{"id":47221,"date":"2013-09-11T13:32:04","date_gmt":"2013-09-11T16:32:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=47221"},"modified":"2013-09-11T13:32:04","modified_gmt":"2013-09-11T16:32:04","slug":"comunicacao-cientifica-em-todo-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/comunicacao-cientifica-em-todo-o-mundo\/47221","title":{"rendered":"Comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em todo o mundo"},"content":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo, de Caxambu Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Tornar os <em><strong>resultados das pesquisas<\/strong> <\/em>realizadas acess\u00edveis ao maior n\u00famero de pessoas\u00a0\u2013 no menor tempo poss\u00edvel \u2013 e deixar a comunidade cient\u00edfica julgar a relev\u00e2ncia do artigo ap\u00f3s sua publica\u00e7\u00e3o. Essa ideia inovadora norteou a cria\u00e7\u00e3o da revista<a href=\"http:\/\/www.plosone.org\/\" target=\"_blank\">PLoS One<\/a>, em 2006, e vem transformando a comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em todo o mundo.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o foi feita por Eric Martens, editor s\u00eanior do peri\u00f3dico, durante confer\u00eancia apresentada na 28\u00aa Reuni\u00e3o Anual da Federa\u00e7\u00e3o de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), realizada em Caxambu (MG) entre os dias 21 e 24 de agosto.<\/p>\n<p>De acordo com Martens, em 2012 a\u00a0PLoS One\u00a0publicou 24 mil artigos, com uma taxa de aceita\u00e7\u00e3o de 70%. Em m\u00e9dia, 200 submiss\u00f5es s\u00e3o recebidas e 140 trabalhos s\u00e3o publicados diariamente.<\/p>\n<p>\u201cEnquanto muitas revistas rejeitam at\u00e9 90% dos artigos submetidos para elevar seu fator de impacto, aPLoS One\u00a0tem uma filosofia \u00fanica: todas as pesquisas consistentes do ponto de vista \u00e9tico e cient\u00edfico, que contribuem de alguma forma para o conhecimento de uma determinada \u00e1rea, devem ser publicadas e ter acesso livre. N\u00e3o rejeitamos um artigo com base em seu suposto impacto\u201d, disse Martens.<\/p>\n<p>Como a\u00a0PLoS One\u00a0se prop\u00f5e a divulgar pesquisas de todos os campos da ci\u00eancia e da medicina, n\u00e3o h\u00e1 risco de um artigo, fruto de trabalho interdisciplinar, ser rejeitado por n\u00e3o se encaixar no escopo de uma determinada \u00e1rea de estudo. Tamb\u00e9m s\u00e3o bem-vindas as pesquisas com resultados negativos, ou seja, que n\u00e3o comprovam a hip\u00f3tese inicialmente proposta.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 \u00e1reas com poucas op\u00e7\u00f5es de peri\u00f3dicos de acesso livre, como Paleontologia. A\u00a0PLoS One\u00a0\u00e9 uma boa op\u00e7\u00e3o nesses casos\u201d, disse Martens.<\/p>\n<p>O editor, no entanto, ressalta que h\u00e1 crit\u00e9rios que precisam ser atendidos para o trabalho ser aceito. Al\u00e9m de n\u00e3o ter sido publicado anteriormente e de apresentar um conhecimento novo para a \u00e1rea, precisa contar com experimentos, estat\u00edsticas e an\u00e1lises de alto n\u00edvel t\u00e9cnico. Todos os dados devem ser descritos com um grau de detalhamento que permita sua reprodu\u00e7\u00e3o por qualquer interessado.<\/p>\n<p>As conclus\u00f5es devem estar apresentadas de forma adequada e serem amparadas pelos dados obtidos nos experimentos e an\u00e1lises. O artigo precisa estar escrito de forma intelig\u00edvel, de acordo com o padr\u00e3o da l\u00edngua inglesa. A pesquisa deve seguir o padr\u00e3o internacional de \u00e9tica e de integridade em pesquisa.<\/p>\n<p>Segundo Martens, os motivos para a rejei\u00e7\u00e3o de um artigo na\u00a0PLoS One\u00a0geralmente est\u00e3o relacionados a problemas fundamentais de metodologia ou de interpreta\u00e7\u00e3o dos resultados. \u201cFatores como experimentos mal desenhados, amostras insuficientes, falta de for\u00e7a estat\u00edstica nos resultados ou t\u00e9cnica inapropriada de an\u00e1lise\u201d, exemplificou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da equipe da revista, participam do processo de revis\u00e3o \u2013 que dura em m\u00e9dia 40 dias \u2013 os chamados editores acad\u00eamicos, especialistas de diversas \u00e1reas que atuam como colaboradores fixos.\u00a0Eles decidem se h\u00e1 ou n\u00e3o necessidade de revisores externos.<\/p>\n<p>\u201cPara garantir a transpar\u00eancia do processo, a carta de aceita\u00e7\u00e3o ou rejei\u00e7\u00e3o de um artigo \u00e9 sempre assinada pelo editor acad\u00eamico respons\u00e1vel e essa informa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 publicada. Os revisores externos tamb\u00e9m s\u00e3o encorajados a assinar a avalia\u00e7\u00e3o\u201d, contou Martens.<\/p>\n<p>O modelo de julgamento com base na consist\u00eancia da pesquisa e n\u00e3o no seu impacto tem se mostrado bem-sucedido, na avalia\u00e7\u00e3o de Martens. Mas h\u00e1, segundo ele, uma s\u00e9rie de ferramentas cruciais para que\u00a0funcione. O site da revista oferece, por exemplo, uma se\u00e7\u00e3o de coment\u00e1rios e uma s\u00e9rie de indicadores que revelam quantas vezes o artigo foi acessado e citado, com gr\u00e1ficos que mostram sua evolu\u00e7\u00e3o ao longo do tempo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o alcance do trabalho entre o p\u00fablico geral \u00e9 medido pelo n\u00famero de vezes que ele foi compartilhado em blogs e redes sociais.<\/p>\n<p>\u201cAcreditamos que esse modelo de m\u00e9trica individual seja uma boa alternativa ao modelo de fator de impacto baseado na revista. Isso est\u00e1 mudando a forma como as pessoas pensam e avaliam a pesquisa cient\u00edfica\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>O problema com o conceito de fator de impacto, segundo Martens, \u00e9 o fato de estar baseado na m\u00e9dia do n\u00famero de cita\u00e7\u00f5es que os artigos de uma revista receberam em um determinado per\u00edodo \u2013 o que mascara as varia\u00e7\u00f5es existentes dentro de cada peri\u00f3dico.<\/p>\n<p>\u201cA\u00a0Nature, por exemplo, tem um fator de impacto superior a 30. Mas se voc\u00ea analisa a distribui\u00e7\u00e3o das cita\u00e7\u00f5es da revista ver\u00e1 que \u00e9 altamente vari\u00e1vel. H\u00e1 alguns artigos que tiveram muito impacto e s\u00e3o citados at\u00e9 hoje, como o do Projeto Genoma Humano. E h\u00e1 outros que foram citados apenas uma ou duas vezes ao longo de sua hist\u00f3ria\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Modelo de sucesso<\/p>\n<p>Para que um peri\u00f3dico seja considerado verdadeiramente de acesso livre (open access), dois crit\u00e9rios precisam ser atendidos: o conte\u00fado precisa estar dispon\u00edvel gratuitamente na internet, sem exig\u00eancia de cadastro ou assinatura, e os leitores devem ter permiss\u00e3o do\u00a0copyright\u00a0para republicar ou reusar o conte\u00fado como quiserem. A \u00fanica condi\u00e7\u00e3o \u00e9 a atribui\u00e7\u00e3o do trabalho aos autores e editores.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Martens, esse modelo tem se mostrado bem-sucedido e est\u00e1 crescendo rapidamente, impulsionado principalmente por institui\u00e7\u00f5es como a Comiss\u00e3o Europeia, os Conselhos de Pesquisa do Reino Unido, o National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos, e a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco).<\/p>\n<p>\u201cEsses \u00f3rg\u00e3os determinaram que toda a pesquisa que financiam deve ser de acesso livre. Algumas importantes universidades tamb\u00e9m j\u00e1 adotaram pol\u00edticas para incentivar a pr\u00e1tica, como Harvard, Columbia, Duke, Princeton, Stanford e MIT [Massachusetts Institute of Technology]\u201d, disse.<\/p>\n<p>Martens, no entanto, reconhece que atualmente o custo de publica\u00e7\u00e3o para os que optam pelo modelo \u201copen acess\u201d recai sobre o pesquisador. No caso da\u00a0PLoS One, \u00e9 preciso desembolsar cerca de US$ 1,3 mil para cada artigo. Nas revistas em que a taxa de rejei\u00e7\u00e3o \u00e9 maior, o custo de publica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m costuma ser mais elevado.<\/p>\n<p>\u201cQueremos chegar ao ponto em que as institui\u00e7\u00f5es que financiam as pesquisas entendam que tornar seus resultados acess\u00edveis de forma livre \u00e9 parte essencial do processo e assumam esse custo\u201d, defendeu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo, de Caxambu Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Tornar os resultados das pesquisas realizadas acess\u00edveis ao maior n\u00famero de pessoas\u00a0\u2013 no menor tempo poss\u00edvel \u2013 e deixar a comunidade cient\u00edfica julgar a relev\u00e2ncia do artigo ap\u00f3s sua publica\u00e7\u00e3o. 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