{"id":51124,"date":"2014-01-02T15:24:09","date_gmt":"2014-01-02T17:24:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=51124"},"modified":"2014-01-02T15:24:09","modified_gmt":"2014-01-02T17:24:09","slug":"pesquisa-investiga-mudancas-no-jornalismo-e-no-perfil-do-jornalista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2014\/pesquisa-investiga-mudancas-no-jornalismo-e-no-perfil-do-jornalista\/51124","title":{"rendered":"Pesquisa investiga mudan\u00e7as no jornalismo e no perfil do jornalista"},"content":{"rendered":"<p>Por Jussara Mangini Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 As <em><strong>transforma\u00e7\u00f5es ocorridas nos meios de comunica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em>, por meio das novas tecnologias e da cultura de converg\u00eancia midi\u00e1tica, impactaram profundamente os processos de produ\u00e7\u00e3o do jornalismo e, consequentemente, o perfil do jornalista. A conclus\u00e3o \u00e9 de uma pesquisa que avaliou o perfil do jornalista e as mudan\u00e7as em trabalho.<\/p>\n<p>\u201cOs produtos jornal\u00edsticos impressos, televisivos ou radiof\u00f4nicos s\u00e3o feitos de maneira completamente diferente do que h\u00e1 cerca de 20 anos\u201d, disse Roseli F\u00edgaro, coordenadora do Centro de Pesquisa em Comunica\u00e7\u00e3o e Trabalho da Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da Universidade de S\u00e3o Paulo (ECA\/USP).<\/p>\n<p>Respons\u00e1vel pela pesquisa \u201cO perfil do jornalista e os discursos sobre o jornalismo: um estudo das mudan\u00e7as no mundo do trabalho do jornalista profissional em S\u00e3o Paulo\u201d, que teve\u00a0, F\u00edgaro destaca que uma s\u00e9rie de fun\u00e7\u00f5es desapareceu da rotina do\u00a0m\u00e9tier\u00a0do jornalista.<\/p>\n<p>\u201cO tempo e o espa\u00e7o, comprimidos pelas possibilidades das tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o e de informa\u00e7\u00e3o, foram assimilados nos processos de produ\u00e7\u00e3o de modo a reduzir o tempo para a reflex\u00e3o, a apura\u00e7\u00e3o e a pesquisa no trabalho jornal\u00edstico. O espa\u00e7o de trabalho encolheu e ao mesmo tempo diversificou-se, transformando as grandes reda\u00e7\u00f5es em c\u00e9lulas de produ\u00e7\u00e3o que podem ser instaladas em qualquer lugar com internet e computador. O jornalismo on-line, em tempo real, os blogs e as ferramentas das redes sociais s\u00e3o inova\u00e7\u00f5es nas rotinas profissionais\u201d, disse \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>No estudo, conclu\u00eddo em 2013, um grupo de pesquisadores do Centro de Pesquisa em Comunica\u00e7\u00e3o e Trabalho, orientado por F\u00edgaro, buscou saber o que essas transforma\u00e7\u00f5es representam em termos de mudan\u00e7as no perfil do profissional e o que o jornalista pensa sobre o pr\u00f3prio trabalho e sobre o jornalismo. O trabalho \u00e9 resultado da an\u00e1lise das respostas de 538 jornalistas. Os dados tamb\u00e9m est\u00e3o no e-book\u00a0As mudan\u00e7as no mundo do trabalho do jornalista\u00a0(Editora Salta), lan\u00e7ado no segundo semestre de 2013.<\/p>\n<p>Os 538 jornalistas pesquisados s\u00e3o de S\u00e3o Paulo \u2013 estado que abriga mais de 30% dos profissionais brasileiros da categoria \u2013 e foram consultados em duas fases metodol\u00f3gicas: a quantitativa, com o uso de um question\u00e1rio fechado de m\u00faltipla escolha, e a qualitativa, com entrevista face a face com roteiro de perguntas abertas, e grupo de discuss\u00e3o, com roteiro dos temas mais pol\u00eamicos encontrados pelos instrumentos anteriores.<\/p>\n<p>Quatro grupos amostrais responderam os question\u00e1rios em diferentes per\u00edodos: dois grupos em 2009 \u2013 um formado com 30 jornalistas de diferentes m\u00eddias e v\u00ednculos empregat\u00edcios, selecionados de maneira aleat\u00f3ria via rede social, e outro constitu\u00eddo por 340 associados do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de S\u00e3o Paulo, tamb\u00e9m de diferentes m\u00eddias, v\u00ednculos e fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Um grupo de 90 jornalistas\u00a0freelancers\u00a0(sem v\u00ednculo empregat\u00edcio), trabalhando em diferentes m\u00eddias,\u00a0foi consultado\u00a0em 2010. E um outro grupo de 82 jornalistas de uma grande empresa editorial da capital paulista tamb\u00e9m comp\u00f4s a amostra, como fruto de uma pesquisa anterior, realizada em 2007.<\/p>\n<p>Para a fase qualitativa \u2013 com entrevista individual de 20 jornalistas e discuss\u00e3o em\u00a0focus groups, em duas sess\u00f5es, com 16 jornalistas no total \u2013 foram selecionados 36 dos 538 jornalistas que responderam os question\u00e1rios na fase quantitativa.<\/p>\n<p>De forma geral, a maioria dos jornalistas tem um perfil socioecon\u00f4mico de classe m\u00e9dia, \u00e9 jovem (at\u00e9 30 anos), branca, do sexo feminino, n\u00e3o tem filho, atua em multiplataformas e tem curso superior completo e especializa\u00e7\u00e3o em n\u00edvel de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Outras caracter\u00edsticas comuns s\u00e3o a carga hor\u00e1ria de trabalho \u2013 de oito a dez horas por dia \u2013 e a faixa salarial de R$ 2 mil a R$ 6 mil.<\/p>\n<p>O predom\u00ednio feminino coincide com os dados divulgados pela Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Jornalistas (Fenaj) que, no fim de 2012, registrou que os jornalistas brasileiros eram majoritariamente mulheres brancas, solteiras, com at\u00e9 30 anos. Apenas no grupo dos sindicalizados, que re\u00fane os profissionais com a faixa et\u00e1ria mais elevada e maior tempo de profiss\u00e3o, observou-se predom\u00ednio masculino.<\/p>\n<p>Precariza\u00e7\u00e3o dos v\u00ednculos empregat\u00edcios<\/p>\n<p>A reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva ocorrida no mundo do trabalho, principalmente a partir dos anos 1990, transformou as rela\u00e7\u00f5es de trabalho, afirma a pesquisadora na introdu\u00e7\u00e3o de seu livro. Foi a partir dessa d\u00e9cada que aumentou o n\u00famero de jornalistas contratados sem registro em carteira profissional, abrindo caminho para novas formas de contrata\u00e7\u00e3o, como a terceiriza\u00e7\u00e3o, contratos de trabalho por tempo determinado, contrato de pessoa jur\u00eddica (PJ), cooperados e\u00a0freelancers, entre outros.<\/p>\n<p>A chamada \u201cflexibilidade\u201d acaba por transferir aos trabalhadores o peso das incertezas do mercado. \u201cComo m\u00e3o de obra male\u00e1vel seja em termos de hor\u00e1rio, de jornada de trabalho ou de um v\u00ednculo empregat\u00edcio, esses profissionais n\u00e3o podem planejar suas vidas em termos econ\u00f4micos nem em termos afetivos\u201d, disse F\u00edgaro.<\/p>\n<p>Os\u00a0freelancers\u00a0trabalham em per\u00edodo integral, para v\u00e1rios lugares, sozinhos em casa. Come\u00e7am a pensar como empreendedores, aplicam os conhecimentos do jornalismo em outras atividades, como na revis\u00e3o de trabalho acad\u00eamico ou at\u00e9 na venda de pacotes de assessoria de comunica\u00e7\u00e3o para pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Os mais jovens e os\u00a0freelancers\u00a0s\u00e3o os que menos conseguem planejar sua vida pessoal em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 profissional fora do curto prazo, de acordo com a pesquisadora. \u201cTrabalham hoje, para consumir hoje e n\u00e3o sabem como ser\u00e1 seu trabalho no ano seguinte. Imagino que isso cause grande parte do estresse na vida do indiv\u00edduo\u201d, afirmou F\u00edgaro.<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m verificou que as novas gera\u00e7\u00f5es se sindicalizam menos. Uma poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o para isso, segundo F\u00edgaro, \u00e9 que os profissionais que vivem instabilidade financeira e t\u00eam dificuldade em se relacionar com o mundo do trabalho n\u00e3o vislumbram solu\u00e7\u00f5es coletivas \u2013 como sindicalizar-se ou organizar-se para pleitear melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho \u2013, mas sempre em sa\u00eddas individuais como, por exemplo, arrumar mais um emprego.<\/p>\n<p>\u201cPossuem um perfil profissional deslocado de valores coletivos, s\u00e3o individualistas e muito preocupados com o neg\u00f3cio. V\u00e3o em busca do cliente e consideram a informa\u00e7\u00e3o um produto.\u201d Ela ressalta, no entanto, que isso n\u00e3o quer dizer que o jornalista n\u00e3o esteja preocupado com causas da coletividade ou da sociedade, mas que h\u00e1 uma busca individual de solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os profissionais da \u00e1rea sabem que uma caracter\u00edstica comum \u00e9 a alta rotatividade de emprego: muda-se muito de uma empresa ou ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o para outro. Na avalia\u00e7\u00e3o de F\u00edgaro, \u201cse por um lado, a experi\u00eancia pode enriquecer o profissional, por outro \u00e9 sempre um come\u00e7ar de novo, um novo que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o novo, porque se fica no mesmo n\u00edvel hier\u00e1rquico\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com ela, \u00e9 exigida hoje do jornalista atualiza\u00e7\u00e3o constante no uso de ferramentas digitais de prospec\u00e7\u00e3o, apura\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es. \u00c9 fundamental ter habilidades e compet\u00eancias que permitam a atua\u00e7\u00e3o em diversas plataformas \u2013 impressa, tev\u00ea, r\u00e1dio, internet \u2013 e em diferentes linguagens \u2013 verbal, escrita, sonora, fotogr\u00e1fica, audiovisual, hipertextual. \u201cExigem-se ainda no\u00e7\u00f5es de marketing e de administra\u00e7\u00e3o, visto que se prioriza a vis\u00e3o de neg\u00f3cio\/mercadoria j\u00e1 inserida no produto cultural, por meio do tratamento dado \u00e0s pautas e \u00e0 segmenta\u00e7\u00e3o de p\u00fablicos\u201d, disse F\u00edgaro.<\/p>\n<p>Diferen\u00e7as entre gera\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Enquanto os mais jovens est\u00e3o fora das reda\u00e7\u00f5es, em trabalhos precarizados, os mais velhos migram para a coordena\u00e7\u00e3o das assessorias de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A coordenadora do estudo comentou que h\u00e1 casos muito conflituosos de desrespeito e intoler\u00e2ncia tanto em rela\u00e7\u00e3o ao profissional mais velho, quanto em rela\u00e7\u00e3o ao jovem muito tecnol\u00f3gico, sem experi\u00eancia. \u201cAs empresas, no af\u00e3 de mudar sua cultura e dinamizar os interesses de seu neg\u00f3cio, quebram uma regra muito importante no mundo do trabalho: a transfer\u00eancia de saberes profissionais de uma gera\u00e7\u00e3o para outra. Isso traz danos n\u00e3o s\u00f3 para a empresa, mas para toda a sociedade. H\u00e1 um custo social a pagar por isso\u201d, avaliou F\u00edgaro.<\/p>\n<p>H\u00e1 diferen\u00e7a entre o que significa ser um bom jornalista hoje em rela\u00e7\u00e3o a 20 anos atr\u00e1s? \u201cJornalistas trabalham com os discursos da sociedade. Devem, portanto, compreender as implica\u00e7\u00f5es disso: discurso \u00e9 produ\u00e7\u00e3o de sentido; e produ\u00e7\u00e3o de sentido \u00e9 tomar posi\u00e7\u00e3o, \u00e9 editar o mundo e disponibilizar essa edi\u00e7\u00e3o para quem estiver interessado nela.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora, hoje \u00e9 preciso maior destreza com tecnologias que n\u00e3o existiam. Os jornalistas tinham menor destreza anteriormente? N\u00e3o, na opini\u00e3o de F\u00edgaro. \u201cSer multitarefa e multiplataforma s\u00e3o exig\u00eancias que colocam em a\u00e7\u00e3o habilidades humanas diferentes; e trazem implica\u00e7\u00f5es profissionais diferentes.\u201d<\/p>\n<p>Sob esse aspecto, os profissionais apresentam no discurso preocupa\u00e7\u00e3o com a \u00e9tica jornal\u00edstica, com a apura\u00e7\u00e3o, com o texto, com a qualidade e a idoneidade das fontes. \u201cMas eles tamb\u00e9m t\u00eam claro que o tempo da racionalidade produtiva da m\u00eddia \u00e9 o algoz do bom jornalismo. Destaco que esse tempo n\u00e3o \u00e9 o tempo da vida cotidiana. \u00c9 o tempo da produ\u00e7\u00e3o comercial do produto not\u00edcia\u201d, ressaltou F\u00edgaro.<\/p>\n<p>Forma\u00e7\u00e3o profissional<\/p>\n<p>Da amostra total, cerca de 5% n\u00e3o t\u00eam ou n\u00e3o conclu\u00edram o ensino superior. A absoluta maioria possui n\u00edvel superior e, em m\u00e9dia, 65% deles t\u00eam curso de especializa\u00e7\u00e3o em n\u00edvel de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a operacional \u00e9 t\u00e3o evidente que os cursos de jornalismo ganharam na \u00faltima d\u00e9cada teor ainda mais t\u00e9cnico-pr\u00e1tico e operacional; fato que, na opini\u00e3o da pesquisadora, n\u00e3o deveria se contrapor \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o com a ampla forma\u00e7\u00e3o cultural e human\u00edstica do futuro profissional. \u201cNo entanto, \u00e9 isso que vem acontecendo, inclusive com o aval do cliente\/aluno, visto que a maioria dos jornalistas da pesquisa se formou em faculdades privadas.\u201d<\/p>\n<p>Outra caracter\u00edstica marcante \u00e9 que o jornalista come\u00e7a a trabalhar muito cedo. Antes mesmo de concluir a faculdade, \u00e9 incentivado a conquistar logo um posto de trabalho na \u00e1rea. F\u00edgaro percebeu que h\u00e1 at\u00e9 um certo desprezo pela faculdade, como se o necess\u00e1rio fosse somente a forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica conquistada no \u00e2mbito do trabalho. \u201cEssa discuss\u00e3o \u00e9 complexa. O trabalho nunca \u00e9 s\u00f3 t\u00e9cnica, norma, prescri\u00e7\u00e3o de uma empresa para a produ\u00e7\u00e3o de determinado produto. Para o trabalho mobiliza-se um conjunto de saberes amplos que v\u00e3o da gest\u00e3o de si pr\u00f3prio e suas habilidades, \u00e0 gest\u00e3o das normas, dos relacionamentos, das linguagens etc.\u201d<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dos pesquisadores, parte dos profissionais da amostra teve uma forma\u00e7\u00e3o \u201cd\u00e9bil\u201d no que diz respeito \u00e0 capacidade de inter-relacionar fatos, dados e acontecimentos de maneira contextualizada pol\u00edtica, social e historicamente. \u201cNa verdade, \u00e9 essa capacidade que considero como conhecimento fundamental para o desempenho da profiss\u00e3o\u201d, disse F\u00edgaro.<\/p>\n<p>Produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado<\/p>\n<p>Os autores da pesquisa destacam o quanto o processo de sele\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise e interpreta\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o de f\u00e1cil acesso hoje, ficou mais complexo e exige maturidade intelectual, profundo compromisso com a \u00e9tica jornal\u00edstica e com os fundamentos da produ\u00e7\u00e3o do discurso jornal\u00edstico. Por\u00e9m, lamentam que \u201co limite e a separa\u00e7\u00e3o entre as orienta\u00e7\u00f5es da reda\u00e7\u00e3o de um ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o e a \u00e1rea comercial da empresa, antes t\u00e3o fundamentais para a credibilidade do exerc\u00edcio profissional, hoje sequer fazem parte do repert\u00f3rio das novas gera\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Os jornalistas da empresa editorial pesquisada consideram os meios de comunica\u00e7\u00e3o o neg\u00f3cio mais promissor do mundo globalizado e um neg\u00f3cio como outro qualquer. O grupo de jornalistas selecionado nas redes sociais se divide sobre o papel dos meios de comunica\u00e7\u00e3o \u2013 para uns, \u00e9 um instrumento de fazer pol\u00edtica, cultura e educa\u00e7\u00e3o e, para outros, trata-se de um neg\u00f3cio como outro qualquer. Os sindicalizados e os\u00a0freelancers\u00a0consideram os meios de comunica\u00e7\u00e3o um instrumento de informa\u00e7\u00e3o, cultura e educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0 opini\u00e3o dos jornalistas sobre o \u201cvalor\u201d da informa\u00e7\u00e3o, apenas os profissionais do grupo dos sindicalizados a veem como um direito do cidad\u00e3o. Os demais a consideram um produto fundamental da sociedade.<\/p>\n<p>Dessas quest\u00f5es derivam outras em rela\u00e7\u00e3o ao tipo de jornalismo que o cidad\u00e3o deseja e da\u00ed qual o engajamento profissional necess\u00e1rio. \u201cEst\u00e1 em jogo que tipo de democracia se quer construir, pois o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o \u00e9 o alicerce de uma sociedade democr\u00e1tica\u201d, disse F\u00edgaro.<\/p>\n<p>Para a pesquisadora, falta a compreens\u00e3o de que o jornalista \u00e9 o profissional que trabalha com os discursos das diferentes institui\u00e7\u00f5es e agentes sociais para devolv\u00ea-los aos cidad\u00e3os, de maneira compreens\u00edvel. \u201cA informa\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito humano, consagrado pela nossa Constitui\u00e7\u00e3o e pela Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos. Hoje, grande parte dos jornalistas encara a informa\u00e7\u00e3o como uma mercadoria como outra qualquer e, em minha opini\u00e3o, a\u00ed est\u00e1 o problema.\u201d<\/p>\n<p>Consumo cultural<\/p>\n<p>A maioria dos jornalistas pesquisados l\u00ea jornais todos os dias; quem menos l\u00ea, no entanto, s\u00e3o osfreelancers. Todos os grupos afirmam assistir \u00e0 televis\u00e3o todos os dias. Parte da mostra tamb\u00e9m ouve r\u00e1dio todos os dias. A internet, mais do que outros meios de comunica\u00e7\u00e3o ou de comunica\u00e7\u00e3o interpessoal, \u00e9 o meio pelo qual todos ficam sabendo das not\u00edcias mais importantes, fazem compras, estudam, trabalham e pesquisam.<\/p>\n<p>Ainda assim, o que o jornalista mais segue nas m\u00eddias sociais \u00e9 a m\u00eddia tradicional e grandes ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o e a busca, geralmente, est\u00e1 mais ligada ao trabalho do que \u00e0 obten\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o em si.<\/p>\n<p>Todos os grupos gostam de ler, ir ao cinema, boa parte vai ao teatro. Nas horas vagas, alguns v\u00e3o \u00e0 academia de gin\u00e1stica e outros n\u00e3o v\u00e3o a lugar algum.<\/p>\n<p>Para os autores da pesquisa, o maior cr\u00e9dito que atribuem ao estudo e ao e-book, al\u00e9m dos dados levantados, \u00e9 provocar nos jornalistas um debate sobre a profiss\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jussara Mangini Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 As transforma\u00e7\u00f5es ocorridas nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, por meio das novas tecnologias e da cultura de converg\u00eancia midi\u00e1tica, impactaram profundamente os processos de produ\u00e7\u00e3o do jornalismo e, consequentemente, o perfil do jornalista. 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