{"id":56768,"date":"2014-07-02T17:52:09","date_gmt":"2014-07-02T20:52:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=56768"},"modified":"2014-07-02T17:52:09","modified_gmt":"2014-07-02T20:52:09","slug":"mapa-mostra-aumento-e-disseminacao-da-violencia-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/mapa-mostra-aumento-e-disseminacao-da-violencia-no-brasil\/56768","title":{"rendered":"Mapa mostra aumento e dissemina\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia no Brasil"},"content":{"rendered":"<p> Em 2012, 112.709 pessoas morreram em situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia no pa\u00eds, segundo o <strong><em>Mapa da Viol\u00eancia<\/em><\/strong> 2014. O n\u00famero equivale a 58,1 habitantes a cada grupo de 100 mil, e \u00e9 o maior da s\u00e9rie hist\u00f3rica do estudo, divulgado a cada dois anos. Desse total, 56.337 foram v\u00edtimas de homic\u00eddio, 46.051, de acidentes de transporte (que incluem avi\u00f5es e barcos, al\u00e9m dos que ocorrem nas vias terrestres), e 10.321, de suic\u00eddios.<\/p>\n<p>Entre 2002 e 2012, o n\u00famero total de homic\u00eddios registrados pelo Sistema de Informa\u00e7\u00f5es de Mortalidade (SIM), do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, passou de 49.695 para 56.337, tamb\u00e9m o maior n\u00famero registrado. Os jovens foram as v\u00edtimas em 53,4% dos casos, o que mostra outra tend\u00eancia diagnosticada pelo estudo: a maior vitimiza\u00e7\u00e3o de pessoas com idade entre 15 e 29 anos. As taxas de homic\u00eddio nessa faixa passaram de 19,6 em 1980, para 57,6 em 2012, a cada 100 mil jovens.<\/p>\n<p>Segundo o respons\u00e1vel pela an\u00e1lise, Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador da \u00c1rea de Estudos da Viol\u00eancia da Faculdade Latino-Americana de Ci\u00eancias Sociais, ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber \u201cse o que ocorreu em 2012 foi um surto que vai terminar rapidamente ou se realmente est\u00e1 sendo inaugurado novo ciclo ou nova tend\u00eancia\u201d. Ele lista situa\u00e7\u00f5es que podem ter gerado o aumento, como greves de agentes das for\u00e7as de seguran\u00e7a ou ataques de grupos criminosos organizados.<\/p>\n<p>Uma tend\u00eancia j\u00e1 confirmada \u00e9 a dissemina\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia nas diferentes regi\u00f5es e cidades. Entre 2002 e 2012, os quantitativos s\u00f3 n\u00e3o cresceram no Sudeste. As regi\u00f5es Norte e Nordeste experimentaram aumento exponencial da viol\u00eancia. No Norte, por exemplo, foram registrados 6.098 homic\u00eddios em 2012, mais que o dobro dos 2.937 verificados em 2002. O Amazonas, Par\u00e1 e Tocantins tiveram o dobro de assassinatos registrados no mesmo intervalo de tempo. No Nordeste, o Maranh\u00e3o, a Bahia e o Rio Grande do Norte mais que triplicaram os homic\u00eddios.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada, o Sul e o Centro-Oeste tiveram incrementos percentuais de 41,2% e 49,8%, respectivamente. No Sudeste, a situa\u00e7\u00e3o foi mais variada, com diminui\u00e7\u00e3o significativa em estados importantes, como o Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo. J\u00e1 em Minas Gerais, os homic\u00eddios cresceram 52,3% entre 2002 e 2012.<\/p>\n<p>As desigualdades s\u00e3o vivenciadas entre as regi\u00f5es e tamb\u00e9m dentro dos estados. Nenhuma capital, em 2012, teve taxa de homic\u00eddio abaixo do n\u00edvel epid\u00eamico, segundo o Mapa da Viol\u00eancia. Todas as capitais do Nordeste registraram mais de 100 homic\u00eddios por 100 mil jovens. Macei\u00f3, a mais violenta, passou dos 200 homic\u00eddios. No outro extremo, S\u00e3o Paulo, com a menor taxa entre as capitais, ainda assim registra o n\u00famero de 28,7 jovens assassinados por 100 mil.<\/p>\n<p>O balan\u00e7o da d\u00e9cada mostra, contudo, que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afirmar que h\u00e1 tend\u00eancia comum de crescimento. Entre 2002 e 2012, as capitais evidenciaram queda de 15,4%, com destaque para meados dos anos 2000, quando a redu\u00e7\u00e3o foi mais expressiva, o que, segundo o organizador, comprova que a situa\u00e7\u00e3o pode ser enfrentada com pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas.<\/p>\n<p> Em cidades do interior, o n\u00famero tem crescido. Jocobo disse que s\u00e3o especialmente os munic\u00edpios de pequeno e de m\u00e9dio porte os que t\u00eam sofrido com a nova situa\u00e7\u00e3o. Ele cita dois poss\u00edveis motivos para isso: por um lado, o investimento financeiro em pol\u00edticas p\u00fablicas nos grandes centros urbanos, como Rio e S\u00e3o Paulo, ajudaram a diminuir a viol\u00eancia. Por outro, houve o desenvolvimento de novos polos econ\u00f4micos no interior, que atra\u00edram investimentos e tamb\u00e9m criminalidade, \u201csem a prote\u00e7\u00e3o do Estado como nas outras cidades\u201d.<\/p>\n<p>O pa\u00eds precisar\u00e1 esperar alguns anos para verificar o comportamento das taxas de homic\u00eddios, no caso dos acidentes de transporte h\u00e1 pouca ou quase nenhuma d\u00favida, dado o crescimento dos registros, \u00e0 revelia das leis de tr\u00e2nsito que, na d\u00e9cada de 1980, foram respons\u00e1veis pela redu\u00e7\u00e3o desses acidentes.<\/p>\n<p>As principais v\u00edtimas, segundo o estudo, s\u00e3o os motociclistas. Em 1996, foram 1.421 \u00f3bitos. Em 2012, 16.223. A diferen\u00e7a representa cerca de 1.041% de crescimento. H\u00e1 \u201cuma linha reta desde o ano de 1998, com um crescimento sistem\u00e1tico de 15% ao ano\u201d, conforme a pesquisa.<\/p>\n<p>Segundo o soci\u00f3logo respons\u00e1vel pela publica\u00e7\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 fruto \u201cde um esquema ideol\u00f3gico que apresentou a motocicleta como carro do povo, por ser econ\u00f4mica, de f\u00e1cil manuten\u00e7\u00e3o\u201d. Assim, \u201cem vez de se investir em transporte p\u00fablico, o trabalhador pagaria sua pr\u00f3pria mobilidade\u201d. E mais, fez dela o seu trabalho, seja como motoboy, entregador ou mototaxista, \u201cem situa\u00e7\u00e3o de escassa educa\u00e7\u00e3o no tr\u00e2nsito, pouca capacidade de fiscaliza\u00e7\u00e3o e baixa legisla\u00e7\u00e3o\u201d, avalia Julio Jacobo Waiselfisz.<\/p>\n<p>Ao todo, foram registradas 46.051 mortes por acidentes de transporte em 2012,  2,4% a mais que em 2011. Os dados oficiais reunidos para o estudo mostram que ocorreram, naquele ano, 426 mil acidentes com v\u00edtimas, que devem ter ocasionado les\u00f5es em 601 mil pessoas. A situa\u00e7\u00e3o \u201c\u00e9 muito s\u00e9ria e grave\u201d, alerta o autor do trabalho, que destaca que \u00e9 preciso lembrar que \u201co cidad\u00e3o tem o direito a uma mobilidade segura e \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o do Estado oferec\u00ea-la\u201d.<\/p>\n<p>O suic\u00eddio tamb\u00e9m teve aumento na taxa de crescimento. Diferentemente das outras situa\u00e7\u00f5es, a eleva\u00e7\u00e3o vem se dando desde os anos 1980. Conforme o relat\u00f3rio, o aumento foi 2,7% entre 1980 e 1990; 18,8%, entre 1990 e 2000; e 33,3%, entre 2000 e 2012. Nesse caso, a idade das pessoas envolvidas \u00e9 tamb\u00e9m menos precisa. Tanto jovens quanto idosos t\u00eam sido v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Com a publica\u00e7\u00e3o do estudo, feito com o apoio da Secretaria de Pol\u00edticas de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial, da Secretaria Nacional de Juventude e da Secretaria-Geral da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, espera-se, conforme o texto, \u201cfornecer subs\u00eddios para que as diversas inst\u00e2ncias da sociedade civil e do aparelho governamental aprofundem sua leitura de uma realidade que, como os pr\u00f3prios dados evidenciam, \u00e9 altamente preocupante\u201d.<\/p>\n<p>Helena Martins &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Gra\u00e7a Adjuto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2012, 112.709 pessoas morreram em situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia no pa\u00eds, segundo o Mapa da Viol\u00eancia 2014. 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