{"id":53574,"date":"2014-04-01T13:00:13","date_gmt":"2014-04-01T16:00:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=53574"},"modified":"2014-04-01T13:00:13","modified_gmt":"2014-04-01T16:00:13","slug":"pesquisa-esclarece-como-a-melatonina-pode-inibir-o-cancer-de-mama","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/pesquisa-esclarece-como-a-melatonina-pode-inibir-o-cancer-de-mama\/53574","title":{"rendered":"Pesquisa esclarece como a melatonina pode inibir o c\u00e2ncer de mama"},"content":{"rendered":"<p>Por Elton Alisson Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Al\u00e9m de regular os ciclos de sono e vig\u00edlia, a melatonina \u2013 horm\u00f4nio produzido naturalmente nos mam\u00edferos pela gl\u00e2ndula pineal, do c\u00e9rebro, em resposta \u00e0 escurid\u00e3o \u2013 pode ajudar a retardar o crescimento do <em><strong>c\u00e2ncer de mama<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>Uma pesquisa realizada por cientistas da Faculdade de Medicina de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto (Famerp) em colabora\u00e7\u00e3o com colegas do Hospital Henry Ford de Detroit, em Michigan, nos Estados Unidos, e publicado em janeiro na revista\u00a0PLoS One, esclareceu que essa capacidade do horm\u00f4nio se deve ao papel que ele pode desempenhar no controle da forma\u00e7\u00e3o de novos vasos sangu\u00edneos a partir da vasculatura j\u00e1 existente do tumor, denominada angiog\u00eanese.<\/p>\n<p>O estudo foi desenvolvido no \u00e2mbito do projeto\u00a0, realizado com apoio da FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cConstatamos que a melatonina consegue inibir o crescimento tumoral e a produ\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas cancerosas, al\u00e9m de bloquear a forma\u00e7\u00e3o de novos vasos sangu\u00edneos do tumor em modelos animal [in vivo] e celular [in vitro]\u201d, disse Debora Aparecida Pires de Campos Zuccari, professora da Famerp e coordenadora do projeto, \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>De acordo com Zuccari, j\u00e1 se sabia que a melatonina, quando administrada em doses terap\u00eauticas \u2013 acima dos n\u00edveis naturalmente encontrados no organismo \u2013, apresenta propriedades antioxidantes. E estimava-se que o horm\u00f4nio pode suprimir o crescimento de alguns tipos de c\u00e9lulas cancerosas, especialmente quando combinado com certas drogas utilizadas no tratamento do c\u00e2ncer. A melatonina n\u00e3o \u00e9 vendida no Brasil, mas \u00e9 comercializada em pa\u00edses como os Estados Unidos como suplemento alimentar.<\/p>\n<p>A fim de testar essas hip\u00f3teses, Zuccari iniciou em 2008 uma s\u00e9rie de estudos com o objetivo de verificar se a melatonina poderia retardar o c\u00e2ncer de mama \u2013 o tipo de c\u00e2ncer mais comum em mulheres, com uma alta taxa de mortalidade devido, principalmente, \u00e0 progress\u00e3o e \u00e0 met\u00e1stase (propaga\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas cancerosas) (leia mais em\u00a0).<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, o crescimento do tumor est\u00e1 associado \u00e0 angiog\u00eanese \u2013 forma\u00e7\u00e3o de novos vasos sangu\u00edneos a partir da vasculatura j\u00e1 existente do tumor \u2013, regulada por genes como o Fator de Transcri\u00e7\u00e3o Induzido por Hep\u00f3xia (HIF-1?), Fator de Crescimento Endotelial Vascular (VEGF), Fator de Crescimento Derivado de Plaquetas (PGFF), Fator de Crescimento Epid\u00e9rmico (EGF) e angiogenina, entre outros.<\/p>\n<p>Uma vez que o tumor entra em processo de crescimento exponencial e atinge alguns mil\u00edmetros de di\u00e2metro, o centro do tecido come\u00e7a a sofrer de falta de oxig\u00eanio (hip\u00f3xia) e isso estimula a express\u00e3o desses genes respons\u00e1veis pela angiog\u00eanese, principalmente o VEGF, para aumentar o aporte de nutrientes no local, explicou Zuccari.<\/p>\n<p>\u201cO VEGF liga-se a seus receptores e, dessa forma, promove a angiog\u00eanese por meio de sua capacidade de estimular o crescimento, a migra\u00e7\u00e3o e a invas\u00e3o de c\u00e9lulas endoteliais (localizadas na camada celular interna dos vasos sangu\u00edneos)\u201d, contou a pesquisadora.<\/p>\n<p>\u201cComo a revasculariza\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para o crescimento de tumores e met\u00e1stases, o controle da angiog\u00eanese \u00e9 uma estrat\u00e9gia promissora para limitar a progress\u00e3o do c\u00e2ncer\u201d, indicou.<\/p>\n<p>Estudo em camundongos<\/p>\n<p>A fim de avaliar os efeitos da melatonina sobre a angiog\u00eanese no c\u00e2ncer de mama, os pesquisadores realizaram um estudo com camundongos at\u00edmicos \u2013 roedores geneticamente modificados, que n\u00e3o possuem pelagem. Para realizar o estudo, eles implantaram c\u00e9lulas tumorais na mama de um grupo desses animais imunossuprimidos.<\/p>\n<p>Os camundongos receberam inje\u00e7\u00f5es via intraperitoneal de 1 miligrama de melatonina por 21 dias seguidos, durante a noite e uma hora antes de a ilumina\u00e7\u00e3o da sala em que estavam confinados ser desligada.<\/p>\n<p>Os volumes dos tumores foram medidos semanalmente, com um compasso digital. No final do tratamento, os animais foram submetidos a tomografia computadorizada por emiss\u00e3o de f\u00f3ton \u00fanico (SPECT, na sigla em ingl\u00eas), a fim de determinar se a melatonina contribuiu para diminuir o tamanho do tumor e se houve mudan\u00e7a na forma\u00e7\u00e3o de novos vasos sangu\u00edneos.<\/p>\n<p>Os pesquisadores constataram que o tamanho do tumor e a prolifera\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas cancerosas dos camundongos tratados com melatonina diminu\u00edram ap\u00f3s os 21 dias de tratamento, em compara\u00e7\u00e3o com os animais que n\u00e3o receberam o horm\u00f4nio. Tamb\u00e9m houve uma redu\u00e7\u00e3o na densidade dos vasos sangu\u00edneos do tumor do grupo tratado com melatonina.<\/p>\n<p>\u201cO tratamento com melatonina mostrou efic\u00e1cia na redu\u00e7\u00e3o do crescimento tumoral e na prolifera\u00e7\u00e3o celular, bem como na inibi\u00e7\u00e3o da angiog\u00eanese\u201d, afirmou Zuccari. De acordo com a pesquisadora, o estudo foi replicado em linhagens de c\u00e9lulas tumorais.<\/p>\n<p>Os resultados das an\u00e1lises indicaram que a melatonina administrada em doses terap\u00eauticas foi capaz de reduzir a viabilidade de c\u00e9lulas cancerosas. A express\u00e3o do receptor de angiog\u00eanese (VEGFR 2) tamb\u00e9m diminuiu significativamente nos animais tratados com melatonina, em compara\u00e7\u00e3o com o grupo de controle, afirmou Zuccari.<\/p>\n<p>\u201cMostramos que a efici\u00eancia da liga\u00e7\u00e3o do VEGF com o receptor de angiog\u00eanese [\u00a0VEGFR 2] diminuiu quando a melatonina foi utilizada\u201d, contou a pesquisadora.<\/p>\n<p>Pr\u00f3ximas etapas<\/p>\n<p>De acordo com Zuccari, atualmente ela e seu grupo concluem um estudo no qual avaliam o papel da melatonina na diminui\u00e7\u00e3o de met\u00e1stase de c\u00e9lulas de c\u00e2ncer de mama.<\/p>\n<p>Os resultados preliminares tamb\u00e9m indicaram uma diminui\u00e7\u00e3o significativa do foco de met\u00e1stase em camundongos que receberam inje\u00e7\u00f5es do horm\u00f4nio. \u201cEstamos tentando mostrar que existem diferentes frentes de a\u00e7\u00e3o da melatonina e que o horm\u00f4nio \u00e9 eficiente em todas elas\u201d, apontou.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a conclus\u00e3o dos estudos em animais, a ideia \u00e9 realizar um estudo cl\u00ednico \u2013 em humanos \u2013 com a melatonina. O principal obst\u00e1culo para isso, no entanto, \u00e9 que, por ainda n\u00e3o ter a\u00e7\u00e3o comprovada no tratamento do c\u00e2ncer, o horm\u00f4nio n\u00e3o pode ser usado em pacientes que possuem outra possibilidade terap\u00eautica.<\/p>\n<p>\u201cTer\u00edamos de come\u00e7ar o estudo cl\u00ednico com um grupo de pacientes terminais, sem op\u00e7\u00e3o de tratamento, para verificar, inicialmente, se a melatonina melhora o bem-estar deles, por exemplo, para depois analisar outras quest\u00f5es, tais como se ela inibe a progress\u00e3o do c\u00e2ncer\u201d, afirmou Zuccari.<\/p>\n<p>Os pesquisadores iniciaram um estudo com mulheres com e sem c\u00e2ncer de mama, em uma mesma faixa et\u00e1ria, para avaliar a hip\u00f3tese de que mulheres com c\u00e2ncer possuam n\u00edveis de melatonina no organismo mais baixos do que as que n\u00e3o t\u00eam c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>\u201cSe essa hip\u00f3tese for confirmada, talvez por isso essas mulheres com c\u00e2ncer de mama n\u00e3o consigam obter os efeitos protetores proporcionados pela melatonina e necessitem suplement\u00e1-la em suas dietas\u201d, disse Zuccari.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0\u201cEffect of melatonina on tumor growth and angiogenesis in xenograf model of breast cancer\u201d(doi: 10.1371\/journal.pone.0085311), de Zuccari e outros, pode ser lido na revista\u00a0PloS One\u00a0em.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Elton Alisson Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Al\u00e9m de regular os ciclos de sono e vig\u00edlia, a melatonina \u2013 horm\u00f4nio produzido naturalmente nos mam\u00edferos pela gl\u00e2ndula pineal, do c\u00e9rebro, em resposta \u00e0 escurid\u00e3o \u2013 pode ajudar a retardar o crescimento do c\u00e2ncer de mama. 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