{"id":45798,"date":"2013-08-04T17:46:33","date_gmt":"2013-08-04T20:46:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=45798"},"modified":"2013-08-04T17:46:33","modified_gmt":"2013-08-04T20:46:33","slug":"pnud-comprova-diferenca-de-desenvolvimento-entre-sul-norte-e-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/pnud-comprova-diferenca-de-desenvolvimento-entre-sul-norte-e-nordeste\/45798","title":{"rendered":"Pnud comprova diferen\u00e7a de desenvolvimento entre Sul, Norte e Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Bras\u00edlia &#8211; A diferen\u00e7a de desenvolvimento entre os estados do Centro-Sul, Norte e Nordeste do Brasil ficou evidente com a divulga\u00e7\u00e3o do Atlas do Desenvolvimento Humano Brasil 2013, lan\u00e7ado esta semana pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O <em><strong>ranking estadual<\/strong> <\/em>pode ser dividido em duas partes. As unidades federativas localizadas na metade de baixo do mapa ocupam as primeiras 11 posi\u00e7\u00f5es. O primeiro representante do Norte do pa\u00eds \u00e9 o Amap\u00e1, em 12\u00ba lugar. O Rio Grande do Norte, melhor estado nordestino, s\u00f3 aparece na 16\u00aa posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O estado de Alagoas \u00e9 o \u00faltimo colocado. O Maranh\u00e3o aparece em 26\u00ba lugar e o Par\u00e1, em 25\u00ba. Apenas a capital Macei\u00f3 tem o \u00cdndice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) considerado alto entre as cidades do estado e, mesmo assim, aparece atr\u00e1s de 1,2 mil munic\u00edpios na lista. Os \u00edndices de renda dos 5.565 munic\u00edpios avaliados mostram 14 cidades do Maranh\u00e3o entre as 20 \u00faltimas colocadas. O IDHM \u00e9 o resultado da an\u00e1lise de mais de 180 indicadores socioecon\u00f4micos dos censos do IBGE de 1991, 2000 e 2010.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio de Desenvolvimento Social e Agricultura Familiar do Maranh\u00e3o, Fernando Fialho, reconhece os desafios que o estado precisa enfrentar para melhorar os \u00edndices, mas prev\u00ea melhorias a partir de programas j\u00e1 em execu\u00e7\u00e3o. \u201cTemos muitos desafios pela frente. O Maranh\u00e3o tem uma ocupa\u00e7\u00e3o muito esparsa, e isso dificulta o acesso \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas. Isso est\u00e1 inclu\u00eddo no planejamento do governo, inclusive fazer a interliga\u00e7\u00e3o por asfalto de todos os munic\u00edpios\u201d, explicou. Ele destacou que o estado tem trabalhado em projetos de interioriza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria, para levar desenvolvimento a todos os munic\u00edpios de maneira igual.<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise do secret\u00e1rio, o Maranh\u00e3o e os demais estados do Norte e Nordeste sofreram com uma esp\u00e9cie de \u201cexclus\u00e3o\u201d, que priorizou o desenvolvimento das regi\u00f5es Sul e Sudeste e promoveu o atraso mostrado no estudo. \u201cO desenvolvimento econ\u00f4mico no Brasil come\u00e7ou excludente. O Nordeste sempre teve um coeficiente muito baixo de investimentos p\u00fablicos transformadores. Mas, ao longo dos \u00faltimos anos, isso foi melhorando\u201d. O secret\u00e1rio de Planejamento e do Desenvolvimento Econ\u00f4mico de Alagoas, Luiz Ot\u00e1vio Gomes, concorda com Fialho. Para ele, o d\u00e9ficit \u00e9 hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>\u201cIsso ocorre ao longo do tempo. No Sul e no Sudeste h\u00e1 mais desenvolvimento porque as pol\u00edticas do pa\u00eds s\u00e3o mais concentradas nessas regi\u00f5es. Onde est\u00e3o as ind\u00fastrias de grande porte e os maiores investimentos do nosso pa\u00eds? No Sul e sudeste\u201d, destaca. Segundo ele, h\u00e1 a necessidade de uma pol\u00edtica de desenvolvimento regional para o Nordeste brasileiro. Mas, apesar de Alagoas ocupar a \u00faltima coloca\u00e7\u00e3o no ranking, ele ressalta a melhora do \u00edndice, de baixo para m\u00e9dio. Segundo ele, mudan\u00e7as devem ser vistas no estado nos pr\u00f3ximos anos, com investimentos em sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a e inclus\u00e3o produtiva.<\/p>\n<p>Para o professor de ci\u00eancia pol\u00edtica da Universidade Federal de Alagoas Ranulfo Paranhos, o quadro apresentado no estudo se deve a problemas hist\u00f3ricos de gest\u00e3o. \u201cO indiv\u00edduo respons\u00e1vel pela pol\u00edtica p\u00fablica n\u00e3o est\u00e1 tomando a decis\u00e3o correta. E n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 os governadores. Existem as assembleias legislativas e prefeitos, pessoas que devem propor solu\u00e7\u00f5es para os problemas de economia, educa\u00e7\u00e3o, emprego e renda\u201d. Segundo ele, esses problemas se relacionam, uma vez que n\u00e3o seria poss\u00edvel estimular o mercado de trabalho e propor melhores sal\u00e1rio em localidades onde a escolaridade \u00e9 muito baixa e n\u00e3o h\u00e1 qualifica\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n<p>Paranhos ainda destaca diferen\u00e7as entre as formas de fazer pol\u00edtica no Sul e no Norte do pa\u00eds. Segundo ele, as caracter\u00edsticas influenciam diretamente os n\u00fameros apresentados pelo Pnud. \u201cEm geral, estados do Norte e Nordeste t\u00eam uma elite pol\u00edtica que n\u00e3o circula, n\u00e3o abre espa\u00e7o para inova\u00e7\u00e3o. Essas elites, normalmente familiares, se perpetuam muito mais que as do Sul e Sudeste e n\u00e3o t\u00eam uma oposi\u00e7\u00e3o forte. E se essas elites n\u00e3o apresentaram solu\u00e7\u00e3o para os problemas de suas regi\u00f5es nos \u00faltimos cinco, dez anos; n\u00e3o v\u00e3o faz\u00ea-lo nos pr\u00f3ximos 20 anos.\u201d<\/p>\n<p>O doutor em hist\u00f3ria social e professor da Universidade Federal do Par\u00e1 (Ufpa) Agenor Sarraf tamb\u00e9m v\u00ea preju\u00edzos na cultura pol\u00edtica da regi\u00e3o. \u201cVai chegar ao poder, muitas vezes, uma pessoa que j\u00e1 est\u00e1 comprometida com seu grupo, com uma certa elite. E a\u00ed o governo n\u00e3o \u00e9 para todos, \u00e9 para poucos\u201d. Ele critica a falta de di\u00e1logo dos gestores com as caracter\u00edsticas espec\u00edficas de determinadas regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cNo munic\u00edpio de Melga\u00e7o, por exemplo, 78% dos 24 mil habitantes est\u00e3o em um grande espa\u00e7o rural, n\u00e3o moram [de forma] concentrada. Se n\u00e3o houver uma oportunidade de melhoria de vida, essas fam\u00edlias n\u00e3o sair\u00e3o dessas localidades. Esse modelo de pol\u00edtica p\u00fablica nacional \u00e9 europeu, urbanoc\u00eantrico e n\u00e3o leva em conta a diversidade, a especificidade cultural\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Marcelo Brand\u00e3o<br \/>\nRep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Talita Cavalcante<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bras\u00edlia &#8211; A diferen\u00e7a de desenvolvimento entre os estados do Centro-Sul, Norte e Nordeste do Brasil ficou evidente com a divulga\u00e7\u00e3o do Atlas do Desenvolvimento Humano Brasil 2013, lan\u00e7ado esta semana pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O ranking estadual pode ser dividido em duas partes. 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