{"id":59918,"date":"2014-09-16T15:36:15","date_gmt":"2014-09-16T18:36:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=59918"},"modified":"2014-09-16T15:36:15","modified_gmt":"2014-09-16T18:36:15","slug":"suplementacao-com-taurina-podera-ajudar-no-tratamento-da-obesidade-e-diabetes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/suplementacao-com-taurina-podera-ajudar-no-tratamento-da-obesidade-e-diabetes\/59918","title":{"rendered":"Suplementa\u00e7\u00e3o com taurina poder\u00e1 ajudar no tratamento da obesidade e diabetes"},"content":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo, de Caxambu, Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Ap\u00f3s suplementar a \u00e1gua de camundongos obesos com o <em><strong>amino\u00e1cido taurina<\/strong><\/em> durante dois meses, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) observaram que os animais n\u00e3o apenas perderam peso de forma significativa como apresentaram diversos benef\u00edcios no controle da glicemia. Os dados sugerem que o tratamento poderia proteger os roedores de desenvolver complica\u00e7\u00f5es como o diabetes.<\/p>\n<p>Os resultados da pesquisa, realizada no Departamento de Biologia Estrutural e Funcional do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, com , foram apresentados pelo professor Everardo Magalh\u00e3es Carneiro durante a 29\u00aa Reuni\u00e3o Anual da Federa\u00e7\u00e3o de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), realizada em agosto em Caxambu (MG).<\/p>\n<p>\u201cA taurina \u00e9 um amino\u00e1cido que n\u00e3o \u00e9 incorporado nas prote\u00ednas de nosso organismo e parece ter um papel importante na sinaliza\u00e7\u00e3o celular. Nossos dados mostram que ela regula a produ\u00e7\u00e3o intracelular de per\u00f3xido de hidrog\u00eanio (H2O2) \u2013 ou \u00e1gua oxigenada \u2013 e isso se correlaciona com a melhor a\u00e7\u00e3o da insulina nos tecidos perif\u00e9ricos\u201d, disse Carneiro.<\/p>\n<p>O pesquisador explicou que a taurina \u00e9 sintetizada naturalmente pelo organismo, principalmente nas c\u00e9lulas do f\u00edgado e do tecido adiposo. Tamb\u00e9m pode ser adquirida pela ingest\u00e3o de alimentos como carne, peixe, mariscos e, em menor quantidade, vegetais.<\/p>\n<p>\u201cA taurina se concentra nas c\u00e9lulas alfa do p\u00e2ncreas, exercendo um papel que ainda estamos tentando descobrir qual \u00e9 exatamente\u201d, disse Carneiro.<\/p>\n<p>A c\u00e9lula alfa, explicou o pesquisador, \u00e9 a respons\u00e1vel pela secre\u00e7\u00e3o do horm\u00f4nio glucagon \u2013 cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 mobilizar a energia estocada na forma de glicog\u00eanio no f\u00edgado durante per\u00edodos de jejum prolongado para prevenir a hipoglicemia, que pode ser fatal. Al\u00e9m disso, dados da literatura mostram que o glucagon produzido pela c\u00e9lula alfa tamb\u00e9m estimula a c\u00e9lula beta, sua vizinha, a secretar insulina.<\/p>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas tipos principais de c\u00e9lulas nas ilhotas pancre\u00e1ticas: a alfa, a beta e a delta. A c\u00e9lula alfa estimula a c\u00e9lula beta a produzir insulina e a c\u00e9lula beta inibe a secre\u00e7\u00e3o de glucagon pela c\u00e9lula alfa. J\u00e1 a delta produz o horm\u00f4nio somatostatina, capaz de inibir tanto a secre\u00e7\u00e3o de insulina quanto de glucagon, dependendo da necessidade.<\/p>\n<p>\u201cParece que, de alguma forma, a taurina modula esse controle par\u00e1crino (no qual um horm\u00f4nio produzido por uma c\u00e9lula controla a atividade da c\u00e9lula vizinha) da insulina, favorecendo maior ou menor secre\u00e7\u00e3o do horm\u00f4nio dependendo do caso\u201d, explicou Carneiro.<\/p>\n<p>Em estudos anteriores, os pesquisadores da Unicamp observaram que, em camundongos com peso normal, a suplementa\u00e7\u00e3o com taurina a 2% na \u00e1gua aumentava a secre\u00e7\u00e3o de insulina pelas c\u00e9lulas beta, fazendo com que as ilhotas de Langerhans do animal ficassem mais responsivas \u00e0 glicose.<\/p>\n<p>Experimentos in vitro feitos com as ilhotas dos animais que receberam a suplementa\u00e7\u00e3o com taurina revelaram que as c\u00e9lulas expressavam mais a forma ativa da prote\u00edna PDX-1, um fator de transcri\u00e7\u00e3o essencial para a s\u00edntese de insulina.<\/p>\n<p>Mostraram tamb\u00e9m que os receptores de insulina nos tecidos perif\u00e9ricos dos animais tamb\u00e9m ficavam mais ativados ap\u00f3s a suplementa\u00e7\u00e3o de taurina, favorecendo a capta\u00e7\u00e3o de glicose no tecido muscular e menor produ\u00e7\u00e3o desse a\u00e7\u00facar pelo f\u00edgado. Os resultados foram divulgados no .<\/p>\n<p>\u201cParece que a taurina \u2013 n\u00e3o sabemos ainda se de forma direta ou indireta \u2013 induz a express\u00e3o de certas prote\u00ednas, como a fosfolipase-C, a PKA? e a PKC, na c\u00e9lula beta. E isso culmina com uma maior secre\u00e7\u00e3o de insulina. Decidimos ent\u00e3o investigar se isso tamb\u00e9m aconteceria em um modelo de obesidade induzida por dieta\u201d, disse Carneiro.<\/p>\n<p>Homeostase glic\u00eamica<\/p>\n<p>Para induzir o sobrepeso nos camundongos, os pesquisadores ofereceram uma dieta contendo 31% de gordura de porco a partir do desmame. Por volta de 3 ou 4 meses de vida, os animais j\u00e1 eram considerados obesos e pr\u00e9-diab\u00e9ticos, ou seja, apresentavam intoler\u00e2ncia \u00e0 glicose (demora para a remo\u00e7\u00e3o do nutriente da corrente sangu\u00ednea) e resist\u00eancia \u00e0 insulina.<\/p>\n<p>\u201c\u00c0 medida que o tecido adiposo aumenta, a demanda por insulina aumenta e a c\u00e9lula beta acaba ficando hipertrofiada. Por outro lado, esse tecido adiposo aumentado produz subst\u00e2ncias inflamat\u00f3rias e pequenos horm\u00f4nios que atrapalham a liga\u00e7\u00e3o da insulina com seus receptores nas c\u00e9lulas-alvo\u201d, disse Carneiro.<\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o, mesmo o organismo produzindo mais insulina, sua a\u00e7\u00e3o fica menos eficiente e isso sinaliza para o p\u00e2ncreas produzir ainda mais insulina e vira um c\u00edrculo vicioso que acaba levando \u00e0 fal\u00eancia das c\u00e9lulas beta e, consequentemente, ao diabetes\u201d, disse.<\/p>\n<p>Paralelamente, acrescentou o pesquisador, a resist\u00eancia \u00e0 insulina e a consequente dificuldade de levar o nutriente para dentro das c\u00e9lulas acaba resultando em maior produ\u00e7\u00e3o de glucagon pelas c\u00e9lulas alfa, fazendo aumentar ainda mais os n\u00edveis de glicose no sangue.<\/p>\n<p>No mesmo estudo, parte dos camundongos recebeu suplementa\u00e7\u00e3o com taurina a 5% na \u00e1gua durante o tratamento com a dieta rica em gordura. Ap\u00f3s cinco meses de tratamento, as an\u00e1lises revelaram que as ilhotas pancre\u00e1ticas dos animais haviam diminu\u00eddo de tamanho, ficando com aspecto semelhante \u00e0s do grupo controle n\u00e3o obeso. Tamb\u00e9m foram reduzidos em 45% os n\u00edveis de secre\u00e7\u00e3o de insulina, que foram acompanhados de melhoria parcial da intoler\u00e2ncia \u00e0 glicose e da resist\u00eancia \u00e0 insulina.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, houve uma melhora parcial de 20% e 4% na glicose e colesterol plasm\u00e1ticos, respectivamente. Isso foi associado com um aumento de 75% na atividade de uma prote\u00edna intermedi\u00e1ria da cascata de sinaliza\u00e7\u00e3o da insulina no f\u00edgado, mas n\u00e3o nos m\u00fasculos. Parte dos resultados foi publicada na revista.<\/p>\n<p>Obesidade gen\u00e9tica<\/p>\n<p>Em seguida, os pesquisadores realizaram o mesmo experimento com um grupo de camundongos portadores de obesidade gen\u00e9tica. Nesse caso, o ac\u00famulo de gordura \u00e9 causado por uma muta\u00e7\u00e3o no gene que codifica o horm\u00f4nio leptina no tecido adiposo.<\/p>\n<p>\u201cA leptina \u00e9 um horm\u00f4nio importante para o controle do apetite. Ele atua no hipot\u00e1lamo e sinaliza para o organismo que \u00e9 hora de parar de comer. Nos portadores dessa muta\u00e7\u00e3o, o organismo n\u00e3o produz leptina \u2013 o que acaba levando a uma ingest\u00e3o descontrolada de alimento\u201d, explicou Carneiro.<\/p>\n<p>Nesse protocolo de estudo, os camundongos obesos receberam suplementa\u00e7\u00e3o com 5% de taurina na \u00e1gua durante 60 dias. As an\u00e1lises mostraram uma redu\u00e7\u00e3o do peso no grupo tratado, em torno de 16%.<\/p>\n<p>A intoler\u00e2ncia \u00e0 glicose diminuiu 35%, a resist\u00eancia \u00e0 insulina, 30% e a produ\u00e7\u00e3o hep\u00e1tica de glicose, 28% \u2013 ainda significativamente superiores aos camundongos n\u00e3o obesos.<\/p>\n<p>\u201cOutro teste interessante que fizemos com o animal obeso \u00e9 o de toler\u00e2ncia ao glucagon, que consiste em administrar esse horm\u00f4nio e observar o quanto ele consegue mobilizar de glicose no f\u00edgado. No obeso, a produ\u00e7\u00e3o hep\u00e1tica de glicose \u00e9 alt\u00edssima em rela\u00e7\u00e3o ao controle \u2013 94% maior. J\u00e1 no obeso tratado com taurina esse valor cai para 39%\u201d, disse Carneiro.<\/p>\n<p>No momento, os pesquisadores estudam mudan\u00e7as no padr\u00e3o de express\u00e3o de mais de 11 mil genes no hipot\u00e1lamo induzidas pelas interven\u00e7\u00f5es realizadas nos experimentos.<\/p>\n<p>\u201cOs dados preliminares mostram que a taurina modula a express\u00e3o de v\u00e1rios genes de forma a promover uma melhor adapta\u00e7\u00e3o dos animais com rela\u00e7\u00e3o ao comportamento alimentar, que reflete em melhor controle glic\u00eamico. Tamb\u00e9m parece proteger as c\u00e9lulas do hipot\u00e1lamo contra o estresse de ret\u00edculo endoplasm\u00e1tico, que \u00e9 um fen\u00f4meno envolvido na morte de diversos tipos celulares, entre eles os neur\u00f4nios\u201d, disse Carneiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo, de Caxambu, Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Ap\u00f3s suplementar a \u00e1gua de camundongos obesos com o amino\u00e1cido taurina durante dois meses, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) observaram que os animais n\u00e3o apenas perderam peso de forma significativa como apresentaram diversos benef\u00edcios no controle da glicemia. 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