{"id":49252,"date":"2013-10-30T15:27:01","date_gmt":"2013-10-30T17:27:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=49252"},"modified":"2013-10-30T15:27:01","modified_gmt":"2013-10-30T17:27:01","slug":"centro-de-estudos-da-metropole-faz-diagnostico-das-cidades-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/centro-de-estudos-da-metropole-faz-diagnostico-das-cidades-brasileiras\/49252","title":{"rendered":"Centro de Estudos da Metr\u00f3pole faz diagn\u00f3stico das cidades brasileiras"},"content":{"rendered":"<p>Por Jos\u00e9 Tadeu Arantes\u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A qualidade da sa\u00fade e da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica no Brasil registrou sens\u00edvel melhora nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas. Essa evolu\u00e7\u00e3o refletiu no \u00cdndice Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), que cresceu de 0,493 para 0,727 entre 1991 e 2010, atingindo um patamar considerado alto na avalia\u00e7\u00e3o do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), em estudo divulgado em julho de 2013. A evolu\u00e7\u00e3o do <em><strong>IDHM<\/strong><\/em> n\u00e3o foi maior porque os \u00edndices da qualidade da educa\u00e7\u00e3o, mesmo tendo crescido, ainda ficaram extremamente baixos.<\/p>\n<p>Indicadores obtidos pelo Centro de Estudos da Metr\u00f3pole (<a href=\"http:\/\/www.fflch.usp.br\/centrodametropole\/\" target=\"_blank\">CEM<\/a>) em dez anos de pesquisa revelam que, enquanto os ganhos de qualidade no atendimento de sa\u00fade foram mais ou menos uniformes para o conjunto dos munic\u00edpios brasileiros, na educa\u00e7\u00e3o aprofundaram-se as disparidades. \u201cA desigualdade na sa\u00fade b\u00e1sica \u00e9 menor do que a desigualdade na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica\u201d, constata Marta Arretche, coordenadora do CEM, um dos Centros de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (<a href=\"http:\/\/cepid.fapesp.br\/home\/\" target=\"_blank\">CEPID<\/a>s) apoiados pela FAPESP.<\/p>\n<p>Os munic\u00edpios com muitos pobres t\u00eam dificuldades para melhorar o desempenho de seus estudantes, constatou a pesquisa que avaliou, por meio de 10 indicadores, o desempenho da sa\u00fade e da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de todos os munic\u00edpios brasileiros ao longo da d\u00e9cada de 2000. \u201cSe o desempenho da sa\u00fade b\u00e1sica est\u00e1 fracamente associado ao percentual de pobres do munic\u00edpio, o desempenho dos sistemas municipais de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica tem uma associa\u00e7\u00e3o forte e negativa com a taxa de pobreza\u201d, ela afirma.<\/p>\n<p>A pesquisa, que comparou a trajet\u00f3ria e o desempenho de cada um dos munic\u00edpios brasileiros, deixou algumas perguntas em aberto. J\u00e1 existem fortes evid\u00eancias de que o modelo de universaliza\u00e7\u00e3o tem influ\u00eancia no desempenho de cada um dos sistemas: enquanto a sa\u00fade b\u00e1sica tem gest\u00e3o centralizada no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica \u00e9 municipalizada. \u201c\u00c9 ineg\u00e1vel que o SUS tem uma influ\u00eancia muito positiva no melhor desempenho do setor\u201d, diz Arretche. \u201cE, dado que a universaliza\u00e7\u00e3o do ensino fundamental ocorreu por meio da municipaliza\u00e7\u00e3o, as rela\u00e7\u00f5es entre presen\u00e7a de pobres e desempenho escolar afetam mais fortemente as escolas da rede municipal.\u201d<\/p>\n<p>A pesquisa sobre o desempenho dos sistemas de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade integra o portf\u00f3lio de investiga\u00e7\u00e3o desse CEPID constitu\u00eddo em 2000, no primeiro edital do Programa, com o objetivo de entender os processos de reprodu\u00e7\u00e3o das desigualdades nas metr\u00f3poles e fornecer dados e subs\u00eddios para a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>\u201cOs estudos do Centro foram organizados segundo tr\u00eas grandes eixos tem\u00e1ticos: atividades econ\u00f4micas e mercado de trabalho; o Estado e suas pol\u00edticas; e a sociabilidade dos cidad\u00e3os\u201d, disse Eduardo Marques, professor livre-docente do Departamento de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da Universidade de S\u00e3o Paulo e coordenador do CEM de 2004 a 2009.<\/p>\n<p>O eixo \u201catividades econ\u00f4micas e mercado de trabalho\u201d englobou temas como reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva e competitividade, emprego e desemprego e, mais recentemente, os impactos do aumento da escolaridade da popula\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Trajet\u00f3rias ocupacionais<\/p>\n<p>Nesse eixo tem\u00e1tico, uma das pesquisas foi conduzida por Nadya Guimar\u00e3es, professora titular do Departamento de Sociologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e diretora do Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia para Estudos da Metr\u00f3pole, sediado no CEM, e buscou compreender a intensa reestrutura\u00e7\u00e3o macroecon\u00f4mica e micro-organizacional ocorrida no Brasil a partir dos anos 1990. \u201cEm primeiro lugar, analisamos o que se passava com as trajet\u00f3rias dos indiv\u00edduos no mercado de trabalho quando se contra\u00eda a atividade produtiva e se ampliava o desemprego, como ocorreu entre n\u00f3s na primeira metade dos anos 2000\u201d, contou Nadya Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>\u201cEm parceria com a Funda\u00e7\u00e3o Seade [Sistema Estadual de An\u00e1lise de Dados], fizemos uma pesquisa por amostra domiciliar que alcan\u00e7ou 55 mil indiv\u00edduos na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, os quais tiveram as suas trajet\u00f3rias ocupacionais retra\u00e7adas desde o Plano Real [1994] at\u00e9 o momento da enquete [2001]\u201d, disse a pesquisadora.<\/p>\n<p>Posteriormente, uma subamostra de casos foi analisada em profundidade e acompanhada entre os anos 2002 e 2005, de modo a explorar como esses indiv\u00edduos interpretavam a sua experi\u00eancia de busca por oportunidades no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Para melhor entender a especificidade de S\u00e3o Paulo, os pesquisadores conduziram estudo similar, em parceria com colegas japoneses e franceses, nas regi\u00f5es metropolitanas de T\u00f3quio e de Paris. Tais metr\u00f3poles estavam igualmente sujeitas a mudan\u00e7as importantes nas condi\u00e7\u00f5es de acesso ao trabalho e ao crescente risco de desemprego, mas se distinguiam do caso brasileiro pela robustez dos seus sistemas pol\u00edticos de prote\u00e7\u00e3o \u2013 p\u00fablico, no caso franc\u00eas, e privado, no caso japon\u00eas.<\/p>\n<p>\u201cObservamos que, em S\u00e3o Paulo, as trajet\u00f3rias eram marcadas por intensas transi\u00e7\u00f5es entre ocupa\u00e7\u00e3o, desemprego e inatividade, dando lugar a percursos ocupacionais err\u00e1ticos, movidos pela prem\u00eancia de obter, a qualquer custo, a sobreviv\u00eancia imediata\u201d, disse Nadya Guimar\u00e3es. \u201cIsso refletia a natureza restrita das pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o aos desempregados, tanto no que respeitava \u00e0 sua capacidade de incluir os potenciais demandantes, quanto no que concernia aos benef\u00edcios como o seguro- desemprego ou o sistema p\u00fablico de apoio \u00e0 requalifica\u00e7\u00e3o, intermedia\u00e7\u00e3o e coloca\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A pesquisa constatou que eram as redes pessoais de sociabilidade os mecanismos pelos quais os indiv\u00edduos procuravam e encontravam n\u00e3o apenas o trabalho, mas tamb\u00e9m o suporte imediato para encarar o desemprego ou a inatividade.<\/p>\n<p>\u201cNa regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, onde 8 em cada 10 entrevistados afirmaram procurar trabalho por meio de seus familiares, amigos e conhecidos, e 7 em cada 10 diziam ter encontrado o seu \u00faltimo trabalho recorrendo a redes pessoais, eram esses mecanismos informais os mais eficazes para ultrapassar o desemprego. Mas nossos dados mostraram tamb\u00e9m que as oportunidades de emprego criadas nesses circuitos de sociabilidade eram de baixa qualidade e menor durabilidade\u201d, prosseguiu a pesquisadora.<\/p>\n<p>Estudos comparativos evidenciaram que tal caracter\u00edstica era recorrente nas demais metr\u00f3poles brasileiras, por\u00e9m, em intensidade vari\u00e1vel, sendo tanto mais relevante quanto mais prec\u00e1rios e pouco formalizados eram os mercados \u2013 assim, era mais eficaz no Nordeste (notadamente em Recife e Salvador) do que no Sudeste e no Sul (em especial, Porto Alegre).<\/p>\n<p>Intermedia\u00e7\u00e3o de trabalho vira atividade emergente<\/p>\n<p>Em um segundo momento, os pesquisadores analisaram a reconfigura\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho no Brasil, na segunda metade dos anos 2000. \u201cObservamos, pela an\u00e1lise de estat\u00edsticas do Minist\u00e9rio do Trabalho e do Emprego (RAIS-Migra), que, quando se ampliaram os empregos formais no Brasil, havia crescido muito mais rapidamente um tipo especial de emprego com carteira assinada: aquele propiciado pelo que denominamos &#8216;intermediadores de oportunidades de trabalho&#8217;, como as ag\u00eancias de emprego ou as empresas de trabalho tempor\u00e1rio\u201d, informou Nadya Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>\u201cEm um mercado caracterizado pela for\u00e7a das redes pessoais de sociabilidade, cresciam, e de modo acelerado, os mecanismos mercantis que ligavam os indiv\u00edduos que procuravam empregos aos postos de trabalho dispon\u00edveis\u201d, disse a pesquisadora.<\/p>\n<p>Um novo levantamento amostral, com cerca de 1.600 casos, entre trabalhadores \u00e0 procura de emprego em ag\u00eancias da regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo no ano de 2004 revelou que se tratava de uma for\u00e7a de trabalho mais jovem, crescentemente feminina e mais escolarizada, que se encontrava em busca, no mais das vezes, de seu primeiro emprego.<\/p>\n<p>\u201cA maioria deles encontrava, por meio dos intermedi\u00e1rios, o seu primeiro posto formalmente registrado de trabalho. Mas os v\u00ednculos eram de muito pequena dura\u00e7\u00e3o e os ganhos salariais eram muito menores do que aqueles experimentados pelo sal\u00e1rio m\u00ednimo no p\u00f3s 2005\u201d, disse Nadya Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>Por outro lado, as empresas dedicadas \u00e0 intermedia\u00e7\u00e3o de trabalho haviam se transformado em um poderoso segmento da atividade econ\u00f4mica, organicamente integrado aos que contratavam os seus servi\u00e7os, como os pesquisadores puderam verificar utilizando a Pesquisa da Atividade Econ\u00f4mica Paulista.<\/p>\n<p>\u201cMais do que isso\u201d, sublinhou Nadya Guimar\u00e3es, \u201cnesse ramo de atividade, o Brasil se destacava entre os pa\u00edses l\u00edderes no cen\u00e1rio internacional do trabalho intermediado. Exploramos estat\u00edsticas comparativas internacionais para os anos 2008 a 2010 e vimos que o Brasil ombreava com pa\u00edses reconhecidos no mundo do trabalho intermediado e tempor\u00e1rio, como Jap\u00e3o, Inglaterra, Espanha, Holanda e Estados Unidos, tanto pelo n\u00famero de ag\u00eancias de emprego e pelo n\u00famero de trabalhadores intermediados como por sua participa\u00e7\u00e3o na receita gerada pelo setor em escala internacional. Ou seja, no mesmo movimento de crescimento econ\u00f4mico pelo qual o emprego se ampliava, as rela\u00e7\u00f5es de trabalho pareciam progressivamente se reconfigurar, diversificando-se\u00a0pari passu\u00a0com a din\u00e2mica econ\u00f4mica.\u201d<\/p>\n<p>Leia mais sobre o Centro de Estudos da Metr\u00f3pole:\u00a0<a href=\"http:\/\/cepid.fapesp.br\/materia\/103\" target=\"_blank\">Educa\u00e7\u00e3o, desigualdade e sistema de cotas<\/a>\u00a0e<a href=\"http:\/\/cepid.fapesp.br\/materia\/104\" target=\"_blank\">Uma sociedade com 12,4 milh\u00f5es de favelados<\/a>.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es:\u00a0<a href=\"http:\/\/cepid.fapesp.br\/centro\/14\" target=\"_blank\">http:\/\/cepid.fapesp.br\/centro\/14<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jos\u00e9 Tadeu Arantes\u00a0Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A qualidade da sa\u00fade e da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica no Brasil registrou sens\u00edvel melhora nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas. Essa evolu\u00e7\u00e3o refletiu no \u00cdndice Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), que cresceu de 0,493 para 0,727 entre 1991 e 2010, atingindo um patamar considerado alto na avalia\u00e7\u00e3o do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":40787,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":{"0":"post-49252","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"entry","9":"gs-1","10":"gs-odd","11":"gs-even","12":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/Brasil-incra1.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49252","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49252"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49252\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40787"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49252"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49252"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49252"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}