{"id":56801,"date":"2014-07-03T17:06:42","date_gmt":"2014-07-03T20:06:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=56801"},"modified":"2014-07-03T17:06:42","modified_gmt":"2014-07-03T20:06:42","slug":"varejo-registra-queda-nas-vendas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/varejo-registra-queda-nas-vendas\/56801","title":{"rendered":"Varejo registra queda nas vendas"},"content":{"rendered":"<p> Os torcedores brasileiros e estrangeiros esquentam as vendas em bares e em lojas de enfeites e de televisores durante a <strong><em>Copa do Mundo<\/em><\/strong>. J\u00e1 os outros segmentos do com\u00e9rcio estimam perdas com a realiza\u00e7\u00e3o do torneio, devido aos feriados, que deixam as ruas vazias, e desviam a aten\u00e7\u00e3o dos consumidores para os jogos.<\/p>\n<p>De acordo com o economista da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC) Fabio Bentes, a Copa do Mundo deve movimentar R$ 863 milh\u00f5es em vendas no varejo, principalmente eletroeletr\u00f4nicos e artigos de uso pessoal, como camisetas. \u201cOs televisores est\u00e3o 44% mais baratos que na \u00faltima Copa. H\u00e1 um apelo pelo consumo de televisor. Se as taxas de juros n\u00e3o estivessem t\u00e3o altas, poderia chegar a movimentar perto de R$ 1 bilh\u00e3o com a Copa\u201d, destacou o economista. \u201cOutros segmentos n\u00e3o ganham e alguns at\u00e9 perdem. O problema \u00e9 que foram decretados feriados em diversas cidades do Brasil e isso afeta a lucratividade\u201d, disse Bentes.<\/p>\n<p>Para cada feriado, h\u00e1 perda de 9,2% na lucratividade na compara\u00e7\u00e3o com um dia normal, explica o economista. Esse percentual representa perdas di\u00e1rias de cerca de R$ 600 milh\u00f5es. A redu\u00e7\u00e3o nos lucros ocorre porque em dias de feriado o pagamento para quem trabalha \u00e9 em dobro. \u201cNormalmente, 16% das vendas s\u00e3o usados para pagar sal\u00e1rios. Esse custo dobra com o feriado, o que pressiona a margem de lucro\u201d, ressalta Bentes. \u201cTamb\u00e9m tem que ser considerado os valores dos sal\u00e1rios pagos em cada cidade. No Rio de Janeiro e em S\u00e3o Paulo, onde os sal\u00e1rios s\u00e3o mais altos, o efeito no lucro \u00e9 maior\u201d, completou.<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, a estimativa do Clube dos Diretores Lojistas (CDLRio) \u00e9 a de que as perdas cheguem a R$ 1,9 bilh\u00e3o. A entidade acredita que o faturamento di\u00e1rio das lojas deve cair entre 50% e 70%.<\/p>\n<p>De acordo com o presidente da CDLRio, Aldo Gon\u00e7alves, n\u00e3o s\u00e3o apenas os feriados municipais, em dias de jogos, que atrapalham as vendas. Ele culpa a pr\u00f3pria Copa, por tirar a aten\u00e7\u00e3o dos consumidores. \u201cAs pessoas n\u00e3o est\u00e3o pensando em comprar roupas \u2013 um vestido, um terno \u2013, carro. [Elas] est\u00e3o focadas nos jogos.\u201d<\/p>\n<p>Nas ruas movimentados do centro do Rio, mesmo sem partida da Copa, os vendedores dizem que os clientes sumiram. \u201c\u00c9 hora do almo\u00e7o e veja: loja vazia. Geralmente, \u00e9 quando vendemos mais\u201d, disse o gerente de uma rede varejista, que preferiu n\u00e3o se identificar. Na concorr\u00eancia, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 a mesma. \u201cVendemos 50% a menos que em um m\u00eas normal\u201d, um lojista.<\/p>\n<p> Por outro lado, no com\u00e9rcio popular, as lojas cheias mostram que ainda h\u00e1 gente com disposi\u00e7\u00e3o para comprar. A bi\u00f3loga Adriana Garcia do Esp\u00edrito Santo, 37 anos, busca pulseiras do Brasil. Ela conta que j\u00e1 levou para casa cerca de R$ 200 em produtos, desde que a Copa come\u00e7ou. \u201cComprei camisetas, tiaras, brinco, maquiagem e esmalte. S\u00f3 umas bobagens.\u201d<\/p>\n<p>De f\u00e9rias, o vendedor Jaziel Pinto da Trindade, 31 anos, procurava roupas e brinquedos para os filhos. Disse que o \u201cenxoval\u201d da Copa j\u00e1 foi todo comprado e saiu por cerca de R$ 150. \u201cComprei blusa de malha para mim e para ele [o filho de cinco anos], para torcer pelo Brasil. L\u00e1 em casa, todo mundo tamb\u00e9m comprou camiseta, bandeirinha, essas coisas todas.\u201d<\/p>\n<p>Em Bras\u00edlia, a aposentada Eliane Zwetsch, 60 anos, contou que tamb\u00e9m comprou produtos como camisas, bandeiras e enfeites. \u201cComprei mais nesta Copa do que na outra, com certeza\u201d, disse.<\/p>\n<p> Nos pontos tur\u00edsticos do Rio, como a orla da Praia de Copacabana, os donos de bares, restaurantes e quiosques n\u00e3o t\u00eam do que se queixar. \u201cO movimento aumentou mais que 100%, mais que no ver\u00e3o, Ano-Novo e carnaval\u201d, contou o gerente Carlos Alexandre Oliveira. Segundo ele, os melhores clientes s\u00e3o os latino-americanos. \u201cQuem mais deu alegria na praia foram os chilenos. Argentinos, colombianos, costa-riquenhos tamb\u00e9m gastaram bem.\u201d<\/p>\n<p>Em Copacabana, o gerente de um restaurante em frente \u00e0 Fifa Fan Fest conta que os europeus s\u00e3o os que mais gastam. \u201cAbrimos \u00e0s 11h e, muitas vezes, chegamos \u00e0s 10h e j\u00e1 tem gente esperando mesa\u201d, contou Thiago Ribeiro. L\u00e1, gar\u00e7ons est\u00e3o trabalhando dobrado para dar conta do movimento. \u201cT\u00e1 bom para todo mundo, dos ambulantes aos comerciantes.\u201d<\/p>\n<p>Segundo a Orla Rio \u2013 que administra os quiosques da zona oeste e zona sul \u2013, o faturamento em Ipanema, Leblon e Copacabana vai bater os melhores ver\u00f5es. \u201cA previs\u00e3o \u00e9 de aumento de mais de 70%, com a possibilidade de chegar a 150%\u201d, disse o vice-presidente, Jo\u00e3o Marcello Barreto. \u201cTem quiosque aberto 24 horas\u201d, completou.<\/p>\n<p>Nos bares das cidades da Copa, a expectativa de vendas tamb\u00e9m \u00e9 positiva. A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) estima aumento do faturamento dos bares em 70% nos dias de jogos do Brasil e 30% em partidas de outras sele\u00e7\u00f5es. Neste ano, o faturamento do setor deve chegar a R$ 12 bilh\u00f5es, contra R$ 9 bilh\u00f5es, em 2013.<\/p>\n<p>Em outros setores, a Copa do Mundo passou longe de ajudar a estimular as vendas. De acordo com Bentes, o setor de com\u00e9rcio est\u00e1 em desacelera\u00e7\u00e3o este ano, e o motivo para a redu\u00e7\u00e3o no ritmo s\u00e3o as taxas de juros elevadas e menor prazo de pagamento do cr\u00e9dito. \u201cAs taxas de juros ainda est\u00e3o subindo tanto para o consumidor quanto para os empres\u00e1rios. E, como os brasileiros olham o valor da presta\u00e7\u00e3o, os prazos menores dificultam as vendas. Quando o prazo encolhe, o varejo sente.\u201d<\/p>\n<p>Isabela Vieira e Kelly Oliveira \u2013 Rep\u00f3rteres da Ag\u00eancia Brasil<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Talita Cavalcante<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os torcedores brasileiros e estrangeiros esquentam as vendas em bares e em lojas de enfeites e de televisores durante a Copa do Mundo. J\u00e1 os outros segmentos do com\u00e9rcio estimam perdas com a realiza\u00e7\u00e3o do torneio, devido aos feriados, que deixam as ruas vazias, e desviam a aten\u00e7\u00e3o dos consumidores para os jogos. 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