{"id":63207,"date":"2014-12-02T15:50:16","date_gmt":"2014-12-02T17:50:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=63207"},"modified":"2014-12-02T15:50:16","modified_gmt":"2014-12-02T17:50:16","slug":"ciencia-avanca-sobre-parte-inexplorada-dos-oceanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/ciencia-avanca-sobre-parte-inexplorada-dos-oceanos\/63207","title":{"rendered":"Ci\u00eancia avan\u00e7a sobre parte inexplorada dos oceanos"},"content":{"rendered":"<p>Por Diego Freire, de Davis (EUA), Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Apesar de cobrir 70% da superf\u00edcie do planeta, os oceanos s\u00e3o o <em><strong>ecossistema<\/strong><\/em> menos explorado da Terra. Para cientistas, a necessidade de compreender melhor os oceanos \u00e9 uma quest\u00e3o de sustentabilidade.<\/p>\n<p>\u201cA explora\u00e7\u00e3o dos recursos marinhos aumenta cada vez mais, fazendo dos oceanos uma fonte que muitos julgam inesgot\u00e1vel para a satisfa\u00e7\u00e3o de diversas demandas humanas. \u00c9 preciso compreender melhor a complexidade da vida marinha para estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel com ela\u201d, disse Rick Grosberg, diretor do Coastal and Marine Sciences Institute (CMSI) da University of California em Davis (UCD), \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Esfor\u00e7os para avan\u00e7ar no conhecimento sobre a vida marinha, correntes oce\u00e2nicas e suas rela\u00e7\u00f5es com a vida em terra firme foram compartilhados por pesquisadores dos Estados Unidos e de institui\u00e7\u00f5es do Estado de S\u00e3o Paulo na , realizada de 17 a 20 de novembro nas cidades de Berkeley e Davis.<\/p>\n<p>Grosberg falou sobre pesquisas com invertebrados marinhos, incluindo an\u00eamonas, hidrozo\u00e1rios, asc\u00eddias e carac\u00f3is, e do uso de abordagens gen\u00f4micas no estudo de suas popula\u00e7\u00f5es. \u201cOs trabalhos de meu grupo envolvem atividades de campo e de laborat\u00f3rio, com gen\u00e9tica molecular, gen\u00e9tica populacional e filogenia, al\u00e9m de uma quantidade ainda modesta de modelagem\u201d, disse.<\/p>\n<p>Entre esses trabalhos est\u00e3o pesquisas em gen\u00e9tica da conserva\u00e7\u00e3o de invertebrados marinhos e crust\u00e1ceos de piscinas vernais, conjuntos tempor\u00e1rios de \u00e1guas formados em determinadas \u00e9pocas do ano, que servem de h\u00e1bitat para plantas e animais. \u201cEm menos de um s\u00e9culo, a urbaniza\u00e7\u00e3o e a convers\u00e3o agr\u00edcola destru\u00edram 90% desses habitats\u201d, disse.<\/p>\n<p>Pesquisadores do laborat\u00f3rio de Grosberg iniciaram estudos gen\u00e9ticos para caracterizar os efeitos do h\u00e1bitat na diversidade de esp\u00e9cies end\u00eamicas \u2013 que ocorrem em apenas um ecossistema \u2013 de camar\u00e3o girino. De acordo com o pesquisador, v\u00e1rias dessas esp\u00e9cies s\u00e3o agora protegidas pelo governo dos Estados Unidos em raz\u00e3o dos trabalhos do laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p>O objetivo agora \u00e9 expandir o projeto para outras esp\u00e9cies simp\u00e1tricas \u2013 varia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas de popula\u00e7\u00f5es que habitam a mesma regi\u00e3o geogr\u00e1fica, tornando-se esp\u00e9cies diferentes. \u201cTamb\u00e9m estamos examinando os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, da pesca excessiva, da polui\u00e7\u00e3o e da fragmenta\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitat sobre a resili\u00eancia dos recifes de coral\u201d, disse Grosberg.<\/p>\n<p>Luciano Martins Verdade, professor do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de S\u00e3o Paulo (Cena-USP) e membro da coordena\u00e7\u00e3o do Programa , falou sobre a import\u00e2ncia do monitoramento da biocomplexidade em todos os ecossistemas.<\/p>\n<p>\u201cSeja no meio aqu\u00e1tico ou terrestre, precisamos de mecanismos de monitoramento que nos permitam tomar decis\u00f5es de interven\u00e7\u00e3o humana para corrigir problemas gerados por press\u00f5es \u2013 como, por exemplo, de pesca excessiva ou uso de produtos agroqu\u00edmicos \u2013 que contaminam o meio, mas s\u00e3o necess\u00e1rios \u00e0 atividade agr\u00edcola\u201d, considerou.<\/p>\n<p>Verdade destacou em sua palestra a necessidade de o processo produtivo levar em considera\u00e7\u00e3o a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade.<\/p>\n<p>\u201cHoje, mais do que nunca, a paisagem em que a pesca ou a agricultura s\u00e3o feitas \u00e9 a mesma ocupada pela diversidade biol\u00f3gica. O que se pretende \u00e9 uma paisagem que seja de fato multifuncional, que tenha a miss\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies domesticadas, mas comporte tamb\u00e9m uma miss\u00e3o de conserva\u00e7\u00e3o da diversidade biol\u00f3gica\u201d, disse.<\/p>\n<p>Correntes mar\u00edtimas<\/p>\n<p>Outro fator diretamente ligado \u00e0 vida nos oceanos e fora deles, as correntes mar\u00edtimas, foi abordado na FAPESP Week California por Edmo Jos\u00e9 Dias Campos, professor do Instituto Oceanogr\u00e1fico da USP.<\/p>\n<p>Campos apresentou as atividades de pesquisa conduzidas no \u00e2mbito do Projeto Tem\u00e1tico , realizado com apoio da FAPESP e que integra o projeto internacional South Atlantic Meridional Overtuning Circulation (Samoc).<\/p>\n<p>\u201cEstamos atuando para entender o comportamento das regi\u00f5es profundas do oceano em uma \u00e1rea onde n\u00e3o h\u00e1 observa\u00e7\u00f5es anteriores\u201d, destacou Campos. Segundo ele, as observa\u00e7\u00f5es mais recentes surpreenderam pela intensidade das correntes do Atl\u00e2ntico Sul.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 temos um conjunto de correntes medidas a quatro mil metros de profundidade que est\u00e3o mostrando varia\u00e7\u00f5es de amplitude muito maiores do que o esperado. Tamb\u00e9m verificamos que a componente leste-oeste dessa corrente tem uma variabilidade muito grande, como se houvesse uma esp\u00e9cie de meandramento ou oscila\u00e7\u00e3o lateral, com amplitudes muito grandes. Precisamos revisitar os dados e analis\u00e1-los, mas tudo indica que se trata de um fen\u00f4meno in\u00e9dito\u201d, disse.<\/p>\n<p>O conhecimento sobre o comportamento das correntes pode ajudar na compreens\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u201cSe conseguirmos manter esse sistema de observa\u00e7\u00e3o ao longo do tempo, vamos poder dizer se h\u00e1 altera\u00e7\u00f5es de mais longo per\u00edodo e considerar suas rela\u00e7\u00f5es com o clima\u201d, disse Campos.<\/p>\n<p>Os trabalhos s\u00e3o realizados com o navio de pesquisa oceanogr\u00e1fica Alpha-Crucis, adquirido pela FAPESP no \u00e2mbito do projeto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Diego Freire, de Davis (EUA), Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Apesar de cobrir 70% da superf\u00edcie do planeta, os oceanos s\u00e3o o ecossistema menos explorado da Terra. 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