{"id":48166,"date":"2013-10-02T18:06:50","date_gmt":"2013-10-02T21:06:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=48166"},"modified":"2013-10-02T18:06:50","modified_gmt":"2013-10-02T21:06:50","slug":"linguagem-significacao-e-comunicacao-em-bebes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/linguagem-significacao-e-comunicacao-em-bebes\/48166","title":{"rendered":"Linguagem, significa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o em beb\u00eas"},"content":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 O ser humano \u00e9 um \u201cser da<em><strong> linguagem<\/strong><\/em>\u201d.\u00a0Desde o nascimento, e muito antes de aprender a falar, j\u00e1 \u00e9 capaz de dialogar e de negociar com parceiros \u2013 sejam eles adultos ou outros beb\u00eas \u2013 por meio de olhares, gestos, posturas, vocaliza\u00e7\u00f5es e outros recursos pr\u00f3prios da idade. Todo o seu corpo \u00e9\u00a0meio de apreens\u00e3o, express\u00e3o e significa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise \u00e9 da especialista em Psicologia do Desenvolvimento Humano K\u00e1tia de Souza Amorim, da Faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras de Ribeir\u00e3o Preto (FFCLRP), ligada \u00e0 Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). A pesquisadora coordenou um projeto de pesquisa<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/25358\/linguagem-comunicacao-e-significacao-em-processos-desenvolvimentais-nos-dois-primeiros-anos-de-vida\" target=\"_blank\">apoiado pela FAPESP<\/a>, cujo objetivo foi investigar se e como ocorriam processos de significa\u00e7\u00e3o e de linguagem nos dois primeiros anos de vida.<\/p>\n<p>Amorim coordenou tamb\u00e9m\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/21987\/corporeidade-e-significacao-em-processos-desenvolvimentais-no-primeiro-ano-de-vida\" target=\"_blank\">outra pesquisa<\/a>\u00a0outra pesquisa sobre corporeidade e significa\u00e7\u00e3o em processos desenvolvimentais no primeiro ano de vida.<\/p>\n<p>\u201cUsualmente, tem-se a ideia de que os beb\u00eas apenas dormem e mamam e, quando se expressam, tudo n\u00e3o passa de uma descarga emocional. Mas nossos estudos mostram que, na verdade, os beb\u00eas desde muito cedo j\u00e1 s\u00e3o capazes de se expressar de maneira culturalmente adequada\u201d, disse Amorim.<\/p>\n<p>\u201cIsso n\u00e3o quer dizer que eles entendam os significados das palavras pela cogni\u00e7\u00e3o, pelo intelecto, mas apreendem seu significado nas rela\u00e7\u00f5es, dentro do ambiente. Por meio de recursos particulares, percebem o meio e agem sobre ele, sendo capazes de dialogar com o outro, mesmo que em um di\u00e1logo mudo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Para chegar a essas conclus\u00f5es, a pesquisadora e seus colaboradores acompanharam cerca de 40 crian\u00e7as com at\u00e9 13 meses em diferentes rela\u00e7\u00f5es e contextos: casa, creche e institui\u00e7\u00e3o de acolhimento (abrigo). A intera\u00e7\u00e3o dos beb\u00eas com familiares, cuidadores e com outras crian\u00e7as, inclusive pares de idade, foi gravada e posteriormente analisada pelos cientistas.<\/p>\n<p>\u201cO trabalho come\u00e7ou no \u00e2mbito de um\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/1428\/analise-do-desenvolvimento-humano-enquanto-uma-construcao-atraves-de-uma-rede-dinamica-de-significad\" target=\"_blank\">Projeto Tem\u00e1tico<\/a>\u00a0coordenado pela professora Maria Clotilde Rossetti-Ferreira, da FFCLRP. Na \u00e9poca, acompanhamos um grupo de 21 crian\u00e7as que tinham acabado de ingressar na creche mantida pela USP, no campus de Ribeir\u00e3o Preto. Nosso objetivo era estudar o processo de adapta\u00e7\u00e3o dos beb\u00eas no ambiente da educa\u00e7\u00e3o coletiva\u201d, disse Amorim.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo, foram realizadas cerca de tr\u00eas horas de grava\u00e7\u00f5es di\u00e1rias mostrando a intera\u00e7\u00e3o dos beb\u00eas com as m\u00e3es, educadoras e com as outras crian\u00e7as. Como os pesquisadores observaram ind\u00edcios de processos de intera\u00e7\u00e3o e de comunica\u00e7\u00e3o mesmo entre os pr\u00f3prios beb\u00eas, foram conduzidas outras pesquisas e constru\u00eddos os demais bancos de dados e imagens.<\/p>\n<p>\u201cPudemos observar claramente que os beb\u00eas eram capazes de se expressar e, de alguma maneira, compreender o que se passava no entorno. Ent\u00e3o, levantamos uma s\u00e9rie de quest\u00f5es para estudar a comunica\u00e7\u00e3o e a significa\u00e7\u00e3o antes da aquisi\u00e7\u00e3o da linguagem oral\u201d, disse Amorim.<\/p>\n<p>Dentro das compet\u00eancias comunicativas, acrescentou a pesquisadora, a emo\u00e7\u00e3o serve de di\u00e1logo sem palavra, representando uma forma de comunica\u00e7\u00e3o que abrange todo o corpo do beb\u00ea e n\u00e3o apenas o rosto e a voz. Essa emo\u00e7\u00e3o muito precocemente passa a ser carregada de intencionalidade, sendo dirigida aos parceiros, com aumento, diminui\u00e7\u00e3o e substitui\u00e7\u00e3o de sinais e tons, al\u00e9m de transforma\u00e7\u00f5es nos estilos e manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cSe o choro fosse apenas uma descarga emocional, os beb\u00eas agiriam com todos da mesma forma. Mas observamos que eles n\u00e3o choram e n\u00e3o sorriem para todo mundo de maneira igual\u201d, comentou Amorim.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, a an\u00e1lise dos v\u00eddeos mostra que, embora os beb\u00eas tenham uma rela\u00e7\u00e3o preferencial com a m\u00e3e, tamb\u00e9m constroem liga\u00e7\u00f5es com outras pessoas \u2013 tanto adultos como pares de idade \u2013 presentes no contexto. E as rela\u00e7\u00f5es se d\u00e3o de forma bastante diferenciada.<\/p>\n<p>\u201cSe h\u00e1 duas educadoras ou duas crian\u00e7as, por exemplo, o beb\u00ea chega a claramente demonstrar prefer\u00eancia por uma delas. N\u00e3o s\u00f3 interage mais com ela, como os recursos comunicativos s\u00e3o diversos, sendo usados com mais ou menos frequ\u00eancia, al\u00e9m de mudarem com o tempo e as diferentes situa\u00e7\u00f5es\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cPara n\u00f3s, isso foi surpreendente, pois mostra o grau de refinamento das habilidades nas rela\u00e7\u00f5es e a riqueza de compet\u00eancias comunicativas do beb\u00ea. De alguma maneira o beb\u00ea diferencia n\u00e3o apenas o parceiro como apresenta tamb\u00e9m formas diversas de se comunicar com ele\u201d, avaliou Amorim.<\/p>\n<p>Intera\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora da FFCLRP-USP, muitos gestos que hoje em dia s\u00e3o considerados como autom\u00e1ticos ou naturais \u2013 decorrentes de matura\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica \u2013 evidenciaram ser, na verdade, constru\u00eddos nas rela\u00e7\u00f5es com os parceiros, servindo na regula\u00e7\u00e3o do comportamento do outro, constituindo o di\u00e1logo com o interlocutor.<\/p>\n<p>Nessas rela\u00e7\u00f5es e comunica\u00e7\u00e3o, em que\u00a0h\u00e1 troca de significados,\u00a0verificou-se que h\u00e1 participa\u00e7\u00e3o ativa da crian\u00e7a,\u00a0apesar de ela n\u00e3o ser capaz de fazer uso das palavras.<\/p>\n<p>Os comportamentos enunciam problemas, que s\u00e3o dirigidos a algu\u00e9m e inclusive chegam a antecipar uma poss\u00edvel resposta, desde muito precocemente. O gesto tem ainda uma forma diretamente relacionada \u00e0 a\u00e7\u00e3o no mundo de onde deriva, construindo pap\u00e9is e formas de ser e de estar no mundo.<\/p>\n<p>O tema \u00e9 controverso, segundo Amorim, pois para a maioria dos autores a linguagem est\u00e1 relacionada \u00e0 internaliza\u00e7\u00e3o de signos e \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o da fala. Em fun\u00e7\u00e3o disso, muitas pesquisas sobre a linguagem e a comunica\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as, segundo Amorim, centra seu foco em faixas et\u00e1rias acima do final do primeiro ano de vida.<\/p>\n<p>\u201cPor\u00e9m, reconhecer as compet\u00eancias desde o nascimento permite que se veja o beb\u00ea para muito al\u00e9m daquilo que ele\u00a0vir\u00e1 a ser \u2013 adulto oralizado \u2013, destacando o que ele j\u00e1 \u00e9\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o da pesquisadora, os resultados do estudo podem contribuir para reflex\u00f5es sobre a forma como familiares, educadores e demais profissionais compreendem os beb\u00eas e como organizam a vida e as rela\u00e7\u00f5es com a crian\u00e7a, por exemplo, nas creches. Para Amorim, \u00e9 preciso favorecer ainda mais o encontro e a intera\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as com seus pares de idade.<\/p>\n<p>\u201cTemos enviado material de divulga\u00e7\u00e3o da pesquisa para congressos, creches, cursos de pedagogia e demais profissionais que trabalham com desenvolvimento infantil. Muitos professores se incomodam com o fato de terem de lidar com beb\u00eas. Dizem que n\u00e3o se formaram para trocar fraldas. Mas se houver a compreens\u00e3o de que, na verdade, quando trocam a fralda est\u00e3o ensinando, aprendendo e se relacionando com algu\u00e9m que j\u00e1 \u00e9 capaz de se comunicar, tudo muda\u201d, avaliou Amorim.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 O ser humano \u00e9 um \u201cser da linguagem\u201d.\u00a0Desde o nascimento, e muito antes de aprender a falar, j\u00e1 \u00e9 capaz de dialogar e de negociar com parceiros \u2013 sejam eles adultos ou outros beb\u00eas \u2013 por meio de olhares, gestos, posturas, vocaliza\u00e7\u00f5es e outros recursos pr\u00f3prios da idade. 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