{"id":46874,"date":"2013-09-02T19:21:56","date_gmt":"2013-09-02T22:21:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=46874"},"modified":"2013-09-02T19:21:56","modified_gmt":"2013-09-02T22:21:56","slug":"exposicao-a-metais-pode-contribuir-para-o-desenvolvimento-de-doencas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/exposicao-a-metais-pode-contribuir-para-o-desenvolvimento-de-doencas\/46874","title":{"rendered":"Exposi\u00e7\u00e3o a metais pode contribuir para o desenvolvimento de doen\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p>Por Elton Alisson Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 A <em><strong>exposi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica a metais<\/strong><\/em> como o mangan\u00eas e o alum\u00ednio pode contribuir para o desenvolvimento de doen\u00e7as neurodegenerativas como Parkinson e Alzheimer, indicam diversas pesquisas realizadas em diferentes pa\u00edses, incluindo o Brasil.<\/p>\n<p>Agora, um estudo realizado no Laborat\u00f3rio de Bio-Inorg\u00e2nica e Toxicologia Ambiental (Labita), do Instituto de Ci\u00eancias Ambientais, Qu\u00edmicas e Farmac\u00eauticas (ICAQF) da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), apontou que a forma qu\u00edmica desses metais pode influenciar de forma direta e de modos diferentes o n\u00edvel de toxicidade neurol\u00f3gica (neurotoxicidade) que exercem em animais e humanos.<\/p>\n<p>Desenvolvido em colabora\u00e7\u00e3o com pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), do Instituto de Pesquisas Biom\u00e9dicas de Barcelona, na Espanha, e do Centro de Pesquisa e Associa\u00e7\u00e3o de Pesquisa Ambiental de Leipzig (UFZ), na Alemanha, o trabalho foi conduzido no \u00e2mbito de um\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/45329\/o-modelo-danio-rerio-para-entender-a-interrelacao-entre-a-neurotoxicologia-do-desenvolvimento-de-esp\/\" target=\"_blank\">projeto de pesquisa<\/a>, apoiado pela FAPESP.<\/p>\n<p>Alguns resultados relacionados ao alum\u00ednio \u2013 que fazem parte do trabalho de mestrado de Pollyana Ferreira de Carvalho \u2013 foram apresentados durante o 2\u00ba Encontro Ibero-Americano de Toxicologia e Sa\u00fade Ambiental, realizado em junho, em Ribeir\u00e3o Preto, no interior de S\u00e3o Paulo. O trabalho foi premiado pela editora inglesa Taylor &amp; Francis, que publica livros na \u00e1rea de toxicologia.<\/p>\n<p>\u201cIdentificamos que a especia\u00e7\u00e3o [forma] qu\u00edmica do mangan\u00eas e do alum\u00ednio pode influenciar diretamente os efeitos neurot\u00f3xicos provocados por esses metais em animais e humanos\u201d, disse Ra\u00fal Bonne Hern\u00e1ndez, professor do ICAQF e coordenador do projeto, \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, estudos j\u00e1 indicavam que a exposi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica ao mangan\u00eas e ao alum\u00ednio promovia altera\u00e7\u00f5es no metabolismo energ\u00e9tico animal e humano e contribu\u00eda para diminui\u00e7\u00e3o das capacidades cognitiva e motora.<\/p>\n<p>Por meio de estudos com o peixe-zebra (Danio rerio) \u2013 esp\u00e9cie de peixe cujo genoma \u00e9 quase 70% semelhante ao humano \u2013, os pesquisadores confirmaram essas hip\u00f3teses e observaram, al\u00e9m disso, que o mangan\u00eas e o alum\u00ednio promovem diferentes efeitos neurot\u00f3xicos no animal de acordo com a liga\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o com outros elementos qu\u00edmicos.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao alum\u00ednio, os cientistas constataram que o metal nas formas de aquohidroxocomplexo (ligado a mol\u00e9culas de \u00e1gua ou hidroxila) e polim\u00e9rica parece ser mais t\u00f3xico para o peixe-zebra do que o metal sol\u00favel e ligado aos sais citrato e tartarato, por exemplo, usados como conservantes de alimentos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s expor peixes-zebra ao metal entre duas\u00a0e 122 horas ap\u00f3s a fertiliza\u00e7\u00e3o, as larvas apresentaram redu\u00e7\u00e3o do batimento card\u00edaco e altera\u00e7\u00f5es nos movimentos corporais espont\u00e2neos ou estimulados.<\/p>\n<p>\u201cEsses resultados, de forma conjunta, apontam para uma confirma\u00e7\u00e3o parcial das nossas hip\u00f3teses de que a forma qu\u00edmica do alum\u00ednio e do mangan\u00eas influencia o n\u00edvel de neurotoxicidade em animais e humanos\u201d, disse Hern\u00e1ndez.<\/p>\n<p>Segundo ele, por muito tempo se pensou que o alum\u00ednio era um elemento in\u00f3cuo. Por isso, ao longo dos anos uma s\u00e9rie de alimentos e bebidas foi envasada em embalagens enlatadas feitas com o metal.<\/p>\n<p>O que se descobriu mais recentemente, no entanto, \u00e9 que ingredientes usados para conservar os alimentos e bebidas nesse tipo de embalagem \u2013 como citratos e tartaratos \u2013 s\u00e3o capazes de solubilizar pequenas fra\u00e7\u00f5es de alum\u00ednio.<\/p>\n<p>\u201cEssas pequenas fra\u00e7\u00f5es do metal solubilizadas por citratos e tartaratos podem influenciar eventos relacionados \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o ao alum\u00ednio pela via alimentar, embora sejam considerados eventos n\u00e3o agudos\u201d, afirmou Hern\u00e1ndez.<\/p>\n<p>Mangan\u00eas<\/p>\n<p>J\u00e1 ao expor peixes-zebra em diferentes est\u00e1gios de desenvolvimento a diversas misturas de mangan\u00eas com outros elementos qu\u00edmicos, os pesquisadores constataram que o mangan\u00eas causou mais efeitos t\u00f3xicos e induziu mais altera\u00e7\u00f5es neurocognitivas e locomotoras no animal na presen\u00e7a de citrato do que em sua forma pura.<\/p>\n<p>\u201cEsses resultados contrariam modelos preditivos de toxicidade de metais, que sugerem que esp\u00e9cies n\u00e3o complexadas [sem ligantes] s\u00e3o mais t\u00f3xicas\u201d, disse Hern\u00e1ndez.<\/p>\n<p>\u201cPor outro lado, corroboram outros estudos internacionais com cultura prim\u00e1ria de neur\u00f4nios de cerebelo de camundongos publicados por diferentes grupos de pesquisa \u2013 inclusive o nosso \u2013, que sugerem que uma mol\u00e9cula fisiol\u00f3gica, como o citrato, pode facilitar ainda mais o transporte e a passagem do metal pela barreira hematoencef\u00e1lica do que outros ligantes qu\u00edmicos, como o pirofosfato, causando efeitos neurotoxicol\u00f3gicos em neur\u00f4nios glutamat\u00e9rgicos [que utilizam o glutamato como neurotransmissor]\u201d, disse Hern\u00e1ndez.<\/p>\n<p>Algumas das principais altera\u00e7\u00f5es promovidas pelo mangan\u00eas ligado ao citrato no cerebelo do animal podem estar associadas \u00e0 disfun\u00e7\u00e3o em vias de s\u00edntese de prote\u00ednas como a do grupo beta-amiloide \u2013 que se acumulam e formam placas nas regi\u00f5es do c\u00e9rebro respons\u00e1veis pela mem\u00f3ria e a linguagem em pacientes com Alzheimer \u2013 e de outros metab\u00f3litos alterados em pacientes com a doen\u00e7a de Parkinson.<\/p>\n<p>Por meio de estudos de express\u00e3o g\u00eanica, os pesquisadores observaram que os genes mitocondriais mt-co1 (relacionado a processos de oxirredu\u00e7\u00e3o, transporte de metais e reposta \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o a elementos qu\u00edmicos) e hspb11 (ligado \u00e0 resposta a eventos de estresse) dos peixes-zebra expostos ao mangan\u00eas na presen\u00e7a de citrato foram desregulados.<\/p>\n<p>Como esses genes tamb\u00e9m est\u00e3o presentes no genoma humano, os pesquisadores estimam que vias moleculares similares dos seres humanos podem ser afetadas pela exposi\u00e7\u00e3o ao mangan\u00eas.<\/p>\n<p>\u201cOs resultados encontrados em peixes-zebra poder\u00e3o nos ajudar a compreender melhor o desenvolvimento de doen\u00e7as neurodegenerativas e aprimorar tanto os estudos que est\u00e3o sendo desenvolvidos em humanos como\u00a0em animais, reduzindo o tempo e a quantidade de camundongos utilizados nas pesquisas\u201d, disse Hern\u00e1ndez.<\/p>\n<p>\u201cUma vez que o genoma do peixe-zebra tem quase 60% de semelhan\u00e7a com o de camundongos, ele pode substitu\u00ed-los em estudos com animais\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Casos de exposi\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Como o mangan\u00eas \u00e9 um elemento essencial para os seres humanos, especialmente durante o desenvolvimento, achava-se que os limites de exposi\u00e7\u00e3o a esse metal poderiam ser um pouco mais altos que os estabelecidos hoje. Com isso, a exposi\u00e7\u00e3o aguda e cr\u00f4nica pelo ar ao metal na forma de material particulado recebeu maior aten\u00e7\u00e3o do que pela ingest\u00e3o de alimentos ou de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Trabalhadores dos setores de siderurgia e de minera\u00e7\u00e3o eram considerados alguns dos poucos grupos humanos vulner\u00e1veis \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o ao mangan\u00eas, ao trabalhar em \u00e1reas mais propensas ao contato direto com ar contaminado com part\u00edculas do metal.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) tem, no entanto,\u00a0chamado a aten\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos para o fato de que h\u00e1 v\u00e1rios lugares no planeta \u2013 incluindo pa\u00edses desenvolvidos e em desenvolvimento \u2013 onde se observa diminui\u00e7\u00e3o na capacidade cognitiva de crian\u00e7as expostas a grandes concentra\u00e7\u00f5es de mangan\u00eas na \u00e1gua e no ar, principalmente em \u00e1reas de minera\u00e7\u00e3o, ressaltou o pesquisador.<\/p>\n<p>\u201cHoje s\u00e3o observados casos de exposi\u00e7\u00e3o ao mangan\u00eas em regi\u00f5es de desenvolvimento econ\u00f4mico muito baixo, como Bangladesh, e em regi\u00f5es mais desenvolvidas,\u00a0na China e no Canad\u00e1, onde h\u00e1 relatos de grupos populacionais que consomem \u00e1gua com n\u00edveis de mangan\u00eas em concentra\u00e7\u00f5es permitidas pela legisla\u00e7\u00e3o ambiental do pa\u00eds, mas que apresentaram problemas de diminui\u00e7\u00e3o das capacidades cognitiva e motora\u201d, contou.<\/p>\n<p>No Brasil, segundo Hern\u00e1ndez, estudos epidemiol\u00f3gicos realizados entre 2000 e 2011 tamb\u00e9m apontaram casos de crian\u00e7as e mulheres gr\u00e1vidas no munic\u00edpio de Sim\u00f5es Filho, na Bahia, onde h\u00e1 atividade de minera\u00e7\u00e3o, que apresentam altera\u00e7\u00f5es neurocomportamentais pela exposi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica ao mangan\u00eas na forma de material particulado no ar em concentra\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m consideradas seguras por \u00f3rg\u00e3os como a Ag\u00eancia de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental dos Estados Unidos e da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Um dos fatores que contribu\u00edram para esse problema, segundo o pesquisador, \u00e9 que os valores de exposi\u00e7\u00e3o ao metal considerados seguros foram estimados, majoritariamente, com base em dados epidemiol\u00f3gicos de adultos expostos ocupacionalmente \u2013 como os trabalhadores dos setores sider\u00fargico e de minera\u00e7\u00e3o \u2013 e\u00a0foram extrapolados para crian\u00e7as.<\/p>\n<p>\u201cIsso sinaliza a necessidade de mais estudos em modelos animais durante seu desenvolvimento e a integra\u00e7\u00e3o dos resultados dessas pesquisas com avalia\u00e7\u00f5es epidemiol\u00f3gicas\u201d, disse Hern\u00e1ndez.<\/p>\n<p>Como a exposi\u00e7\u00e3o aguda e cr\u00f4nica a esses metais e a diversos poluentes se inicia j\u00e1 nos primeiros anos de vida \u2013 principalmente nos centros urbanos, por concentrar\u00a0uma maior atividade industrial\u00a0\u2013, os pesquisadores pretendem avaliar tamb\u00e9m, por meio de estudos com peixe-zebra, se a exposi\u00e7\u00e3o ambiental precoce ao mangan\u00eas e ao alum\u00ednio pode programar algumas caracter\u00edsticas de doen\u00e7as neurodegenerativas que s\u00f3 s\u00e3o identificados clinicamente em humanos muitos anos depois, j\u00e1 na idade adulta.<\/p>\n<p>\u201cQueremos estudar o que ocorre quando o animal \u00e9 exposto ao alum\u00ednio e mangan\u00eas em diferentes est\u00e1gios de seu desenvolvimento e se a exposi\u00e7\u00e3o prolongada a esses metais em baixas concentra\u00e7\u00f5es pode causar os mesmos efeitos neurol\u00f3gicos provocados pela exposi\u00e7\u00e3o aguda\u201d, disse Hern\u00e1ndez.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Elton Alisson Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 A exposi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica a metais como o mangan\u00eas e o alum\u00ednio pode contribuir para o desenvolvimento de doen\u00e7as neurodegenerativas como Parkinson e Alzheimer, indicam diversas pesquisas realizadas em diferentes pa\u00edses, incluindo o Brasil. 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