{"id":52998,"date":"2014-03-14T15:43:43","date_gmt":"2014-03-14T18:43:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=52998"},"modified":"2014-03-14T15:43:43","modified_gmt":"2014-03-14T18:43:43","slug":"exames-aumentam-precisao-do-teste-da-orelhinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/exames-aumentam-precisao-do-teste-da-orelhinha\/52998","title":{"rendered":"Exames aumentam precis\u00e3o do \u201cteste da orelhinha\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Por Elton Alisson* Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 A realiza\u00e7\u00e3o de testes de triagem auditiva complementares ao exame de Emiss\u00f5es Otoac\u00fastiscas Evocadas (EOA) \u2013 conhecido popularmente no Brasil como \u201c<em><strong>teste da orelhinha<\/strong><\/em>\u201d \u2013 pode aumentar a precis\u00e3o e reduzir os custos do diagn\u00f3stico de defici\u00eancias auditivas em rec\u00e9m-nascidos.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o \u00e9 do estudo\u00a0, realizado por pesquisadores do Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Ci\u00eancias e Letradas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Mar\u00edlia, com apoio da FAPESP no \u00e2mbito de um\u00a0\u00a0com a Funda\u00e7\u00e3o Maria Cec\u00edlia Souto Vidigal (FMCSV).<\/p>\n<p>Alguns resultados da pesquisa foram apresentados nesta quinta-feira (13\/03) durante o I Semin\u00e1rio de Pesquisas sobre Desenvolvimento Infantil.<\/p>\n<p>O objetivo do encontro foi divulgar os resultados de dez projetos de pesquisa selecionados na\u00a0Chamada de Propostas do Acordo de Coopera\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica firmado entre as duas institui\u00e7\u00f5es em 2010 nas \u00e1reas de Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o, Economia, Pedagogia, Psicologia e Assist\u00eancia Social.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m participaram do semin\u00e1rio os coordenadores dos 16 novos projetos aprovados na\u00a0sele\u00e7\u00e3o de propostas, conclu\u00edda em 2013.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m do exame de Emiss\u00f5es Otoac\u00fastiscas Evocadas (EOA), a realiza\u00e7\u00e3o de outros testes auditivos pode tornar o diagn\u00f3stico de perdas auditivas em rec\u00e9m-nascidos mais preciso\u201d, disse Ana Cl\u00e1udia Vieira Cardoso, professora do Departamento de Fonoaudiologia da Unesp de Mar\u00edlia e coordenadora do projeto, \u00e0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>De acordo com Cardoso, a defici\u00eancia auditiva \u00e9 uma das mais prevalentes em rec\u00e9m-nascidos.<\/p>\n<p>De cada mil crian\u00e7as nascidas vivas nas maternidades brasileiras, estima-se que entre uma e quatro apresentem perda auditiva.<\/p>\n<p>J\u00e1 em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) neonatal, essa incid\u00eancia aumenta para entre duas e quatro crian\u00e7as a cada cem nascidas vidas.<\/p>\n<p>\u201cA defici\u00eancia auditiva tem impactos em todos os aspectos e fases da vida da crian\u00e7a, tais como na aquisi\u00e7\u00e3o e desenvolvimento da linguagem e na socializa\u00e7\u00e3o\u201d, avaliou Cardoso.<\/p>\n<p>Diagn\u00f3stico precoce<\/p>\n<p>A fim de ampliar a possibilidade do diagn\u00f3stico precoce de perdas auditivas em crian\u00e7as, em 2010 foi sancionada a Lei Federal n\u00famero 12.303, que tornou obrigat\u00f3rio e gratuito o \u201cteste da orelhinha\u201d em todo o territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>O teste permite o diagn\u00f3stico de perda auditiva a partir da presen\u00e7a ou aus\u00eancia de resposta dos rec\u00e9m-nascidos \u00e0 emiss\u00e3o otoac\u00fastica (de sons provenientes da c\u00f3clea) produzido por um equipamento port\u00e1til, e encaminhar os beb\u00eas diagnosticados a um programa de reabilita\u00e7\u00e3o auditiva ou de implante de pr\u00f3tese coclear.<\/p>\n<p>O exame, entretanto, ainda n\u00e3o \u00e9 realizado amplamente nas maternidades e nos munic\u00edpios brasileiros em raz\u00e3o do alto custo do equipamento \u2013 que custa, aproximadamente, R$ 20 mil.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 casos em que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fechar o diagn\u00f3stico apenas com o teste, e os rec\u00e9m-nascidos s\u00e3o encaminhados para a realiza\u00e7\u00e3o de exames complementares, feitos fora da maternidade.<\/p>\n<p>\u201cIsso torna o diagn\u00f3stico mais caro\u00a0e aumenta a ang\u00fastia das m\u00e3es e das fam\u00edlias dos rec\u00e9m-nascidos, que temem que a crian\u00e7a tenha realmente defici\u00eancia auditiva\u201d, avaliou Cardoso.<\/p>\n<p>Para melhorar a metodologia empregada no diagn\u00f3stico, os pesquisadores participantes do projeto realizaram um estudo com 645 crian\u00e7as, nascidas no per\u00edodo de maio a novembro de 2013, na Maternidade Gota de Leite, vinculada \u00e0 Secretaria Municipal de Sa\u00fade de Mar\u00edlia.<\/p>\n<p>Desse universo de crian\u00e7as, o \u201cteste da orelhinha\u201d n\u00e3o funcionou para 30 delas. Ou seja, n\u00e3o se chegou a um diagn\u00f3stico sobre se tinham ou n\u00e3o defici\u00eancia auditiva.<\/p>\n<p>Ao submeter essas crian\u00e7as a um segundo teste, chamado Potencial Evocado Auditivo de Tronco-Encef\u00e1lico Autom\u00e1tico (Peate-A) \u2013 realizado por meio de um equipamento comprado com recursos do projeto \u2013, que detecta de forma r\u00e1pida a presen\u00e7a de respostas auditivas dos rec\u00e9m-nascidos com intensidades mais fracas, os pesquisadores identificaram que apenas quatro tinham, de fato, problemas auditivos.<\/p>\n<p>\u201cFelizmente, nenhuma dessas quatro crian\u00e7as foi diagnosticada com perda sens\u00f3rio-neural, que \u00e9 irrevers\u00edvel\u201d, contou Cardoso. \u201cTodos tinham perdas condutivas [que podem ser revertidas ao longo da vida]\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cSe n\u00e3o tiv\u00e9ssemos feito esse exame, provavelmente essas 30 crian\u00e7as que falharam no \u2018teste da orelhinha\u2019 teriam sido enviadas para um centro de diagn\u00f3stico e aumentaria a afli\u00e7\u00e3o de suas fam\u00edlias\u201d, estimou.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m observaram durante o estudo que crian\u00e7as nascidas de parto ces\u00e1rea apresentam maior possibilidade de falhar no \u201cteste da orelhinha\u201d do que os nascidos por parto normal. As raz\u00f5es para isso, no entanto, ainda est\u00e3o sendo estudadas.<\/p>\n<p>\u201cIsso n\u00e3o quer dizer que crian\u00e7as nascidas por ces\u00e1rea t\u00eam maior risco de perda de audi\u00e7\u00e3o por causa deste tipo de parto\u201d, ressaltou Cardoso.<\/p>\n<p>Os resultados do estudo ser\u00e3o apresentados em um encontro da Academia Americana de Audiologia, que ocorrer\u00e1 entre os dias 26 e 29 de mar\u00e7o em Orlando, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Garantia de diagn\u00f3stico<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Cardoso, al\u00e9m do aumento da precis\u00e3o e da redu\u00e7\u00e3o do custo do diagn\u00f3stico, a realiza\u00e7\u00e3o de exames complementares ao \u201cteste da orelhinha\u201d, como o PEATE-A, antes da alta dos rec\u00e9m-nascidos nas maternidades, tamb\u00e9m aumenta a garantia de a crian\u00e7a com defici\u00eancia auditiva ser diagnosticada e receber tratamento adequado.<\/p>\n<p>Isso porque \u00e9 muito alto o \u00edndice de casos de m\u00e3es de beb\u00eas que falharam no \u201cteste da orelhinha\u201d e que n\u00e3o voltaram ao hospital para realizar um novo teste, contou a pesquisadora.<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m observamos que, quando a crian\u00e7a passa pelo \u2018teste da orelhinha\u2019, mas possui algum indicador de risco de perda auditiva, a m\u00e3e n\u00e3o retorna para a realiza\u00e7\u00e3o de um novo exame, e pode ser que essa crian\u00e7a desenvolva perda auditiva progressiva\u201d, contou.<\/p>\n<p>\u201cQuanto mais cedo for feito o diagn\u00f3stico, maiores s\u00e3o as chances de minimizar as perdas auditivas e as crian\u00e7as receberem tratamento adequado\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Os pesquisadores continuar\u00e3o a acompanhar as quatro crian\u00e7as que tiveram perda auditiva diagnosticada pelo Peate-A, al\u00e9m de outras com indicadores de risco para defici\u00eancia auditiva, como cujas m\u00e3es tiveram s\u00edfilis, rub\u00e9ola e toxoplasmose, entre outras doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Foco na primeira inf\u00e2ncia<\/p>\n<p>Dirigida a pesquisadores nas \u00e1reas de interesse do acordo entre a FAPESP e a FMCSV, a programa\u00e7\u00e3o do evento foi composta por palestras sobre propostas de melhorias no sistema de aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria \u00e0 sa\u00fade de crian\u00e7as de at\u00e9 3 anos, avalia\u00e7\u00e3o do impacto de programas e pol\u00edticas p\u00fablicas voltados \u00e0 primeira inf\u00e2ncia e parcerias com pais e comunidades para implementa\u00e7\u00e3o dos resultados das pesquisas.<\/p>\n<p>Os projetos, em fase de conclus\u00e3o, tratam da triagem auditiva, forma\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as leitoras, nutri\u00e7\u00e3o, desenvolvimento motor, viol\u00eancia, necessidades especiais na educa\u00e7\u00e3o, pr\u00e1ticas de enfermagem nas unidades de sa\u00fade e detec\u00e7\u00e3o precoce de transtornos como autismo, entre outros.<\/p>\n<p>\u201cUm dos objetivos desse encontro \u00e9 promover a integra\u00e7\u00e3o dos pesquisadores envolvidos na primeira e na segunda chamadas para conhecer e discutir os resultados e avan\u00e7os cient\u00edficos dos projetos, al\u00e9m de identificar poss\u00edveis gargalos cient\u00edficos na \u00e1rea de desenvolvimento infantil tendo em vista pesquisas futuras\u201d, disse Walter Colli, professor do Instituto de Qu\u00edmica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e coordenador adjunto da FAPESP em Ci\u00eancias da Vida, na abertura do evento.<\/p>\n<p>Por sua vez, o diretor-presidente da Funda\u00e7\u00e3o Maria Cec\u00edlia Souto Vidigal, Eduardo Campos Queiroz, destacou que o acordo com a FAPESP representou a primeira oportunidade da entidade de atuar no campo da pesquisa sobre desenvolvimento infantil.<\/p>\n<p>\u201cPara n\u00f3s, foi e est\u00e1 sendo um grande desafio atuar nessa \u00e1rea. Temos muita expectativa em rela\u00e7\u00e3o aos resultados dos projetos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>* Com Fernando Cunha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Elton Alisson* Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 A realiza\u00e7\u00e3o de testes de triagem auditiva complementares ao exame de Emiss\u00f5es Otoac\u00fastiscas Evocadas (EOA) \u2013 conhecido popularmente no Brasil como \u201cteste da orelhinha\u201d \u2013 pode aumentar a precis\u00e3o e reduzir os custos do diagn\u00f3stico de defici\u00eancias auditivas em rec\u00e9m-nascidos. 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