{"id":62404,"date":"2014-11-14T14:12:36","date_gmt":"2014-11-14T16:12:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=62404"},"modified":"2014-11-14T14:12:36","modified_gmt":"2014-11-14T16:12:36","slug":"crise-economica-ainda-afeta-a-pesquisa-desenvolvimento-e-inovacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/crise-economica-ainda-afeta-a-pesquisa-desenvolvimento-e-inovacao\/62404","title":{"rendered":"Crise econ\u00f4mica ainda afeta a pesquisa, desenvolvimento e inova\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Por Elton Alisson, Ag\u00eancia FAPESP \u2013 a\u00a0mais recente crise econ\u00f4mica global afetou severamente os <em><strong>investimentos em pesquisa<\/strong><\/em>, desenvolvimento e inova\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses industrializados e seus impactos ainda n\u00e3o foram completamente absorvidos.<\/p>\n<p>No per\u00edodo posterior ao in\u00edcio da crise \u2013 de 2008 a 2013 \u2013, a taxa de investimento em pesquisa, desenvolvimento e inova\u00e7\u00e3o (PD&amp;I) nos pa\u00edses da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) em rela\u00e7\u00e3o ao Produto Interno Bruto (PIB) foi de 1,6%, correspondendo \u00e0 metade da registrada entre 2001 e 2008, antes do in\u00edcio da recess\u00e3o econ\u00f4mica mundial.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o \u00e9 de um relat\u00f3rio sobre tend\u00eancias em pol\u00edtica cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica e desempenho no setor em mais de 45 pa\u00edses, incluindo os da OCDE e economias emergentes, lan\u00e7ado pela organiza\u00e7\u00e3o internacional no dia 12 de novembro.<\/p>\n<p>Alguns dos principais destaques do relat\u00f3rio, intitulado OECD Science, Technology and Industrial Outlook 2014, foram antecipados durante um  dos cinco anos de funda\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Unesp de Inova\u00e7\u00e3o (), realizado no dia 11 de novembro em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u201cA recupera\u00e7\u00e3o dos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inova\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses industrializados tem sido modesta e ainda n\u00e3o retornou aos patamares observados antes do in\u00edcio da crise\u201d, disse Sandrine Kergroach, analista de pol\u00edtica da diretoria de ci\u00eancia, tecnologia e ind\u00fastria da OCDE em palestra durante o evento.<\/p>\n<p>De acordo com dados apresentados por Kergroach, a crise econ\u00f4mica global fez com que o or\u00e7amento p\u00fablico para PD&amp;I de muitos pa\u00edses estagnasse ou diminu\u00edsse a partir de 2008.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses da OCDE em investimentos globais em PD&amp;I caiu de 90% para 70% em uma d\u00e9cada, quando as economias mais avan\u00e7adas cortaram or\u00e7amentos no setor.<\/p>\n<p>Por outro lado, os investimentos da China dobraram entre 2008 e 2012 e o pa\u00eds pode se tornar at\u00e9 2019 um dos que mais investem no setor no mundo, superando a Uni\u00e3o Europeia e os Estados Unidos, de acordo com o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u201cA China agora \u00e9 um dos principais pa\u00edses impulsionadores da pesquisa, desenvolvimento e inova\u00e7\u00e3o em escala mundial\u201d, disse Kergroach. \u201cOutros pa\u00edses integrantes dos Briics [grupo formado por Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, Indon\u00e9sia, China e \u00c1frica do Sul] tamb\u00e9m est\u00e3o tornando a inova\u00e7\u00e3o o motor principal do crescimento econ\u00f4mico e est\u00e3o tentando melhorar sua capacidade de inovar.\u201d<\/p>\n<p>Em 2012, a despesa em PD&amp;I dos Briics foi de US$ 330 bilh\u00f5es ante US$ 1,1 trilh\u00e3o dos pa\u00edses da OCDE. O bloco de pa\u00edses emergentes produziu cerca de 12% das publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas de alto impacto no mundo em 2013, ante 28% dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u201cEsse percentual de participa\u00e7\u00e3o dos Briics em publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas de alto impacto equivale a quase o dobro da que registravam h\u00e1 uma d\u00e9cada\u201d, destaca o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Investimentos no Brasil<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil, o documento destaca que o pa\u00eds resistiu bem \u00e0 crise econ\u00f4mica mundial e registra um crescimento em trajet\u00f3ria ascendente. O total de gastos em ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao PIB registrado pelo pa\u00eds em 2008 \u2013 de 1,08% \u2013 est\u00e1 abaixo da m\u00e9dia dos pa\u00edses da OCDE, mas acima de outras grandes economias da Am\u00e9rica Latina, como Argentina, Chile e M\u00e9xico, ponderam os autores do relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do pa\u00eds \u00e9 inferior \u00e0 dos pa\u00edses da OCDE tanto em termos de artigos cient\u00edficos publicados em revistas cient\u00edficas de alto impacto como em n\u00famero de patentes e marcas registradas.<\/p>\n<p>Uma das raz\u00f5es apontadas pelos autores do relat\u00f3rio para os n\u00fameros relativamente baixos de patentes brasileiras est\u00e1 na quantidade de empresas inovadoras. \u201cO n\u00famero de empresas que inovam no Brasil, de fato, \u00e9 muito baixo\u201d, disse Glauco Arbix, presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), durante palestra no evento.<\/p>\n<p>Segundo Arbix, a \u00faltima Pesquisa de Inova\u00e7\u00e3o (Pintec) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), que compreendeu o per\u00edodo de 2000 a 2011, calculou entre 6,5 mil e 7 mil empresas que realizam P&amp;D continuamente.<\/p>\n<p>O total de disp\u00eandios na \u00e1rea realizado por essas empresas \u00e9 semelhante \u00e0 m\u00e9dia das firmas dos pa\u00edses da OCDE, comparou Arbix. \u201cO Brasil conta com um n\u00facleo industrial bastante din\u00e2mico, que investe em pesquisa e desenvolvimento em padr\u00f5es semelhantes aos dos pa\u00edses da OCDE, com uma taxa equivalente \u00e0 aproximadamente 2,5% a 3% de seu faturamento\u201d, disse.<\/p>\n<p>Segundo Arbix, se o Brasil mantiver o mesmo ritmo de crescimento de produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica observado nos \u00faltimos anos, o pa\u00eds poder\u00e1 atingir a m\u00e9dia de publica\u00e7\u00e3o de artigos cient\u00edficos em revistas de alto impacto dos pa\u00edses da OCDE em 36 anos.<\/p>\n<p>J\u00e1 para aproximar-se da m\u00e9dia dos investimentos em ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses avan\u00e7ados, os investimentos p\u00fablicos no setor feitos pelo Brasil precisariam aumentar em pelo menos 10% ao ano, saltando dos atuais R$ 28 bilh\u00f5es para R$ 50 bilh\u00f5es por ano, indicou Arbix.<\/p>\n<p>Intera\u00e7\u00e3o de universidades com empresas<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio tamb\u00e9m destaca que a base cient\u00edfica est\u00e1 cada vez mais concentrada nas universidades. Em 2012, as universidades e os institutos de pesquisa p\u00fablicos gastaram US$ 330 bilh\u00f5es em PD&amp;I. Os Estados Unidos foram respons\u00e1veis por 36% desse montante, os principais pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia por 38% e o Jap\u00e3o por 10%.<\/p>\n<p>A maior parte da PD&amp;I dos pa\u00edses desenvolvidos, contudo, \u00e9 feita por empresas, que, na opini\u00e3o de especialistas, \u00e9 o lugar onde, de fato, essa atividade tem que ser realizada.<\/p>\n<p>\u201cA maior parte da inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica tem que ser feita nos laborat\u00f3rios de pesquisa das empresas, e \u00e0s vezes elas podem contar com a ajuda de universidades\u201d, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor cient\u00edfico da FAPESP durante palestra no evento.<\/p>\n<p>\u201cNos Estados Unidos, por exemplo, as empresas sediadas no pa\u00eds investiram em 2010 US$ 200 bilh\u00f5es para fazer pesquisa. Desse total, elas usaram 1,1% para contratar projetos com universidades\u201d, disse.<\/p>\n<p>Brito Cruz destacou que o principal papel da universidade \u00e9 formar bem milhares de estudantes por ano, que v\u00e3o fazer a economia de um pa\u00eds se desenvolver. E, para fazer isso, as institui\u00e7\u00f5es de ensino superior precisam criar oportunidades para que os estudantes se envolvam com atividades de pesquisa que levem \u00e0 inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Uma das oportunidades est\u00e1 na intera\u00e7\u00e3o com empresas para a realiza\u00e7\u00e3o de projetos conjuntos de pesquisa. \u201cPara formar bem seus estudantes, \u00e9 importante que as universidades tenham relacionamento com empresas, realizando projetos de pesquisa em conjunto e estimulando a cria\u00e7\u00e3o de start-ups, por exemplo\u201d, indicou Brito Cruz.<\/p>\n<p>Segundo o diretor cient\u00edfico da FAPESP, a participa\u00e7\u00e3o das empresas no total de investimentos em pesquisa feito pelas tr\u00eas universidades p\u00fablicas estaduais paulistas \u2013 a Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) \u2013 est\u00e1 na m\u00e9dia das 20 universidades norte-americanas que t\u00eam mais contratos com o setor privado para a realiza\u00e7\u00e3o de projetos de pesquisa.<\/p>\n<p>O percentual de participa\u00e7\u00e3o das empresas nos investimentos em pesquisa est\u00e1 em 6,7% na Unicamp, 6% na USP e 5,5% na Unesp, segundo Brito Cruz. Se fosse uma universidade norte-americana, a Unicamp seria a 11\u00aa institui\u00e7\u00e3o que mais recebe recursos privados para realizar pesquisa colaborativa, logo atr\u00e1s da University of Pennsylvania.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o d\u00e1 para dizer que uma universidade dessa, como a Unicamp, tenha pouca intera\u00e7\u00e3o com as empresas\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia de inova\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Com a proposta de estruturar parcerias em pesquisa com o setor privado, as universidades p\u00fablicas paulistas criaram nos \u00faltimos anos ag\u00eancias de inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Auin, da Unesp, por exemplo, foi criada h\u00e1 cinco anos e teve como seu primeiro diretor Jos\u00e9 Arana Varela, professor do Instituto de Qu\u00edmica da universidade, do campus de Araraquara, e diretor-presidente do Conselho T\u00e9cnico-Administrativo (CTA) da FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cA ideia era que a Unesp tivesse uma ag\u00eancia de inova\u00e7\u00e3o extremamente profissional, com estrutura enxuta, e capaz de conversar e entender a linguagem do setor empresarial\u201d, disse Varela, que recebeu durante o evento uma homenagem por sua contribui\u00e7\u00e3o para a cria\u00e7\u00e3o da Auin.<\/p>\n<p>\u201cA Ag\u00eancia Unesp de Inova\u00e7\u00e3o e as de outras universidades devem ajudar na forma\u00e7\u00e3o de empreendedores, dando suporte e trazendo para as institui\u00e7\u00f5es pesquisadores de empresas. Quanto mais as empresas se aproximarem das universidades, mais elas e a sociedade, em geral, v\u00e3o se beneficiar do conhecimento e dos talentos produzidos pelas institui\u00e7\u00f5es de ensino superior\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>A s\u00edntese do relat\u00f3rio OECD Science, Technology and Industrial Outlook 2014 pode ser lida em .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Elton Alisson, Ag\u00eancia FAPESP \u2013 a\u00a0mais recente crise econ\u00f4mica global afetou severamente os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inova\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses industrializados e seus impactos ainda n\u00e3o foram completamente absorvidos. 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