{"id":56706,"date":"2014-07-01T15:26:39","date_gmt":"2014-07-01T18:26:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=56706"},"modified":"2014-07-01T15:26:39","modified_gmt":"2014-07-01T18:26:39","slug":"molecula-mostra-potencial-contra-insuficiencia-cardiaca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/molecula-mostra-potencial-contra-insuficiencia-cardiaca\/56706","title":{"rendered":"Mol\u00e9cula mostra potencial contra insufici\u00eancia card\u00edaca"},"content":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Uma mol\u00e9cula sint\u00e9tica descoberta por pesquisadores da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, e da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) demonstrou, em ensaios pr\u00e9-cl\u00ednicos, potencial para se tornar uma aliada no tratamento da <em><strong>insufici\u00eancia card\u00edaca<\/strong><\/em> e de outras doen\u00e7as. Os primeiros testes com humanos, apenas para atestar a seguran\u00e7a do composto, devem ter in\u00edcio no segundo semestre deste ano, com apoio privado.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Denominada Alda-1, a droga \u00e9 capaz de ativar uma enzima chamada ALDH2 (alde\u00eddo desidrogenase-2), existente na mitoc\u00f4ndria e essencial para o bom funcionamento de todas as c\u00e9lulas, inclusive as card\u00edacas.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cEssa enzima tem uma enorme import\u00e2ncia para a c\u00e9lula, pois ajuda a evitar o ac\u00famulo de alde\u00eddos \u2013 mol\u00e9culas t\u00f3xicas e altamente reativas produzidas pela c\u00e9lula. Cada vez mais, a defici\u00eancia de ALDH2 tem sido associada a diferentes tipos de doen\u00e7a\u201d, contou Julio Cesar Batista Ferreira, professor do Departamento de Anatomia do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da USP e coordenador da\u00a0<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/47928\/contribuicao-da-enzima-aldeido-desidrogenase-2-na-progressao-da-insuficiencia-cardiaca\/\" target=\"_blank\">pesquisa<\/a>apoiada pela FAPESP no Brasil.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Em um experimento recente, realizado durante o\u00a0<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/134108\/participacao-da-enzima-aldeido-desidrogenase-2-na-insuficiencia-cardiaca-induzida-por-infarto-do-mio\/\" target=\"_blank\">mestrado<\/a>\u00a0de K\u00e1tia Maria Sampaio Gomes \u2013 sob orienta\u00e7\u00e3o de Ferreira e com Bolsa da FAPESP \u2013, o grupo tratou ratos portadores de insufici\u00eancia card\u00edaca com Alda-1 durante seis semanas e observou um aumento de 40% na capacidade do cora\u00e7\u00e3o de bombear sangue.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Os\u00a0<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/cardiovascres.oxfordjournals.org\/content\/early\/2014\/06\/11\/cvr.cvu125.long\" target=\"_blank\">resultados<\/a>\u00a0foram divulgados na edi\u00e7\u00e3o de junho da revista\u00a0Cardiovascular Research. O projeto venceu a\u00a0<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/www.inovacao.usp.br\/olimpiada2013\/\" target=\"_blank\">Olimp\u00edada USP de Inova\u00e7\u00e3o 2013<\/a>\u00a0na categoria \u201cProva de Conceito\u201d.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">O modelo animal usado na pesquisa simula uma das principais etiologias da insufici\u00eancia card\u00edaca: o infarto agudo do mioc\u00e1rdio. Para induzir o problema no rato, os cientistas amarram uma de suas art\u00e9rias coron\u00e1rias. A falta de irriga\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea causa a morte imediata de aproximadamente 30% das c\u00e9lulas card\u00edacas. As restantes passam a trabalhar dobrado para compensar a les\u00e3o e acabam entrando em colapso. Ap\u00f3s um m\u00eas, o animal j\u00e1 apresenta sinais de insufici\u00eancia card\u00edaca.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cIniciamos o tratamento com Alda-1 quatro semanas ap\u00f3s o infarto induzido, quando os animais j\u00e1 apresentavam uma fun\u00e7\u00e3o card\u00edaca prejudicada. Ap\u00f3s seis semanas de tratamento, observamos aumento de 40% no volume de sangue bombeado no grupo que recebeu a droga. J\u00e1 no grupo placebo a fun\u00e7\u00e3o card\u00edaca havia ca\u00eddo ainda mais\u201d, contou Ferreira.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Primeiros achados<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">A Alda-1 foi descoberta ainda durante o p\u00f3s-doutorado de Ferreira, realizado em Stanford com\u00a0<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/40271\/controle-de-qualidade-de-proteina-na-insuficiencia-cardiaca-papel-das-diferentes-isoformas-de-protei\/\" target=\"_blank\">apoio<\/a>\u00a0da FAPESP.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Em um\u00a0<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/stm.sciencemag.org\/content\/3\/107\/107ra111.abstract\" target=\"_blank\">estudo publicado<\/a>\u00a0em 2011 na revista\u00a0Science Translational Medicine, o grupo demonstrou que, ao ativar a enzima ALDH2 nas c\u00e9lulas card\u00edacas, a Alda-1 poderia proteger o cora\u00e7\u00e3o ap\u00f3s um infarto.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cHoje, sabemos que o excesso de alde\u00eddos prejudica diretamente o metabolismo mitocondrial, resultando em menor produ\u00e7\u00e3o de ATP (adenosina trifosfato, mol\u00e9cula que armazena energia) e maior libera\u00e7\u00e3o de mol\u00e9culas reativas como os radicais livres e os pr\u00f3prios alde\u00eddos. Com o metabolismo prejudicado, a c\u00e9lula acaba morrendo. Nesse sentido, a Alda-1 tem um papel importante, pois protege a c\u00e9lula desse colapso metab\u00f3lico induzido por excesso de alde\u00eddos\u201d, explicou Ferreira.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">A ALDH2 tem justamente a miss\u00e3o de eliminar os alde\u00eddos, mas sua atividade costuma estar diminu\u00edda em c\u00e9lulas card\u00edacas ap\u00f3s um infarto ou em pacientes com insufici\u00eancia card\u00edaca. \u201cOs pr\u00f3prios alde\u00eddos em excesso acabam inativando a ALDH2 e ela n\u00e3o consegue remov\u00ea-los de forma eficiente, criando um ciclo vicioso que resulta na morte celular\u201d, explicou Ferreira.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">No artigo de 2011, os cientistas mostraram que uma das drogas mais usadas em pacientes infartados para promover a vasodilata\u00e7\u00e3o \u2013 a nitroglicerina \u2013 inibe ainda mais a atividade da ALDH2, acelerando o processo de morte das c\u00e9lulas card\u00edacas. Mas experimentos com ratos indicaram que esse efeito delet\u00e9rio da nitroglicerina poderia ser neutralizado se, concomitantemente, a Alda-1 fosse administrada (leia mais em\u00a0<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/14904\" target=\"_blank\">http:\/\/agencia.fapesp.br\/14904<\/a>).<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Em uma\u00a0<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/physrev.physiology.org\/content\/94\/1\/1\" target=\"_blank\">revis\u00e3o recente<\/a>\u00a0publicada na revista Physiological Reviews, os grupos de Stanford e da USP discutem mais amplamente o papel da ALDH2 e as oportunidades terap\u00eauticas de subst\u00e2ncias capazes de ativar a express\u00e3o dessa enzima.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cComo os alde\u00eddos s\u00e3o capazes de entrar na circula\u00e7\u00e3o e ligar-se a prote\u00ednas de \u00f3rg\u00e3os distantes, nossa hip\u00f3tese \u00e9 que o tratamento com Alda-1 poderia evitar o efeito cascata que costuma ocorrer em pacientes com insufici\u00eancia card\u00edaca e acometer outros \u00f3rg\u00e3os\u201d, disse Ferreira.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Ao comparar amostras de sangue de pacientes com insufici\u00eancia card\u00edaca e de pessoas saud\u00e1veis, o grupo de Ferreira observou um n\u00edvel tr\u00eas vezes maior de alde\u00eddos circulantes. \u201cEstimamos que no cora\u00e7\u00e3o o n\u00edvel seja 10 vezes maior\u201d, disse o pesquisador.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Ensaios cl\u00ednicos<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Sob a coordena\u00e7\u00e3o de Daria Mochly-Rosen, professora do Departamento de Biologia Qu\u00edmica e de Sistemas de Stanford, o grupo da universidade norte-americana criou a\u00a0startup\u00a0<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/www.aldeapharma.com\/\" target=\"_blank\">Aldea Pharmaceuticals<\/a>para tentar transformar a Alda-1 \u2013 ainda uma droga experimental \u2013 em um produto comercial.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cEles acabaram de obter financiamento privado para iniciar o ensaio cl\u00ednico de fase 1, que basicamente tem o objetivo de avaliar a toxicidade da mol\u00e9cula em indiv\u00edduos saud\u00e1veis. Se os testes forem bem-sucedidos, poder\u00e3o ter autoriza\u00e7\u00e3o para testar em portadores de uma determinada doen\u00e7a\u201d, explicou Ferreira<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Inicialmente, por\u00e9m, o foco da Aldea \u2013 que n\u00e3o tem participa\u00e7\u00e3o brasileira \u2013 n\u00e3o ser\u00e3o os pacientes com insufici\u00eancia card\u00edaca e sim portadores de uma muta\u00e7\u00e3o no gene da ALDH2, que afeta 600 milh\u00f5es de pessoas no mundo (45% da popula\u00e7\u00e3o oriental, sendo a muta\u00e7\u00e3o mais frequente no mundo) e as torna mais suscet\u00edveis aos efeitos nocivos do \u00e1lcool \u2013 subst\u00e2ncia que ao ser metabolizada libera grande quantidade de alde\u00eddos.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cEssa muta\u00e7\u00e3o reduz a atividade da ALDH2 em at\u00e9 95%. Pessoas com essa muta\u00e7\u00e3o t\u00eam mais chance de desenvolver doen\u00e7as associadas ao \u00e1lcool, como c\u00e2ncer de es\u00f4fago. E, mesmo sem beber, t\u00eam maior risco de sofrer de doen\u00e7as cardiovasculares e neuronais pela dificuldade de se livrar dos alde\u00eddos\u201d. A Alda-1 \u00e9 capaz de aumentar a atividade da ALDH2 mutante em at\u00e9 10 vezes, apresentando um grande potencial terap\u00eautico para os indiv\u00edduos portadores da muta\u00e7\u00e3o\u201d, contou Ferreira.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">A Aldea deve testar ainda a efici\u00eancia da mol\u00e9cula Alda-1 na preven\u00e7\u00e3o de problemas decorrentes do consumo excessivo de \u00e1lcool e no tratamento emergencial de pacientes em coma alco\u00f3lico. Segundo Ferreira, a linha de doen\u00e7as card\u00edacas tamb\u00e9m \u00e9 uma das que a\u00a0startup\u00a0pretende investir no futuro.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cOs pesquisadores de Stanford est\u00e3o fazendo uma s\u00e9rie de estudos para otimizar a mol\u00e9cula, modificando sua estrutura a fim de torn\u00e1-la mais sol\u00favel, com efeito mais prolongado e com menor toxicidade. N\u00f3s temos um contrato para testar essas variantes nos modelos de nosso laborat\u00f3rio\u201d, disse Ferreira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Uma mol\u00e9cula sint\u00e9tica descoberta por pesquisadores da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, e da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) demonstrou, em ensaios pr\u00e9-cl\u00ednicos, potencial para se tornar uma aliada no tratamento da insufici\u00eancia card\u00edaca e de outras doen\u00e7as. 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