{"id":59083,"date":"2014-08-29T19:46:59","date_gmt":"2014-08-29T22:46:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=59083"},"modified":"2014-08-29T19:46:59","modified_gmt":"2014-08-29T22:46:59","slug":"para-economistas-copa-do-mundo-e-atrasos-em-concessoes-derrubaram-pib","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/para-economistas-copa-do-mundo-e-atrasos-em-concessoes-derrubaram-pib\/59083","title":{"rendered":"Para economistas, Copa do Mundo e atrasos em concess\u00f5es derrubaram PIB"},"content":{"rendered":"<p> O Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e servi\u00e7os produzidos no pa\u00eds, caiu 0,6% no segundo trimestre de 2014, em rela\u00e7\u00e3o aos primeiros tr\u00eas meses do ano. O dado do primeiro trimestre, que antes havia sido divulgado como alta de 0,2%, foi revisto para queda de 0,2%. Para economistas ouvidos pela Ag\u00eancia Brasil, a Copa do Mundo e o atraso em concess\u00f5es de obras de infraestrutura influenciaram na <strong><em>retra\u00e7\u00e3o do PIB<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do professor do Instituto de Economia da Unicamp Bruno de Conti, o resultado j\u00e1 era esperado. \u201cEstamos gerando menos empregos do que em outros momentos, mas a taxa de desemprego ainda est\u00e1 em um patamar historicamente baixo, e a renda do trabalhador est\u00e1 crescendo, mesmo com a discuss\u00e3o sobre a infla\u00e7\u00e3o\u201d, disse. Segundo De Conti, a menor quantidade de dias \u00fateis, em fun\u00e7\u00e3o da Copa do Mundo, impactou no resultado negativo do PIB.<\/p>\n<p>Para o economista, o termo recess\u00e3o t\u00e9cnica \u2013 que se configura por causa da queda do PIB por dois trimestres consecutivos \u2013 pode ser aplicado \u00e0 situa\u00e7\u00e3o atual do pa\u00eds, mas ainda n\u00e3o est\u00e1 afetando de forma significativa a popula\u00e7\u00e3o. \u201cClaro que n\u00e3o \u00e9 desprez\u00edvel, mas \u00e9 um r\u00f3tulo que tende a ser supervalorizado\u201d, disse.<\/p>\n<p>O professor aponta ainda que o atraso nas concess\u00f5es de obras de infraestrutura, que poderia impactar de forma positiva a economia em 2014, dever\u00e1 ocorrer somente no pr\u00f3ximo ano. Para o economista, deve haver uma ligeira alta do PIB no segundo semestre e, em 2015, o indicador dever\u00e1 aumentar.<\/p>\n<p> \u201cEsperava-se que esse investimento aut\u00f4nomo tivesse vindo este ano, com as concess\u00f5es, mas algumas demoras far\u00e3o com que ele venha no ano que vem. Desse ponto de vista, o cen\u00e1rio, para o pr\u00f3ximo ano ser\u00e1, com certeza, melhor, porque esse investimento estar\u00e1 destravado e vir\u00e1 com mais for\u00e7a\u201d, disse o professor da Unicamp, avaliando que o investimento pode ter efeito multiplicador na economia, puxando o consumo\u201cindependente do ajuste que julgam necess\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 o coordenador de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Getulio (FGV), Armando Castelar, avalia que os resultados do PIB apontam para um quadro de estagna\u00e7\u00e3o da economia. A principal causa, segundo ele, \u00e9 a queda da confian\u00e7a dos consumidores e empres\u00e1rios, que est\u00e3o segurando os gastos. Para o professor, a Copa e o atraso nas concess\u00f5es podem ter tido impacto sobre o resultado negativo do \u00faltimo trimestre, mas n\u00e3o devem ser supervalorizados.<\/p>\n<p>\u201cQuando voc\u00ea olha que muitos trabalhadores da ind\u00fastria est\u00e3o em f\u00e9rias coletivas, mostra que n\u00e3o foi um problema de falta de oportunidade para produzir. Foi uma demanda fraca. A Copa teve algum peso, mas acho que foi pequeno\u201d, disse. Sobre as concess\u00f5es, Castelar acredita que \u201c\u00e9 importante n\u00e3o superestimar porque s\u00e3o concess\u00f5es importantes, s\u00e3o muitos bilh\u00f5es, mas em rela\u00e7\u00e3o ao PIB \u00e9 muito pouco\u201d.<\/p>\n<p>Ao ser perguntada se o pa\u00eds est\u00e1 em recess\u00e3o t\u00e9cnica, a gerente da Coordena\u00e7\u00e3o de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca de LaRocque, disse que h\u00e1 uma estabilidade da economia.<\/p>\n<p>Segundo a coordenadora, ap\u00f3s ajustes sazonais, varia\u00e7\u00f5es entre &#8211; 0,5% e 0,5% podem inverter por estarem muito perto de zero, passando de negativas para positivas ou ao contr\u00e1rio, como \u00e9 o caso do resultado do primeiro trimestre. J\u00e1 o resultado do segundo trimestre, de menos 0,6%, nos crit\u00e9rios do IBGE, pode ser garantido como queda.<\/p>\n<p>&#8220;A s\u00e9rie passa por um tratamento estat\u00edstico e o n\u00famero \u00e9 modificado a todo trimestre&#8221;, disse, citando como exemplo o resultado do primeiro trimestre de 2014, que foi revisto. &#8220;Varia\u00e7\u00f5es muito grandes s\u00e3o revistas, mas n\u00e3o mudam de sinal. Varia\u00e7\u00f5es muito pr\u00f3ximas do zero, como -0,2%, podem se modificar no trimestre seguinte&#8221;.<\/p>\n<p>Danilo Macedo &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Carolina Pimentel<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e servi\u00e7os produzidos no pa\u00eds, caiu 0,6% no segundo trimestre de 2014, em rela\u00e7\u00e3o aos primeiros tr\u00eas meses do ano. 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