{"id":55469,"date":"2014-05-29T11:01:29","date_gmt":"2014-05-29T14:01:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=55469"},"modified":"2014-05-29T11:01:29","modified_gmt":"2014-05-29T14:01:29","slug":"china-implementa-reforma-de-revistas-cientificas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/china-implementa-reforma-de-revistas-cientificas\/55469","title":{"rendered":"China implementa reforma de revistas cient\u00edficas"},"content":{"rendered":"<p>Por Elton Alisson Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 A China tem mais de 10 mil <em><strong>peri\u00f3dicos cient\u00edficos<\/strong><\/em>, dos quais cerca de 5 mil s\u00e3o das \u00e1reas de Ci\u00eancias Exatas, Tecnologia e Medicina e publicados principalmente por institui\u00e7\u00f5es de pesquisa, universidades, sociedades e associa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas. A fim de aumentar o impacto cient\u00edfico internacional dos artigos publicados, a China executa uma ampla reforma de suas publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas acad\u00eamicas, que inclui aumentar a qualidade, profissionalizar e internacionalizar fun\u00e7\u00f5es, processos e conte\u00fados editoriais.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Os detalhes do plano foram abordados por Yan Shuai, editor-chefe associado da editora Tsinghua University Press, da Tsinghua University, em Beijing, durante palestra no\u00a0<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/eventos.scielo.org\/brazil-chinameeting\/\" target=\"_blank\">1st Brazil-China Bilateral Meeting on STM Publishing<\/a>, realizado no dia 23 de maio, na FAPESP.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Promovido pela SciELO \u2013 Scientific Electronic Library Online, um programa da\u00a0<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/83282\/desenvolvimento-e-operacao-da-colecao-scielo-brasil-para-o-periodo-de-agosto-de-2013-a-julho-de-2016\/\" target=\"_blank\">FAPESP<\/a>\u00a0\u2013, o encontro reuniu editores de peri\u00f3dicos e profissionais de comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da China e do Brasil com o objetivo de compartilhar ideias, informa\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias em editora\u00e7\u00e3o, publica\u00e7\u00e3o e dissemina\u00e7\u00e3o de peri\u00f3dicos para aumentar a visibilidade internacional das publica\u00e7\u00f5es dos dois pa\u00edses.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cUma das diferen\u00e7as dos peri\u00f3dicos cient\u00edficos publicados na China em rela\u00e7\u00e3o aos ocidentais \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 muitos deles publicados por editoras\u201d, disse Shuai.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cTemos aproximadamente 5 mil revistas cient\u00edficas [das \u00e1reas de Ci\u00eancias Exatas, Tecnologia e Medicina\u00a0] editadas e publicadas por mais de 2 mil organiza\u00e7\u00f5es e somente algumas por editoras, enquanto na Europa, por exemplo, as revistas de universidades s\u00e3o publicadas, em sua maioria, por editoras\u201d, comparou o editor-chefe da editora da Tsinghua University, que conta com 14 t\u00edtulos nas \u00e1reas de Tecnologia da Computa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Engenharia, Economia, Gest\u00e3o e Ci\u00eancias Humanas, Educa\u00e7\u00e3o Profissional e L\u00ednguas Estrangeiras, e planeja lan\u00e7ar em 2014 um na \u00e1rea de Medicina Tradicional Chinesa.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">De acordo com Shuai, uma das principais raz\u00f5es para o baixo n\u00famero de revistas cient\u00edficas publicadas por editoras na China \u00e9 que, tradicionalmente, s\u00e3o as universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa chinesas que realizam o trabalho de sele\u00e7\u00e3o, revis\u00e3o por pares, edi\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o de artigos cient\u00edficos.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">H\u00e1 algum tempo, contudo, a ag\u00eancia regulamentadora de imprensa e publica\u00e7\u00f5es da China \u2013 chamada, em ingl\u00eas, General Administration of Press and Publication (GAPP) \u2013 come\u00e7ou a implementar uma reforma das publica\u00e7\u00f5es do pa\u00eds, estabelecendo que as universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa podem delegar a editoras comerciais as fun\u00e7\u00f5es de publicar e distribuir em diferentes plataformas o conte\u00fado das revistas cient\u00edficas chinesas.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cUm dos principais objetivos da reforma \u00e9 distinguir e separar o trabalho acad\u00eamico de edi\u00e7\u00e3o de revistas cient\u00edficas realizado pelas universidades do neg\u00f3cio de publica\u00e7\u00e3o\u201d, disse Shuai. \u201cAs universidades poder\u00e3o continuar com o trabalho de sele\u00e7\u00e3o de artigos e a revis\u00e3o por pares e decidir pela publica\u00e7\u00e3o. Por sua vez, as editoras poder\u00e3o publicar e distribuir o conte\u00fado.\u201d<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">A reforma na publica\u00e7\u00e3o de revistas acad\u00eamicas chinesas pretende integrar os recursos acad\u00eamicos, de edi\u00e7\u00e3o, as plataformas digitais e os principais peri\u00f3dicos acad\u00eamicos chineses para formar grupos de revistas profissionais e de editoras comerciais no pa\u00eds e promover o desenvolvimento das revistas acad\u00eamicas, apontou Shuai.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cAs perspectivas da reforma s\u00e3o tornar o mercado editorial de revistas cient\u00edficas da China mais aberto para o exterior e promover a coopera\u00e7\u00e3o com editoras internacionais e a publica\u00e7\u00e3o on-line dos artigos cient\u00edficos publicados por pesquisadores chineses. A ideia \u00e9 fortalecer as publica\u00e7\u00f5es de maior impacto, integrar e reestruturar aquelas com potencial de crescimento e desativar as mais fracas\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Aumento do impacto<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Um dos investimentos mais importantes feitos no \u00e2mbito da reforma foi o lan\u00e7amento, em setembro de 2013, de um projeto pela Associa\u00e7\u00e3o Chinesa para Ci\u00eancia e Tecnologia \u2013 entidade que congrega as sociedades cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas do pa\u00eds \u2013 para aumentar a proje\u00e7\u00e3o internacional das revistas cient\u00edficas chinesas j\u00e1 publicadas em ingl\u00eas, contou Shuai em uma reuni\u00e3o realizada com representantes do programa SciELO na FAPESP no mesmo dia do evento.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Denominado Project for Enhancing International Impact of China STM Journals (PIIJ, na sigla em ingl\u00eas), o projeto prev\u00ea o convite de cientistas estrangeiros de destaque para serem editores-chefes ou associados, reestrutura\u00e7\u00e3o do conselho editorial, melhora do processo de revis\u00e3o por pares adotado pelas publica\u00e7\u00f5es e busca atrair artigos cient\u00edficos de qualidade, especialmente resultados de pesquisas apoiadas pelo governo chin\u00eas.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">O projeto tamb\u00e9m pretende investir cerca de US$ 340 mil por ano at\u00e9 2018 em um grupo de peri\u00f3dicos chineses com maior fator de impacto cient\u00edfico. Entre eles, o\u00a0Nano Research\u00a0e o\u00a0International Journal of Oral Science, publicados pela Tsinghua University Press.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Segundo Zeng Jie, editora da Tsinghua Univesity Press, a China tem cerca de 2 mil universidades e faculdades. Mais de 600 realizam atividades de pesquisa e possuem aproximadamente 700 mil cientistas e engenheiros. O pa\u00eds publica, em m\u00e9dia, cerca de 600 mil artigos cient\u00edficos por ano, principalmente em suas revistas cient\u00edficas nacionais.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Do total de 5 mil t\u00edtulos em Ci\u00eancias Exatas, Tecnologia e Medicina, no entanto, apenas 240 s\u00e3o publicados em ingl\u00eas e, desse total, 147 est\u00e3o presentes na base do\u00a0<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/thomsonreuters.com\/journal-citation-reports\/\" target=\"_blank\">Journal Citation Reports<\/a>\u00a0(JCR) \u2013 recurso que permite avaliar e comparar publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas na\u00a0<a style=\"color: #6c8dbe;\" href=\"http:\/\/wokinfo.com\/\" target=\"_blank\">Web of Science<\/a>, apontou Jie.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cA reforma na publica\u00e7\u00e3o de revistas acad\u00eamicas tamb\u00e9m tem o objetivo de aumentar o n\u00famero de peri\u00f3dicos que publicamos em ingl\u00eas e o impacto cient\u00edfico internacional delas\u201d, disse Jie durante o evento.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Jie e Shuai apontaram ainda que as revistas acad\u00eamicas da China tamb\u00e9m enfrentam o problema da falta de uma plataforma de publica\u00e7\u00e3o como a SciELO.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Artigos nacionais<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">De acordo com dados apresentados durante o evento por Rog\u00e9rio Meneghini, diretor cient\u00edfico da Rede SciELO, a China tem mais revistas cient\u00edficas nacionais publicadas em ingl\u00eas na Web of Science do que o Brasil \u2013 com um percentual de 73,5% contra 50,3% das revistas cient\u00edficas brasileiras presentes na base.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Em comum, as revistas cient\u00edficas dos dois pa\u00edses presentes na Web of Science t\u00eam um n\u00famero muito pr\u00f3ximo de artigos cient\u00edficos com autores nacionais \u2013 respectivamente 83% no caso da China e 82,9% do Brasil, apontou Meneghini.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cNos pa\u00edses emergentes ou em desenvolvimento [como o Brasil e a China], os peri\u00f3dicos nacionais s\u00e3o voltados, principalmente, para dar vaz\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica dessas na\u00e7\u00f5es\u201d, disse Meneghini.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cNas revistas cient\u00edficas publicadas em pa\u00edses desenvolvidos, os artigos nacionais representam, em geral, uma minoria [em rela\u00e7\u00e3o aos artigos publicados por autores estrangeiros]\u201d, comparou.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Na avalia\u00e7\u00e3o de Meneghini, essa tend\u00eancia se deve ao fato de que os peri\u00f3dicos cient\u00edficos dos pa\u00edses desenvolvidos t\u00eam uma repercuss\u00e3o internacional maior do que a dos pa\u00edses em desenvolvimento. Por isso, tendem a publicar mais artigos de outros pa\u00edses.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">J\u00e1 os peri\u00f3dicos de pa\u00edses em desenvolvimento t\u00eam menor repercuss\u00e3o internacional e por isso t\u00eam voca\u00e7\u00e3o de dar maior vaz\u00e3o aos pr\u00f3prios artigos do que aos de outras na\u00e7\u00f5es. \u201cEssa tend\u00eancia pode mudar na medida em que a ci\u00eancia dos pa\u00edses emergentes for se desenvolvendo\u201d, disse Meneghini \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Outra diferen\u00e7a, segundo Meneghini, est\u00e1 na cita\u00e7\u00e3o de artigos. Os pa\u00edses desenvolvidos ou emergentes tendem a apresentar um equil\u00edbrio na cita\u00e7\u00e3o de seus pr\u00f3prios artigos e de outras na\u00e7\u00f5es. J\u00e1 no caso dos pa\u00edses desenvolvidos, a grande maioria dos artigos citados \u00e9 de outros pa\u00edses, apontou.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cOitenta e cinco por cento das cita\u00e7\u00f5es feitas nos artigos publicados pela Su\u00e9cia entre 2010 e 2011, por exemplo, eram de trabalhos publicados por outros pa\u00edses\u201d, disse Meneghini.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Revistas cient\u00edficas brasileiras<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">O Brasil tem 5.068 peri\u00f3dicos cient\u00edficos, classificados pelo sistema Qualis, da Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes), destacou Abel Packer, coordenador do programa SciELO, durante o evento.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">J\u00e1 a SciELO Brasil conta atualmente com cerca de 278 revistas, publicadas por 176 diferentes institui\u00e7\u00f5es, que formam uma cole\u00e7\u00e3o dos principais t\u00edtulos cient\u00edficos nacionais dispon\u00edveis em acesso aberto na internet, e j\u00e1 avaliou mais de 900 peri\u00f3dicos.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Entre as linhas de a\u00e7\u00f5es estabelecidas nos \u00faltimos anos para melhorar a gest\u00e3o e aumentar a visibilidade da cole\u00e7\u00e3o da SciELO Brasil, de acordo com Packer, est\u00e3o profissionalizar a gest\u00e3o, assegurar a sustentabilidade financeira e internacionalizar as publica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201c\u00c9 preciso aumentar o percentual de pesquisadores estrangeiros envolvidos nos comit\u00eas editoriais, no processo de revis\u00e3o por pares e, principalmente, como autores dos artigos publicados pelos peri\u00f3dicos brasileiros\u201d, apontou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Elton Alisson Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 A China tem mais de 10 mil peri\u00f3dicos cient\u00edficos, dos quais cerca de 5 mil s\u00e3o das \u00e1reas de Ci\u00eancias Exatas, Tecnologia e Medicina e publicados principalmente por institui\u00e7\u00f5es de pesquisa, universidades, sociedades e associa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas. 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