{"id":5420,"date":"2009-07-14T11:11:44","date_gmt":"2009-07-14T15:11:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=5420"},"modified":"2016-05-31T19:20:20","modified_gmt":"2016-05-31T22:20:20","slug":"oncologistas-devem-alertar-pacientes-sobre-as-implicacoes-reprodutivas-do-tratamento-de-cancer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2009\/oncologistas-devem-alertar-pacientes-sobre-as-implicacoes-reprodutivas-do-tratamento-de-cancer\/5420","title":{"rendered":"Oncologistas devem alertar pacientes sobre as implica\u00e7\u00f5es reprodutivas do tratamento de c\u00e2ncer"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><em>Os avan\u00e7os nos tratamentos quimioter\u00e1picos trazem consigo novos desafios, como o da preserva\u00e7\u00e3o da fertilidade dos pacientes mais jovens, tanto mulheres, quanto homens.<\/em><\/p>\n<p>Se os m\u00e9dicos recomendam que as mulheres providenciem perucas para a eventual queda de cabelos por causa da quimioterapia, por que n\u00e3o conversar sobre aspectos reprodutivos que podem estar envolvidos no mesmo tratamento? Esta foi uma das quest\u00f5es debatidas durante o Congresso Anual da Sociedade Americana de Oncologia Cl\u00ednica, ASCO, realizado na Fl\u00f3rida, no final de maio.<\/p>\n<p>Um levantamento realizado por um instituto de pesquisa da Fl\u00f3rida buscou avaliar como esta quest\u00e3o \u00e9 abordada durante as consultas dos pacientes oncol\u00f3gicos. Mais de 600 oncologistas responderam ao question\u00e1rio. As respostas &#8211; em princ\u00edpio positivas &#8211;\u00a0 revelaram que 80% disseram abordar o tema durante o tratamento. Ainda assim, menos de 25% dos m\u00e9dicos encaminham as pacientes em idade f\u00e9rtil para os especialistas em reprodu\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>O estudo revelou que, apesar da maioria dos m\u00e9dicos discutirem o tema com os pacientes, algumas barreiras ainda precisam ser vencidas. A principal dificuldade reportada pelos m\u00e9dicos \u00e9 a concilia\u00e7\u00e3o entre a necessidade do in\u00edcio o mais r\u00e1pido poss\u00edvel da quimioterapia com o encaminhamento da paciente ao especialista em reprodu\u00e7\u00e3o humana e das eventuais provid\u00eancias e custos deste encaminhamento.<\/p>\n<p>Outra barreira levantada pelos pesquisadores norte-americanos \u00e9 o custo envolvido nos tratamentos de preserva\u00e7\u00e3o da fertilidade que se somam aos custos do pr\u00f3prio tratamento do c\u00e2ncer. Nos Estados Unidos, n\u00e3o existe um padr\u00e3o de cobertura para esses tratamentos pelas diferentes companhias seguradoras e planos de sa\u00fade. No aspecto regulat\u00f3rio, as legisla\u00e7\u00f5es s\u00e3o predominantemente estaduais, o que dificulta ainda mais uma padroniza\u00e7\u00e3o de procedimentos pelos oncologistas e pelos especialistas em reprodu\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p><strong><em>Preserva\u00e7\u00e3o da fertilidade<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A pesquisa apresentada na Fl\u00f3rida no mostra que os avan\u00e7os nos tratamentos quimioter\u00e1picos trazem consigo novos desafios, como o da preserva\u00e7\u00e3o da fertilidade dos pacientes mais jovens, tanto mulheres, quanto homens.<\/p>\n<p>Quando o c\u00e2ncer afeta uma paciente jovem &#8211; apesar de o adulto jovem receber melhor os tratamentos contra o c\u00e2ncer &#8211; \u00e9 preciso observar algumas peculiaridades dessa fase da vida, antes de iniciar o tratamento oncol\u00f3gico. \u201cA preserva\u00e7\u00e3o da fertilidade \u00e9 um fator muito importante nos tratamentos de mulheres mais jovens. Muitas pacientes ainda n\u00e3o tiveram filhos e alguns medicamentos podem prejudicar o seu sistema reprodutivo. Dependendo do tipo de tumor \u00e9 poss\u00edvel combinar rem\u00e9dios menos invasivos. Mas, se for imposs\u00edvel preservar a fertilidade destas pacientes, as t\u00e9cnicas de reprodu\u00e7\u00e3o humana assistida podem auxiliar estas mulheres\u201d, defende o Prof\u00b0 Dr\u00b0 Joji Ueno, ginecologista.<\/p>\n<p>Segundo Joji Ueno, s\u00e3o as pesquisas americanas que apontam que a preserva\u00e7\u00e3o da fertilidade \u00e9 a maior preocupa\u00e7\u00e3o das\u00a0 jovens com c\u00e2ncer de mama. Em, aproximadamente 29% das vezes, esta preocupa\u00e7\u00e3o influencia na decis\u00e3o terap\u00eautica a ser adotada. \u201cPor isto, \u00e9 cada vez mais importante a atua\u00e7\u00e3o conjunta do especialista em reprodu\u00e7\u00e3o humana com o oncologista, o ginecologista e o mastologista, visando preservar e restaurar a fertilidade desta paciente\u201d, defende.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Potenciais efeitos do tratamento do c\u00e2ncer em mulheres jovens:<\/strong><\/p>\n<p>-interfer\u00eancia no funcionamento do hipot\u00e1lamo e da hip\u00f3fise;<\/p>\n<p>-perda da fun\u00e7\u00e3o uterina normal;<\/p>\n<p>-destrui\u00e7\u00e3o total ou parcial da reserva de \u00f3vulos no ov\u00e1rio, ocasionando fal\u00eancia ovariana imediata ou em tempo vari\u00e1vel;<\/p>\n<p>-dificuldade de predizer o potencial reprodutivo futuro.<\/p>\n<p align=\"right\">\n<p><strong><em>Para preservar a capacidade reprodutiva \u00e9 poss\u00edvel:<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&#8211;\u00a0<strong>congelar \u00f3vulos<\/strong>, pois a infertilidade causada pelo tratamento da doen\u00e7a pode ser permanente. \u201cO \u00f3vulo pode ser congelado por v\u00e1rios anos. Depois da cura do c\u00e2ncer, a fertiliza\u00e7\u00e3o ser\u00e1 feita com o esperma do pai\u201d, diz o m\u00e9dico.\u00a0A<strong> <\/strong>t\u00e9cnica ainda apresenta poucos resultados positivos no mundo.<strong> <\/strong>\u201cNo entanto, as condi\u00e7\u00f5es para gravidez com \u00f3vulos congelados est\u00e3o melhorando gradativamente\u00a8, afirma Joji Ueno;<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0<strong>congelar pr\u00e9-embri\u00f5es.<\/strong> \u201cO congelamento de pr\u00e9-embri\u00f5es sempre gerou uma discuss\u00e3o social muito fervorosa, principalmente devido a quest\u00f5es \u00e9ticas e religiosas. O embri\u00e3o tamb\u00e9m pode se manter congelado por um tempo indefinido, mas muitas religi\u00f5es consideram que a vida se inicia no momento da concep\u00e7\u00e3o. O embri\u00e3o, portanto, \u00e9 tratado como um ser vivo. Seu eventual descarte pode ser considerado uma\u00a0 conduta anti-\u00e9tica\u201d, explica Joji Ueno. Uma outra dificuldade do congelamento de pr\u00e9-embri\u00f5es \u00e9 que, se a mulher quiser implant\u00e1-los, ter\u00e1 de pedir autoriza\u00e7\u00e3o ao pai, ou seja, ao parceiro que fecundou o \u00f3vulo;<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0<strong>congelar fragmentos do ov\u00e1rio<\/strong>, que posteriormente, podem ser transplantados novamente para a paciente ou submetidos a uma t\u00e9cnica laboratorial de amadurecimento\u00a0<em>in vitro.<\/em> Ao se submeter \u00e0 quimioterapia ou\/e \u00e0 radioterapia, os fol\u00edculos dos ov\u00e1rios da paciente portadora de c\u00e2ncer ser\u00e3o destru\u00eddos e n\u00e3o se recompor\u00e3o mais. \u201cPor isso, os especialistas em Reprodu\u00e7\u00e3o Humana Assistida fazem a retirada de uma parte superficial destes \u00f3rg\u00e3os, antes da mulher se submeter a estes tratamentos. Esses fragmentos podem ser reimplantados mais tarde e a mulher passar\u00e1 a ovular novamente. Como esta t\u00e9cnica ainda \u00e9 considerada experimental, somente no futuro, as pacientes poder\u00e3o se beneficiar do congelamento de fragmentos do ov\u00e1rio mulheres com c\u00e2ncer de mama, de colo de \u00fatero, e ainda, leucemia, linfoma e sarcomas\u201d,\u00a0diz Ueno.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os avan\u00e7os nos tratamentos quimioter\u00e1picos trazem consigo novos desafios, como o da preserva\u00e7\u00e3o da fertilidade dos pacientes mais jovens, tanto mulheres, quanto homens. 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