{"id":55650,"date":"2014-06-03T16:04:48","date_gmt":"2014-06-03T19:04:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=55650"},"modified":"2014-06-03T16:04:48","modified_gmt":"2014-06-03T19:04:48","slug":"mudancas-climaticas-ja-causam-queda-da-produtividade-agricola-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/mudancas-climaticas-ja-causam-queda-da-produtividade-agricola-no-mundo\/55650","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas j\u00e1 causam queda da produtividade agr\u00edcola no mundo"},"content":{"rendered":"<p>Por Elton Alisson Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas t\u00eam causado altera\u00e7\u00f5es nas fases de reprodu\u00e7\u00e3o e de desenvolvimento de diferentes culturas agr\u00edcolas, entre elas milho, trigo e caf\u00e9. E os impactos dessas altera\u00e7\u00f5es j\u00e1 se refletem na <em><strong>queda da produtividade no setor agr\u00edcola<\/strong><\/em> em pa\u00edses como Brasil e Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">A avalia\u00e7\u00e3o foi feita por pesquisadores participantes do\u00a0<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/www.fapesp.br\/eventos\/wsimpacts\" target=\"_blank\">Workshop on Impacts of Global Climate Change on Agriculture and Livestock\u00a0<\/a>, realizado no dia 27 de maio, no audit\u00f3rio da FAPESP.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Promovido pelo\u00a0<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/www.fapesp.br\/pfpmcg\/\" target=\"_blank\">Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas Globais<\/a>, o objetivo do evento foi reunir pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos para compartilhar conhecimentos e experi\u00eancias em pesquisas sobre o impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais na agricultura e na pecu\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cSabemos h\u00e1 muito tempo que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ter\u00e3o impactos nas culturas agr\u00edcolas de forma direta e indireta\u201d, disse Jerry Hatfield, diretor do Laborat\u00f3rio Nacional de Agricultura e Meio Ambiente do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em ingl\u00eas). \u201cA quest\u00e3o \u00e9 saber quais ser\u00e3o o impacto e a magnitude dessas mudan\u00e7as nos diferentes pa\u00edses produtores agr\u00edcolas\u201d, disse o pesquisador em sua\u00a0<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/www.fapesp.br\/eventos\/2014\/05\/livestock\/hatfield.pdf\" target=\"_blank\">palestra<\/a>\u00a0no evento.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">De acordo com Hatfield, um dos principais impactos observados nos Estados Unidos \u00e9 a queda na produtividade de culturas como o milho e o trigo. O pa\u00eds \u00e9 o primeiro e o terceiro maior produtor mundial desses gr\u00e3os, respectivamente. \u201cA produ\u00e7\u00e3o de trigo [nos Estados Unidos] n\u00e3o atinge mais grandes aumentos de safra como os obtidos entre as d\u00e9cadas de 1960 e 1980\u201d, afirmou.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Uma das raz\u00f5es para a queda de produtividade dessa e de outras culturas agr\u00edcolas no mundo, na avalia\u00e7\u00e3o do pesquisador, \u00e9 o aumento da temperatura durante a fase de crescimento e de poliniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">As plantas de trigo, soja, milho, arroz, algod\u00e3o e tomate t\u00eam diferentes faixas de temperatura ideal para os per\u00edodos vegetativo \u2013 de germina\u00e7\u00e3o da semente at\u00e9 o crescimento da planta \u2013 e reprodutivo \u2013 iniciado a partir da flora\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o de sementes.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">O milho, por exemplo, n\u00e3o tolera altas temperaturas na fase reprodutiva. J\u00e1 a soja \u00e9 mais tolerante a temperaturas elevadas nesse est\u00e1gio, comparou Hatfield.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">O que se observa em diferentes pa\u00edses, contudo, \u00e9 um aumento da frequ\u00eancia de dias mais quentes, com temperatura at\u00e9 5 \u00baC mais altas do que a m\u00e9dia registrada em anos anteriores, justamente na fase de crescimento e de poliniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cObservamos diversos casos de fracasso na poliniza\u00e7\u00e3o de arroz, trigo e milho em raz\u00e3o do aumento da temperatura nessa fase. E, se o aumento de temperatura ocorrer com d\u00e9ficit h\u00eddrico, o impacto pode ser exacerbado\u201d, avaliou.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Segundo Hatfield, a temperatura noturna m\u00ednima tem aumentado mais do que a temperatura m\u00e1xima \u00e0 noite. A mudan\u00e7a causa impacto na respira\u00e7\u00e3o de plantas \u00e0 noite e reduz sua capacidade de fotoss\u00edntese durante o dia, apontou.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Pesquisas com milho<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Em um estudo realizado no laborat\u00f3rio de Hatfield no USDA em um rizontron \u2013 equipamento para a an\u00e1lise de ra\u00edzes de plantas no meio de cultivo \u2013, pesquisadores mantiveram tr\u00eas diferentes variedades de milho em uma c\u00e2mara 4 \u00baC mais quente do que outra com temperatura normal, para avaliar o impacto do aumento da temperatura nas fases vegetativa e reprodutiva da planta.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cConstatamos que a fisiologia da planta \u00e9 muito afetada por aumento de temperatura principalmente na fase reprodutiva\u201d, contou o pesquisador.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Em outro experimento, os pesquisadores mantiveram uma variedade de milho cultivada nos Estados Unidos em uma c\u00e2mara com temperatura 3 \u00baC acima da que a planta tolera na fase de crescimento, em que \u00e9 determinado o tamanho da espiga.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">O aumento causou uma redu\u00e7\u00e3o de 15 dias no per\u00edodo de preenchimento dos gr\u00e3os de milho e interrup\u00e7\u00e3o na capacidade da planta de completar esse processo, o que se refletiu em queda de produtividade.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cObservamos que, se as plantas forem expostas a uma temperatura noturna relativamente alta no per\u00edodo de preenchimento dos gr\u00e3os, essa fase de desenvolvimento \u00e9 interrompida\u201d, afirmou Hatfield.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cO problema n\u00e3o \u00e9 a temperatura m\u00e9dia a que a planta pode ficar exposta na fase reprodutiva, mas a temperatura m\u00ednima. Precisamos entender melhor essa intera\u00e7\u00e3o das culturas agr\u00edcolas com o ambiente e o clima para aumentar a resili\u00eancia delas \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o da temperatura e \u00e0 frequ\u00eancia de eventos clim\u00e1ticos extremos\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>Impactos no Brasil<\/p>\n<p>No Brasil, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas j\u00e1 modificam a geografia da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, afirmou Hilton Silveira Pinto, diretor do Centro de Pesquisas Meteorol\u00f3gicas e Clim\u00e1ticas Aplicadas \u00e0 Agricultura (Cepagri), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).<\/p>\n<p>O ano passado foi o mais seco desde 1988 \u2013 quando o Cepagri iniciou suas medi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Registrou-se uma m\u00e9dia de 1.186 mil\u00edmetros de chuva contra 1.425 mil\u00edmetros observados nos anos anteriores. O m\u00eas mais cr\u00edtico do ano foi dezembro, quando choveu 83 mil\u00edmetros. A m\u00e9dia para o m\u00eas \u00e9 207 mil\u00edmetros, comparou Silveira Pinto.<\/p>\n<p>\u201cO final de ano muito seco atrapalhou bastante a agricultura em S\u00e3o Paulo, porque a \u00e9poca de plantio dos agricultores daqui \u00e9 justamente no per\u00edodo entre outubro e novembro\u201d, disse Silveira Pinto durante sua<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/www.fapesp.br\/eventos\/2014\/05\/livestock\/pinto.pdf\" target=\"_blank\">palestra<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cO plantio de algumas culturas dever\u00e1 ser atrasado, porque h\u00e1 uma variabilidade bastante sens\u00edvel no regime pluviom\u00e9trico das \u00e1reas em que determinadas culturas podem ser plantadas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, a partir dos anos 2000 n\u00e3o foi registrada mais geada em praticamente nenhuma regi\u00e3o de S\u00e3o Paulo, evidenciando um aumento da temperatura no estado.<\/p>\n<p>Um reflexo dessa mudan\u00e7a \u00e9 a migra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o do caf\u00e9 em S\u00e3o Paulo e Minas Gerais para regi\u00f5es mais elevadas, com temperaturas mais prop\u00edcias para o florescimento da planta. A cada 100 metros de altitude, a temperatura diminui cerca de 0,6 \u00baC, segundo Silveira Pinto.<\/p>\n<p>Durante o per\u00edodo de florescimento do caf\u00e9, quando os bot\u00f5es florais tornam-se gr\u00e3os de caf\u00e9, a planta n\u00e3o pode ser submetida a temperaturas acima de 32 \u00baC. Apenas uma tarde com essa temperatura nesse per\u00edodo \u00e9 suficiente para que a flor seja abortada e n\u00e3o forme o gr\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO registro de temperaturas acima de 32 \u00baC tem ocorrido com mais frequ\u00eancia na regi\u00e3o cafeeira de S\u00e3o Paulo. Com o aquecimento global, dever\u00e1 aumentar entre 5 e 10 vezes a incid\u00eancia de tardes quentes no florescimento da planta\u201d, disse Silveira Pinto. \u201cIsso pode fazer com que n\u00e3o seja mais vi\u00e1vel produzir caf\u00e9 nas partes mais baixas de S\u00e3o Paulo nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA produ\u00e7\u00e3o do caf\u00e9 no Brasil deve migrar para a Regi\u00e3o Sul\u201d, afirmou. \u201cO caf\u00e9 brasileiro dever\u00e1 ser produzido nos pr\u00f3ximos anos em estados como Paran\u00e1 e Santa Catarina.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Elton Alisson Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas t\u00eam causado altera\u00e7\u00f5es nas fases de reprodu\u00e7\u00e3o e de desenvolvimento de diferentes culturas agr\u00edcolas, entre elas milho, trigo e caf\u00e9. 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