{"id":47329,"date":"2013-09-13T16:36:07","date_gmt":"2013-09-13T19:36:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=47329"},"modified":"2013-09-13T16:36:07","modified_gmt":"2013-09-13T19:36:07","slug":"boia-brasileira-monitora-variaveis-atmosfericas-e-oceanicas-no-atlantico-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/boia-brasileira-monitora-variaveis-atmosfericas-e-oceanicas-no-atlantico-sul\/47329","title":{"rendered":"Boia brasileira monitora vari\u00e1veis atmosf\u00e9ricas e oce\u00e2nicas no Atl\u00e2ntico Sul"},"content":{"rendered":"<p>Por No\u00eamia Lopes Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Uma boia com sensores para <em><strong>monitoramento atmosf\u00e9rico e oce\u00e2nico<\/strong><\/em>, totalmente constru\u00edda no Brasil, est\u00e1 ancorada a 3,7 mil metros de profundidade no sudoeste do Atl\u00e2ntico Sul desde abril deste ano.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 coletar dados essenciais para prever melhor o tempo e a ocorr\u00eancia de eventos extremos, como as fortes chuvas que atingiram a regi\u00e3o serrana do Rio de Janeiro em 2011 e o furac\u00e3o Catarina, que golpeou a regi\u00e3o Sul do Brasil em 2004.<\/p>\n<p>Tais eventos t\u00eam origem na intera\u00e7\u00e3o entre vari\u00e1veis atmosf\u00e9ricas, como precipita\u00e7\u00e3o, umidade, vento e radia\u00e7\u00e3o, e oce\u00e2nicas, como salinidade, temperatura e press\u00e3o \u2013 que impactam as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas no Brasil e na Am\u00e9rica do Sul de forma geral.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos de um monitoramento cont\u00ednuo desses dados a fim de acompanhar as nossas condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas atuais e de nos prepararmos melhor para mudan\u00e7as e ocorr\u00eancias extremas\u201d, afirmou Regina Rodrigues, pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no terceiro dia da\u00a0<a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/17816\" target=\"_blank\">1\u00aa Confer\u00eancia Nacional de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas Globais<\/a>\u00a0(Conclima), que ocorre at\u00e9 esta sexta-feira (13\/09), no Espa\u00e7o Apas, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Nas por\u00e7\u00f5es equatorial e tropical do Oceano Atl\u00e2ntico, entre o Brasil e a \u00c1frica, esse tipo de monitoramento conta com uma s\u00e9rie de boias de fabrica\u00e7\u00e3o norte-americana, pertencentes ao\u00a0<a href=\"http:\/\/www.pmel.noaa.gov\/pirata\/\" target=\"_blank\">Projeto Pirata<\/a>, um programa conjunto entre Fran\u00e7a, Alemanha, Estados Unidos e Brasil. A por\u00e7\u00e3o subtropical, contudo, ainda carecia de aten\u00e7\u00e3o \u2013 lacuna que a boia em quest\u00e3o, chamada Atlas-B Guariroba, foi destinada a ajudar a preencher.<\/p>\n<p>O equipamento foi constru\u00eddo por um grupo de pesquisadores do Instituto Oceanogr\u00e1fico da Universidade de S\u00e3o Paulo (IO-USP), coordenado por Edmo Campos e do qual Rodrigues ent\u00e3o fazia parte.<\/p>\n<p>\u201cDecidimos desenvolver a boia no Brasil para ter mais autonomia em rela\u00e7\u00e3o aos fabricantes externos, que nos ajudaram a aprender a tecnologia necess\u00e1ria, e mais liberdade para escolher o posicionamento ideal para a boia\u201d, disse Rodrigues.<\/p>\n<p>Um ancoramento teste foi feito em Ubatuba em novembro de 2012 e o definitivo ocorreu a cerca de 600 quil\u00f4metros da costa do Estado de Santa Catarina (28,5\u00baS \/ 44\u00baW) em abril deste ano. Em ambas as ocasi\u00f5es, os pesquisadores viajaram a bordo do navio oceanogr\u00e1fico\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/29781\/incremento-da-capacidade-de-pesquisa-em-oceanografia-no-estado-de-sao-paulo\/\" target=\"_blank\">Alpha Crucis<\/a>, adquirido pela FAPESP para o IO-USP.<\/p>\n<p>Funcionamento e perspectivas<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es relativas aos fen\u00f4menos atmosf\u00e9ricos s\u00e3o captadas pela Atlas-B Guariroba por meio de sensores situados em uma torre superior ao flutuador: pluvi\u00f4metros para medir a quantidade de chuva, anem\u00f4metros para indicar a dire\u00e7\u00e3o e a velocidade do vento, espectrorradi\u00f4metros para checar a radia\u00e7\u00e3o solar, term\u00f4metros, GPS e medidores da concentra\u00e7\u00e3o de g\u00e1s carb\u00f4nico e da umidade relativa do ar.<\/p>\n<p>J\u00e1 na por\u00e7\u00e3o submersa da boia, h\u00e1 um cabo de quatro mil metros de comprimento, fixado ao fundo do mar. Ao longo dos primeiros 500 metros do cabo, a partir da superf\u00edcie, h\u00e1 sensores como fluor\u00f4metros (que medem a concentra\u00e7\u00e3o de fl\u00faor), espectrorradi\u00f4metros, term\u00f4metros e medidores de salinidade da \u00e1gua.<\/p>\n<p>O conjunto dos dados \u00e9 transmitido via sat\u00e9lite e permite criar s\u00e9ries temporais de cada vari\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cParte das pe\u00e7as da Guariroba pertenceu a uma das boias do Projeto Pirata. Mas j\u00e1 constru\u00edmos uma segunda boia, apenas com componentes nossos, que ser\u00e1 ancorada em abril de 2014\u201d, explicou Rodrigues. Nessa \u00e9poca, ap\u00f3s um ano de funcionamento, a Atlas-B ser\u00e1 recolhida temporariamente para manuten\u00e7\u00e3o. A segunda boia ser\u00e1 ancorada no lugar da primeira, de forma a manter a continuidade dos dados.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora, o recolhimento permitir\u00e1 confirmar se as varia\u00e7\u00f5es identificadas at\u00e9 o momento s\u00e3o reais ou fruto de avarias. \u201cUm ano \u00e9 um prazo razo\u00e1vel para liberarmos os dados para fins cient\u00edficos.\u201d Uma vez verificadas, as informa\u00e7\u00f5es passar\u00e3o a compor o sistema on-line do Projeto Pirata, a partir do qual \u00e9 poss\u00edvel consultar dados de diferentes boias, individualmente.<\/p>\n<p>Por enquanto, os principais parceiros da iniciativa foram duas empresas privadas do Rio de Janeiro, a Ambidados e a Holos, a Universidade Federal do Rio Grande (FURG), a Diretoria de Hidrografia e Navega\u00e7\u00e3o da Marinha do Brasil (DHN) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O financiamento foi composto por verbas do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.fapesp.br\/programas\/mudancas-climaticas\/\" target=\"_blank\">Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas Globais<\/a>\u00a0(PFPMCG), do Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia para Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (INCT-MC) e do N\u00facleo de Apoio \u00e0 Pesquisa da USP.<\/p>\n<p>\u201cNossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 manter a Atlas-B Guariroba como projeto-piloto, com o aux\u00edlio de programas distintos, at\u00e9 que o Instituto Nacional de Pesquisas Oceanogr\u00e1ficas e Hidrovi\u00e1rias [\u00f3rg\u00e3o criado em maio deste ano] possa assumir seu pleno controle\u201d, completou Rodrigues.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por No\u00eamia Lopes Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Uma boia com sensores para monitoramento atmosf\u00e9rico e oce\u00e2nico, totalmente constru\u00edda no Brasil, est\u00e1 ancorada a 3,7 mil metros de profundidade no sudoeste do Atl\u00e2ntico Sul desde abril deste ano. 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