{"id":57868,"date":"2014-08-01T16:11:56","date_gmt":"2014-08-01T19:11:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=57868"},"modified":"2014-08-01T16:11:56","modified_gmt":"2014-08-01T19:11:56","slug":"situacao-na-argentina-pode-afetar-exportacoes-brasileiras-dizem-especialistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/situacao-na-argentina-pode-afetar-exportacoes-brasileiras-dizem-especialistas\/57868","title":{"rendered":"Situa\u00e7\u00e3o na Argentina pode afetar exporta\u00e7\u00f5es brasileiras, dizem especialistas"},"content":{"rendered":"<p>Com a quinta maior reserva internacional do mundo e a d\u00edvida externa sob controle, o Brasil deve sofrer em decorr\u00eancia da <strong><em>d\u00edvida argentina<\/em><\/strong>, com quedas pontuais na Bolsa de Valores e uma pequena alta do d\u00f3lar. Apesar da relativa tranquilidade do lado financeiro, a crise no pa\u00eds vizinho pode respingar na economia brasileira. Segundo especialistas ouvidos pela Ag\u00eancia Brasil, o prov\u00e1vel aprofundamento da recess\u00e3o argentina deve reduzir ainda mais as exporta\u00e7\u00f5es e afetar a ind\u00fastria brasileira.<\/p>\n<p>Terceiro maior destino das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras, a Argentina vinha comprando menos do Brasil por causa da crise cambial que resultou na desvaloriza\u00e7\u00e3o do peso (moeda do pa\u00eds). Nos seis primeiros meses de 2014, as vendas para o pa\u00eds vizinho acumulam queda de 20,4% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado, somando US$ 7,42 bilh\u00f5es. Para os economistas, o default (calote) t\u00e9cnico agravar\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o estava boa. \u201cO que muito provavelmente vai acontecer \u00e9 a piora da recess\u00e3o na Argentina, que consumir\u00e1 menos e comprar\u00e1 menos do resto do mundo. Como 8% das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras v\u00e3o para l\u00e1, \u00e9 prov\u00e1vel que haja impacto na balan\u00e7a comercial [do Brasil] ao longo do tempo\u201d, analisa o economista-chefe da Sulam\u00e9rica Investimentos, Newton Rosa.<\/p>\n<p>Professor da Universidade de Campinas (Unicamp) e ex-secret\u00e1rio de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica do Minist\u00e9rio da Fazenda, Julio Gomes de Almeida adverte que a redu\u00e7\u00e3o nas exporta\u00e7\u00f5es para a Argentina prejudicar\u00e1 principalmente a ind\u00fastria brasileira. \u201cNos \u00faltimos 20 anos, o Brasil perdeu mercado de produtos manufaturados, mas a Argentina e os demais pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul continuaram os principais destinos das mercadorias industrializadas\u201d, explica. \u201cO calote amea\u00e7a n\u00e3o apenas as exporta\u00e7\u00f5es de ve\u00edculos, mas tamb\u00e9m de todos os produtos industrializados.\u201d<\/p>\n<p>A crise cambial na Argentina tinha afetado a venda de ve\u00edculos para o pa\u00eds vizinho, que passou a instituir barreiras comerciais, como taxa\u00e7\u00e3o e licen\u00e7as de importa\u00e7\u00e3o que atrasam os embarques. Em junho, os governos brasileiro e argentino fecharam um novo acordo automotivo. Para cada US$ 1 milh\u00e3o em autom\u00f3veis comprados da Argentina, o Brasil poder\u00e1 exportar at\u00e9 US$ 1,5 milh\u00e3o isento de tarifa. Acima desse valor, os ve\u00edculos pagam 35% para entrar na Argentina.<\/p>\n<p>Para Alexandre Esp\u00edrito Santo, professor de macroeconomia do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibemec), a deteriora\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio com a Argentina \u00e9 muito mais preocupante para o Brasil do que eventuais reflexos no mercado financeiro. \u201cDiferentemente de 2001 [quando a Argentina deixou de pagar a d\u00edvida pela primeira vez], n\u00e3o vejo efeito cascata no mercado financeiro internacional. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito espec\u00edfica, com um pa\u00eds que tem dinheiro, mas est\u00e1 impedido de pagar\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Newton Rosa reiterou que os fundamentos econ\u00f4micos do Brasil s\u00e3o bastante diferentes dos da Argentina. \u201cApesar de um grande d\u00e9ficit nas contas externas, o Brasil tem a d\u00edvida externa sob controle e grandes reservas internacionais. Os agentes financeiros sabem diferenciar cada pa\u00eds. A chance de fuga de capitais do Brasil por causa da situa\u00e7\u00e3o argentina \u00e9 pequena\u201d, diz.<\/p>\n<p>Julio Gomes de Almeida defende que o Brasil ajude a Argentina por meio de linhas de cr\u00e9dito para o com\u00e9rcio exterior. A ideia chegou a ser discutida nas reuni\u00f5es do acordo automotivo, mas n\u00e3o avan\u00e7ou. \u201cO ideal seria que o pa\u00eds, sozinho ou por meio do Mercosul, ajudasse a Argentina, mas isso \u00e9 dif\u00edcil num momento em que o pr\u00f3prio Brasil tem pouca folga de recursos e pouca bala na agulha\u201d, declara.<\/p>\n<p>Wellton M\u00e1ximo \u2013 Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Talita Cavalcante<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a quinta maior reserva internacional do mundo e a d\u00edvida externa sob controle, o Brasil deve sofrer em decorr\u00eancia da d\u00edvida argentina, com quedas pontuais na Bolsa de Valores e uma pequena alta do d\u00f3lar. Apesar da relativa tranquilidade do lado financeiro, a crise no pa\u00eds vizinho pode respingar na economia brasileira. 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