{"id":60798,"date":"2014-10-06T15:34:22","date_gmt":"2014-10-06T18:34:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=60798"},"modified":"2014-10-06T15:34:22","modified_gmt":"2014-10-06T18:34:22","slug":"cientistas-criam-vetor-viral-para-fortalecer-imunidade-contra-o-cancer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/cientistas-criam-vetor-viral-para-fortalecer-imunidade-contra-o-cancer\/60798","title":{"rendered":"Cientistas criam vetor viral para fortalecer imunidade contra o c\u00e2ncer"},"content":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo, de Caxambu, Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Pesquisadores de Campinas trabalham no desenvolvimento de um vetor viral capaz de modificar o funcionamento de determinadas c\u00e9lulas de defesa e, dessa forma, estimular o <em><strong>sistema imunol\u00f3gico a combater o c\u00e2ncer<\/strong><\/em> com mais efici\u00eancia.<\/p>\n<p>A pesquisa est\u00e1 sendo realizada com \u00a0da FAPESP no Laborat\u00f3rio de Vetores Virais (LVV), instalado no Laborat\u00f3rio Nacional de Bioci\u00eancias do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (LNBio\/CNPEM).<\/p>\n<p>Dados preliminares foram apresentados pelo coordenador do LVV, Marcio Chaim Bajgelman, durante a 29\u00aa Reuni\u00e3o Anual da Federa\u00e7\u00e3o de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), realizada em agosto em Caxambu (MG).<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m da muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica que desencadeia o c\u00e2ncer, h\u00e1 uma s\u00e9rie de outros eventos que ocorrem paralelamente no organismo e podem favorecer ou n\u00e3o a prolifera\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas tumorais. Um desses eventos \u00e9 a pr\u00f3pria resposta imunol\u00f3gica do indiv\u00edduo, que n\u00f3s estamos tentando modular\u201d, disse Bajgelman \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, dados da literatura cient\u00edfica indicam que portadores de c\u00e2ncer costumam apresentar concentra\u00e7\u00f5es elevadas de um tipo de linf\u00f3cito conhecido como c\u00e9lula T reguladora (Treg), cujo papel \u00e9 inibir a prolifera\u00e7\u00e3o de outros linf\u00f3citos que poderiam atacar as c\u00e9lulas tumorais.<\/p>\n<p>Em uma situa\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica, as c\u00e9lulas Treg t\u00eam a importante miss\u00e3o de trazer equil\u00edbrio ao sistema imune, para que tecidos do organismo n\u00e3o sejam atacados desnecessariamente. Mas, em portadores de c\u00e2ncer, explicou Bajgelman, elas podem ajudar a proteger o tumor.<\/p>\n<p>\u201cAs c\u00e9lulas tumorais produzem subst\u00e2ncias que atraem todos os tipos de c\u00e9lulas T. Quando as Treg migram para o s\u00edtio tumoral, elas interagem com as chamadas c\u00e9lulas T CD4 efetoras e as desarmam. Se conseguirmos inibir a atua\u00e7\u00e3o da Treg, ou talvez at\u00e9 convert\u00ea-las em TCD4 efetoras, poder\u00edamos potencializar a imunidade antitumoral\u201d, disse Bajgelman.<\/p>\n<p>O grande desafio dessa proposta terap\u00eautica, segundo Bajgelman, \u00e9 conseguir diferenciar uma Treg de uma c\u00e9lula TCD4 efetora, uma vez que morfologicamente os dois tipos de linf\u00f3citos s\u00e3o muito parecidos e possuem, inclusive, o mesmo marcador na superf\u00edcie da membrana celular: o receptor CD25.<\/p>\n<p>\u201cExistem estrat\u00e9gias de inibi\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas Treg que usam anticorpos contra o receptor CD25. Mas essa abordagem inibe tanto as Treg quanto as TCD4 efetoras. Nesse caso, ficam ativos apenas os linf\u00f3citos TCD8, que tamb\u00e9m t\u00eam atividade antitumoral. Na literatura cient\u00edfica, h\u00e1 resultados controversos sobre a efic\u00e1cia desse tipo de terapia. N\u00f3s estamos tentando inibir as c\u00e9lulas Treg de forma mais seletiva\u201d, contou Bajgelman.<\/p>\n<p>A sa\u00edda encontrada pelos pesquisadores foi escolher como alvo do vetor viral a prote\u00edna FOXP3, um fator de transcri\u00e7\u00e3o existente no n\u00facleo das c\u00e9lulas Treg que \u00e9, justamente, o respons\u00e1vel pelo fen\u00f3tipo imunossupressor.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 inserir em um v\u00edrus modificado um RNA de interfer\u00eancia capaz de impedir a express\u00e3o de FOXP3 nas c\u00e9lulas Treg \u2013 anulando, assim, sua atividade imunossupressora. Para isso, os pesquisadores escolheram um vetor lentiviral, que \u00e9 derivado do HIV humano, mas n\u00e3o tem potencial para se replicar ou causar doen\u00e7as.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s inserimos nesse vetor um RNA de interfer\u00eancia capaz de se ligar exclusivamente ao RNA mensageiro que codifica a prote\u00edna FOXP3. Para aumentar ainda mais a especificidade da terapia, inserimos tamb\u00e9m um promotor, que vai fazer com que esse RNA de interfer\u00eancia seja dirigido apenas a c\u00e9lulas que expressam FOXP3. Por \u00faltimo, alteramos o caps\u00eddeo [parte externa] do v\u00edrus para que ele se dirija apenas aos linf\u00f3citos TCD4\u201d, contou.<\/p>\n<p>Primeiros testes<\/p>\n<p>Nos primeiros experimentos realizados in vitro, com culturas de c\u00e9lulas isoladas de ba\u00e7o de camundongos, o RNA de interfer\u00eancia desenhado pela equipe do LVV conseguiu inibir a express\u00e3o de FOXP3 em cerca de 80%.<\/p>\n<p>Em seguida, foram feitos ensaios funcionais para comprovar se a inibi\u00e7\u00e3o de FOXP3 com aux\u00edlio do vetor viral poderia, de fato, beneficiar a prolifera\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas TCD4 efetoras.<\/p>\n<p>\u201cMarcamos as c\u00e9lulas TCD4 efetoras com um corante fluorescente e induzimos a prolifera\u00e7\u00e3o. \u00c0 medida que elas v\u00e3o se dividindo, a intensidade do corante vai diminuindo\u201d, contou o pesquisador.<\/p>\n<p>Quando, na placa de cultura, h\u00e1 a presen\u00e7a de c\u00e9lulas Treg, a taxa de prolifera\u00e7\u00e3o das TCD4 efetoras diminui em torno de 20%. J\u00e1 quando o vetor viral foi colocado, os cientistas observaram que a taxa de prolifera\u00e7\u00e3o retornou ao n\u00edvel observado no grupo controle.<\/p>\n<p>Os cientistas do LVV pretendem agora aprimorar o RNA de interfer\u00eancia e o promotor que ser\u00e3o inseridos no vetor viral para tornar sua a\u00e7\u00e3o ainda mais espec\u00edfica. Quando essa etapa estiver conclu\u00edda, os primeiros ensaios com animais poder\u00e3o come\u00e7ar.<\/p>\n<p>\u201cAtualmente, h\u00e1 poucas op\u00e7\u00f5es para tratar met\u00e1stase no arsenal terap\u00eautico do oncologista. Se os resultados de nossas pesquisas forem positivos, teremos uma nova ferramenta, que poder\u00e1 ser usada em sinergia com outros tratamentos. Poderia, por exemplo, ajudar a reduzir as doses de quimioterapia\u201d, avaliou Bajgelman<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo, de Caxambu, Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Pesquisadores de Campinas trabalham no desenvolvimento de um vetor viral capaz de modificar o funcionamento de determinadas c\u00e9lulas de defesa e, dessa forma, estimular o sistema imunol\u00f3gico a combater o c\u00e2ncer com mais efici\u00eancia. 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