{"id":54995,"date":"2014-05-16T14:36:17","date_gmt":"2014-05-16T17:36:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=54995"},"modified":"2014-05-16T14:36:17","modified_gmt":"2014-05-16T17:36:17","slug":"professores-improvisam-pratica-esportiva-em-escolas-do-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/professores-improvisam-pratica-esportiva-em-escolas-do-rio\/54995","title":{"rendered":"Professores improvisam pr\u00e1tica esportiva em escolas do Rio"},"content":{"rendered":"<p>Pela zona oeste do Rio, proliferam-se os campinhos de futebol, alguns dos poucos espa\u00e7os p\u00fablicos para a pr\u00e1tica de esporte. As escolas, assim como os campinhos e a pr\u00f3pria rua, muitas vezes, representam o \u00fanico contato das crian\u00e7as e dos adolescentes com o esporte. A Escola Municipal Guimar\u00e3es Rosa, no bairro de Magalh\u00e3es Bastos, participa do projeto Rio 2016, que incluiu novos esportes, como o rugby e o badminton, na <strong><em>educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica<\/em><\/strong>. A escola tamb\u00e9m \u00e9 contemplada pelo programa Mais Educa\u00e7\u00e3o, do governo federal, que oferece aos alunos atividades como a capoeira e o jud\u00f4 no contraturno das aulas regulares.<\/p>\n<p>A diretora da escola, Jorgina Rodrigues, diz que as aulas voltadas ao esporte fazem diferen\u00e7a no ambiente escolar. \u201cA gente sabe que a educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica na escola tumultua um pouco o ambiente para quem n\u00e3o est\u00e1 acostumado, mas a gente v\u00ea a diferen\u00e7a no aluno, na quest\u00e3o do respeito, da disciplina, da amizade, eles mudam de comportamento. \u00c9 uma escola agitada, mas no bom sentido, porque isso vem trazendo um legado para eles mesmos\u201d.<\/p>\n<p>Fernanda Fernandes, 14 anos, gosta das aulas em que o esporte \u00e9 o foco. \u201cEu me divirto, eu fa\u00e7o esporte que eu gosto, eu aprendo as coisas, gosto de conversar um pouquinho\u201d. Lucas Carvalho, 12 anos, espera melhorias na escola. \u201cA quadra est\u00e1 come\u00e7ando a rachar, era bom restaur\u00e1-la e tamb\u00e9m os materiais para fazermos educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, e tamb\u00e9m ter uma cobertura\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo com o t\u00edtulo de unidade de refer\u00eancia, a escola tem apenas uma quadra, descoberta, para realizar todas as atividades. A diretora sonha com um espa\u00e7o mais estruturado. \u201cO ideal seria ter uma escola com um espa\u00e7o f\u00edsico adequado, que tivesse, por exemplo, um lugar para os alunos tomarem um banho.\u201d<\/p>\n<p>Apesar de fazer parte de projetos de incentivo ao esporte, a escola ainda tem alguns gargalos a ultrapassar. Os professores Fl\u00e1vio Abdala e Marcos Matos mostram as bolas que, al\u00e9m de murchar com pouco tempo de uso, s\u00e3o feitas de um material de baixa qualidade que descola depois de algumas partidas. A quantidade de alunos nas turmas pode chegar a 40 e os uniformes s\u00e3o inadequados.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um short que a menina n\u00e3o quer usar, parece uma fralda, eu usei o short para dar um incentivo a eles, o short abriu no meio. Ent\u00e3o, eu, sinceramente, fico chateado, nem cobro por causa disso. A gente n\u00e3o tem como comprar [outro uniforme], eu n\u00e3o posso exigir, a escola tamb\u00e9m quer que eles venham com o uniforme adequado e a gente fica nesse impasse\u201d, relata Abdala.<\/p>\n<p>Para fugir do sol, Matos conta que foi preciso inovar. Para isso, improvisaram um equipamento para a pr\u00e1tica de arvorismo. \u201cA gente amarra uma corda de uma \u00e1rvore at\u00e9 a outra e ensina a t\u00e9cnica para os alunos. Foi o jeito de aproveitar a sombra das \u00e1rvores.\u201d<\/p>\n<p>Para ele, a realiza\u00e7\u00e3o da Copa no Brasil \u00e9 motivo de festa, mas diante de tantas prioridades na cidade, o Mundial perde o glamour. \u201cMuito dinheiro foi gasto para isso, mas quando voc\u00ea v\u00ea a educa\u00e7\u00e3o, a seguran\u00e7a, a sa\u00fade, os hospitais sem espa\u00e7o para atendimento. O dinheiro que poderia ser investido nisso est\u00e1 sendo gasto em campo de futebol para mostrar para o mundo que o Brasil tem condi\u00e7\u00f5es de fazer um Mundial, mas no que deveria investir mesmo, que \u00e9 na estrutura do pa\u00eds para o povo brasileiro viver melhor, n\u00e3o est\u00e1 sendo investido.\u201d<\/p>\n<p>Segundo a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o, das 1.004 unidades da rede municipal, 369 n\u00e3o t\u00eam quadras. Entre essas, 172 n\u00e3o t\u00eam espa\u00e7o para a constru\u00e7\u00e3o das quadras e atividades esportivas s\u00e3o feitas em clubes ou associa\u00e7\u00f5es. A prefeitura promete a constru\u00e7\u00e3o de 25 novas quadras de esporte at\u00e9 o final do ano.<\/p>\n<p>O projeto que deu origem a esta reportagem foi vencedor da Categoria R\u00e1dio do 7\u00ba Concurso Tim Lopes de Jornalismo Investigativo, realizado pela Andi, Childhood Brasil e pelo Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidos para a Inf\u00e2ncia (Unicef).<\/p>\n<p>Raquel J\u00fania \u2013 Rep\u00f3rter do Radiojornalismo EBC<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Beraldo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pela zona oeste do Rio, proliferam-se os campinhos de futebol, alguns dos poucos espa\u00e7os p\u00fablicos para a pr\u00e1tica de esporte. As escolas, assim como os campinhos e a pr\u00f3pria rua, muitas vezes, representam o \u00fanico contato das crian\u00e7as e dos adolescentes com o esporte. 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