{"id":46671,"date":"2013-08-28T16:24:23","date_gmt":"2013-08-28T19:24:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=46671"},"modified":"2013-08-28T16:24:23","modified_gmt":"2013-08-28T19:24:23","slug":"probiotico-reduz-inflamacao-pulmonar-em-casos-de-asma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/probiotico-reduz-inflamacao-pulmonar-em-casos-de-asma\/46671","title":{"rendered":"Probi\u00f3tico reduz inflama\u00e7\u00e3o pulmonar em casos de asma"},"content":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo, de Caxambu Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Resultados de uma pesquisa realizada na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) indicam que o consumo do probi\u00f3tico\u00a0Bifidobacterium longum\u00a0pode trazer benef\u00edcios para quem sofre de <em><strong>asma<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>Em experimentos feitos com camundongos, o tratamento com a bact\u00e9ria diminuiu a quantidade de muco no pulm\u00e3o e a presen\u00e7a de mediadores inflamat\u00f3rios t\u00edpicos de doen\u00e7a al\u00e9rgica das vias a\u00e9reas. Al\u00e9m disso, foi observada diminui\u00e7\u00e3o na hiper-reatividade br\u00f4nquica \u2013 contra\u00e7\u00e3o exagerada da musculatura lisa dos br\u00f4nquios caracter\u00edstica da asma.<\/p>\n<p>Os resultados preliminares da pesquisa, realizada com\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/57910\/efeito-dos-acidos-graxos-de-cadeia-curta-produzidos-por-bacterias-probioticas-na-profilaxia-e-tratam\" target=\"_blank\">apoio da FAPESP<\/a>, foram apresentados durante a 28\u00aa Reuni\u00e3o Anual da Federa\u00e7\u00e3o de Sociedades de Biologia experimental (FeSBE), realizada entre os dias 21 e 24 de agosto em Caxambu, Minas Gerais.<\/p>\n<p>\u201cNossa hip\u00f3tese \u00e9 que o acetato, um \u00e1cido graxo de cadeia curta produzido em grandes quantidades por bact\u00e9rias da esp\u00e9cie\u00a0B. longum\u00a0(BL), seja o respons\u00e1vel pela diminui\u00e7\u00e3o da inflama\u00e7\u00e3o al\u00e9rgica\u201d, disse Caroline Marcantonio Ferreira, pesquisadora do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da USP e coordenadora da pesquisa.<\/p>\n<p>Segundo Ferreira, s\u00e3o considerados probi\u00f3ticos os microrganismos que, quando ingeridos vivos e em quantidades adequadas, promovem benef\u00edcios \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u201cDados da literatura cient\u00edfica indicam que devem existir entre 107 e 109 unidades formadoras de col\u00f4nia por grama ou por mililitro do alimento para entrar na defini\u00e7\u00e3o de probi\u00f3tico. Em quantidades muito pequenas, os microrganismo n\u00e3o conseguem colonizar o intestino e promover benef\u00edcios\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Ferreira conta que o uso de probi\u00f3ticos tem sido recomendado desde o s\u00e9culo 19. At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, no entanto, o objetivo era apenas promover benef\u00edcios locais, como a regulariza\u00e7\u00e3o do intestino e o combate a doen\u00e7as inflamat\u00f3rias intestinais cr\u00f4nicas.<\/p>\n<p>\u201cNos \u00faltimos cinco anos, por\u00e9m, estudos come\u00e7aram a apontar efeitos ben\u00e9ficos dos probi\u00f3ticos em \u00f3rg\u00e3os distantes, como pulm\u00e3o e c\u00e9rebro. H\u00e1 trabalhos mostrando at\u00e9 que a microbiota intestinal influencia o comportamento. Mas ainda h\u00e1 muitas lacunas e essas rela\u00e7\u00f5es precisam ser mais bem estudadas. N\u00f3s estamos tentando desvendar o efeito dos probi\u00f3ticos sobre a asma\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Para a realiza\u00e7\u00e3o do experimento, os animais foram divididos em seis grupos. O primeiro, considerado controle, recebeu apenas placebo e n\u00e3o passou pelo procedimento para indu\u00e7\u00e3o da asma.<\/p>\n<p>No segundo grupo, foi induzida a asma e os animais foram tratados apenas com placebo. O terceiro grupo apenas recebeu o tratamento com o probi\u00f3tico BL. O quarto, recebeu apenas tratamento com um outro tipo de probi\u00f3tico chamado\u00a0Bifidobacterium adolescentis\u00a0(BA), que tamb\u00e9m produz acetato, mas em menor quantidade. O quinto grupo foi tratado com BL e passou pela indu\u00e7\u00e3o da asma. O sexto, foi tratado com BA e passou pela indu\u00e7\u00e3o da asma.<\/p>\n<p>\u201cA utiliza\u00e7\u00e3o de duas bact\u00e9rias probi\u00f3ticas que produzem diferentes quantidades de acetato permite avaliar a import\u00e2ncia dessa subst\u00e2ncia \u2013 e a quantidade necess\u00e1ria \u2013 para a preven\u00e7\u00e3o da asma\u201d, afirmou a pesquisadora.<\/p>\n<p>O tratamento com os dois tipos de probi\u00f3ticos teve in\u00edcio duas semanas antes do procedimento que induziu nos animais uma inflama\u00e7\u00e3o al\u00e9rgica semelhante \u00e0 da asma. As bact\u00e9rias foram administradas diretamente no es\u00f4fago dos animais por um m\u00e9todo conhecido como gavagem.<\/p>\n<p>\u201cCamundongos n\u00e3o sofrem de asma naturalmente, mas h\u00e1 v\u00e1rias formas de induzir a doen\u00e7a para criar um modelo experimental. N\u00f3s usamos o m\u00e9todo mais cl\u00e1ssico, que \u00e9 a administra\u00e7\u00e3o de uma prote\u00edna do ovo chama ovalbumina, alerg\u00eanica para os roedores\u201d, contou Ferreira.<\/p>\n<p>Em um primeiro momento, a ovalbumina foi administrada sistemicamente duas vezes em um intervalo de 7 dias, para promover a sensibiliza\u00e7\u00e3o do sistema imunol\u00f3gico. Ap\u00f3s o intervalo de 14 e 21 dias, a prote\u00edna foi novamente administrada no pulm\u00e3o. \u201cAs c\u00e9lulas de defesa, j\u00e1 sensibilizadas, agem rapidamente e desencadeiam a inflama\u00e7\u00e3o al\u00e9rgica no local\u201d, contou Ferreira.<\/p>\n<p>Durante o per\u00edodo de indu\u00e7\u00e3o da alergia, o tratamento com os probi\u00f3ticos foi mantido. No final, os pesquisadores compararam diversos marcadores inflamat\u00f3rios nos diferentes grupos.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise das vias a\u00e9reas mostrou que, no grupo controle, 90% das c\u00e9lulas eram macr\u00f3fagos. J\u00e1 nos animais asm\u00e1ticos n\u00e3o tratados, entre 60% e 70% das c\u00e9lulas presentes na amostra eram eosin\u00f3filos, consideradas marcadores da asma.<\/p>\n<p>No grupo tratado com BL, a presen\u00e7a de eosin\u00f3filos caiu pela metade, ficando entre 20% e 30%. Nos animais tratados com BA foi observada uma redu\u00e7\u00e3o menor desse marcador, que ficou entre 40% a 45%.<\/p>\n<p>Para medir a presen\u00e7a de muco, uma amostra do tecido pulmonar foi retirada para an\u00e1lise histol\u00f3gica. O grupo asm\u00e1tico tratado com BL apresentou resultados semelhantes ao do grupo controle \u2013 o que significa que o probi\u00f3tico inibiu quase totalmente a produ\u00e7\u00e3o de muco. J\u00e1 o grupo tratado com BA apresentou resultado equivalente aos asm\u00e1ticos tratados com placebo: 80% das c\u00e9lulas estavam cobertas de muco.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, no teste de fun\u00e7\u00e3o pulmonar, os pesquisadores observaram que o tratamento com BL reduziu em 35% a hiper-reatividade br\u00f4nquica. O tratamento com BA n\u00e3o alterou esse par\u00e2metro.<\/p>\n<p>Modular o sistema biol\u00f3gico<\/p>\n<p>Em um outro experimento, os animais asm\u00e1ticos foram tratados apenas com o acetato \u2013 em dois diferentes protocolos de administra\u00e7\u00e3o \u2013 e os resultados foram ainda mais promissores do que o tratamento com os probi\u00f3ticos.<\/p>\n<p>\u201cPara o primeiro grupo administramos o acetato sistemicamente, por meio de inje\u00e7\u00f5es intraperitoneais di\u00e1rias. Para o outro grupo, o acetato foi colocado na \u00e1gua. Aparentemente a administra\u00e7\u00e3o na \u00e1gua foi ainda mais eficaz. Talvez isso ocorra porque a todo momento o animal bebe o l\u00edquido e mant\u00e9m est\u00e1vel o n\u00edvel de acetato no organismo ao longo do dia. Mas precisamos repetir o experimento para poder afirmar com certeza\u201d, disse Ferreira.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese levantada pela pesquisadora \u00e9 de que o acetato atua por meio de um receptor chamado GPR43, expresso nas c\u00e9lulas dendr\u00edticas do sistema imunol\u00f3gico.<\/p>\n<p>\u201cQuando o receptor \u00e9 ativado nessa c\u00e9lulas, de alguma maneira ainda n\u00e3o muito conhecida, ocorre a inibi\u00e7\u00e3o da resposta inflamat\u00f3ria do tipo Th2 nas vias a\u00e9reas (tipo de resposta inflamat\u00f3ria al\u00e9rgica)\u201d, contou.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo, de acordo com Ferreira, \u00e9 tratar os camundongos asm\u00e1ticos com a bact\u00e9ria\u00a0B. longum\u00a0j\u00e1 morta. O objetivo \u00e9 verificar se o benef\u00edcio do probi\u00f3tico est\u00e1 de fato relacionado a uma subst\u00e2ncia produzida pelo microrganismo ou se a simples presen\u00e7a da membrana bacteriana \u00e9 capaz de modular o sistema imunol\u00f3gico.<\/p>\n<p>\u201cPara provar definitivamente que o benef\u00edcio se deve ao acetato precisar\u00edamos produzir uma bact\u00e9ria geneticamente modificada para n\u00e3o produzir essa subst\u00e2ncia. Seria um desafio muito grande\u201d, disse Ferreira.<\/p>\n<p>O contr\u00e1rio tamb\u00e9m poderia ser feito, caso fique comprovada a rela\u00e7\u00e3o entre o acetato e a diminui\u00e7\u00e3o da inflama\u00e7\u00e3o, afirmou Ferreira. \u201cPoder\u00edamos modificar geneticamente a bact\u00e9ria para faz\u00ea-la produzir ainda mais acetato, o que, em tese, tornaria o tratamento ainda mais eficaz. Esse \u00e9 o caminho dos estudos com probi\u00f3ticos. Desvendar como eles atuam e para quais doen\u00e7as podem trazer benef\u00edcios\u201d, afirmou Ferreira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo, de Caxambu Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Resultados de uma pesquisa realizada na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) indicam que o consumo do probi\u00f3tico\u00a0Bifidobacterium longum\u00a0pode trazer benef\u00edcios para quem sofre de asma. 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