{"id":53308,"date":"2014-03-24T11:10:56","date_gmt":"2014-03-24T14:10:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=53308"},"modified":"2014-03-24T11:10:56","modified_gmt":"2014-03-24T14:10:56","slug":"pesquisa-associa-mama-densa-na-pos-menopausa-a-mutacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/pesquisa-associa-mama-densa-na-pos-menopausa-a-mutacao\/53308","title":{"rendered":"Pesquisa associa mama densa na p\u00f3s-menopausa a muta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 \u00c0 medida que as mulheres envelhecem, o tecido glandular das mamas \u2013 mais firme \u2013 vai ao poucos sendo substitu\u00eddo por gordura. Na linguagem m\u00e9dica, a mama deixa de ter uma alta densidade mamogr\u00e1fica e se torna lipossubstitu\u00edda. Em alguns casos, no entanto, as mamas permanecem densas mesmo ap\u00f3s a menopausa. Mas o que pode parecer uma vantagem est\u00e9tica \u00e9 um fator que, de acordo com a literatura cient\u00edfica, pode elevar entre quatro e seis vezes o risco de <em><strong>c\u00e2ncer de mama<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>Um estudo realizado recentemente com 463 pacientes do Hospital das Cl\u00ednicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMUSP) mostrou que nesse grupo de mulheres com mamas densas chega a ser 75% mais frequente a ocorr\u00eancia de uma muta\u00e7\u00e3o conhecida como PVULL, que afeta o gene do receptor de estr\u00f3geno na mama e aumenta a a\u00e7\u00e3o hormonal nesse tecido. Os resultados foram publicados em dezembro de 2013 no peri\u00f3dico\u00a0.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o foi feita durante o doutorado de Marilene Alicia de Souza, sob orienta\u00e7\u00e3o da professora da FMUSP Angela Maggio da Fonseca, coordenadora do projeto \u201c\u201d, apoiado pela FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cNossa hip\u00f3tese era de que essa muta\u00e7\u00e3o no gene do receptor estrog\u00eanico, que \u00e9 uma caracter\u00edstica heredit\u00e1ria, poderia levar a alta densidade mamogr\u00e1fica na p\u00f3s-menopausa, o que \u00e9 um fator de risco importante para o c\u00e2ncer. E os dados confirmaram nossa hip\u00f3tese\u201d, afirmou Souza.<\/p>\n<p>As participantes do estudo \u2013 entre 45 e 65 anos e todas h\u00e1 pelo menos um ano sem menstruar \u2013 foram divididas em dois grupos: 308 integraram o grupo de mamas densas e 155, o de baixa densidade mamogr\u00e1fica, considerado como grupo controle.<\/p>\n<p>\u201cForam avaliadas mais de 4 mil mulheres inicialmente, mas exclu\u00edmos aquelas que faziam uso de horm\u00f4nios e as com suspeita ou diagn\u00f3stico de c\u00e2ncer de mama\u201d, contou Souza.<\/p>\n<p>Todas as volunt\u00e1rias consideradas eleg\u00edveis passaram por sequenciamento gen\u00e9tico para avaliar a presen\u00e7a da muta\u00e7\u00e3o, mamografia, avalia\u00e7\u00e3o de peso, altura, \u00edndice de massa corporal (IMC) e responderam a um question\u00e1rio sobre o hist\u00f3rico familiar e os h\u00e1bitos de vida.<\/p>\n<p>Os resultados revelaram ainda que, no grupo de mulheres com mamas densas, foram mais frequentes os casos de c\u00e2ncer de mama na fam\u00edlia. Enquanto na popula\u00e7\u00e3o em geral apenas 4% das mulheres apresentam casos em parentes de primeiro grau (m\u00e3e e filha), nessa popula\u00e7\u00e3o estudada a frequ\u00eancia foi de 19%.<\/p>\n<p>\u201cO mais preocupante \u00e9 que observamos nesse grupo de mulheres maior frequ\u00eancia de outros fatores de risco comportamentais, sem rela\u00e7\u00e3o com essa caracter\u00edstica gen\u00e9tica, portanto. De maneira geral, elas tinham um n\u00famero menor de gesta\u00e7\u00f5es e \u00e9 sabido que a cada gravidez a chance de ser classificada com alta densidade mamogr\u00e1fica diminui em 17%. Tamb\u00e9m foi observada\u00a0uma frequ\u00eancia maior de gesta\u00e7\u00f5es tardias (acima de 28 anos) e a cada ano de atraso na primeira gesta\u00e7\u00e3o a termo o risco aumenta em 5,3%. Al\u00e9m disso, foi maior a frequ\u00eancia de fumantes e consumidoras regulares de \u00e1lcool. S\u00e3o v\u00e1rios fatores de risco para c\u00e2ncer de mama que v\u00e3o se somando\u201d, alertou Souza.<\/p>\n<p>Diversos estudos anteriores mostraram que a gravidez \u2013 principalmente antes dos 28 anos \u2013 e a amamenta\u00e7\u00e3o t\u00eam efeito protetor contra o c\u00e2ncer de mama, pois induzem a diferencia\u00e7\u00e3o completa das c\u00e9lulas das gl\u00e2ndulas mam\u00e1rias.<\/p>\n<p>Mamas densas na p\u00f3s-menopausa s\u00e3o um ind\u00edcio de maior presen\u00e7a de c\u00e9lulas n\u00e3o diferenciadas, mais suscet\u00edveis a sofrer muta\u00e7\u00f5es que levam ao c\u00e2ncer. Al\u00e9m disso, o estr\u00f3geno induz uma maior prolifera\u00e7\u00e3o celular no tecido, elevando ainda mais o risco de muta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cEsses resultados alertam para a necessidade de tratar essas mulheres com maior risco de forma diferenciada. O sequenciamento gen\u00e9tico \u00e9 f\u00e1cil e deveria ser feito em todas aquelas com hist\u00f3rico de c\u00e2ncer na fam\u00edlia e com alta densidade mamogr\u00e1fica na p\u00f3s-menopausa. Confirmada a presen\u00e7a do polimorfismo gen\u00e9tico [PVULL], precisaria ser feito um acompanhamento rigoroso, com exames a cada seis meses\u201d, avaliou Souza.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica defende tamb\u00e9m a possibilidade de adotar uma terapia preventiva nesses casos. \u201cUma das op\u00e7\u00f5es que poderiam ser estudadas \u00e9 o medicamento tamoxifeno, capaz de diminuir a a\u00e7\u00e3o hormonal nas mamas. Muitas mulheres que sofrem de mastalgia (dor nas mamas) j\u00e1 fazem uso dessa droga\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Obesidade<\/p>\n<p>Embora o grupo de mulheres com mama densa tenha apresentado, em m\u00e9dia, um IMC menor que o grupo controle, a taxa de obesidade\u00a0\u2013\u00a0outro conhecido fator de risco para c\u00e2ncer de mama \u2013 foi alta: 40,7%. &#8220;Esse dado \u00e9 preocupante, pois s\u00e3o dois importantes fatores de risco que est\u00e3o se somando&#8221;, comentou Souza.<\/p>\n<p>O grupo de pesquisadores investigou ainda uma outra muta\u00e7\u00e3o que afeta o gene do receptor de estr\u00f3geno na mama conhecida como XBAL. \u201cAo contr\u00e1rio da PVULL, a XBAL n\u00e3o teve forte correla\u00e7\u00e3o com alta densidade mamogr\u00e1fica na p\u00f3s-menopausa. Por outro lado, a muta\u00e7\u00e3o XBAL parece desencadear uma a\u00e7\u00e3o hormonal que favorece a obesidade. Cerca de 69% das portadoras tinham IMC maior que 25, contra 30% das mulheres sem a muta\u00e7\u00e3o XBAL. \u00c9 um dado que vai ao encontro com a literatura\u201d, contou Souza.<\/p>\n<p>Outros resultados do estudo foram divulgados em tr\u00eas artigos na revista\u00a0Gynecological Endocrinology, em,\u00a0\u00a0e\u00a0.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 \u00c0 medida que as mulheres envelhecem, o tecido glandular das mamas \u2013 mais firme \u2013 vai ao poucos sendo substitu\u00eddo por gordura. Na linguagem m\u00e9dica, a mama deixa de ter uma alta densidade mamogr\u00e1fica e se torna lipossubstitu\u00edda. 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