{"id":57860,"date":"2014-08-01T15:54:15","date_gmt":"2014-08-01T18:54:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=57860"},"modified":"2014-08-01T15:54:15","modified_gmt":"2014-08-01T18:54:15","slug":"ferramenta-preve-qualidade-do-ar-com-48-horas-de-antecedencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/ferramenta-preve-qualidade-do-ar-com-48-horas-de-antecedencia\/57860","title":{"rendered":"Ferramenta prev\u00ea qualidade do ar com 48 horas de anteced\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Uma ferramenta computacional desenvolvida por pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) permite prever com pelo menos 48 horas de anteced\u00eancia como ser\u00e1 a <em><strong>qualidade do ar<\/strong><\/em> nas diferentes partes da Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo considerando as condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas e os n\u00edveis de emiss\u00e3o e dispers\u00e3o de poluentes.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Os resultados das simula\u00e7\u00f5es de qualidade do ar realizadas com o modelo matem\u00e1tico nomeado WRF\/Chem (Weather Research and Forecasting model coupled with Chemistry) \u2013 uma adapta\u00e7\u00e3o da ferramenta usada no The National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) e no The National Center for Atmospheric Research (NCAR), dos Estados Unidos \u2013 est\u00e3o dispon\u00edveis para consulta gratuita na p\u00e1gina\u00a0<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/www.lapat.iag.usp.br\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.lapat.iag.usp.br\/<\/a>.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">A plataforma foi aperfei\u00e7oada no \u00e2mbito do Projeto Tem\u00e1tico FAPESP \u201cNarrowing the uncertainties on aerosol and climate changes in S\u00e3o Paulo State: NUANCE-SPS\u201d, coordenado pela professora do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas (IAG\/USP) Maria de F\u00e1tima Andrade.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cUm dos principais objetivos da plataforma \u00e9 combinar a estimativa de concentra\u00e7\u00e3o de poluentes com a previs\u00e3o de poss\u00edveis impactos na sa\u00fade p\u00fablica e o impacto de uso dos diferentes combust\u00edveis para a qualidade do ar. A ideia \u00e9 antecipar eventos de maior polui\u00e7\u00e3o que possam causar aumento na admiss\u00e3o em hospitais decorrente, por exemplo, de doen\u00e7as respirat\u00f3rias. Isso ajudaria no planejamento dos servi\u00e7os de sa\u00fade\u201d, disse Andrade.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Outra vantagem da ferramenta \u00e9 permitir estimar a qualidade do ar em \u00e1reas da Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo que n\u00e3o contam com esta\u00e7\u00f5es de monitoramento da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de S\u00e3o Paulo (Cetesb), ressaltou Thiago Nogueira,\u00a0bolsista\u00a0FAPESP de p\u00f3s-doutorado e membro da equipe do Projeto Tem\u00e1tico.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cA Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo tem 26 esta\u00e7\u00f5es de monitoramento que registram as concentra\u00e7\u00f5es de poluentes e, com base em padr\u00f5es legais e nas condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas, informam se naquela regi\u00e3o a qualidade do ar est\u00e1 boa ou ruim. Mas essas esta\u00e7\u00f5es n\u00e3o conseguem medir de maneira t\u00e3o representativa toda a regi\u00e3o metropolitana, que \u00e9 muito extensa\u201d, disse Nogueira.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Uma terceira utilidade da ferramenta, de acordo com os pesquisadores, \u00e9 a possibilidade de desenhar cen\u00e1rios futuros de concentra\u00e7\u00e3o de poluentes considerando fatores como mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, estimativas de desenvolvimento urbano e altera\u00e7\u00e3o no perfil e no tamanho da frota veicular. Isso poderia, por exemplo, ajudar a avaliar benef\u00edcios de pol\u00edticas p\u00fablicas que visam a estimular o uso de etanol, biodiesel e outros combust\u00edveis considerados menos prejudiciais ao ambiente.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Levantamento de dados<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">A plataforma leva em conta a concentra\u00e7\u00e3o de gases de efeito estufa e dos principais poluentes regulamentados, ou seja, aqueles que t\u00eam uma concentra\u00e7\u00e3o m\u00e1xima aceit\u00e1vel estabelecida por \u00f3rg\u00e3os nacionais e internacionais, como Cetesb, Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) e a Ag\u00eancia de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental dos Estados Unidos (EPA).<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Entre os compostos medidos est\u00e3o os \u00f3xidos de nitrog\u00eanio (NOx), o mon\u00f3xido de carbono (CO) e alguns compostos precursores do oz\u00f4nio troposf\u00e9rico, como hidrocarbonetos e alde\u00eddos. Tamb\u00e9m foi avaliada a concentra\u00e7\u00e3o de material particulado fino que, dependendo da composi\u00e7\u00e3o, pode refletir ou absorver a radia\u00e7\u00e3o solar e ter diferentes impactos no clima e na sa\u00fade humana.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cAs fontes de polui\u00e7\u00e3o podem ser classificadas em estacion\u00e1rias, como as ind\u00fastrias e resid\u00eancias, e em fontes m\u00f3veis, representadas principalmente pelos ve\u00edculos. No caso da Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo, a principal fonte de polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica \u00e9 a emiss\u00e3o veicular\u201d, afirmou Nogueira.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Segundo dados da Cetesb, contou o pesquisador, cerca de 72% do CO existente na atmosfera paulistana tem como fonte os ve\u00edculos leves. As motos emitem outros 19% e os ve\u00edculos pesados, como caminh\u00f5es e \u00f4nibus, 6%.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">No caso dos hidrocarbonetos, poluentes prim\u00e1rios que reagem na atmosfera e formam oz\u00f4nio, 60% v\u00eam de ve\u00edculos leves, 11% de motos e 6% de ve\u00edculos pesados. J\u00e1 60% dos \u00f3xidos de nitrog\u00eanio, poluente tamb\u00e9m respons\u00e1vel pela forma\u00e7\u00e3o de oz\u00f4nio na atmosfera, s\u00e3o emitidos por ve\u00edculos pesados, 19% pelos ve\u00edculos leves e 1% pelas motos.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Para determinar a quantidade de poluente emitido pelos ve\u00edculos s\u00e3o realizados experimentos para a determina\u00e7\u00e3o dos chamados \u201cfatores de emiss\u00e3o\u201d, ou seja, a quantidade (em massa) de cada um dos poluentes emitida por cada tipo de ve\u00edculo existente na frota da capital a cada quil\u00f4metro rodado.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Os experimentos envolvem medidas em t\u00faneis de tr\u00e1fego de ve\u00edculos e medidas em laborat\u00f3rio. Al\u00e9m disso, foram usadas para alimentar o modelo matem\u00e1tico as medi\u00e7\u00f5es feitas rotineiramente pela Cetesb em ve\u00edculos novos para verificar se atendem aos padr\u00f5es legais de emiss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cNo laborat\u00f3rio \u00e9 avaliada uma amostra, composta de ve\u00edculos usados de diferentes modelos e idades. Equipamentos s\u00e3o acoplados no escapamento do carro e \u00e9 simulada uma condi\u00e7\u00e3o real de uso. Nesses experimentos s\u00e3o medidas as emiss\u00f5es de ve\u00edculos rodando com gasolinas de diferentes composi\u00e7\u00f5es, com etanol, e de ve\u00edculos movidos a diesel ou biodiesel\u201d, explicou Nogueira.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Dois experimentos em t\u00faneis foram realizados em 2011: no T\u00fanel Presidente J\u00e2nio Quadros, sob o rio Pinheiros, onde passam apenas ve\u00edculos leves e motos, e em um dos t\u00faneis do Rodoanel M\u00e1rio Covas, onde o fluxo \u00e9 variado.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cLevamos grande parte do nosso laborat\u00f3rio para dentro dos t\u00faneis e, durante duas semanas, captamos amostras de ar e analisamos o que estava sendo emitido pelos ve\u00edculos. Esse tipo de estrat\u00e9gia \u00e9 interessante porque temos ali uma frota mais representativa do real, em condi\u00e7\u00f5es reais de uso e n\u00e3o temos interfer\u00eancia de radia\u00e7\u00e3o solar e de outras fontes de emiss\u00e3o de poluentes\u201d, explicou Nogueira.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Para complementar a coleta de dados, durante o projeto de mestrado de Ivan Hetem, foi medida a ressuspens\u00e3o de poeira do solo decorrente da movimenta\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos, fator que influencia na concentra\u00e7\u00e3o de material particulado da atmosfera.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cPartindo dessas fontes, \u00e9 poss\u00edvel calcular no modelo as concentra\u00e7\u00f5es ambientais de poluentes. Mas o fluxo de ve\u00edculos varia de acordo com o tipo de via e isso precisa ser informado ao modelo. Para isso usamos informa\u00e7\u00f5es da CET [Companhia de Engenharia de Tr\u00e1fego] e de mapas georreferenciados\u201d, contou Andrade.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Ainda segundo Andrade, o grupo vem realizando an\u00e1lises para entender como os poluentes emitidos reagem na atmosfera em fun\u00e7\u00e3o de fatores como temperatura, umidade relativa do ar, dire\u00e7\u00e3o e velocidade dos ventos.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cO objetivo \u00e9 entender a qu\u00edmica de forma\u00e7\u00e3o desses poluentes na atmosfera, principalmente a do oz\u00f4nio e a do material particulado fino, que t\u00eam um importante papel no balan\u00e7o radioativo e impacto significativo na sa\u00fade\u201d, disse Andrade.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">A plataforma continua sendo aprimorada pelos pesquisadores e \u00e9 diariamente comparada com as medi\u00e7\u00f5es do ar atmosf\u00e9rico feitas por um conjunto de equipamentos alocados no IAG\/USP. O grupo planeja ainda realizar uma nova campanha de medi\u00e7\u00f5es em t\u00faneis para obter dados atualizados dos fatores de emiss\u00e3o veicular.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cAs medidas feitas diariamente no IAG servem para validar as previs\u00f5es do modelo e para aliment\u00e1-lo continuamente. Estamos acompanhando, por exemplo, o impacto das mudan\u00e7as no perfil da frota de ve\u00edculos pesados. Hoje j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel um diesel com menor teor de enxofre, o que permite aos ve\u00edculos pesados utilizar um novo motor e catalisador. Mas at\u00e9 que haja renova\u00e7\u00e3o da frota ser\u00e3o necess\u00e1rios alguns anos\u201d, contou Nogueira.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Segundo Andrade, o modelo matem\u00e1tico ajudar\u00e1 a alcan\u00e7ar um dos objetivos centrais do Projeto Tem\u00e1tico, que \u00e9 entender como a Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo contribui como fonte de gases e part\u00edculas para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e, por outro lado, como o clima local e a forma\u00e7\u00e3o de poluentes ser\u00e3o afetados pela eleva\u00e7\u00e3o da temperatura e demais altera\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas associadas \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Segundo a pesquisadora, as primeiras an\u00e1lises sugerem que, embora exista a tend\u00eancia de queda na emiss\u00e3o de alguns poluentes, os n\u00edveis de oz\u00f4nio devem continuar aumentando nos pr\u00f3ximos anos por influ\u00eancia das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cA diminui\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o dos precursores prim\u00e1rios acaba sendo compensada pela mudan\u00e7a nos padr\u00f5es de temperatura e umidade que favorecem as rea\u00e7\u00f5es que formam o oz\u00f4nio na atmosfera. As for\u00e7antes do clima t\u00eam uma influ\u00eancia significativa que podem impedir uma queda mais significativa nessa concentra\u00e7\u00e3o, conforme mostrou a tese de doutorado de Caroline Mazzoli\u201d, contou a pesquisadora.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Andrade destacou, para o desenvolvimento da ferramenta, a parceria com pesquisadores da Cetesb e de diversas institui\u00e7\u00f5es da USP, como a Faculdade de Medicina (FMUSP), o Instituto de F\u00edsica (IF\/USP), o Instituto de Qu\u00edmica (IQ\/USP), o Instituto de Bot\u00e2nica (IB), a Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica (FSP\/USP), o Instituto de Geoci\u00eancias (IGc\/USP), a Escola de Artes, Ci\u00eancias e Humanidades (EACH\/USP) e o Instituto de Pesquisas Energ\u00e9ticas e Nucleares (Ipen). Tamb\u00e9m colaboraram cientistas da Universidade Federal do ABC (UFABC), da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da Universidade Tecnol\u00f3gica Federal do Paran\u00e1 (UTFPR).<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cMuitos resultados relevantes est\u00e3o sendo obtidos a partir dessa colabora\u00e7\u00e3o. Alguns projetos est\u00e3o ligados diretamente \u00e0 melhoria da resolu\u00e7\u00e3o e representa\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es no modelo, como os projetos de tese de Angel Vela e Sergio Ibarra e as disserta\u00e7\u00f5es de mestrado de Mario Calderon e Camila Homann. Outros trabalhos dedicam-se ao conhecimento da composi\u00e7\u00e3o e do comportamento dos constituintes atmosf\u00e9ricos, como nas teses de Pamela Dominutti,\u00a0Beatriz Oyama, Marcelo Silva Viera-Filho e Carlos Oliveira\u201d, ressaltou Andrade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Uma ferramenta computacional desenvolvida por pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) permite prever com pelo menos 48 horas de anteced\u00eancia como ser\u00e1 a qualidade do ar nas diferentes partes da Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo considerando as condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas e os n\u00edveis de emiss\u00e3o e dispers\u00e3o de poluentes. 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