{"id":63144,"date":"2014-12-01T13:51:49","date_gmt":"2014-12-01T15:51:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=63144"},"modified":"2014-12-01T13:51:49","modified_gmt":"2014-12-01T15:51:49","slug":"primeiro-recenseamento-de-nuvens-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/primeiro-recenseamento-de-nuvens-do-brasil\/63144","title":{"rendered":"Primeiro recenseamento de nuvens do Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Para conseguir prever com precis\u00e3o eventos extremos, como tempestades, ou simular cen\u00e1rios de impactos das <em><strong>mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong><\/em>, \u00e9 preciso avan\u00e7ar no conhecimento dos processos f\u00edsicos que ocorrem no interior das nuvens e descobrir a varia\u00e7\u00e3o de fatores como o tamanho das gotas de chuva, a propor\u00e7\u00e3o das camadas de \u00e1gua e de gelo e o funcionamento das descargas el\u00e9tricas.<\/p>\n<p>Com esse objetivo, uma s\u00e9rie de campanhas para coleta de dados foi realizada entre 2010 e 2014 em seis cidades brasileiras \u2013 Alc\u00e2ntara (MA), Fortaleza (CE), Bel\u00e9m (PA), S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SP), Santa Maria (RS) e Manaus (AM) \u2013 no \u00e2mbito de um \u00a0coordenado por Luiz Augusto Toledo Machado, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Essas campanhas contaram com a participa\u00e7\u00e3o de pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e de diversas faculdades de Meteorologia no Brasil, que sediaram os experimentos.<\/p>\n<p>Os principais resultados da iniciativa, conhecida como \u201c\u201d, foram descritos em um \u00a0de capa do Bulletin of the American Meteorological Society, revista de grande impacto na \u00e1rea de meteorologia.<\/p>\n<p>Segundo Machado, as regi\u00f5es escolhidas para a pesquisa de campo representam os diferentes regimes de precipita\u00e7\u00e3o existentes no Brasil. \u201c\u00c9 importante fazer essa caracteriza\u00e7\u00e3o regional para que os modelos matem\u00e1ticos possam fazer previs\u00f5es em alta resolu\u00e7\u00e3o, ou seja, em escala de poucos quil\u00f4metros\u201d, disse o pesquisador.<\/p>\n<p>Um conjunto comum de instrumentos \u2013 que inclui radares de nuvens de dupla polariza\u00e7\u00e3o \u2013 foi usado nos diferentes s\u00edtios de forma que as medidas pudessem ser comparadas e parametrizadas para modelagem.<\/p>\n<p>O radar de dupla polariza\u00e7\u00e3o, em conjunto com outros instrumentos, envia ondas horizontais e verticais que, por reflex\u00e3o, indicam o formato dos cristais de gelo e das gotas de chuva, ajudando a elucidar a composi\u00e7\u00e3o das nuvens e os mecanismos de forma\u00e7\u00e3o e intensifica\u00e7\u00e3o das descargas el\u00e9tricas durante as tempestades. Tamb\u00e9m foram coletados dados como temperatura, umidade e composi\u00e7\u00e3o de aeross\u00f3is.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, experimentos adicionais distintos foram realizados em cada uma das seis cidades. No caso de Alc\u00e2ntara, onde a coleta de dados ocorreu em mar\u00e7o de 2010, o experimento teve como foco o desenvolvimento de algoritmos de estimativa de precipita\u00e7\u00e3o para o sat\u00e9lite internacional Global Precipitation Measurement (GPM) \u2013 lan\u00e7ado em fevereiro de 2014 pela Nasa (a ag\u00eancia espacial americana) e pela Ag\u00eancia Japonesa de Explora\u00e7\u00e3o Aeroespacial (Jaxa).<\/p>\n<p>\u201cNaquela regi\u00e3o, o grande desafio \u00e9 conseguir estimar a precipita\u00e7\u00e3o das chamadas nuvens quentes, que n\u00e3o t\u00eam cristais de gelo em seu interior. Elas s\u00e3o comuns na regi\u00e3o do semi\u00e1rido nordestino\u201d, explicou Machado.<\/p>\n<p>Por n\u00e3o abrigarem gelo, a chuva dessas nuvens passa despercebida pelos sensores de micro-ondas que equipam os sat\u00e9lites usados normalmente para medir a precipita\u00e7\u00e3o, resultando em dados imprecisos.<\/p>\n<p>As medi\u00e7\u00f5es de nuvens quentes feitas por radar em Alc\u00e2ntara, comparadas com as medi\u00e7\u00f5es feitas por sat\u00e9lite, indicaram que os valores de volume de \u00e1gua estavam subestimados em mais de 50%.<\/p>\n<p>Em Fortaleza, onde a coleta foi feita em abril de 2011, foi testado em parceria com a Defesa Civil um sistema de previs\u00e3o de tempestades em tempo real e de acesso aberto chamado Sistema de Observa\u00e7\u00e3o de Tempo Severo ().<\/p>\n<p>\u201cUsamos os dados que estavam sendo coletados pelos radares e os colocamos em tempo real dentro de um sistema de informa\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas. Dessa forma, \u00e9 poss\u00edvel fazer previs\u00f5es para as pr\u00f3ximas duas horas. E saber onde chove forte no momento, onde tem rel\u00e2mpago e como a situa\u00e7\u00e3o vai se modificar em 20 ou 30 minutos. Tamb\u00e9m acrescentamos um mapa de alagamento, que permite prever as regi\u00f5es que podem ficar alagadas caso a \u00e1gua suba um metro, por exemplo\u201d, contou Machado.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia foi t\u00e3o bem-sucedida, contou o pesquisador, que a equipe decidiu repeti-la nas campanhas realizadas posteriormente. \u201cO SOS Chuva contribui para diminuir a vulnerabilidade da popula\u00e7\u00e3o a eventos extremos do clima, pois oferece informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o apenas para os agentes da Defesa Civil como tamb\u00e9m para os cidad\u00e3os\u201d, disse.<\/p>\n<p>Em junho de 2011 foi realizada a campanha de coleta de dados em Bel\u00e9m, onde os pesquisadores usaram uma rede de instrumentos de GPS para estimar a quantidade de \u00e1gua na atmosfera. Os resultados devem ser publicados em breve. Tamb\u00e9m foram lan\u00e7ados bal\u00f5es meteorol\u00f3gicos capazes de voar durante 10 horas e coletar dados da atmosfera. \u201cO objetivo era entender o fluxo de vapor d\u2019\u00e1gua que vem do Oceano Atl\u00e2ntico que forma a chuva na Amaz\u00f4nia&#8221;, contou Machado.<\/p>\n<p>Entre novembro de 2011 e mar\u00e7o de 2012, foi realizada a campanha de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, cujo foco era estudar os rel\u00e2mpagos e a eletricidade atmosf\u00e9rica. Para isso, foi utilizado um conjunto de redes de detec\u00e7\u00e3o de descargas el\u00e9tricas em parceria com a Ag\u00eancia de Pesquisas Oce\u00e2nicas e Atmosf\u00e9ricas (NOAA), dos Estados Unidos, e a Ag\u00eancia Europeia de Sat\u00e9lites Meteorol\u00f3gicos (Eumetsat).<\/p>\n<p>\u201cForam coletados dados para desenvolver os algoritmos dos sensores de descarga el\u00e9trica dos sat\u00e9lites geoestacion\u00e1rios de terceira gera\u00e7\u00e3o, que ainda ser\u00e3o lan\u00e7ados pela NOAA e pela Eumetsat nesta d\u00e9cada. Outro objetivo era entender como a nuvem vai se modificando antes que ocorra a primeira descarga el\u00e9trica, de forma a prever a ocorr\u00eancia de raios\u201d, contou Machado.<\/p>\n<p>Em Santa Maria, entre novembro e dezembro de 2012, foram testados, em parceria com pesquisadores argentinos, modelos matem\u00e1ticos de previs\u00e3o de eventos extremos. Segundo Machado, a regi\u00e3o que abrange o sul do Brasil e o norte da Argentina que ocorrem as tempestades mais severas do mundo.<\/p>\n<p>\u201cOs resultados mostraram que os modelos ainda n\u00e3o s\u00e3o precisos o suficiente para prever com efic\u00e1cia a ocorr\u00eancia desses eventos extremos. Em 2017, faremos um novo experimento semelhante, chamado Rel\u00e2mpago, no norte da Argentina\u201d, contou Machado.<\/p>\n<p>GOAmazon<\/p>\n<p>As duas opera\u00e7\u00f5es intensivas de coleta de dados realizadas em Manaus \u2013 a primeira entre fevereiro e mar\u00e7o de 2014 e a segunda entre setembro e outubro do mesmo ano \u2013 ainda n\u00e3o haviam ocorrido quando o artigo foi submetido \u00e0 publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A campanha foi feita no \u00e2mbito do projeto \u00a0e contou com dois avi\u00f5es voando em diferentes alturas para acompanhar a pluma de polui\u00e7\u00e3o emitida pela regi\u00e3o metropolitana de Manaus. O objetivo era avaliar a intera\u00e7\u00e3o entre os poluentes e os compostos emitidos pela floresta, bem como seu impacto nas propriedades de nuvens (leia mais em). Os dados ainda est\u00e3o em fase de an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Ao comentar as principais diferen\u00e7as encontradas nas diversas regi\u00f5es brasileiras, Machado destaca que as regi\u00f5es Sul e Sudeste s\u00e3o as que apresentam gotas de chuva de tamanhos maiores e uma camada mista, na qual h\u00e1 \u00e1gua no estado l\u00edquido e s\u00f3lido, mais desenvolvida. Essa \u00e9, segundo o pesquisador, a principal raz\u00e3o da maior incid\u00eancia de descargas el\u00e9tricas nesses locais.<\/p>\n<p>J\u00e1 as nuvens da Amaz\u00f4nia apresentam a camada de gelo no topo \u2013 acima de 20 quil\u00f4metros de altura \u2013 mais bem desenvolvida que a de outras regi\u00f5es. As regi\u00f5es litor\u00e2neas, como Alc\u00e2ntara e Fortaleza, apresentam em maior quantidade as chamadas nuvens quentes, nas quais quase n\u00e3o h\u00e1 descargas el\u00e9tricas.<\/p>\n<p>\u201cFoi o primeiro recenseamento de nuvens feito no Brasil. Essas informa\u00e7\u00f5es servir\u00e3o de base para testar e desenvolver modelos capazes de descrever em detalhes a forma\u00e7\u00e3o de nuvens, com alta resolu\u00e7\u00e3o espacial e temporal\u201d, concluiu o pesquisador.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Para conseguir prever com precis\u00e3o eventos extremos, como tempestades, ou simular cen\u00e1rios de impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, \u00e9 preciso avan\u00e7ar no conhecimento dos processos f\u00edsicos que ocorrem no interior das nuvens e descobrir a varia\u00e7\u00e3o de fatores como o tamanho das gotas de chuva, a propor\u00e7\u00e3o das camadas de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":28410,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":{"0":"post-63144","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"entry","9":"gs-1","10":"gs-odd","11":"gs-even","12":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/previsao-do-tempo-temperatura.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63144","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63144"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63144\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28410"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63144"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63144"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63144"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}