{"id":49815,"date":"2013-11-14T20:03:27","date_gmt":"2013-11-14T22:03:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=49815"},"modified":"2013-11-14T20:03:27","modified_gmt":"2013-11-14T22:03:27","slug":"dispositivos-capazes-de-revolucionar-o-dia-a-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/dispositivos-capazes-de-revolucionar-o-dia-a-dia\/49815","title":{"rendered":"Dispositivos capazes de revolucionar o dia a dia"},"content":{"rendered":"<p>Por Jos\u00e9 Tadeu Arantes, de Jo\u00e3o Pessoa Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Uma perspectiva para o futuro \u2013 e um futuro relativamente pr\u00f3ximo \u2013 \u00e9 que, com um \u00fanico dispositivo, como o telefone celular, por exemplo, possamos controlar as m\u00faltiplas fun\u00e7\u00f5es do dia a dia: acender e apagar as luzes, ligar e desligar televisores, pagar compras no supermercado, passar na catraca do metr\u00f4 etc.\u00a0<span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">O cen\u00e1rio, que pouco tem de fic\u00e7\u00e3o e muito de ci\u00eancia, foi esbo\u00e7ado informalmente pelo f\u00edsico\u00a0<\/span><a style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\" href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/29\/jose-arana-varela\/\" target=\"_blank\">Jos\u00e9 Arana Varela<\/a><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">, professor titular da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Araraquara, e diretor-presidente da FAPESP, durante um dos intervalos da 6th International Conference on Electroceramics (6\u00aa Confer\u00eancia Internacional em <em><strong>Eletrocer\u00e2mica<\/strong><\/em>), realizada de 9 a 13 de novembro em Jo\u00e3o Pessoa, na Para\u00edba. \u201cA mem\u00f3ria ser\u00e1 o fator central. Conectada a diferentes circuitos, uma \u00fanica mem\u00f3ria poder\u00e1 realizar m\u00faltiplas fun\u00e7\u00f5es. E essa mem\u00f3ria ser\u00e1 composta de material eletrocer\u00e2mico\u201d, disse Varela.<\/span><\/p>\n<p>As apresenta\u00e7\u00f5es feitas durante o evento autorizam o progn\u00f3stico, pois mostram que as pesquisas est\u00e3o bastante avan\u00e7adas na \u00e1rea. A International Conference on Electroceramics foi criada pelo professor Harry Tuller, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), dos Estados Unidos, em 2003. A primeira reuni\u00e3o foi no pr\u00f3prio MIT e, a partir de ent\u00e3o, passou a ocorrer todos os anos \u00edmpares. Depois dos Estados Unidos, j\u00e1 foi realizada na Coreia do Sul, na Tanz\u00e2nia, na \u00cdndia, na Austr\u00e1lia e, agora, no Brasil.<\/p>\n<p>A institui\u00e7\u00e3o promotora do encontro de Jo\u00e3o Pessoa foi a Sociedade Brasileira de Pesquisa de Materiais, com o apoio da FAPESP, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) e da Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes). A coordena\u00e7\u00e3o do evento ficou a cargo de Reginaldo Muccillo, pesquisador do Instituto de Pesquisas Energ\u00e9ticas e Nucleares (Ipen), de Jos\u00e9 Arana Varela e de Jose Antonio Eiras, professor associado da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar).<\/p>\n<p>\u201cTrouxemos a Jo\u00e3o Pessoa cerca de 60 pesquisadores de alt\u00edssimo n\u00edvel dos Estados Unidos, da Europa, da China, do Canad\u00e1, da Austr\u00e1lia, da \u00cdndia e de outras proced\u00eancias, criando uma \u00f3tima oportunidade de intera\u00e7\u00e3o para os pesquisadores e estudantes brasileiros\u201d, afirmou Muccillo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Harry Tuller, outros destaques do evento foram as presen\u00e7as de Sossina Haile, do California Institute of Technology (Caltech), dos Estados Unidos; Ramamoorthy Ramesh, da University of California-Berkeley, tamb\u00e9m dos EUA; Augusti Sin Xicola, da Pirelli&amp;C Eco Technology, da It\u00e1lia; e Enrico Traversa, da King Abdullah University of Science and Technology, da Ar\u00e1bia Saudita.<\/p>\n<p>Os temas tratados s\u00e3o novos e o pr\u00f3prio conceito de eletrocer\u00e2mica \u00e9 algo muito recente. \u201cAs cer\u00e2micas v\u00eam sendo utilizadas pela humanidade h\u00e1 milhares de anos. S\u00e3o materiais extremamente est\u00e1veis e resistentes ao calor e h\u00e1 muitas fun\u00e7\u00f5es que s\u00e3o capazes de cumprir por causa de suas caracter\u00edsticas qu\u00edmicas, mec\u00e2nicas e t\u00e9rmicas\u201d, afirmou Tuller \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP. \u201cMas, at\u00e9 os \u00faltimos 50 anos, ningu\u00e9m se importava com suas caracter\u00edsticas el\u00e9tricas. Esse interesse foi despertado pelo desenvolvimento das ind\u00fastrias eletr\u00f4nica e microeletr\u00f4nica.\u201d<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas envolvidas nessas ind\u00fastrias perceberam que necessitavam de certas caracter\u00edsticas que n\u00e3o podiam ser atendidas pelas cer\u00e2micas convencionais. Foi a partir da\u00ed que ocorreu o desenvolvimento das eletrocer\u00e2micas \u2013 n\u00e3o apenas para a fabrica\u00e7\u00e3o de equipamentos eletr\u00f4nicos\u00a0standards, mas tamb\u00e9m, e cada vez mais, para cumprir muitas outras fun\u00e7\u00f5es\u201d, acrescentou o pesquisador do MIT.<\/p>\n<p>\u201cA peculiaridade das eletrocer\u00e2micas \u00e9 que elas respondem, de alguma maneira, \u00e0 presen\u00e7a de um campo eletromagn\u00e9tico, apresentando varia\u00e7\u00f5es na resistividade el\u00e9trica, na permeabilidade magn\u00e9tica ou em outros par\u00e2metros el\u00e9tricos ou magn\u00e9ticos\u201d, explicou Muccillo.<\/p>\n<p>Essa classifica\u00e7\u00e3o engloba principalmente \u00f3xidos semicondutores de elementos met\u00e1licos, como o zirc\u00f4nio, o estanho, o c\u00e9rio e outros. \u201cPor suas caracter\u00edsticas, eles podem ser utilizados como sensores (pois, dependendo das varia\u00e7\u00f5es de concentra\u00e7\u00e3o de um determinado g\u00e1s na superf\u00edcie do \u00f3xido, este tem sua resistividade el\u00e9trica proporcionalmente modificada, de modo que, pelo valor da resistividade, se torna poss\u00edvel determinar a concentra\u00e7\u00e3o do g\u00e1s, mesmo quando extremamente pequena), na produ\u00e7\u00e3o alternativa de energia (em c\u00e9lulas fotovoltaicas, que convertem a luz em eletricidade, ou em c\u00e9lulas a combust\u00edvel), na fabrica\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias ferroel\u00e9tricas (j\u00e1 utilizadas, atualmente, em\u00a0smartcards)\u201d, prosseguiu o pesquisador do Ipen.<\/p>\n<p>\u201cA evolu\u00e7\u00e3o no setor tem sido acelerad\u00edssima. A eletrocer\u00e2mica que conhecemos hoje \u00e9 muito diferente daquela de 10 anos atr\u00e1s, quando foi realizada a primeira International Conference on Electroceramics. Falamos agora em tecnologias embarcadas \u2013 embarcadas em cima do chip de sil\u00edcio, agregando-lhe novas funcionalidades\u201d, comentou Varela.<\/p>\n<p>Miniaturiza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Na apresenta\u00e7\u00e3o que fez na abertura da Confer\u00eancia, Tuller destacou duas tend\u00eancias, aparentemente opostas, mas de fato complementares: a que chamou de\u00a0\u201crace to the bottom\u201d\u00a0(corrida para o fundo), com a confec\u00e7\u00e3o de dispositivos cada vez menores, j\u00e1 na ordem de grandeza de alguns nan\u00f4metros; e a que chamou de\u00a0\u201crace to the top\u201d, com a produ\u00e7\u00e3o de\u00a0displays\u00a0cada vez maiores, como as telas de cristal l\u00edquido dos computadores, televisores e placares luminosos atuais.<\/p>\n<p>\u201cA grande revolu\u00e7\u00e3o ocorrida nos anos recentes e que deve se intensificar nos pr\u00f3ximos anos \u00e9 que os sensores, antes grandes e pesados, foram \u2013 e continuam sendo \u2013 cada vez mais miniaturizados e integrados em um \u00fanico chip, com m\u00faltiplas fun\u00e7\u00f5es. A demanda \u00e9 por dispositivos menores, capazes de integrar mais e mais fun\u00e7\u00f5es, que sejam acess\u00edveis e baratos. Simultaneamente, buscamos\u00a0displays\u00a0ou pain\u00e9is para capta\u00e7\u00e3o de energia solar cada vez maiores\u201d, disse Tuller.<\/p>\n<p>Conforme o pesquisador, o processo de miniaturiza\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o intenso que a densidade (quantidade de massa por unidade de volume) dos equipamentos dobra a cada 18 meses. Enquanto isso, a tecnologia LCD (liquid crystal display\u00a0ou\u00a0display\u00a0de cristal l\u00edquido) movimentou uma economia de US$ 110 bilh\u00f5es em 2012.<\/p>\n<p>J\u00e1 estamos, no entanto, perto de um limite tanto em um sentido quanto no outro. \u201cO processo de miniaturiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser extrapolado indefinidamente. \u00c9 preciso evoluir para novos conceitos. E h\u00e1 hoje v\u00e1rios estudos nesse sentido. Ao mesmo tempo, apesar do incr\u00edvel sucesso da tecnologia LCD, existe a necessidade e a possibilidade de um desenvolvimento ainda maior, talvez de outra magnitude, com o emprego de eletrocer\u00e2micas em lugar de cristal l\u00edquido\u201d, afirmou Tuller.<\/p>\n<p>Uma propriedade das eletrocer\u00e2micas que recebe especial aten\u00e7\u00e3o, segundo Varela, \u00e9 a chamada \u201cmem\u00f3ria resistiva\u201d \u2013 isto \u00e9, o fato de que a resist\u00eancia el\u00e9trica do material, que varia de acordo com a tens\u00e3o aplicada, n\u00e3o volta ao mesmo valor inicial quando a tens\u00e3o \u00e9 retirada. Esse duplo valor da resist\u00eancia \u2013 antes e depois de aplicada a tens\u00e3o \u2013 cria um bin\u00e1rio. E, como se sabe, bin\u00e1rios s\u00e3o suportes para o armazenamento de dados.<\/p>\n<p>\u201cA mem\u00f3ria resistiva faz dos \u00f3xidos semicondutores fortes candidatos para a confec\u00e7\u00e3o de dispositivos nanoestruturados, com alta densidade de armazenamento de informa\u00e7\u00f5es, capazes de integrar toda a microeletr\u00f4nica. Essa \u00e9 a mem\u00f3ria que est\u00e1 sendo estudada no momento e poder\u00e1 causar uma nova revolu\u00e7\u00e3o na microeletr\u00f4nica. Essa mem\u00f3ria, suficientemente grande e est\u00e1vel, poder\u00e1 integrar, sozinha, as fun\u00e7\u00f5es de um n\u00famero enorme de circuitos\u201d, disse o professor da Unesp.<\/p>\n<p>\u201cO entendimento dessas mem\u00f3rias resistivas traz um grande desafio para os f\u00edsicos. Precisamos entender a f\u00edsica qu\u00e2ntica desses sistemas cujas dimens\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o bem pr\u00f3ximas da escala at\u00f4mica. Sabemos que existe o fen\u00f4meno, mas, sem entend\u00ea-lo em profundidade, ser\u00e1 imposs\u00edvel conseguir a reprodutibilidade, que \u00e9 o que a ind\u00fastria pede. Precisamos ser capazes de produzir milh\u00f5es de pe\u00e7as, todas com varia\u00e7\u00f5es muito pequenas nas propriedades\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es sobre a confer\u00eancia em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ice2013.net\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.ice2013.net\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jos\u00e9 Tadeu Arantes, de Jo\u00e3o Pessoa Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Uma perspectiva para o futuro \u2013 e um futuro relativamente pr\u00f3ximo \u2013 \u00e9 que, com um \u00fanico dispositivo, como o telefone celular, por exemplo, possamos controlar as m\u00faltiplas fun\u00e7\u00f5es do dia a dia: acender e apagar as luzes, ligar e desligar televisores, pagar compras no supermercado, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":36246,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":{"0":"post-49815","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"entry","9":"gs-1","10":"gs-odd","11":"gs-even","12":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/professor-a.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49815","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49815"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49815\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36246"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49815"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49815"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49815"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}