{"id":59020,"date":"2014-08-28T18:46:52","date_gmt":"2014-08-28T21:46:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=59020"},"modified":"2014-08-28T18:46:52","modified_gmt":"2014-08-28T21:46:52","slug":"estresse-precoce-pode-agravar-depressao-na-vida-adulta-indica-pesquisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/estresse-precoce-pode-agravar-depressao-na-vida-adulta-indica-pesquisa\/59020","title":{"rendered":"Estresse precoce pode agravar depress\u00e3o na vida adulta, indica pesquisa"},"content":{"rendered":"<p>Por Samuel Antenor Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Uma pesquisa realizada na Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMRP-USP) verificou que o chamado <em><strong>estresse precoce<\/strong><\/em> \u2013 termo que engloba tanto traumas e maus-tratos f\u00edsicos como abusos sexuais e emocionais sofridos por crian\u00e7as e adolescentes \u2013 pode agravar quadros de depress\u00e3o na vida adulta.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Coordenada por Mario Juruena, professor no Departamento de Neuroci\u00eancias e Ci\u00eancias do Comportamento da FMRP, a pesquisa detectou registros permanentes no c\u00e9rebro de quem passou por esse tipo de estresse e estabeleceu um meio de identificar a rela\u00e7\u00e3o entre causa e efeito em diferentes tipos de depress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Em parceria com o professor Anthony Cleare, do King\u2019s College London, institui\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica que mant\u00e9m\u00a0<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/www.fapesp.br\/5336\" target=\"_blank\">acordo de coopera\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0com a FAPESP, Juruena identificou altera\u00e7\u00f5es no eixo\u00a0<a class=\"show_modal\" style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/www.agencia.fapesp.br\/19696#hipot\u00e1lamo-pituit\u00e1ria-adrenal\">hipot\u00e1lamo-pituit\u00e1ria-adrenal<\/a>\u00a0(HPA) \u2013 parte do sistema neuroend\u00f3crino que percebe as situa\u00e7\u00f5es causadoras de estresse \u2013 como resultado de estresse precoce em pacientes com psicopatologias depressivas na vida adulta.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Desenvolvido em colabora\u00e7\u00e3o com a Se\u00e7\u00e3o de Neurobiologia dos Transtornos de Humor da Unidade de Doen\u00e7a Afetiva do Instituto de Psiquiatria do King\u2019s College, o estudo avaliou a associa\u00e7\u00e3o entre abusos f\u00edsico, sexual e emocional e neglig\u00eancias na inf\u00e2ncia e altera\u00e7\u00f5es espec\u00edficas no eixo HPA e na fun\u00e7\u00e3o de receptores de horm\u00f4nios respons\u00e1veis pelo metabolismo celular. O objetivo foi analisar desequil\u00edbrios provocados pelo estresse precoce em dois subtipos prevalentes de depress\u00e3o \u2013 a at\u00edpica e a melanc\u00f3lica.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cBuscamos avaliar quadros de depress\u00e3o at\u00edpica e melanc\u00f3lica em adultos com dificuldade de resposta a tratamentos, o que tende a ocorrer com mais frequ\u00eancia quando h\u00e1 hist\u00f3rico de estresse precoce\u201d, disse Juruena \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP. Segundo ele, estudos anteriores e a experi\u00eancia em atendimento cl\u00ednico indicam que, em geral, 50% dos casos de depress\u00e3o n\u00e3o respondem ao tratamento.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Os pacientes estudados foram divididos em tr\u00eas grupos distintos. Em todos foram medidos os n\u00edveis de secre\u00e7\u00e3o do horm\u00f4nio cortisol e suas correla\u00e7\u00f5es com os receptores.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">O primeiro grupo foi formado por pessoas com hist\u00f3rico de estresse precoce e quadros de depress\u00e3o. O segundo, por pessoas com quadros de depress\u00e3o, por\u00e9m sem hist\u00f3rico de estresse precoce. No terceiro (grupo controle), foram reunidos indiv\u00edduos saud\u00e1veis sem hist\u00f3rico de maus-tratos nem sintomas de depress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Em todos, foi aplicado o\u00a0Childhood Trauma Questionnaire\u00a0(CTQ), um tipo de question\u00e1rio sobre traumas na inf\u00e2ncia com perguntas sobre abusos sexual, f\u00edsico e emocional, neglig\u00eancia f\u00edsica e neglig\u00eancia emocional.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Tamb\u00e9m foi feita uma avalia\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es dos receptores do horm\u00f4nio cortisol em cada um dos sujeitos, correlacionando os resultados psicom\u00e9tricos da gravidade da depress\u00e3o e do estresse com os resultados neurobiol\u00f3gicos do eixo HPA e dos receptores.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Aos pesquisados, tamb\u00e9m foram ministradas subst\u00e2ncias corticoides, como fludrocortisona, prednisolona, espironolactona e dexametasona. Essas subst\u00e2ncias interagem com os receptores de cortisol de modo diferente e seletivo e indicam em que receptor o paciente apresenta disfun\u00e7\u00f5es do eixo HPA, por meio da secre\u00e7\u00e3o de cortisol \u2013 que foi avaliado em amostras de saliva.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Oitenta por cento dos pacientes do primeiro grupo receberam o diagn\u00f3stico de depress\u00e3o at\u00edpica. Entre os sintomas desse tipo de depress\u00e3o est\u00e3o a hiperfagia \u2013 tend\u00eancia a comer em demasia, sobretudo doces e carboidratos \u2013 e a hipersonia \u2013 propens\u00e3o para dormir muito. Eles s\u00e3o resultado de uma libera\u00e7\u00e3o muito baixa de cortisol pelo eixo HPA.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Por outro lado, a maioria dos pacientes do segundo grupo foi diagnosticada com depress\u00e3o melanc\u00f3lica. Nesse caso, o desequil\u00edbrio no eixo HPA provoca a libera\u00e7\u00e3o de altos \u00edndices de cortisol, levando a quadros de ins\u00f4nia e perda de apetite.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Gen\u00e9tica e epigen\u00e9tica<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">De acordo com o professor da FMRP, a pesquisa indicou que o estresse precoce exerce influ\u00eancia sobre as pessoas consideradas suscet\u00edveis a apresentar um dos subtipos de depress\u00e3o na vida adulta.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Mesmo passando por eventos traum\u00e1ticos na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, h\u00e1 pessoas que n\u00e3o desenvolvem quadros depressivos, pois n\u00e3o apresentam predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica \u00e0 depress\u00e3o, \u201ctendo algum tipo de resili\u00eancia\u201d, disse Juruena.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cOs quadros de depress\u00e3o apresentam uma intera\u00e7\u00e3o entre a vulnerabilidade do indiv\u00edduo e o ambiente adverso em que ele viveu ou vive. Se um indiv\u00edduo com predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica \u00e0 depress\u00e3o sofrer maus-tratos, os riscos de que desenvolva a doen\u00e7a aumentam muito. Isso ocorre por causa de fatores epigen\u00e9ticos, ou seja, pela influ\u00eancia de fatores externos [ambientais, sociais, econ\u00f4micos] na constitui\u00e7\u00e3o f\u00edsica e ps\u00edquica dos indiv\u00edduos\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Segundo Juruena, embora a s\u00edntese de prote\u00ednas esteja relacionada \u00e0 heran\u00e7a gen\u00e9tica de cada pessoa, crian\u00e7as que passam por estresse precoce t\u00eam modificadas suas caracter\u00edsticas de libera\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas. Fatores ambientais exerceriam o dobro de influ\u00eancia nos quadros depressivos, em compara\u00e7\u00e3o com fatores gen\u00e9ticos.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cQuando a crian\u00e7a sofre estresse precoce, essa informa\u00e7\u00e3o impacta o eixo HPA, onde deixa cicatrizes. Na vida adulta, isso torna mais grave os casos de depress\u00e3o. A pessoa deprimida passa a ter a sua condi\u00e7\u00e3o f\u00edsico-emocional determinada por essa altera\u00e7\u00e3o, apresentando oscila\u00e7\u00f5es nos n\u00edveis hormonais, como o de cortisol, para mais ou para menos, dependendo do subtipo de depress\u00e3o\u201d, disse Juruena.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Trabalhos feitos pelo pesquisador apontam que cerca de 70% dos pacientes com depress\u00e3o t\u00eam hist\u00f3rico de maus-tratos. Al\u00e9m de maior resist\u00eancia aos tratamentos, tamb\u00e9m apresentam maiores \u00edndices de reca\u00edda e de comorbidade.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cA discuss\u00e3o em torno de leis que pro\u00edbam maus-tratos contra crian\u00e7as considera abusos f\u00edsicos, mas trata pouco dos abusos emocionais, que envolvem destratar, humilhar e agredir uma crian\u00e7a verbalmente. A agress\u00e3o com palavras, no entanto, tamb\u00e9m deixa cicatrizes, impulsionando o desenvolvimento de patologias na vida adulta, como pudemos verificar na pesquisa\u201d, disse Juruena.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cO abuso e as neglig\u00eancias emocionais no desenvolvimento de uma crian\u00e7a s\u00e3o os fatores que mais causam impacto na gravidade da depress\u00e3o\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Estudo compartilhado<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Para Juruena, que realizou doutorado e p\u00f3s-doutorado no Instituto de Psiquiatria do King\u2019s College, o conhecimento desenvolvido sobre depress\u00e3o na Unidade de Doen\u00e7as Afetivas da institui\u00e7\u00e3o favoreceu o aprimoramento das pesquisas na FMRP.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cA depress\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a muito resistente ao tratamento, com fatores que podem influenciar a gravidade dos sintomas e gerar cronicidade. Esse estudo nos permitiu chegar a dados que ajudam a corroborar tais evid\u00eancias, j\u00e1 apontadas em pesquisas anteriores realizadas em colabora\u00e7\u00e3o com a equipe do professor Anthony Cleare\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Recentemente, segundo Juruena, outras pesquisas no Brasil tamb\u00e9m abordaram o tema, incluindo trabalhos feitos no grupo do Programa de Assist\u00eancia, Ensino e Pesquisa em Estresse, Trauma e Doen\u00e7a Afetiva (EsTraDA), tamb\u00e9m na FMRP-USP, do qual faz parte. Mas o pesquisador destaca que s\u00e3o necess\u00e1rios novos estudos para elucidar os mecanismos envolvidos na liga\u00e7\u00e3o entre o estresse precoce e quadros depressivos na vida adulta.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Resultados da pesquisa foram publicados em diversas revistas:<\/p>\n<ul style=\"color: #000000;\">\n<li><a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S016503271300517X\" target=\"_blank\">Journal of Affective Disorders<\/a><\/li>\n<li><a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/jop.sagepub.com\/content\/27\/12\/1169\" target=\"_blank\">Journal of Psychopharmacology<\/a>,<\/li>\n<li><a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/journals.lww.com\/jonmd\/Abstract\/2013\/12000\/The_Role_of_Early_Life_Stress_in_Adult_Psychiatric.1.aspx\" target=\"_blank\">The Journal of Nervous and Mental Disease<\/a><\/li>\n<li><a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/journal.frontiersin.org\/Journal\/10.3389\/fpsyt.2014.00002\/abstract\" target=\"_blank\">Frontiers of Psychiatry<\/a><\/li>\n<li><a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S1525505013005532\" target=\"_blank\">Epilepsy &amp; Behavior<\/a><\/li>\n<li><a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/j.1601-5215.2011.00610.x\/full\" target=\"_blank\">Acta Neuropsychiatrica<\/a><\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Samuel Antenor Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Uma pesquisa realizada na Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMRP-USP) verificou que o chamado estresse precoce \u2013 termo que engloba tanto traumas e maus-tratos f\u00edsicos como abusos sexuais e emocionais sofridos por crian\u00e7as e adolescentes \u2013 pode agravar quadros de depress\u00e3o na vida adulta. 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