{"id":56952,"date":"2014-07-08T13:47:45","date_gmt":"2014-07-08T16:47:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=56952"},"modified":"2014-07-08T13:47:45","modified_gmt":"2014-07-08T16:47:45","slug":"estudo-comprova-atividades-antioxidante-e-antimicrobiana-da-propolis-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/estudo-comprova-atividades-antioxidante-e-antimicrobiana-da-propolis-brasileira\/56952","title":{"rendered":"Estudo comprova atividades antioxidante e antimicrobiana da pr\u00f3polis brasileira"},"content":{"rendered":"<p>Por Jos\u00e9 Tadeu Arantes Ag\u00eancia FAPESP \u2013 O Brasil \u00e9 o segundo maior produtor mundial de <em><strong>pr\u00f3polis<\/strong><\/em>, sendo superado apenas pela China. Das 700 a 800 toneladas de pr\u00f3polis consumidas anualmente no mundo, o pa\u00eds responde por 150 a 170 toneladas, atendendo, entre outros clientes, a 80% da demanda do mercado japon\u00eas. No entanto, o n\u00famero de patentes brasileiras em rela\u00e7\u00e3o ao produto \u00e9, ainda, extremamente baixo. Estima-se que mais de 43% das patentes mundiais com pr\u00f3polis brasileiras tenham sido depositadas por institui\u00e7\u00f5es ou empresas do Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1, atualmente, um forte interesse do mercado europeu pela pr\u00f3polis org\u00e2nica certificada produzida no Brasil, porque o produto estaria isento de metais pesados e contaminantes microbianos, bem como pela peculiaridade de seu sabor suave. Mas n\u00e3o havia, at\u00e9 recentemente, nenhum estudo atestando que essa pr\u00f3polis fosse capaz de atender \u00e0s expectativas dos consumidores, que buscam o produto por suas poss\u00edveis propriedades antioxidantes, antimicrobianas, anti-inflamat\u00f3rias, anticariog\u00eanicas e at\u00e9 mesmo anticancer\u00edgenas.<\/p>\n<p>Um estudo que confirmou as propriedades antioxidantes e antimicrobianas da pr\u00f3polis org\u00e2nica certificada produzida na Regi\u00e3o Sul do Brasil foi finalizado recentemente pelo engenheiro agr\u00f4nomo Severino Matias de Alencar, professor associado da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), com apoio da FAPESP.<\/p>\n<p>Em colabora\u00e7\u00e3o com o farmac\u00eautico Pedro Luiz Rosalen, professor titular de Farmacologia, Anestesiologia e Terap\u00eautica da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e com a participa\u00e7\u00e3o da doutoranda Ana Paula Tiveron (Esalq) e do p\u00f3s-doutorando Bruno Bueno Silva (Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas, USP), ambos bolsistas da FAPESP, Alencar investigou 78 amostras, coletadas no sul do Paran\u00e1 e norte de Santa Catarina, em diferentes api\u00e1rios.<\/p>\n<p>Nesse total, identificou sete variantes de pr\u00f3polis org\u00e2nica, com comprovadas atividades antioxidante (avaliada pelos m\u00e9todos de sequestro do radical super\u00f3xido, do radical peroxila e do \u00e1cido hipocloroso) e antimicrobiana (em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s bact\u00e9rias Streptococcus mutans, Streptococcus sobrinus, Staphylococcus aureus, Streptococcus oralis e Pseudomonas aeruginosa).<\/p>\n<p>\u201cFoi uma constata\u00e7\u00e3o importante porque havia d\u00favida em rela\u00e7\u00e3o a essas pr\u00f3polis org\u00e2nicas, por causa dos teores muito baixos de flavonoides, que s\u00e3o as subst\u00e2ncias notoriamente respons\u00e1veis pelas propriedades antioxidantes e antimicrobianas das pr\u00f3polis, principalmente de clima temperado. Por\u00e9m, verificamos que essas mesmas propriedades s\u00e3o exercidas, com igual efic\u00e1cia, pelos \u00e1cidos fen\u00f3licos\u201d, disse Alencar \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP. \u201cConstatamos, nas variedades pesquisadas, altos teores de \u00e1cidos g\u00e1lico, cafeico e cum\u00e1rico, entre outros tipos de \u00e1cidos fen\u00f3licos.\u201d<\/p>\n<p>Os \u00e1cidos fen\u00f3licos e os flavonoides pertencem \u00e0 mesma classe qu\u00edmica dos compostos fen\u00f3licos, cuja principal caracter\u00edstica \u00e9 a presen\u00e7a em suas mol\u00e9culas de pelo menos um radical hidroxila ligado a um anel benz\u00eanico.<\/p>\n<p>\u201cA atividade antioxidante decorre da doa\u00e7\u00e3o de el\u00e9trons ou \u00edons de hidrog\u00eanio (H+), origin\u00e1rios da hidroxila, que reduzem os radicais livres oxidantes. J\u00e1 a atividade antimicrobiana decorre de um entre os tr\u00eas modos de a\u00e7\u00e3o seguintes: (1) rea\u00e7\u00e3o com a membrana celular, alterando sua permeabilidade e causando perda de constituintes celulares ou mudan\u00e7as conformacionais em \u00e1cidos graxos dessa membrana; (2) inativa\u00e7\u00e3o de sistemas enzim\u00e1ticos ou de enzimas essenciais, como a H+ATPase; ou (3) suprarregula\u00e7\u00e3o ou infrarregula\u00e7\u00e3o, envolvendo genes de adapta\u00e7\u00e3o ao estresse, glic\u00f3lises e outros fatores\u201d, explicaram Alencar e Rosalen.<\/p>\n<p>Atividade protetora<\/p>\n<p>A atividade antimicrobiana da pr\u00f3polis j\u00e1 era empiricamente conhecida pelos antigos sacerdotes eg\u00edpcios, que a utilizavam no processo de embalsamamento, para proteger as m\u00famias do ataque de fungos e bact\u00e9rias. H\u00e1 relatos de uso da pr\u00f3polis tamb\u00e9m na Idade M\u00e9dia, para prevenir infec\u00e7\u00f5es no cord\u00e3o umbilical de rec\u00e9m-nascidos. E, at\u00e9 mesmo na Segunda Guerra Mundial, a pr\u00f3polis foi empregada como agente cicatrizante e antimicrobiano no tratamento de soldados em alguns hospitais da antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>O produto consiste, basicamente, em uma resina vegetal, exsudada por plantas, e coletada em bot\u00f5es florais pelas abelhas presentes no bioma. As abelhas recolhem a resina e a carregam para a colmeia, onde ela desempenha v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es \u00fateis, como as de veda\u00e7\u00e3o, impermeabiliza\u00e7\u00e3o e assepsia ambiental, entre outras. Foram essas fun\u00e7\u00f5es, essenciais para a preserva\u00e7\u00e3o da colmeia, que fizeram com que o material fosse chamado de \u201cpr\u00f3polis\u201d (do grego, pro, \u201cem benef\u00edcio de\u201d, e polis, \u201ccidade\u201d).<\/p>\n<p>\u201cMuitas plantas secretam resinas para proteger os brotos e as folhas em crescimento. Por causa de sua constitui\u00e7\u00e3o, rica em compostos fen\u00f3licos, essas resinas t\u00eam um grande poder antioxidante, antif\u00fangico e antibacteriano. As abelhas raspam as plantas e transportam as resinas\u201d, detalhou Alencar.<\/p>\n<p>\u201cUma vez na colmeia, a fun\u00e7\u00e3o da pr\u00f3polis \u00e9, antes de tudo, de prote\u00e7\u00e3o f\u00edsica, pois as abelhas t\u00eam fobia \u00e0 luz e utilizam a resina para vedar as frestas e criar um ambiente penumbroso e termicamente isolado. Em raz\u00e3o de sua a\u00e7\u00e3o antimicrobiana, o material funciona tamb\u00e9m como um poderoso esterilizador, fazendo com que a atmosfera interna da colmeia seja muito mais est\u00e9ril do que a atmosfera externa.\u201d<\/p>\n<p>Os produtores retiram a pr\u00f3polis, abrindo janelas laterais, de dois a tr\u00eas cent\u00edmetros de altura, na cobertura resinosa da colmeia \u2013 janelas que as abelhas voltam a fechar, com mais resina.<\/p>\n<p>\u201cAs amostras que colhemos foram produzidas em \u00e1reas de mata nativa ou de reflorestamento. E isso confere \u00e0 produ\u00e7\u00e3o da pr\u00f3polis org\u00e2nica uma virtude a mais, que \u00e9 a de estimular a preserva\u00e7\u00e3o ambiental, indispens\u00e1vel ao \u00eaxito do empreendimento\u201d, afirmou o pesquisador.<\/p>\n<p>\u201cA doutoranda Ana Paulo Tiveron est\u00e1 pesquisando, por meio das t\u00e9cnicas de HPLC semipreparativo e espectrometria de massas, os compostos bioativos respons\u00e1veis pela atividade antioxidante. Esperamos que, com a identifica\u00e7\u00e3o desses compostos biologicamente ativos, possamos ter marcadores qu\u00edmicos para essas pr\u00f3polis\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cEstamos com os trabalhos bastante adiantados para, muito em breve, depositar patentes associadas \u00e0 pr\u00f3polis org\u00e2nica, garantindo a propriedade intelectual ao pa\u00eds\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O passo seguinte, j\u00e1 planejado por Alencar e Rosalen, ser\u00e1 o estudo da poss\u00edvel atividade anti-inflamat\u00f3ria e antinociceptiva (analg\u00e9sica) e da citotoxicidade e da a\u00e7\u00e3o antiproliferativa (anticancer\u00edgena) da pr\u00f3polis org\u00e2nica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os pesquisadores pretendem investigar as eventuais diferen\u00e7as entre as solu\u00e7\u00f5es aquosa e alco\u00f3lica de pr\u00f3polis. A pesquisa que conduziram at\u00e9 agora foi feita com a solu\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica, que \u00e9 a mais f\u00e1cil de produzir. Por\u00e9m, como muitos consumidores n\u00e3o podem ou n\u00e3o querem ingerir \u00e1lcool, existe uma demanda crescente pelo extrato aquoso. \u201cA empresa que industrializa o produto na regi\u00e3o de Uni\u00e3o da Vit\u00f3ria, no Paran\u00e1, est\u00e1 muito interessada em atender esse segmento do mercado e nos solicitou um estudo a respeito\u201d, afirmou Alencar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jos\u00e9 Tadeu Arantes Ag\u00eancia FAPESP \u2013 O Brasil \u00e9 o segundo maior produtor mundial de pr\u00f3polis, sendo superado apenas pela China. Das 700 a 800 toneladas de pr\u00f3polis consumidas anualmente no mundo, o pa\u00eds responde por 150 a 170 toneladas, atendendo, entre outros clientes, a 80% da demanda do mercado japon\u00eas. 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