{"id":4845,"date":"2009-07-07T16:07:18","date_gmt":"2009-07-07T20:07:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=4845"},"modified":"2009-07-07T18:51:46","modified_gmt":"2009-07-07T22:51:46","slug":"61%c2%aa-reuniao-anual-sbpc-no-amazonas-debatera-a-situacao-dos-refugiados-de-paises-da-regiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2009\/61%c2%aa-reuniao-anual-sbpc-no-amazonas-debatera-a-situacao-dos-refugiados-de-paises-da-regiao\/4845","title":{"rendered":"61\u00aa Reuni\u00e3o Anual SBPC no Amazonas debater\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o dos refugiados de pa\u00edses da regi\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Al\u00e9m dos 25,8 milh\u00f5es habitantes da Amaz\u00f4nia brasileira, estimados em 2007 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), h\u00e1 um grupo significativo de pessoas que n\u00e3o integra essa estat\u00edstica oficial. S\u00e3o refugiados, deslocados e migrantes de outros pa\u00edses, que tamb\u00e9m vivem na regi\u00e3o, mas n\u00e3o aparecem nos censos do \u00f3rg\u00e3o nacional de pesquisas demogr\u00e1ficas e dos pr\u00f3prios \u00f3rg\u00e3os de controle de imigra\u00e7\u00e3o, em fun\u00e7\u00e3o da dificuldade para identific\u00e1-los no vasto territ\u00f3rio amaz\u00f4nico.<\/p>\n<p>A Col\u00f4mbia \u00e9 a que mais \u201cgera\u201d refugiados e deslocados para a Amaz\u00f4nia, em fun\u00e7\u00e3o da proximidade geogr\u00e1fica e da crise humanit\u00e1ria que assola o pa\u00eds h\u00e1 40 anos e que j\u00e1 levou \u00e0 di\u00e1spora cerca de 3 milh\u00f5es de pessoas. \u201cJ\u00e1 ocorreu de duas mil pessoas cruzarem a fronteira brasileira em um \u00fanico dia em busca de seguran\u00e7a\u201d, afirma o consultor da unidade regional no Brasil do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Refugiados (ACNUR), Gabriel Gualano de Godoy. Ele abordar\u00e1 esse assunto em uma confer\u00eancia durante a 61\u00aa Reuni\u00e3o Anual da SBPC \u2013 evento que a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC) promover\u00e1 de 12 a 17 de julho em Manaus (AM).<\/p>\n<p><strong>Atores do conflito \u2013<\/strong><strong> <\/strong><strong><\/strong>Para fugir de grupos guerrilheiros, como as For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (Farcs) ou dos narcotraficantes, \u00e9 comum colombianos sa\u00edrem das cidades de Putumayo, Marinho e Vale do Cauca, e irem para a cidade de Let\u00edcia, na fronteira com o Brasil, para chegarem at\u00e9 Tabatinga (AM). Em territ\u00f3rio brasileiro, eles seguem para cidades como S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, na regi\u00e3o conhecida como \u201ccabe\u00e7a do cachorro\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de colombianos urbanos, h\u00e1 tamb\u00e9m ribeirinhos e ind\u00edgenas nessa situa\u00e7\u00e3o. Por conhecerem bem a floresta, eles s\u00e3o os mais vulner\u00e1veis ao recrutamento for\u00e7ado por grupos paramilitares. \u201cH\u00e1 casos de ind\u00edgenas recrutados for\u00e7osamente por grupos armados irregulares. Isso aconteceu com os ticunas, da Col\u00f4mbia, que foram empurrados para o Brasil e tiveram de ficar junto com os ticunas brasileiros para fugir de grupos como esses atuantes na Col\u00f4mbia\u201d, exemplifica Godoy<\/p>\n<p><strong>Sem ajuda<\/strong><strong> <\/strong><strong><\/strong>\u2013 A maioria n\u00e3o chega nem a protocolar um pedido formal de ref\u00fagio e logo regressa ao pa\u00eds de origem, o que dificulta identific\u00e1-los e at\u00e9 mesmo saber em que situa\u00e7\u00e3o se encontram: se s\u00e3o refugiados, que fogem da persegui\u00e7\u00e3o temendo pela pr\u00f3pria vida ou liberdade; deslocados, que saem do pa\u00eds em picos de crise e voltam depois que a situa\u00e7\u00e3o acalma; ou simplesmente migrantes em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida. \u201cEsse contexto dificulta oferecer ajuda jur\u00eddica e financeira aos refugiados e deslocados \u2013 que comp\u00f5em a popula\u00e7\u00e3o assistida pelo ACNUR\u201d, afirma Godoy, lembrando que, al\u00e9m disso, h\u00e1 o agravante de a Amaz\u00f4nia ser uma regi\u00e3o de fronteiras abertas com um fluxo intenso de pessoas e um n\u00famero expressivo de gente vivendo \u00e0 beira dos rios ou nas matas. Ou seja, praticamente escondidos dos dados oficiais.<\/p>\n<p>De acordo com Godoy, apesar de a Lei de Refugiados vigorar no Brasil h\u00e1 mais de dez anos e os \u00f3rg\u00e3os de governo, como a Pol\u00edcia Federal, j\u00e1 estarem capacitados e familiarizados com os procedimentos para concess\u00e3o de ref\u00fagio, \u00e9 necess\u00e1rio difundir melhor esse processo em algumas regi\u00f5es, especialmente na Amaz\u00f4nia. \u201cComo na maioria das vezes o caminho de acesso dos refugiados ao Brasil na Amaz\u00f4nia \u00e9 feito nas \u00e1reas remotas do Pa\u00eds, s\u00e3o nessas regi\u00f5es onde \u00e9 preciso capacitar os agentes de fiscaliza\u00e7\u00e3o e esclarec\u00ea-los sobre a Lei de Ref\u00fagio\u201d, diz.<\/p>\n<p>Outra barreira a ser removida \u00e9 o preconceito. Ap\u00f3s conseguir entrar no Brasil e dar o passo mais complicado, que \u00e9 obter a documenta\u00e7\u00e3o e regularizar sua situa\u00e7\u00e3o legal, o refugiado tem dificuldade de conseguir trabalho, principalmente se for colombiano. \u201cH\u00e1 um estigma muito forte contra o colombiano e o afro-colombiano no Brasil, que muitas vezes \u00e9 mais acentuado na Amaz\u00f4nia.\u201d Isso sem contar a dificuldade do aprendizado da l\u00edngua, de arrumar emprego, alcan\u00e7ar autonomia econ\u00f4mica e aprender a viver em uma outra cultura, entre outros percal\u00e7os.<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o:<\/strong><strong> <\/strong><strong><\/strong>A confer\u00eancia com o tema \u201cMigra\u00e7\u00f5es e refugiados na Amaz\u00f4nia\u201d ser\u00e1 realizada no dia 16 de julho, \u00e0s 10h30, durante a 61\u00aa Reuni\u00e3o Anual da SBPC que ser\u00e1 realizada a partir do dia 12 em Manaus (AM), no campus da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). O evento, cujo tema \u00e9 \u201cAmaz\u00f4nia: Ci\u00eancia e Cultura\u201d, contar\u00e1 com 175 atividades, entre confer\u00eancias, simp\u00f3sios, mesas-redondas, grupos de trabalho, encontros e sess\u00f5es especiais, al\u00e9m de apresenta\u00e7\u00e3o de trabalhos cient\u00edficos e minicursos. Veja a programa\u00e7\u00e3o em<a href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/manaus\" target=\"_blank\">www.sbpcnet.org.br\/manaus<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m dos 25,8 milh\u00f5es habitantes da Amaz\u00f4nia brasileira, estimados em 2007 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), h\u00e1 um grupo significativo de pessoas que n\u00e3o integra essa estat\u00edstica oficial. 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