{"id":61744,"date":"2014-10-30T15:56:24","date_gmt":"2014-10-30T17:56:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=61744"},"modified":"2014-10-30T15:56:24","modified_gmt":"2014-10-30T17:56:24","slug":"estudo-investiga-atraso-da-estacao-chuvosa-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/estudo-investiga-atraso-da-estacao-chuvosa-na-amazonia\/61744","title":{"rendered":"Estudo investiga atraso da esta\u00e7\u00e3o chuvosa na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p> Por Karina Toledo, de Washington Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A transi\u00e7\u00e3o da esta\u00e7\u00e3o seca para a <strong><em>esta\u00e7\u00e3o chuvosa<\/em><\/strong> no sul da Amaz\u00f4nia costuma ocorrer entre os meses de setembro e outubro. Atrasos nesse processo causam fortes impactos na agricultura local, na gera\u00e7\u00e3o de energia e no funcionamento dos grandes rios da regi\u00e3o, dos quais a popula\u00e7\u00e3o depende at\u00e9 mesmo para se locomover.<\/p>\n<p>As fortes secas que afetaram a Amaz\u00f4nia nos anos de 2005 e 2010, bem como as enchentes de 2009 e 2014, indicam uma crescente variabilidade no in\u00edcio do per\u00edodo das chuvas que os modelos de previs\u00e3o do clima ainda n\u00e3o s\u00e3o capazes de detectar com sensibilidade.<\/p>\n<p>Compreender melhor os fatores que influenciam essa transi\u00e7\u00e3o e, dessa forma, aperfei\u00e7oar os modelos matem\u00e1ticos existentes \u00e9 o objetivo de um \u00a0e coordenado pelo pesquisador Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Marengo Orsini, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em parceria com a cientista Rong Fu, da University of Texas, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>&#8220;Observamos um aumento de quase um m\u00eas na dura\u00e7\u00e3o do per\u00edodo de seca, quando comparado aos dados dos anos 1970. Os modelos matem\u00e1ticos existentes indicam que esse atraso no in\u00edcio das chuvas tende a aumentar. Queremos investigar se h\u00e1 influ\u00eancia da pluma de polui\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o metropolitana de Manaus nesse processo&#8221;, contou Marengo.<\/p>\n<p>A pesquisa est\u00e1 sendo realizada no \u00e2mbito da campanha cient\u00edfica Green Ocean Amazon (GOAmazon), que re\u00fane pesquisadores de diversas universidades e institutos brasileiros e norte-americanos e conta com financiamento do Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE, na sigla em ingl\u00eas), da FAPESP e da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), entre outros parceiros (leia mais em:).<\/p>\n<p>Resultados preliminares foram apresentados na ter\u00e7a-feira (28\/10), em Washington (Estados Unidos), durante o simp\u00f3sio .<\/p>\n<p>&#8220;Evid\u00eancias da literatura sugerem que a transi\u00e7\u00e3o do per\u00edodo de seca para o de chuvas \u00e9 influenciada por fatores externos, como anomalias na temperatura da superf\u00edcie do oceano, transporte de umidade, entre outros. Mas o gatilho para essa transi\u00e7\u00e3o est\u00e1 sem d\u00favida dentro da floresta&#8221;, disse Fu.<\/p>\n<p>Os pesquisadores est\u00e3o trabalhando com dois diferentes modelos, um americano, chamado Community Earth System Model (Cesm), e o Modelo Brasileiro do Sistema Terrestre (Besm, na sigla em ingl\u00eas). Mas, segundo Marengo, eles ainda n\u00e3o s\u00e3o capazes de representar com precis\u00e3o os impactos da extens\u00e3o da seca no sul da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Existem par\u00e2metros que precisam ser melhorados, como a inclus\u00e3o de aeross\u00f3is e a representa\u00e7\u00e3o das nuvens baixas. A ideia \u00e9 usar toda a gama de dados gerada pelos diversos experimentos do GOAmazon para alimentar esses modelos e aperfei\u00e7o\u00e1-los&#8221;, contou Marengo.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, a regi\u00e3o sul da Amaz\u00f4nia \u00e9 a que sofre mais com o atraso do in\u00edcio das chuvas, pois no norte n\u00e3o h\u00e1 um per\u00edodo de seca definido. Al\u00e9m do impacto sobre as popula\u00e7\u00f5es, os cientistas temem que o prolongamento do per\u00edodo de seca possa causar danos permanentes \u00e0 floresta.<\/p>\n<p>&#8220;O ser humano se adapta, mas a floresta pode come\u00e7ar a secar e ficar mais vulner\u00e1vel a queimadas. Quando come\u00e7ar a chover pode ser tarde demais. Somente com o aperfei\u00e7oamento dos modelos poderemos ter mais certeza sobre os poss\u00edveis impactos&#8221;, disse Marengo.<\/p>\n<p>Modelando nuvens<\/p>\n<p>Outro \u00a0realizado no \u00e2mbito do GOAmazon que tem como objetivo o aperfei\u00e7oamento de modelos de previs\u00e3o clim\u00e1tica foi apresentado no simp\u00f3sio em Washington por Tercio Ambrizzi, do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas (IAG) da USP e por seu colega Carlos Roberto Mechoso, da University of California em Los Angeles (Ucla).<\/p>\n<p>&#8220;Nosso objetivo \u00e9 investigar como os aeross\u00f3is produzidos pela regi\u00e3o de Manaus influenciam o processo de forma\u00e7\u00e3o de nuvens na Amaz\u00f4nia. N\u00f3s comparamos as simula\u00e7\u00f5es que os diversos modelos s\u00e3o capazes de fazer com dados reais que est\u00e3o sendo produzidos nos diversos s\u00edtios de pesquisa do GOAmazon&#8221;, disse Ambrizzi.<\/p>\n<p>Depois de aperfei\u00e7oados, esses modelos poder\u00e3o ser incorporados em programas que desenham cen\u00e1rios de mudan\u00e7a clim\u00e1tica, aumentando o grau de confiabilidade das proje\u00e7\u00f5es, afirmou o pesquisador.<\/p>\n<p>Ao todo, o grupo trabalha com cinco diferentes modelos matem\u00e1ticos, entre eles um de previs\u00e3o do clima global, um de previs\u00e3o regional e um voltado especificamente \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de nuvens. H\u00e1 ainda um programa capaz de mapear a trajet\u00f3ria das nuvens, desde o desenvolvimento inicial, a matura\u00e7\u00e3o e o decaimento, na forma de chuva, com aux\u00edlio de imagens de sat\u00e9lite.<\/p>\n<p>Por meio do chamado modelo lagrangiano de difus\u00e3o de part\u00edculas, o grupo de Ambrizzi investiga detalhadamente de onde vem a umidade existente na regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia e para onde ela se dirige. Os primeiros resultados foram divulgados em na revista Hydrology and Earth System Sciences.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 poss\u00edvel ver claramente pela trajet\u00f3ria das part\u00edculas que as regi\u00f5es do Atl\u00e2ntico tropical norte e sul s\u00e3o fontes de umidade para a Amaz\u00f4nia. Essas part\u00edculas caminham at\u00e9 a regi\u00e3o Sudeste, onde se transformam em chuva&#8221;, disse Ambrizzi.<\/p>\n<p>S\u00edtios de pesquisa<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio de 2014, uma gama enorme de dados sobre composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica de aeross\u00f3is e gases atmosf\u00e9ricos, microf\u00edsica de nuvens e par\u00e2metros meteorol\u00f3gicos est\u00e1 sendo coletada nos diversos s\u00edtios de pesquisa instalados na regi\u00e3o amaz\u00f4nica para o projeto GOAmazon.<\/p>\n<p>O chamado s\u00edtio T3, localizado em Manacapuru, a 100 km de Manaus, \u00e9 onde est\u00e1 instalada a estrutura do Atmospheric Radiation Measurement (ARM) Facility \u2013 um conjunto m\u00f3vel de equipamentos terrestres e a\u00e9reos desenvolvido para estudos clim\u00e1ticos e pertencente ao DoE. O local recebe a pluma de Manaus ap\u00f3s percorrer um longo caminho e sofrer intera\u00e7\u00f5es com part\u00edculas emitidas pela floresta e com a radia\u00e7\u00e3o solar.<\/p>\n<p>O T2 est\u00e1 situado no munic\u00edpio de Iranduba, situado na margem do Rio Negro oposta \u00e0 cidade de Manaus, e recebe a pluma de polui\u00e7\u00e3o assim que ela \u00e9 emitida. L\u00e1 foi instalado com \u00a0um cont\u00eainer com equipamentos semelhantes aos existentes em Manacapuru.<\/p>\n<p>A infraestrutura para coleta de dados do GOAmazon conta ainda com duas torres instaladas dentro da cidade de Manaus, na sede do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (Inpa), batizada de s\u00edtio T1, e um conjunto de torres ao norte de Manaus \u2013 conhecido como T0 \u2013, que inclui a Torre Alta de Observa\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia (Atto), com 320 metros de altura. O T0 est\u00e1 situado no lado oposto ao percorrido pela pluma e representa, portanto, as condi\u00e7\u00f5es da atmosfera amaz\u00f4nica sem a influ\u00eancia da polui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos analisando os dados das esta\u00e7\u00f5es antes da pluma de Manaus e depois da pluma de Manaus. A primeira constata\u00e7\u00e3o \u00e9 que, sem conhecer a situa\u00e7\u00e3o da qu\u00edmica atmosf\u00e9rica antes da pluma, no T0, fica quase imposs\u00edvel interpretar os dados coletados no T3, onde est\u00e1 a infraestrutura do ARM&#8221;, ressaltou Paulo Artaxo, professor do Instituto de F\u00edsica (IF) da USP e idealizador do projeto GOAmazon ao lado de Scot Martin, da Harvard University, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o entre os dados coletados nos diversos s\u00edtios, afirmou Artaxo, revela haver forte influ\u00eancia da pluma de Manaus na composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica dos aeross\u00f3is e dos gases tra\u00e7o observados em Manacapuru.<\/p>\n<p>&#8220;Qual \u00e9 o impacto e suas consequ\u00eancias ainda vamos analisar. J\u00e1 vimos, em rela\u00e7\u00e3o ao oz\u00f4nio, que h\u00e1 um aumento de at\u00e9 quatro vezes na concentra\u00e7\u00e3o quando se comparam o T0 e o T3. Passa de 10 partes por milh\u00e3o (ppm) para 40 ppm ap\u00f3s a pluma, chegando a n\u00edveis que podem ser danosos \u00e0s plantas. Vimos tamb\u00e9m forte efeito no balan\u00e7o de radia\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica, alterando a quantidade de radia\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel para as plantas realizarem fotoss\u00edntese&#8221;, disse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo, de Washington Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A transi\u00e7\u00e3o da esta\u00e7\u00e3o seca para a esta\u00e7\u00e3o chuvosa no sul da Amaz\u00f4nia costuma ocorrer entre os meses de setembro e outubro. Atrasos nesse processo causam fortes impactos na agricultura local, na gera\u00e7\u00e3o de energia e no funcionamento dos grandes rios da regi\u00e3o, dos quais a popula\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":26302,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":{"0":"post-61744","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"entry","9":"gs-1","10":"gs-odd","11":"gs-even","12":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/previsao-tempo-clima-temperatura-.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61744","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61744"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61744\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26302"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61744"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61744"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61744"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}