{"id":48400,"date":"2013-10-09T15:29:33","date_gmt":"2013-10-09T18:29:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=48400"},"modified":"2013-10-09T15:29:33","modified_gmt":"2013-10-09T18:29:33","slug":"manejo-de-agua-no-pais-e-critico-afirmam-pesquisadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/manejo-de-agua-no-pais-e-critico-afirmam-pesquisadores\/48400","title":{"rendered":"Manejo de \u00e1gua no pa\u00eds \u00e9 cr\u00edtico, afirmam pesquisadores"},"content":{"rendered":"<p>Por Elton Alisson Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 A gest\u00e3o de <em><strong>recursos h\u00eddricos<\/strong><\/em> no Brasil representa um problema cr\u00edtico, devido \u00e0 falta de mecanismos, tecnologias e, sobretudo, de recursos humanos suficientes para gerir de forma adequada as bacias hidrogr\u00e1ficas do pa\u00eds. A avalia\u00e7\u00e3o foi feita por pesquisadores participantes do \u201cSemin\u00e1rio sobre Recursos H\u00eddricos e Agricultura\u201d, realizado no dia 2 de outubro, na FAPESP.<\/p>\n<p>O evento integrou as atividades do 58\u00ba Pr\u00eamio Funda\u00e7\u00e3o Bunge e do 34\u00ba Pr\u00eamio Funda\u00e7\u00e3o Bunge Juventude que, neste ano, contemplaram as \u00e1reas de Recursos H\u00eddricos e Agricultura e Cr\u00edtica Liter\u00e1ria. Na \u00e1rea de Recursos H\u00eddricos e Agricultura os pr\u00eamios foram outorgados, respectivamente, aos professores Klaus Reichardt, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA), da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), e Samuel Beskow, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).<\/p>\n<p>\u201cO Brasil tem problemas de gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos porque n\u00e3o h\u00e1 mecanismos, instrumentos, tecnologias e, acima de tudo, recursos humanos suficientemente treinados e com bagagem interdisciplinar para enfrentar e solucionar os problemas de manejo da \u00e1gua\u201d, disse Jos\u00e9 Galizia Tundisi, pesquisador do Instituto Internacional de Ecologia (IIE), convidado a participar do evento.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso gerar m\u00e9todos, conceitos e mecanismos aplic\u00e1veis \u00e0s condi\u00e7\u00f5es do pa\u00eds\u201d, avaliou o pesquisador, que atualmente dirige o programa mundial de forma\u00e7\u00e3o de gestores de recursos h\u00eddricos da Rede Global de Academias de Ci\u00eancias (IAP, na sigla em ingl\u00eas) \u2013 institui\u00e7\u00e3o que representa mais de cem academias de ci\u00eancias no mundo.<\/p>\n<p>De acordo com Tundisi, as bacias hidrogr\u00e1ficas foram adotadas como unidades priorit\u00e1rias de gerenciamento do uso da \u00e1gua pela Pol\u00edtica Nacional de Recursos H\u00eddricos, sancionada em 1997. Todas as bacias hidrogr\u00e1ficas do pa\u00eds, contudo, carecem de instrumentos que possibilitem uma gest\u00e3o adequada, apontou o pesquisador.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito dif\u00edcil encontrar um comit\u00ea de bacia hidrogr\u00e1fica [colegiado composto por representantes da sociedade civil e respons\u00e1vel pela gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos de uma determinada bacia] que esteja totalmente instrumentalizado em termos de t\u00e9cnicas e de programas para melhorar o desempenho do gerenciamento de uso da \u00e1gua\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Modelagem hidrol\u00f3gica<\/p>\n<p>Segundo Tundisi, alguns dos instrumentos que podem facilitar a gest\u00e3o e a tomada de decis\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao manejo da \u00e1gua de bacias hidrogr\u00e1ficas brasileiras s\u00e3o modelos computacionais de simula\u00e7\u00e3o do comportamento de bacias hidrogr\u00e1ficas, como o desenvolvido por Beskow, professor do Departamento de Engenharia H\u00eddrica da UFPel, ganhador da atual edi\u00e7\u00e3o do Pr\u00eamio Funda\u00e7\u00e3o Bunge Juventude na \u00e1rea de Recursos H\u00eddricos e Agricultura.<\/p>\n<p>Batizado de Lavras Simulation of Hidrology (Lash), o modelo hidrol\u00f3gico foi desenvolvido por Beskow durante seu doutorado, realizado na Universidade Federal de Lavras (Ufla), em Minas Gerais, com um per\u00edodo na Purdue University, dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 v\u00e1rios modelos hidrol\u00f3gicos desenvolvidos em diferentes partes do mundo \u2013 especialmente nos Estados Unidos e Europa \u2013, que s\u00e3o ferramentas valios\u00edssimas para gest\u00e3o e tomada de decis\u00f5es relacionadas a bacias hidrogr\u00e1ficas\u201d, disse Beskow.<\/p>\n<p>\u201cEsses modelos hidrol\u00f3gicos s\u00e3o \u00fateis tanto para projetar estruturas hidr\u00e1ulicas \u2013 pontes ou reservat\u00f3rios \u2013, como para fazer previs\u00f5es em tempo real de cheias e enchentes, como para medir os impactos de a\u00e7\u00f5es do tipo desmatamento ou mudan\u00e7as no uso do solo de \u00e1reas no entorno de bacias hidrogr\u00e1ficas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, a primeira vers\u00e3o do Lash foi conclu\u00edda em 2009 e aplicada em pesquisas sobre modelagem de chuva e vaz\u00e3o de \u00e1gua para avalia\u00e7\u00e3o do potencial de gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica em bacias hidrogr\u00e1ficas de porte pequeno, como a do Ribeir\u00e3o Jaguar\u00e1, em Minas Gerais, que possui 32 quil\u00f4metros quadrados.<\/p>\n<p>Em raz\u00e3o dos resultados animadores obtidos, o pesquisador come\u00e7ou a desenvolver, a partir de 2011, a segunda vers\u00e3o do modelo de simula\u00e7\u00e3o hidrol\u00f3gica, que pretende disponibilizar para os gestores de bacias hidrogr\u00e1ficas de diferentes dimens\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cO modelo conta agora com um banco de dados por meio do qual os usu\u00e1rios conseguem importar e armazenar dados de chuva, temperatura e umidade e uso do solo, entre outros par\u00e2metros, gerados em diferentes esta\u00e7\u00f5es da rede de monitoramento de uma determinada bacia geogr\u00e1fica e, que permitem realizar a gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos\u201d, contou.<\/p>\n<p>Uma das principais motiva\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento de modelos e de simula\u00e7\u00e3o hidrol\u00f3gica no Brasil, segundo o pesquisador, \u00e9 a falta de dados fluviom\u00e9tricos (de medi\u00e7\u00e3o de n\u00edveis de \u00e1gua, velocidade e vaz\u00e3o nos rios) das bacias hidrol\u00f3gicas existentes no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00c9 baixo o n\u00famero de esta\u00e7\u00f5es fluviom\u00e9tricas cadastradas no Sistema de Informa\u00e7\u00f5es Hidrol\u00f3gicas (HidroWeb), operado pela Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA), e muitas delas est\u00e3o fora de opera\u00e7\u00e3o, afirmou Beskow.<\/p>\n<p>\u201cExistem pouco mais de cem esta\u00e7\u00f5es fluviom\u00e9tricas no Rio Grande do Sul cadastradas nesse sistema, que nos permitem obter dados de s\u00e9ries temporais de at\u00e9 dez anos\u201d, disse o pesquisador. \u201cEsse n\u00famero de esta\u00e7\u00f5es \u00e9 muito baixo para fazer a gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos de um estado como o Rio Grande do Sul.\u201d<\/p>\n<p>Uso racional da \u00e1gua<\/p>\n<p>Beskow e Klaus Reichardt \u2013 que tamb\u00e9m \u00e9 professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) \u2013 destacaram a necessidade de desenvolver tecnologias para usar a \u00e1gua de maneira cada vez mais racional na agricultura, uma vez que o setor consome a maior parte da \u00e1gua doce prontamente dispon\u00edvel no mundo hoje.<\/p>\n<p>Do total de 70% da \u00e1gua encontrada na Terra, 97,5% \u00e9 salgada e 2,5% \u00e9 doce. Desse percentual \u00ednfimo de \u00e1gua doce, no entanto, 69% est\u00e3o estocados em geleiras e neves eternas, 29,8% em aqu\u00edferos e 0,9% em reservat\u00f3rios. Do 0,3% prontamente dispon\u00edvel, 65% s\u00e3o utilizados pela agricultura, 22% pelas ind\u00fastrias, 7% para consumo humano e 6% s\u00e3o perdidos, ressaltou Reichardt.<\/p>\n<p>\u201cNo Brasil, temos a Amaz\u00f4nia e o aqu\u00edfero Guarani que poder\u00e3o ser explorados\u201d, afirmou o pesquisador que teve\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/3617\/klaus-reichardt\/\" target=\"_blank\">projetos<\/a>\u00a0apoiados pela FAPESP.<\/p>\n<p>Reichardt ganhou o pr\u00eamio por sua contribui\u00e7\u00e3o em F\u00edsica de Solos ao estudar e desenvolver formas de calcular o movimento de \u00e1gua em solos arenosos ou argilosos, entre outros, que apresentam varia\u00e7\u00f5es. \u201cIsso foi aplicado em v\u00e1rios tipos de solo com condutividade hidr\u00e1ulica saturada em fun\u00e7\u00e3o da umidade, por exemplo\u201d, contou.<\/p>\n<p>O pesquisador vem se dedicando nos \u00faltimos anos a realizar, em colabora\u00e7\u00e3o com colegas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa), tomografia computadorizada para medida de \u00e1gua no solo. \u201cPor meio dessa t\u00e9cnica conseguimos desvendar fen\u00f4menos muito interessantes que ocorrem no solo\u201d, disse Reichardt.<\/p>\n<p>Custo da inani\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O evento contou com a presen\u00e7a de Eduardo Moacyr Krieger e Carlos Henrique de Brito Cruz, respectivamente vice-presidente e diretor cient\u00edfico da FAPESP; Jacques Marcovitch, presidente da Funda\u00e7\u00e3o Bunge; Ardaillon Sim\u00f5es, presidente da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Ci\u00eancia e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe), e Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Frizzone, professor da Esalq, entre outras autoridades.<\/p>\n<p>Em seu pronunciamento, Krieger apontou que a Funda\u00e7\u00e3o Bunge e a FAPESP t\u00eam muitas caracter\u00edsticas em comum. \u201cAo premiar anualmente os melhores pesquisadores em determinadas \u00e1reas, a Funda\u00e7\u00e3o Bunge revela seu cuidado com o m\u00e9rito cient\u00edfico e a qualidade das pesquisas\u201d, disse Krieger.<\/p>\n<p>\u201cA FAPESP, de certa forma, tamb\u00e9m faz isso ao \u2018premiar\u2019 os pesquisadores por meio de Bolsas, Aux\u00edlios e outras modalidades de apoio, levando em conta a qualidade da pesquisa realizada.\u201d<\/p>\n<p>Brito Cruz ressaltou que o pr\u00eamio concedido pela Funda\u00e7\u00e3o Bunge ajuda a criar no Brasil a possibilidade de pesquisadores se destacarem na sociedade brasileira por sua capacidade e realiza\u00e7\u00f5es intelectuais.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 essencial para se construir um pa\u00eds que seja dono de seu destino, capaz de criar seu futuro e enfrentar novos desafios de qualquer natureza\u201d, disse Brito Cruz. \u201cUm pa\u00eds s\u00f3 consegue avan\u00e7ar tendo pessoas com capacidade intelectual para entender os problemas e criar solu\u00e7\u00f5es para resolv\u00ea-los.\u201d<\/p>\n<p>Por sua vez, Marcovitch avaliou que o problema da gest\u00e3o do uso da \u00e1gua no pa\u00eds pode ser enfrentado de duas formas. A primeira parte da premissa de que o pa\u00eds est\u00e1 deitado em ber\u00e7o espl\u00eandido, tem recursos naturais abundantes e, portanto, n\u00e3o precisaria se preocupar com o problema. A segunda alerta para as consequ\u00eancias da ina\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 necessidade de se fazer gest\u00e3o adequada dos recursos h\u00eddricos do pa\u00eds, como Tundisi vem fazendo, para estimular pesquisadores como Beskow e Reichardt a encontrar respostas.<\/p>\n<p>\u201c[N\u00f3s, pesquisadores,] temos a responsabilidade de elevar a consci\u00eancia da sociedade sobre os riscos e o custo da ina\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gest\u00e3o dos recursos h\u00eddricos do pa\u00eds\u201d, disse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Elton Alisson Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 A gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos no Brasil representa um problema cr\u00edtico, devido \u00e0 falta de mecanismos, tecnologias e, sobretudo, de recursos humanos suficientes para gerir de forma adequada as bacias hidrogr\u00e1ficas do pa\u00eds. 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