{"id":46673,"date":"2013-08-28T16:28:23","date_gmt":"2013-08-28T19:28:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=46673"},"modified":"2013-08-28T16:28:23","modified_gmt":"2013-08-28T19:28:23","slug":"proteina-extraida-de-planta-inibe-crescimento-e-migracao-de-tumores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/proteina-extraida-de-planta-inibe-crescimento-e-migracao-de-tumores\/46673","title":{"rendered":"Prote\u00edna extra\u00edda de planta inibe crescimento e migra\u00e7\u00e3o de tumores"},"content":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo, de Caxambu Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Uma <em><strong>prote\u00edna<\/strong><\/em> extra\u00edda da semente de \u00e1rvores da esp\u00e9cie\u00a0Enterolobium contortisiliquum\u00a0\u2013 popularmente conhecida como tamboril ou orelha-de-macaco \u2013 demonstrou em ensaios pr\u00e9-cl\u00ednicos potente a\u00e7\u00e3o antitumoral, anti-inflamat\u00f3ria, anticoagulante e antitromb\u00f3tica.<\/p>\n<p>Os testes\u00a0in vitro\u00a0e em animais foram realizados no \u00e2mbito de um\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/6858\/proteinas-de-origem-vegetal-com-seletividade-para-inibicao-de-enzimas-de-mamiferos-e-seu-papel-como\" target=\"_blank\">Projeto Tem\u00e1tico<\/a>\u00a0apoiado pela FAPESP e coordenado por Maria Luiza Vilela Oliva, professora na Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp). Os resultados foram apresentados durante a 28\u00aa Reuni\u00e3o Anual da Federa\u00e7\u00e3o de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), realizada em Caxambu (MG) entre os dias 21 e 24 de agosto.<\/p>\n<p>Nomeada de\u00a0Enterolobium contortisiliquum\u00a0inibidor de tripsina (EcTI,\u00a0na sigla em ingl\u00eas), a prote\u00edna foi isolada por Oliva ainda durante seu doutorado, no fim dos anos 1980.<\/p>\n<p>\u201cEst\u00e1vamos buscando mol\u00e9culas capazes de inibir a a\u00e7\u00e3o de proteases \u2013 enzimas cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 quebrar as liga\u00e7\u00f5es pept\u00eddicas de outras prote\u00ednas. Essas mol\u00e9culas est\u00e3o envolvidas em in\u00fameros processos fisiol\u00f3gicos e patol\u00f3gicos no organismo; um inibidor poderia ter efeitos terap\u00eauticos interessantes\u201d, explicou Oliva.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o antitumoral foi identificada no in\u00edcio dos anos 2000, durante outro\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/18693\/proteinas-isoladas-de-plantas-brasileiras-como-instrumentos-para-investigacao-de-inibicao-de-enzimas\" target=\"_blank\">projeto de pesquisa<\/a>\u00a0e em 2004 a mol\u00e9cula foi patenteada.<\/p>\n<p>\u201cDenominamos o EcTI como inibidor de tripsina porque essa foi a enzima modelo que come\u00e7amos a estudar, por ser mais barata. Mas ele est\u00e1 patenteado como inibidor de v\u00e1rias proteases. Tamb\u00e9m patenteamos sua a\u00e7\u00e3o contra o c\u00e2ncer\u201d, contou Oliva.<\/p>\n<p>O efeito antitumoral do EcTI j\u00e1 foi testado em linhagens celulares de c\u00e2ncer de mama, pr\u00f3stata, colorretal, leucemia e melanoma (pele). Em todos os modelos, a mol\u00e9cula inibiu\u00a0in vitro\u00a0a prolifera\u00e7\u00e3o celular. Parte dos resultados foi divulgada em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.degruyter.com\/view\/j\/bchm.2011.392.issue-4\/bc.2011.031\/bc.2011.031.xml;jsessionid=373973E67D7EA9D9D8DCC9FB41026970\" target=\"_blank\">artigo publicado<\/a>\u00a0na revista\u00a0Biological Chemistry.<\/p>\n<p>Em uma linhagem de c\u00e9lulas de c\u00e2ncer g\u00e1strico, os pesquisadores verificaram que o EcTI impediu a ades\u00e3o da c\u00e9lula cancerosa ao tecido conjuntivo e, consequentemente, bloqueou a invas\u00e3o e a migra\u00e7\u00e3o celular. Os resultados\u00a0<a href=\"http:\/\/www.jbc.org\/content\/287\/1\/170.long\" target=\"_blank\">foram publicados<\/a>\u00a0no\u00a0The Journal of Biological Chemistry.<\/p>\n<p>\u201cAntes de migrar para outros tecidos, a c\u00e9lula tumoral precisa aderir ao tecido conjuntivo que lhe d\u00e1 suporte. O EcTI bloqueia proteases presentes na matriz extracelular e a via de sinaliza\u00e7\u00e3o usada pelo tumor nesse processo sem afetar os fibroblastos, que s\u00e3o as c\u00e9lulas sadias desse tecido conjuntivo\u201d, explicou Oliva.<\/p>\n<p>Em uma linhagem celular de melanoma, os pesquisadores testaram um tratamento que associava o EcTI ao quimioter\u00e1pico 5-Fluoracil. \u201cA dose de quimioter\u00e1pico necess\u00e1ria para matar a c\u00e9lula cancer\u00edgena foi cem vezes menor quando associado ao EcTI. Caso esse efeito seja comprovado tamb\u00e9m\u00a0in vivo, vai representar uma enorme redu\u00e7\u00e3o dos efeitos colaterais do tratamento do c\u00e2ncer\u201d, disse a pesquisadora.<\/p>\n<p>Nos testes feitos com camundongos, os pesquisadores induziram o desenvolvimento de um melanoma e, paralelamente, trataram os animais com inje\u00e7\u00f5es subcut\u00e2neas de EcTI durante 20 dias.<\/p>\n<p>O grupo controle, que recebeu apenas placebo, desenvolveu tumores. J\u00e1 no grupo tratado com EcTI, o crescimento do tumor foi inibido em pelo menos 90%. \u201cAlguns animais nem chegaram a desenvolver o tumor\u201d, contou Oliva.<\/p>\n<p>No mesmo modelo animal de melanoma, acrescentou a pesquisadora, o EcTI se mostrou capaz de impedir a met\u00e1stase pulmonar.<\/p>\n<p>Antitromb\u00f3tico<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m em testes com roedores, os pesquisadores observaram que o EcTI bloqueou o processo de trombose \u2013 uma complica\u00e7\u00e3o comum entre pacientes com c\u00e2ncer submetidos \u00e0 quimioterapia.<\/p>\n<p>\u201cEssa prote\u00edna inibe a a\u00e7\u00e3o da calicre\u00edna, enzima que desencadeia o processo de coagula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea e tamb\u00e9m ativa a agrega\u00e7\u00e3o plaquet\u00e1ria. O efeito foi verificado tanto em um modelo de trombose arterial, em ratos, como de trombose venosa, em camundongos\u201d, contou Oliva.<\/p>\n<p>Em um projeto coordenado pela pesquisadora Iolanda de F\u00e1tima Lopes Calvo Tib\u00e9rio, da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMUSP), a a\u00e7\u00e3o do EcTI sobre a inflama\u00e7\u00e3o pulmonar vem sendo testada com resultados animadores em modelos animais de asma e de doen\u00e7a pulmonar obstrutiva cr\u00f4nica (DPOC).<\/p>\n<p>\u201cAgora estamos estudando diversos pept\u00eddeos derivados dessa prote\u00edna para ver se eles mant\u00eam a a\u00e7\u00e3o inibidora de protease e se t\u00eam outros efeitos ainda n\u00e3o conhecidos. Um desses pept\u00eddeos mostrou em testesin vitro\u00a0a capacidade de impedir que o parasita\u00a0Trypanosoma cruzi, causador da doen\u00e7a de Chagas, invada as c\u00e9lulas do hospedeiro. Agora pretendemos testar esse efeito em animais\u201d, disse a professora da Unifesp.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, at\u00e9 o momento, o EcTI n\u00e3o apresentou nenhum efeito t\u00f3xico nos roedores, que receberam doses em torno de 4 miligramas por quilo. Mas ainda precisam ser feitos estudos toxicol\u00f3gicos mais aprofundados antes de testar a prote\u00edna em humanos.<\/p>\n<p>\u201cPara fazer estudos de toxicidade s\u00e3o necess\u00e1rias grandes quantidades da prote\u00edna, al\u00e9m de muitos recursos financeiros. Um ensaio cl\u00ednico s\u00f3 seria poss\u00edvel por meio de uma parceria com a ind\u00fastria farmac\u00eautica\u201d, disse Oliva.<\/p>\n<p>Enquanto isso n\u00e3o ocorre, o grupo estuda diversas estrat\u00e9gias de obten\u00e7\u00e3o do EcTI em larga escala e de administra\u00e7\u00e3o da mol\u00e9cula \u00e0s cobaias. \u201cPrecisamos avaliar, por exemplo, se \u00e9 mais vantajoso cultivar a planta e isolar a prote\u00edna ou produzi-la na forma recombinante (usando bact\u00e9rias ou outros microrganismos como vetores) em laborat\u00f3rio. Tamb\u00e9m estamos firmando uma parceria para que seja poss\u00edvel inserir a prote\u00edna em nanoc\u00e1psulas e testar sua administra\u00e7\u00e3o via oral ou por gavagem (diretamente no es\u00f4fago) aos roedores\u201d, contou.<\/p>\n<p>Outros inibidores<\/p>\n<p>Outros dois inibidores de proteases foram identificados pelo grupo de Oliva \u2013 durante um\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/1826\/aspectos-estruturais-e-funcionais-de-proteinases-e-inibidores-clonagem-modificacao-estrutural-inflam\" target=\"_blank\">Projeto Tem\u00e1tico<\/a>\u00a0FAPESP \u2013 em uma planta popularmente conhecida como pata-de-vaca (Bauhinia bauhinioides).<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o duas prote\u00ednas diferentes extra\u00eddas da mesma planta e batizadas de BbCI (Bauhinia bauhinoidesinibidor de cruzipa\u00edna) e BbKI (Bauhinia bauhinioides\u00a0inibidor de calicre\u00edna). Elas atuam por vias diferentes e estamos comprovando efeitos terap\u00eauticos em modelos animais de c\u00e2ncer, trombose, inflama\u00e7\u00e3o e diabetes\u201d, contou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo, de Caxambu Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Uma prote\u00edna extra\u00edda da semente de \u00e1rvores da esp\u00e9cie\u00a0Enterolobium contortisiliquum\u00a0\u2013 popularmente conhecida como tamboril ou orelha-de-macaco \u2013 demonstrou em ensaios pr\u00e9-cl\u00ednicos potente a\u00e7\u00e3o antitumoral, anti-inflamat\u00f3ria, anticoagulante e antitromb\u00f3tica. 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