{"id":46280,"date":"2013-08-16T22:45:52","date_gmt":"2013-08-17T01:45:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=46280"},"modified":"2013-08-16T22:45:52","modified_gmt":"2013-08-17T01:45:52","slug":"primeiro-prototipo-brasileiro-de-coracao-artificial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/primeiro-prototipo-brasileiro-de-coracao-artificial\/46280","title":{"rendered":"Primeiro prot\u00f3tipo brasileiro de cora\u00e7\u00e3o artificial"},"content":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia desenvolveram o primeiro <em><strong>prot\u00f3tipo brasileiro de cora\u00e7\u00e3o artificial<\/strong><\/em> totalmente implant\u00e1vel. O dispositivo \u00e9 indicado para pacientes com insufici\u00eancia card\u00edaca, problema que afeta cerca de 6,5 milh\u00f5es de pessoas no pa\u00eds e mata\u00a0em torno de\u00a025 mil todos os anos \u2013 segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).<\/p>\n<p>O objetivo do equipamento, que ainda n\u00e3o foi testado em humanos, n\u00e3o \u00e9 substituir o cora\u00e7\u00e3o e sim auxili\u00e1-lo no bombeamento de sangue enquanto o paciente aguarda um \u00f3rg\u00e3o para transplante. Os primeiros experimentos realizados com bezerros apresentaram bons resultados.<\/p>\n<p>\u201cEm pa\u00edses desenvolvidos j\u00e1 existem modelos de cora\u00e7\u00e3o artificial totalmente implant\u00e1veis, mas o custo de importa\u00e7\u00e3o \u00e9 elevado \u2013 mais de R$ 200 mil \u2013 e poucos t\u00eam acesso. Nossa ideia \u00e9 desenvolver uma vers\u00e3o nacional que custe em torno de R$10 mil\u201d, contou Jos\u00e9 Roberto Cardoso, diretor da Escola Polit\u00e9cnica (Poli) da USP e coordenador da pesquisa\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/1942\/sistemas-propulsores-eletromagneticos-implantaveis-para-dispositivos-de-assistencia-circulatoria-san\" target=\"_blank\">financiada pela FAPESP<\/a>.<\/p>\n<p>Segundo Cardoso, h\u00e1 outros modelos de cora\u00e7\u00e3o artificial desenvolvidos no Brasil, no Instituto do Cora\u00e7\u00e3o (Incor) da USP e at\u00e9 mesmo no pr\u00f3prio Dante Pazzanese. Mas s\u00e3o todos equipamentos extracorp\u00f3reos. Nesses casos, tubos saem do corpo do paciente e ficam ligados a uma maleta, onde est\u00e1 a bomba e a bateria.<\/p>\n<p>\u201cO paciente precisa carregar essa maleta para todo lado e o equipamento fica em contato com o ambiente. Al\u00e9m do inc\u00f4modo, o grande problema \u00e9 o risco de infec\u00e7\u00e3o\u201d, disse Cardoso.<\/p>\n<p>O novo prot\u00f3tipo implant\u00e1vel come\u00e7ou a ser desenvolvido em 2006. A bomba foi feita no Departamento de Engenharia Mecatr\u00f4nica da Poli e os motores el\u00e9tricos e circuitos que controlam seu funcionamento foram criados no Laborat\u00f3rio de Eletromagnetismo Aplicado, coordenado por Cardoso. A parte m\u00e9dica e os ensaios com animais ficaram sob a responsabilidade da equipe do Dante Pazzanese, instituto vinculado \u00e0 Secretaria de Estado da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u201cA maioria dos modelos existentes no exterior usa bombas do tipo axial, em que o sangue entra por um lado de um tubo e sai pelo outro. N\u00f3s optamos por uma bomba do tipo radial, em que o sangue entra pelo centro do cilindro e sai pela lateral\u201d, contou Cardoso.<\/p>\n<p>A vantagem, segundo o pesquisador, \u00e9 que a bomba radial funciona com uma rota\u00e7\u00e3o menor. Al\u00e9m de diminuir o ru\u00eddo \u2013 algo importante a se considerar em um dispositivo que fica dentro do corpo \u2013, a agress\u00e3o ao sangue durante o bombeamento tamb\u00e9m \u00e9 menor.<\/p>\n<p>Dois tipos de problemas s\u00e3o mais preocupantes quando o sangue \u00e9 pressionado de forma exagerada: a libera\u00e7\u00e3o excessiva de hemoglobina pelos gl\u00f3bulos vermelhos \u2013 o que poderia intoxicar os rins e o f\u00edgado \u2013 e a ativa\u00e7\u00e3o das plaquetas, elevando o risco de trombose.<\/p>\n<p>Por esse motivo, um dos grandes desafios dos pesquisadores \u00e9 prever o comportamento do sangue em fun\u00e7\u00e3o da press\u00e3o da bomba, explicou Cardoso.<\/p>\n<p>\u201cO sangue \u00e9 um fluido muito dif\u00edcil de modelar, pois \u00e9 composto de partes l\u00edquidas e s\u00f3lidas e, quando voc\u00ea pressiona, ele diminui de volume. \u00c9 diferente da \u00e1gua, que sempre mant\u00e9m o volume constante. Fazemos simula\u00e7\u00f5es por meio de ferramentas computacionais e experi\u00eancias em bancada para verificar se a distribui\u00e7\u00e3o est\u00e1 ocorrendo na velocidade prevista e se n\u00e3o h\u00e1 pontos de estrangulamento\u201d, explicou Cardoso.<\/p>\n<p>Como funciona<\/p>\n<p>A bomba foi idealizada para ser implantada em um cavidade pr\u00f3xima ao cora\u00e7\u00e3o. Tem formato de cone e o tamanho aproximado de uma laranja. Os pesquisadores pretendem aperfei\u00e7oar o dispositivo e torn\u00e1-lo ainda menor.<\/p>\n<p>A equipe contou com a consultoria do cardiologista Adib Jatene, diretor do Hospital do Cora\u00e7\u00e3o,\u00a0na\u00a0defini\u00e7\u00e3o da forma ideal da bomba e o local mais adequado para implant\u00e1-la.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m fazem parte do dispositivo uma caixa, que abriga o circuito eletr\u00f4nico e fica perto da bomba, e uma bobina, que fica pr\u00f3xima \u00e0 pele e serve para recarregar o aparelho.<\/p>\n<p>\u201cOutro grande desafio para fazer um dispositivo implant\u00e1vel \u00e9 encontrar uma boa maneira de carreg\u00e1-lo. N\u00f3s desenvolvemos um m\u00e9todo que funciona por indu\u00e7\u00e3o, ou seja, uma bobina \u00e9 colocada em cima da pele e fazemos passar um corrente por ela. Isso produz um campo magn\u00e9tico que induz a corrente para a bobina interna e carrega a bateria\u201d, explicou Cardoso.<\/p>\n<p>Os cientistas estimam que a bateria teria de ser carregada diariamente, mas o processo levaria apenas 40 minutos aproximadamente. O paciente levaria consigo um carregador pequeno, ligaria em uma tomada e colocaria a bobina embaixo da camisa.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo mostrou bons resultados nos testes feitos em laborat\u00f3rio, em que os cientistas usaram uma camada de \u00e1gua para simular as caracter\u00edsticas da pele. Mas Cardoso alerta que novos experimentos precisam ser realizados\u00a0in vivo\u00a0para ter certeza de que a corrente el\u00e9trica usada n\u00e3o vai lesionar os tecidos.<\/p>\n<p>J\u00e1 o funcionamento da bomba foi avaliado em testes com bezerros, contou o pesquisador. \u201cMas, at\u00e9 o momento, deixamos o equipamento do lado de fora do corpo dos animais para poder avaliar se o volume de sangue bombeado estava adequado e se a press\u00e3o estava correta. Agora vamos fazer novos experimentos com o equipamento implantado e precisaremos deixar alguns fios de fora para fazer as medi\u00e7\u00f5es\u201d, disse.<\/p>\n<p>Nesta segunda etapa da pesquisa que se inicia, contou Cardoso, a meta \u00e9 transformar o prot\u00f3tipo em um produto capaz de competir com os modelos existentes no exterior.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m do funcionamento, precisamos avaliar outros par\u00e2metros, como aquecimento, ru\u00eddo e ajustar o circuito impresso para reduzir ainda mais o tamanho. Existe uma s\u00e9rie de problemas de natureza mec\u00e2nica e el\u00e9trica que ainda precisam ser estudados para se chegar ao tamanho m\u00ednimo\u201d, disse Cardoso.<\/p>\n<p>Os experimentos feitos at\u00e9 o momento j\u00e1 deram origem a cerca de 50 artigos publicados em revistas cient\u00edficas e apresentados em congressos. Entre os principais destacam-se:<\/p>\n<p>Implantable Centrifugal Blood Pump With Dual Impeller and Double Pivot Bearing System: Electromechanical Actuator, Prototyping, and Anatomical Studies (doi: 10.1111\/j.1525-1594.2011.01260.x). Pode ser lido em\u00a0<a href=\"http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/j.1525-1594.2011.01260.x\/abstract;jsessionid=44D65CAF0028C0E2546814DE6BEB6A30.d02t04\" target=\"_blank\">onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/j.1525-1594.2011.01260.x\/abstract;jsessionid=44D65CAF0028C0E2546814DE6BEB6A30.d02t04.<\/a><\/p>\n<p>Specification of Supervisory Control Systems for Ventricular Assist Devices (doi: 10.1111\/j.1525-1594.2011.01267.x). Pode ser lido em\u00a0<a href=\"http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/j.1525-1594.2011.01267.x\/abstract\" target=\"_blank\">onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/j.1525-1594.2011.01267.x\/abstract.<\/a><\/p>\n<p>Single Axis Controlled Hybrid Magnetic Bearing for Left Ventricular Assist Device: Hybrid Core and Closed Magnetic Circuit (doi: 10.1111\/j.1525-1594.2011.01265.x). Pode ser lido em<a href=\"http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/j.1525-1594.2011.01265.x\/abstract\" target=\"_blank\">onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/j.1525-1594.2011.01265.x\/abstract.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia desenvolveram o primeiro prot\u00f3tipo brasileiro de cora\u00e7\u00e3o artificial totalmente implant\u00e1vel. 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