{"id":56714,"date":"2014-07-01T15:40:39","date_gmt":"2014-07-01T18:40:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=56714"},"modified":"2014-07-01T15:40:39","modified_gmt":"2014-07-01T18:40:39","slug":"inflacao-no-teto-da-meta-preocupa-economistas-e-consumidores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/inflacao-no-teto-da-meta-preocupa-economistas-e-consumidores\/56714","title":{"rendered":"Infla\u00e7\u00e3o no teto da meta preocupa economistas e consumidores"},"content":{"rendered":"<p>Influenciada principalmente pelos pre\u00e7os dos alimentos e de servi\u00e7os, a <strong><em>infla\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong> tem ficado ao redor do teto da meta (6,5% ao ano) e tem dado sustos nos \u00faltimos anos. O \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) somava 6,37% no acumulado entre junho de 2013 e maio deste ano.<\/p>\n<p>Apesar de ter ultrapassado v\u00e1rias vezes 6,5% no acumulado em 12 meses ao longo dos \u00faltimos tr\u00eas anos, o IPCA, indicador oficial calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), tem conseguido encerrar o ano sem estourar o teto da meta. Em 2011, o \u00edndice encostou em 6,5%, recuando para 5,84% em 2012 e 5,91% em 2013. Apesar de a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o ter fugido do controle, a resist\u00eancia em convergir para o centro da meta, de 4,5%, preocupa economistas e consumidores, que alegam perda do poder de compra no anivers\u00e1rio de 20 anos do Real.<\/p>\n<p> Fundadora e presidenta do Movimento das Donas de Casa de Minas Gerais, L\u00facia Pac\u00edfico diz que a infla\u00e7\u00e3o voltou a rondar o bolso dos brasileiros. \u201cNossa entidade constantemente monitora os pre\u00e7os. S\u00e3o aumentos pequenos, R$ 0,50 aqui, R$ 1 ali, mas que corroem o poder aquisitivo de quem vai aos supermercados. Hoje, vejo pessoas voltando mercadorias no caixa porque o dinheiro n\u00e3o deu\u201d, reclama.<\/p>\n<p>A sucess\u00e3o de aumentos pequenos nos pre\u00e7os tamb\u00e9m preocupa o vendedor de banca de revistas Jos\u00e9 Edinaldo da Silva, 55 anos. Apesar de estar em n\u00edvel menor que nos \u00faltimos anos, ele constata a volta da infla\u00e7\u00e3o. \u201cClaro que n\u00e3o est\u00e1 como naquele tempo [antes do Plano Real], mas, meio por baixo do pano, a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 se manifestando. As revistas [da banca] est\u00e3o no mesmo pre\u00e7o h\u00e1 muito tempo porque as editoras est\u00e3o segurando, mas \u00e9 s\u00f3 sair por a\u00ed para ver os aumentos\u201d, diz.<\/p>\n<p> Dono de uma banca de fotos e de fotoc\u00f3pias, Osvaldino Brand\u00e3o, 58 anos, teve de reajustar pre\u00e7os por causa dos custos maiores. \u201cNeste ano, subi o pre\u00e7o da cartela de oito fotos de R$ 12 para R$ 13\u201d, conta. O aumento incomoda at\u00e9 quem nasceu depois do Plano Real e n\u00e3o conviveu com a hiperinfla\u00e7\u00e3o. \u201cAt\u00e9 poucos anos atr\u00e1s, com R$ 300 voc\u00ea comprava muita coisa. Hoje n\u00e3o d\u00e1 mais nada\u201d, comenta o estudante Leandro L\u00e1zaro, 18 anos.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do Plano Real, o governo usava a \u00e2ncora cambial para conter a infla\u00e7\u00e3o. Com o d\u00f3lar pr\u00f3ximo de R$ 1 at\u00e9 1999, o c\u00e2mbio sobrevalorizado estimulava a importa\u00e7\u00e3o de produtos baratos para competir com as mercadorias nacionais. Depois da crise de 1999, o governo liberou o c\u00e2mbio e criou o regime de metas de infla\u00e7\u00e3o, pelo qual o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria do Banco Central mant\u00e9m o IPCA dentro de um intervalo por meio do controle da taxa Selic \u2013 juros b\u00e1sicos da economia.<\/p>\n<p> Um dos respons\u00e1veis pela elabora\u00e7\u00e3o do Plano Real, o economista Edmar Bacha, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), diz que o governo brasileiro ainda n\u00e3o encontrou uma forma adequada de lidar com os juros altos.<\/p>\n<p>A taxa Selic ficou em 7,25% ao ano entre outubro de 2012 e abril de 2013, no menor n\u00edvel da hist\u00f3ria. Para conter a infla\u00e7\u00e3o, o Banco Central elevou os juros para 11% ao ano nos \u00faltimos 14 meses. Para Bacha, somente reformas que elevem a produtividade e reduzam o risco de cr\u00e9dito reduzir\u00e3o os juros de forma consistente.<\/p>\n<p> Ex-diretor do Banco Central, Carlos Eduardo Freitas diz que a infla\u00e7\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o estourou o teto da meta por causa do controle de pre\u00e7os administrados, como transportes e energia. Segundo ele, o tabelamento artificial est\u00e1 fazendo o Tesouro Nacional gastar mais para segurar os aumentos de pre\u00e7os, com efeitos negativos nas contas p\u00fablicas. \u201cO novo modelo do setor el\u00e9trico criou obriga\u00e7\u00f5es ocultas para o Tesouro. Quanto mais a infla\u00e7\u00e3o aumenta e se dissemina, maior o sacrif\u00edcio para traz\u00ea-la para o centro da meta\u201d, declara.<\/p>\n<p> O professor de economia da Universidade de Campinas (Unicamp) Francisco Lopreato, especialista em pol\u00edtica fiscal, tem opini\u00e3o distinta. Para ele, o governo acertou ao reduzir os juros porque diminuiu o poder do setor financeiro, que ganha com a especula\u00e7\u00e3o e n\u00e3o investe o dinheiro na produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEm nenhuma circunst\u00e2ncia, vejo risco de descontrole. A infla\u00e7\u00e3o subiu por dois motivos. Primeiro, houve um choque de pre\u00e7os de alimentos, que subiram no Brasil e no exterior por motivos clim\u00e1ticos. Al\u00e9m disso, os empres\u00e1rios tentaram elevar a margem de lucro para compensar as perdas no mercado financeiro\u201d, argumenta.<\/p>\n<p>O diretor t\u00e9cnico do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese), Clemente Ganz, diz que, apesar de a infla\u00e7\u00e3o estar pr\u00f3xima do teto da meta, n\u00e3o h\u00e1 descontrole. &#8220;Uma infla\u00e7\u00e3o mais alta acarreta n\u00edvel de perda maior, mas infla\u00e7\u00e3o em torno de 6,5% ao ano traz uma perda impercept\u00edvel se comparada ao per\u00edodo hiperinflacion\u00e1rio&#8221;, avalia. Segundo ele, a maior parte dos trabalhadores est\u00e1 conseguindo recuperar as perdas por causa das negocia\u00e7\u00f5es sindicais e por causa da pol\u00edtica de aumento real do sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n<p>Wellton M\u00e1ximo e Mariana Branco \u2013 Rep\u00f3rteres da Ag\u00eancia Brasil*<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Beraldo<\/p>\n<p>* Colaborou Alana Gandra<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Influenciada principalmente pelos pre\u00e7os dos alimentos e de servi\u00e7os, a infla\u00e7\u00e3o tem ficado ao redor do teto da meta (6,5% ao ano) e tem dado sustos nos \u00faltimos anos. O \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) somava 6,37% no acumulado entre junho de 2013 e maio deste ano. 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