{"id":57955,"date":"2014-08-04T16:25:41","date_gmt":"2014-08-04T19:25:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=57955"},"modified":"2014-08-04T16:25:41","modified_gmt":"2014-08-04T19:25:41","slug":"aumento-da-escolaridade-do-brasileiro-comeca-a-mudar-perfil-do-eleitor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/aumento-da-escolaridade-do-brasileiro-comeca-a-mudar-perfil-do-eleitor\/57955","title":{"rendered":"Aumento da escolaridade do brasileiro come\u00e7a a mudar perfil do eleitor"},"content":{"rendered":"<p>Se antes era pr\u00e1tica comum prometer cestas b\u00e1sicas, emprego ou tratamento m\u00e9dico em troca de votos para conquistar um mandato, com o aumento da escolaridade do eleitor brasileiro essas propostas come\u00e7am a perder espa\u00e7o para um voto de mais qualidade. Para especialistas, h\u00e1 um novo <strong><em>eleitor<\/em><\/strong> em constru\u00e7\u00e3o e a melhora no n\u00edvel educacional pode se transformar em mais consci\u00eancia pol\u00edtica no m\u00e9dio prazo.<\/p>\n<p>Apesar de a maior parte dos eleitores ainda ter baixa escolaridade, houve aumento no n\u00famero de pessoas com superior completo e incompleto e ensino m\u00e9dio completo e incompleto. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que dos 142,8 milh\u00f5es de eleitores aptos a votar no pleito de outubro, 5,6% (8 milh\u00f5es) terminaram a gradua\u00e7\u00e3o &#8211; 2,8 milh\u00f5es de pessoas a mais que nas elei\u00e7\u00f5es de 2010.<\/p>\n<p>O n\u00famero de pessoas com superior incompleto tamb\u00e9m subiu em rela\u00e7\u00e3o a 2010 \u2013 aumentou em 1,5 milh\u00e3o, passando de 2,7% para 3,6%. O n\u00famero de cidad\u00e3os com ensino m\u00e9dio completo aumentou em 5,9 milh\u00f5es de pessoas, de 13,1% para 16,6%. J\u00e1 o n\u00famero de eleitores com ensino m\u00e9dio incompleto teve um incremento de 1,8 milh\u00e3o, de 18,9% para 19,2%.<\/p>\n<p>Em contrapartida, o n\u00famero de analfabetos e dos que apenas leem e escrevem (analfabetos funcionais) diminuiu. S\u00e3o cerca de 700 mil analfabetos a menos que na elei\u00e7\u00e3o de 2010, passando de 5,8% dos eleitores para 5,1%. No caso dos analfabetos funcionais, s\u00e3o 2,5 milh\u00f5es a menos no pleito de 2014, de 14,5% do eleitorado para 12%.<\/p>\n<p>Para o cientista pol\u00edtico Leonardo Barreto, especialista em comportamento eleitoral, o \u00edndice de desenvolvimento educacional do eleitor \u00e9 reflexo da evolu\u00e7\u00e3o dos indicadores de educa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o brasileira. \u201cAs pessoas melhoraram a capacidade de buscar e processar informa\u00e7\u00f5es porque \u00e9 isso que, basicamente, o n\u00edvel de educa\u00e7\u00e3o mais elevada proporciona.\u201d<\/p>\n<p>O Censo Demogr\u00e1fico 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) indicou que o n\u00edvel de escolariza\u00e7\u00e3o, de um modo geral, tem melhorado no pa\u00eds. No grupo acima de 25 anos, idade considerada suficiente para conclus\u00e3o da gradua\u00e7\u00e3o, o n\u00famero de pessoas sem instru\u00e7\u00e3o ou com ensino fundamental incompleto caiu de 64% em 2000 para 49,3% em 2010. Com ensino m\u00e9dio completo passou de 12,7% para 14,7% e a propor\u00e7\u00e3o de pessoas com ensino superior completo passou de 6,8% para 10,8%.<\/p>\n<p>Para Barreto, ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer que o pa\u00eds j\u00e1 tem um eleitor mais cr\u00edtico e consciente. \u201c\u00c9 um eleitor h\u00edbrido, que combina a necessidade de propostas novas para ele, de pol\u00edticas p\u00fablicas mais universais, com pr\u00e1ticas antigas. Era uma pessoa que at\u00e9 ontem estava dentro de um contingente populacional que era muito suscet\u00edvel a trocas e a propostas clientelistas. \u00c9 uma pessoa que est\u00e1 migrando de um lugar para outro, mas que ainda est\u00e1 no meio do caminho porque essa \u00e9 uma mudan\u00e7a de uma gera\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com o especialista, com o aumento da escolariza\u00e7\u00e3o e da renda, fazer campanha em uma regi\u00e3o pobre n\u00e3o significar\u00e1 encontrar um eleitor desprovido de capacidade cr\u00edtica e de informa\u00e7\u00e3o. \u201cNa periferia, voc\u00ea vai encontrar pessoas cujos filhos est\u00e3o fazendo ou fizeram faculdade. Uma gera\u00e7\u00e3o abastece a outra. O filho que fez faculdade \u00e9 o orgulho da fam\u00edlia, vai influenciar quem n\u00e3o fez. Tem um efeito de dispers\u00e3o desse conhecimento. Isso torna o processo pol\u00edtico mais complexo. Abre uma janela de oportunidades para uma nova gera\u00e7\u00e3o de pol\u00edticos. Quem interpretar e conduzir bem esse processo vai sair na frente\u201d, disse.<\/p>\n<p>O professor do Instituto de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) Paulo Roberto Kramer tamb\u00e9m avalia que o eleitorado brasileiro est\u00e1 em fase de transi\u00e7\u00e3o. Para ele, os dados do TSE comprovam o gradual avan\u00e7o nas condi\u00e7\u00f5es de vida e de educa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. \u201cUm eleitor mais instru\u00eddo costuma ser mais exigente. Esse eleitor tende a transcender o n\u00edvel mais b\u00e1sico de expectativas e necessidades, como o alimento e o teto, e passa a querer pol\u00edticas p\u00fablicas mais amplas, de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e mobilidade urbana de qualidade.\u201d<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o do especialista, os pol\u00edticos v\u00e3o se deparar com uma parcela cada vez maior da popula\u00e7\u00e3o que vai cobrar seus direitos. \u201cEsse novo eleitor certamente vai lan\u00e7ar um desafio para os pol\u00edticos, que \u00e9 repaginar suas propostas, suas maneiras de abordagem, pois est\u00e1 mais cr\u00edtico ao confrontar as promessas que s\u00e3o feitas com a possibilidade de concretiza\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Para a coordenadora-geral da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental (ONG) A\u00e7\u00e3o Educativa, Vera Masag\u00e3o, \u00e0 medida que o pa\u00eds mude o perfil educacional da popula\u00e7\u00e3o, a tend\u00eancia \u00e9 que o perfil do eleitorado tamb\u00e9m seja alterado no sentido de um voto mais consciente.<\/p>\n<p>\u201cPessoas com mais escolaridade se sentem mais empoderadas, sentem menos o pol\u00edtico como algu\u00e9m de quem precisam para ter um favor. Tendem a romper essa vis\u00e3o do clientelismo, daquele pobrezinho que precisa ir l\u00e1 pedir favor para o pol\u00edtico. Aumentam a consci\u00eancia cidad\u00e3 de que eu estou exercendo meu direito votando e que o meu dever tamb\u00e9m n\u00e3o acaba na hora do voto. Tenho que continuar cobrando e \u00e9 dever desse gestor p\u00fablico cumprir as promessas que fez. Esse car\u00e1ter da cidadania \u00e9 refor\u00e7ado\u201d, disse.<\/p>\n<p>Segundo Vera, ao lado da educa\u00e7\u00e3o formal, \u00e9 preciso ampliar a educa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3. \u201cEssa \u00e9 uma educa\u00e7\u00e3o que se d\u00e1 principalmente no engajamento pol\u00edtico. Ent\u00e3o s\u00e3o pessoas participando de partidos, de ONGs, engajadas, acompanhando causas de interesse p\u00fablico e pol\u00edticas p\u00fablicas. \u00c9 dessa forma que a gente vai, de fato, mudar a pol\u00edtica, com mais gente participando e exercendo o controle social.\u201d<\/p>\n<p>Ana Cristina Campos* &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Beraldo <\/p>\n<p>*Colaborou Pedro Peduzzi<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se antes era pr\u00e1tica comum prometer cestas b\u00e1sicas, emprego ou tratamento m\u00e9dico em troca de votos para conquistar um mandato, com o aumento da escolaridade do eleitor brasileiro essas propostas come\u00e7am a perder espa\u00e7o para um voto de mais qualidade. 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