{"id":59521,"date":"2014-09-08T14:08:38","date_gmt":"2014-09-08T17:08:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=59521"},"modified":"2014-09-08T14:08:38","modified_gmt":"2014-09-08T17:08:38","slug":"degradacao-florestal-no-brasil-preocupa-especialistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/degradacao-florestal-no-brasil-preocupa-especialistas\/59521","title":{"rendered":"Degrada\u00e7\u00e3o florestal no Brasil preocupa especialistas"},"content":{"rendered":"<p>Por Elton Alisson Ag\u00eancia FAPESP \u2013 O Brasil avan\u00e7ou muito nos \u00faltimos 25 anos no monitoramento do <em><strong>desmatamento da Floresta Amaz\u00f4nica<\/strong><\/em> por meio de a\u00e7\u00f5es como a implementa\u00e7\u00e3o do Programa de C\u00e1lculo do Deflorestamento da Amaz\u00f4nia (Prodes), em 1988, e do Sistema de Detec\u00e7\u00e3o do Desmatamento em Tempo Real (Deter), em 2004 \u2013 ambos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Agora, precisa olhar com mais aten\u00e7\u00e3o para outro problema ambiental t\u00e3o grave quanto o desmatamento: a degrada\u00e7\u00e3o florestal, que afeta n\u00e3o s\u00f3 a Amaz\u00f4nia, mas tamb\u00e9m outros biomas brasileiros.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">A avalia\u00e7\u00e3o foi feita por um grupo de pesquisadores de institui\u00e7\u00f5es como Inpe, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa), Nasa (a ag\u00eancia espacial dos Estados Unidos), Instituto Max Planck (na Alemanha) e Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) durante o\u00a0Workshop on Monitoring Forest Dynamics: carbon stocks, greenhouse gas fluxes and biodiversity, realizado entre os dias 2 e 4 de setembro na Universidade de Bras\u00edlia (UnB).<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cPrecisamos interpretar os dados do desmatamento na Amaz\u00f4nia, mas tamb\u00e9m olhar para outros processos da din\u00e2mica florestal como a degrada\u00e7\u00e3o florestal, que tamb\u00e9m tem impactos nas fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas, no armazenamento de carbono e na conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade\u201d, disse Mercedes Bustamante, professora do Departamento de Ecologia da UnB e organizadora do evento.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">De acordo com os participantes do encontro, a degrada\u00e7\u00e3o florestal difere do desmatamento, que se caracteriza pelo corte raso de \u00e1rvores e respons\u00e1vel pela altera\u00e7\u00e3o significativa da paisagem da Amaz\u00f4nia brasileira, quando parcelas da floresta s\u00e3o convertidas em \u00e1reas de pastagem.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">J\u00e1 a degrada\u00e7\u00e3o \u00e9 definida pela perda da capacidade da floresta de realizar suas fun\u00e7\u00f5es originais, como contribuir para o balan\u00e7o clim\u00e1tico, h\u00eddrico e de carbono, em raz\u00e3o do corte seletivo de \u00e1rvores de interesse comercial e de queimadas intencionais, entre outros fatores.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cA degrada\u00e7\u00e3o fica em uma posi\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria entre a floresta intacta e a que foi transformada em \u00e1rea de pastagem. \u00c9 uma floresta que ainda n\u00e3o foi desmatada completamente\u201d, resumiu Michael Keller, cientista do US Forest Service dos Estados Unidos e pesquisador visitante da Embrapa Monitoramento por Sat\u00e9lite.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cUma floresta degradada j\u00e1 n\u00e3o possui o mesmo estoque de carbono e a biodiversidade que tinha antes de ser afetada, mas, se for feito um manejo bem feito no prazo de 20 a 30 anos, ela pode se regenerar e at\u00e9 mesmo se aproximar de suas caracter\u00edsticas originais\u201d, explicou.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Outra diferen\u00e7a significativa entre os dois processos, segundo os pesquisadores, \u00e9 que o desmatamento \u00e9 mais evidente e inequ\u00edvoco e pode ser observado mais facilmente pelos sat\u00e9lites usados no monitoramento ambiental.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">A degrada\u00e7\u00e3o, por sua vez, \u00e9 mais sutil. Trata-se de um processo de longo prazo e deve ser acompanhada continuamente para que suas causas sejam identificadas.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201c\u00c9 preciso o acompanhamento de longo prazo n\u00e3o s\u00f3 das mudan\u00e7as na cobertura da floresta, mas dos processos que causam essas altera\u00e7\u00f5es ambientais\u201d, disse Bustamante.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cSem isso, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel estimar qual ser\u00e1 a trajet\u00f3ria das florestas degradadas e comparar com informa\u00e7\u00f5es de estudos em campo para avaliar se v\u00e3o se regenerar, se ganhar\u00e3o ou perder\u00e3o carbono ou se podem evoluir para o desmatamento\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Degrada\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">No fim de agosto, o Inpe divulgou pela primeira vez o mapeamento de \u00e1reas de degrada\u00e7\u00e3o florestal na Amaz\u00f4nia Legal nos anos de 2011, 2012 e 2013, feito pelo projeto Mapeamento da Degrada\u00e7\u00e3o Florestal na Amaz\u00f4nia Brasileira (Degrad).<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">O objetivo da iniciativa \u00e9 identificar, por meio de imagens de sat\u00e9lite, as \u00e1reas expostas \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o florestal progressiva pela explora\u00e7\u00e3o seletiva de madeira, com ou sem uso de fogo, mas que ainda n\u00e3o sofreram o corte raso.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Os dados do levantamento apontam que a taxa de degrada\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o nesses tr\u00eas anos foi a menor registrada desde o in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica do projeto, em 2007, e acompanha a tend\u00eancia de queda de desmatamento por corte raso na floresta verificada pelo Prodes ap\u00f3s 2005.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201c\u00c9 preciso investir em um sistema de monitoramento em escala nacional que abranja e leve em conta as particularidades dos diferentes biomas brasileiros que tamb\u00e9m possuem tanta relev\u00e2ncia na regula\u00e7\u00e3o do clima, conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e diversas fun\u00e7\u00f5es ecossist\u00eamicas como a Amaz\u00f4nia\u201d, afirmou Bustamante.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u00c9 mais f\u00e1cil monitorar e identificar a degrada\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia em compara\u00e7\u00e3o com outros biomas brasileiros, porque ela tem uma vegeta\u00e7\u00e3o mais fechada e, por isso, as clareiras provocadas por derrubada de \u00e1rvores, por exemplo, podem ser notadas mais facilmente.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">J\u00e1 o Cerrado tem vegeta\u00e7\u00e3o mais aberta, com maior sazonalidade de \u00e1rvores, arbustos e gram\u00edneas, dificultando a identifica\u00e7\u00e3o das \u00e1reas degradadas.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cA grande \u00eanfase no monitoramento de degrada\u00e7\u00e3o florestal no Brasil tem sido na Amaz\u00f4nia, mas a Embrapa est\u00e1 desenvolvendo, em parceria com o Inpe e a Universidade Federal de Goi\u00e1s, um sistema de classifica\u00e7\u00e3o das terras do Cerrado\u201d, contou Keller.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">O Servi\u00e7o Florestal Brasileiro (SFN) est\u00e1 avan\u00e7ando no desenvolvimento do Invent\u00e1rio Florestal Nacional do Brasil (IFN-BR), contou Joberto Freitas, pesquisador da institui\u00e7\u00e3o, durante palestra no evento.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">A ideia \u00e9 que os dados do invent\u00e1rio sejam integrados com os de sensoriamento remoto para monitorar a degrada\u00e7\u00e3o florestal nos diferentes biomas.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cMuitos pa\u00edses, como os Estados Unidos, utilizam sistemas de monitoramento integrado como esse que o Brasil pretende desenvolver e esse \u00e9 o caminho que o pa\u00eds deve seguir\u201d, avaliou Keller.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cO monitoramento da degrada\u00e7\u00e3o utilizando dados integrados funciona muito melhor do que quando apenas baseado em dados de sat\u00e9lite ou s\u00f3 por meio de invent\u00e1rios de florestas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">REDD+<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Al\u00e9m do controle florestal, o monitoramento da degrada\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para o Brasil e outros pa\u00edses em desenvolvimento definirem estrat\u00e9gias de promo\u00e7\u00e3o de aumento de cobertura vegetal e pedirem compensa\u00e7\u00f5es financeiras por isso, como previsto pela Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima (UNFCCC).<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">O organismo internacional ligado ao IPCC instituiu um mecanismo, denominado REDD+ ou REDD plus, que permite a remunera\u00e7\u00e3o de pa\u00edses em desenvolvimento por seus resultados no combate ao desmatamento e \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o florestal.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">A quest\u00e3o \u00e9 que ainda n\u00e3o se sabe de que forma os pa\u00edses poder\u00e3o comprovar o controle da degrada\u00e7\u00e3o florestal, uma vez que n\u00e3o h\u00e1 uma linha de base para distinguir as suas causas \u2013 que podem ter origem em uma perturba\u00e7\u00e3o natural, como um per\u00edodo de seca intensa, ou na a\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Al\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 uma defini\u00e7\u00e3o clara de degrada\u00e7\u00e3o florestal entre os pr\u00f3prios pa\u00edses signat\u00e1rios da UNFCCC .<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cDo ponto de vista de alguns cientistas e pa\u00edses, a degrada\u00e7\u00e3o \u00e9 a perda no longo prazo da capacidade da floresta de continuar exercendo suas fun\u00e7\u00f5es\u201d, disse Thelma Krug, pesquisadora do Inpe e vice-presidente de uma for\u00e7a-tarefa do IPCC sobre invent\u00e1rios nacionais de gases de efeito estufa.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cPor outro lado, h\u00e1 cientistas e pa\u00edses que dizem que, se a fun\u00e7\u00e3o da floresta for recuperada plenamente, isso n\u00e3o seria degrada\u00e7\u00e3o\u201d, ponderou.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Segundo Krug, n\u00e3o h\u00e1 inten\u00e7\u00e3o de definir o conceito nas negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas internacionais para n\u00e3o dificultar o processo. \u201cSe um determinado pa\u00eds n\u00e3o se vir refletido na defini\u00e7\u00e3o de degrada\u00e7\u00e3o ou de desmatamento em uma negocia\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel obter consenso.\u201d<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">*O rep\u00f3rter viajou a convite da Universidade de Bras\u00edlia (UnB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Elton Alisson Ag\u00eancia FAPESP \u2013 O Brasil avan\u00e7ou muito nos \u00faltimos 25 anos no monitoramento do desmatamento da Floresta Amaz\u00f4nica por meio de a\u00e7\u00f5es como a implementa\u00e7\u00e3o do Programa de C\u00e1lculo do Deflorestamento da Amaz\u00f4nia (Prodes), em 1988, e do Sistema de Detec\u00e7\u00e3o do Desmatamento em Tempo Real (Deter), em 2004 \u2013 ambos do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":28409,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":{"0":"post-59521","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"entry","9":"gs-1","10":"gs-odd","11":"gs-even","12":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/previsao-do-tempo-e-temperatura.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59521","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59521"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59521\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28409"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59521"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59521"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59521"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}