Os meios de transporte, por sua vez, tiveram aumento de custos de 27,7%, com destaque para a ind\u00fastria automotiva. \u201cForam setores que tiveram queda de produ\u00e7\u00e3o muito grande no per\u00edodo, e os sal\u00e1rios, a despeito disso, continuaram crescendo. Sofreram muitos choques de custo.\u201d<\/p>\n<p>Merc\u00eas disse que, ao analisar a balan\u00e7a comercial, \u00e9 poss\u00edvel notar o resultado desse aumento de custos. \u201cS\u00e3o ind\u00fastrias com bastante dificuldade de concorrer no mercado internacional\u201d. Os \u00fanicos setores que mostraram redu\u00e7\u00e3o dos \u00edndices de custos do trabalho no per\u00edodo pesquisado foram a madeira (-18,9%) e coque, refino de petr\u00f3leo e biocombust\u00edveis (-0,3%).<\/p>\n<p>O estudo mostra que em um ranking de nove pa\u00edses \u2013 Brasil, Estados Unidos, Fran\u00e7a, Reino Unido, It\u00e1lia, Espanha, Portugal, Col\u00f4mbia e M\u00e9xico \u2013, o mais alto custo unit\u00e1rio do trabalho \u00e9 encontrado no Brasil, seguido da Fran\u00e7a (5,8%) e do Reino Unido (5,2%). Nos Estados Unidos, o custo subiu 1,3% e, em Portugal, houve redu\u00e7\u00e3o de 14,8%. O gerente da Firjan lembrou que, logo ap\u00f3s o in\u00edcio da crise de 2008-2009, diversos pa\u00edses trabalharam para diminuir os custos de produ\u00e7\u00e3o, \u201cjustamente na tentativa de aumentar a competitividade e retomar o crescimento\u201d.<\/p>\n<p>Na compara\u00e7\u00e3o com a Col\u00f4mbia e o M\u00e9xico, que t\u00eam estruturas econ\u00f4micas similares \u00e0 do Brasil, o pa\u00eds tamb\u00e9m perde porque os demais implementaram um conjunto de reformas objetivando a redu\u00e7\u00e3o do custo unit\u00e1rio do trabalho, com a flexibiliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es no mercado, destacou Merc\u00eas. Na Col\u00f4mbia, o custo caiu no per\u00edodo 12,7% e, no M\u00e9xico, 6,3%.<\/p>\n<p>Para o economista, o estudo demonstra a necessidade de uma ampla reforma trabalhista no pa\u00eds. \u201cO Brasil convive com uma legisla\u00e7\u00e3o trabalhista que tem mais de 70 anos e n\u00e3o \u00e9 adequada \u00e0 realidade do mercado  de trabalho atual\u201d. Segundo ele, a legisla\u00e7\u00e3o tem muitos \u201cpenduricalhos\u201d, que tornam a rela\u00e7\u00e3o de trabalho &#8220;custosa&#8221;. Entre eles, citou a multa de 10% do Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS) que as empresas pagam ao governo pela demiss\u00e3o  de trabalhadores.<\/p>\n<p>Alana Gandra &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Marcos Chagas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O custo unit\u00e1rio do trabalho na ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o do Brasil subiu 11,6% entre 2010 e 2014, revela estudo divulgado pela Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). 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