{"id":46323,"date":"2013-08-18T19:58:26","date_gmt":"2013-08-18T22:58:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=46323"},"modified":"2013-08-18T19:58:26","modified_gmt":"2013-08-18T22:58:26","slug":"defasagem-na-correcao-da-tabela-do-ir-pode-chegar-a-62","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/defasagem-na-correcao-da-tabela-do-ir-pode-chegar-a-62\/46323","title":{"rendered":"Defasagem na corre\u00e7\u00e3o da tabela do IR pode chegar a 62%"},"content":{"rendered":"<p>Bras\u00edlia &#8211; A defasagem entre a tabela do Imposto de Renda (IR) e a <em><strong>infla\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em> pode chegar a 62% at\u00e9 o final de ano, segundo estimativas do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco Nacional). A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 que a diferen\u00e7a, neste momento, est\u00e1 em torno de 60%, mas a infla\u00e7\u00e3o, que ficou pr\u00f3ximo a zero em julho, dever\u00e1 voltar a subir, como j\u00e1 admitiu o ministro da Fazenda, Guido Mantega.<\/p>\n<p>O Sindifisco Nacional apoia uma campanha para mobilizar e informar a popula\u00e7\u00e3o sobre a necessidade de corre\u00e7\u00e3o da tabela. A campanha Imposto Justo foi lan\u00e7ada em maio e pretende convencer os congressistas a reduzir as injusti\u00e7as fiscais provocadas pela n\u00e3o corre\u00e7\u00e3o. Os interessados em participar devem preencher o formul\u00e1rio dispon\u00edvel no site do Sindifisco Nacional, no endere\u00e7o <a href=\"http:\/\/www.sindifisconacional.org.br\/impostojusto\" target=\"_blank\">http:\/\/www.sindifisconacional.org.br\/impostojusto<\/a>.<\/p>\n<p>Em 2013, a corre\u00e7\u00e3o da tabela, estabelecida pelo governo, ficar\u00e1 em 4,5%, que \u00e9 o centro da meta da infla\u00e7\u00e3o estabelecida pelo governo pelo \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA). Acontece que a proje\u00e7\u00e3o de analistas de institui\u00e7\u00f5es financeiras para a infla\u00e7\u00e3o medida tamb\u00e9m pelo IPCA est\u00e1 em 5,75%, segundo pesquisa do Banco Central (BC).<\/p>\n<p>\u201cEra para ser 4,5%, que \u00e9 o centro da meta estabelecida pelo governo. Mas, como a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 acima disso, estimo que em torno de 6,5% ou seis e qualquer coisa [para este ano], aquilo que era 60% ir\u00e1 para 61% a 62%\u201d, avaliou para a Ag\u00eancia Brasil \u00c1lvaro Luchiezi, gerente de Estudos T\u00e9cnicos do Sindifisco Nacional. Se isso for confirmado, os contribuintes continuar\u00e3o a pagar mais impostos, principalmente a maioria dos assalariados.<\/p>\n<p>A tabela do IR j\u00e1 vinha sendo corrigida em 4,5% desde 2007 e a previs\u00e3o era acabar com a utiliza\u00e7\u00e3o desse \u00edndice em 2010. No in\u00edcio de 2011, no entanto, por meio da Medida Provis\u00f3ria 528, o governo resolveu aplicar o mesmo percentual at\u00e9 2014.<\/p>\n<p>De acordo com o Secret\u00e1rio da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto, no momento, esse \u00e9 o percentual que est\u00e1 valendo e n\u00e3o existe previs\u00e3o de mudan\u00e7a. \u201cA tabela j\u00e1 est\u00e1 corrigida para o pr\u00f3ximo ano. No momento, n\u00e3o temos nenhum estudo para isso [corre\u00e7\u00e3o da tabela]. Fica nos 4,5%, como previsto. Por enquanto, n\u00e3o temos nenhuma demanda sobre simula\u00e7\u00f5es, nem pr\u00f3pria nem de outros setores, disse \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>A proposta do Sindifisco Nacional \u00e9 que a corre\u00e7\u00e3o da tabela do IR seja atrelada \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o de renda do trabalhador. Entraria no c\u00e1lculo, por exemplo, o rendimento m\u00e9dio mensal das pessoas com dez anos de idade ou mais, obtido pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad), por exemplo.<br \/>\n\u201cO objetivo \u00e9 entrar com um projeto de lei, assinado por alguns parlamentares, que trate da corre\u00e7\u00e3o gradativa da tabela do Imposto de Renda. Como \u00e9 um \u00edndice oficial do IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica], n\u00f3s pretendemos incluir na f\u00f3rmula oficial de corre\u00e7\u00e3o da tabela\u201d, defendeu o presidente do Sindifisco Nacional, Pedro Delarue.<\/p>\n<p>Segundo ele, como a tabela trata de Imposto de Renda, n\u00e3o se deve deix\u00e1-la atrelada a qualquer \u00edndice inflacion\u00e1rio, mas sim ao rendimento m\u00e9dio do trabalhador assalariado. \u201cAl\u00e9m disso, na proposta est\u00e3o inclu\u00eddas algumas dedu\u00e7\u00f5es, como por exemplo, alugu\u00e9is e juros da casa pr\u00f3pria\u201d.<\/p>\n<p>Para dimensionar o preju\u00edzo dos assalariados com a n\u00e3o corre\u00e7\u00e3o da tabela, o presidente do Sindifisco Nacional explicou que o contribuinte que, em 1996, ganhava nove sal\u00e1rios m\u00ednimos, era isento do Imposto de Renda. Agora, informou, quem ganha 2,5 sal\u00e1rios \u00e9 obrigado a pagar. A explica\u00e7\u00e3o \u00e9 que a n\u00e3o corre\u00e7\u00e3o da tabela fez com que v\u00e1rias pessoas que estavam isentas, por causa da renda baixa, fossem paulatinamente ingressando na condi\u00e7\u00e3o de contribuinte.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o pessoas que efetivamente n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4mica para pagar o imposto de renda. A n\u00e3o corre\u00e7\u00e3o faz com que as pessoas paguem mais do que deveriam pagar, principalmente os trabalhadores\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>Em contrapartida, Delarue defende o fim da isen\u00e7\u00e3o da cobran\u00e7a de Impostos de Renda na distribui\u00e7\u00e3o de lucros e dividendos para pessoas jur\u00eddicas. \u201c\u00c9 uma quest\u00e3o de justi\u00e7a fiscal e n\u00f3s defendemos que seja um rendimento tributado\u201d, destacou para a Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>Ele lembra que essa tributa\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria uma coisa indiscriminada. O peso maior do imposto seria para quem ganha acima de R$ 240 mil por ano, preservando os pequenos e m\u00e9dios empres\u00e1rios, mas incidindo mais nos grandes, \u201cque hoje, praticamento, n\u00e3o pagam nada\u201d.<\/p>\n<p>Leonor Maria da Silva, funcion\u00e1ria p\u00fablica federal, disse que o governo deveria ser mais \u201cmale\u00e1vel\u201d com os contribuintes. \u201cPara ter algum desconto, tem que ter gastos com sa\u00fade e \u00e9 o que a gente menos quer, que \u00e9 ter que gastar justamente com sa\u00fade para ter direito a dedu\u00e7\u00f5es. Caso contr\u00e1rio, na hora de declarar, l\u00e1 vem a bordoada\u201d, reclamou.<\/p>\n<p>Alberto N\u00f3brega, assessor parlamentar da C\u00e2mara dos Deputados, acha que chegou a hora de o governo encontrar uma alternativa melhor para n\u00e3o pesar tanto no bolso do cidad\u00e3o. Ele destacou que o trabalhador, no final das contas, \u00e9 quem leva a pior. J\u00e1 El\u00edsia Correia Lima, empregada de empresa p\u00fablica, acha que a tabela deveria, no m\u00ednimo, acompanhar a infla\u00e7\u00e3o, porque a defasagem corr\u00f3i os ganhos dos assalariados. \u201cDo jeito que est\u00e1 \u00e9 um preju\u00edzo para n\u00f3s. N\u00e3o \u00e9 justo\u201d.<\/p>\n<p>Daniel Lima<br \/>\nRep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Davi Oliveira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bras\u00edlia &#8211; A defasagem entre a tabela do Imposto de Renda (IR) e a infla\u00e7\u00e3o pode chegar a 62% at\u00e9 o final de ano, segundo estimativas do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco Nacional). 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