{"id":49765,"date":"2013-11-13T14:44:09","date_gmt":"2013-11-13T16:44:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=49765"},"modified":"2013-11-13T14:44:09","modified_gmt":"2013-11-13T16:44:09","slug":"a-linguagem-das-flores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/a-linguagem-das-flores\/49765","title":{"rendered":"A linguagem das flores"},"content":{"rendered":"<p>Por Ivonete Lucirio Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 A a\u00e7ucena branca significa candura. J\u00e1 a amarela quer dizer \u201ctens a prefer\u00eancia\u201d. Se for um amor-perfeito da mesma cor, a mensagem \u00e9 \u201cn\u00e3o te demores\u201d. Esses e outros significados s\u00e3o encontrados nos \u201cdicion\u00e1rios das flores\u201d \u2013 tipo de publica\u00e7\u00e3o bastante popular no s\u00e9culo XIX, na qual cada flor correspondia a uma <em><strong>mensagem de amor<\/strong><\/em>. Eram livros fartamente divulgados, baratos e atingiam grande circula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O dicion\u00e1rio funcionava como uma esp\u00e9cie de c\u00f3digo amoroso, usado para enviar mensagens cifradas entre os jovens amantes com o intuito de driblar os olhares vigilantes dos pais e maridos.<\/p>\n<p>\u201cA populariza\u00e7\u00e3o desse tipo de publica\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo XIX no Rio de Janeiro esteve intimamente ligada ao desenvolvimento urbano da corte. Foi nesse per\u00edodo que as mo\u00e7as, em particular as nascidas na burguesia urbana, come\u00e7aram a frequentar os espa\u00e7os p\u00fablicos\u201d, disse a pesquisadora Alessandra El Far, antrop\u00f3loga e professora do departamento de Ci\u00eancias Sociais da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), que dedicou dois anos, de 2011 a 2013, \u00e0 pesquisa dos dicion\u00e1rios das flores, com\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/30210\/a-linguagem-das-flores-literatura-sociedade-e-vida-amorosa-no-rio-de-janeiro-no-seculo-xix\/\" target=\"_blank\">apoio da FAPESP<\/a>.<\/p>\n<p>As primeiras publica\u00e7\u00f5es do tipo tiveram origem na Fran\u00e7a no pr\u00f3prio s\u00e9culo XIX. A vers\u00e3o mais antiga conhecida, e tamb\u00e9m a mais famosa, foi escrita por Madame Charlotte de Latour, em 1819. V\u00e1rias edi\u00e7\u00f5es foram traduzidas e adaptadas a partir dessa.<\/p>\n<p>O formato das edi\u00e7\u00f5es variava bastante, indo desde as mais simples, de capa brochada, contendo apenas os verbetes e que somavam 50 a 70 p\u00e1ginas, at\u00e9 as ricamente ilustradas, de luxo, que traziam &#8212; al\u00e9m dos significados \u2013 jogos galantes, outras linguagens secretas baseadas nos usos de leques, bengalas, pedras e cores, al\u00e9m de poemas que versavam sobre as flores. Na tentativa de atrair o p\u00fablico leitor, os editores estampavam logo na capa a mensagem: \u201caos fi\u00e9is s\u00faditos de cupido\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNo s\u00e9culo XIX, ocasi\u00f5es como bailes e passeios p\u00fablicos passaram a ser muito bem aproveitadas para galanteios. E, nesse cen\u00e1rio, a linguagem das flores poderia ser usada pelos namorados, que tamb\u00e9m aproveitavam essas oportunidades para a troca discreta de bilhetes e cartas de amor\u201d, completou El Far. A partir do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, entre as d\u00e9cadas de 1910 e 1920, os dicion\u00e1rios das flores come\u00e7aram a cair em desuso. \u201cQuando as mo\u00e7as passam a desfrutar de uma maior liberdade de conv\u00edvio com os rapazes, a linguagem das flores perde import\u00e2ncia como ferramenta de galanteio.\u201d<\/p>\n<p>Durante sua pesquisa, a antrop\u00f3loga avaliou mais de 20 edi\u00e7\u00f5es publicadas no Rio de Janeiro e em Portugal, al\u00e9m de outras publica\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m relacionadas \u00e0 linguagem das flores, como, por exemplo, os manuais de jardinagem. Entre as portuguesas, deu prefer\u00eancia \u00e0s que tamb\u00e9m circulavam no Brasil.<\/p>\n<p>Entre as obras estudadas est\u00e1 o\u00a0Dicion\u00e1rio da Linguagem das Flores, publicado em Lisboa em 1869. No Rio de Janeiro, esse tipo de livro era editado por diversas livrarias, entre elas a Garnier e a Laemmert.<\/p>\n<p>Para realizar sua investiga\u00e7\u00e3o, El Far fez v\u00e1rias viagens ao Rio de Janeiro, para pesquisar na Biblioteca Nacional, e duas a Portugal. Durante a primeira visita, em setembro de 2011, apresentou um trabalho sobre o dicion\u00e1rio das flores no Congresso Internacional Pluridisciplinar com o tema \u201cFlowers\/Fleurs\/Flores\u201d, realizado pelo Centro de Hist\u00f3ria e Teoria das Ideias da Universidade Nova de Lisboa, que discutiu os diversos usos e significados das flores nos contextos filos\u00f3fico, religioso, hist\u00f3rico e na literatura.<\/p>\n<p>Durante a segunda visita, realizada ao longo do m\u00eas de julho de 2012, a antrop\u00f3loga deteve-se no acervo da Biblioteca Nacional de Portugal. \u201cDescobri que havia l\u00e1 diversas edi\u00e7\u00f5es, tanto cariocas quando portuguesas\u201d, contou El Far.<\/p>\n<p>Livro sobre o galanteio<\/p>\n<p>O interesse da antrop\u00f3loga por esse tipo de publica\u00e7\u00e3o nasceu durante as pesquisas que realizou para seu doutorado na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), desenvolvido com\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/93943\/aventura-sensacionalismo-e-pornografia-os-best-sellers-de-finais-do-xix-e-inicio-do-xx-literatura-po\/\" target=\"_blank\">apoio da FAPESP<\/a>, quando resolveu descobrir o que as pessoas liam no fim do s\u00e9culo XIX e come\u00e7o do XX.<\/p>\n<p>\u201cConclu\u00ed que, al\u00e9m dos c\u00e2nones da literatura, como Machado de Assis, Raul Pomp\u00e9ia e Alu\u00edsio Azevedo, havia tamb\u00e9m o interesse por g\u00eaneros liter\u00e1rios que n\u00e3o existem mais hoje, como as narrativas de sensa\u00e7\u00e3o, romances s\u00f3 para homens, proibidos para mulheres por trazer hist\u00f3rias de teor pornogr\u00e1fico\u201d, contou El Far.<\/p>\n<p>Casualmente, durante suas pesquisas, deparou-se com os dicion\u00e1rios das flores, que despertaram seu interesse. \u201cAgora, vou reunir todo o material pesquisado com o objetivo de analisar a linguagem secreta das flores e ent\u00e3o come\u00e7ar a escrever um livro sobre como se dava o namoro e o galanteio no s\u00e9culo XIX\u201d, disse a antrop\u00f3loga.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ivonete Lucirio Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 A a\u00e7ucena branca significa candura. J\u00e1 a amarela quer dizer \u201ctens a prefer\u00eancia\u201d. Se for um amor-perfeito da mesma cor, a mensagem \u00e9 \u201cn\u00e3o te demores\u201d. Esses e outros significados s\u00e3o encontrados nos \u201cdicion\u00e1rios das flores\u201d \u2013 tipo de publica\u00e7\u00e3o bastante popular no s\u00e9culo XIX, na qual cada flor correspondia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":35361,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":{"0":"post-49765","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"entry","9":"gs-1","10":"gs-odd","11":"gs-even","12":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/flor1.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49765","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49765"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49765\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35361"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49765"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49765"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49765"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}