{"id":45683,"date":"2013-07-30T14:51:40","date_gmt":"2013-07-30T17:51:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=45683"},"modified":"2013-07-30T14:51:40","modified_gmt":"2013-07-30T17:51:40","slug":"quando-as-manias-se-tornam-um-problema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/quando-as-manias-se-tornam-um-problema\/45683","title":{"rendered":"Quando as manias se tornam um problema"},"content":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Rituais fazem parte da rotina de qualquer crian\u00e7a pequena. Muitas fazem quest\u00e3o de ouvir sua hist\u00f3ria favorita antes de dormir, ou de dar boa noite para seus bichinhos de pel\u00facia e bonecas. Outras t\u00eam mania de contar \u00e1rvores quando passeiam de carro ou evitam pisar nas divis\u00f5es da cal\u00e7ada enquanto caminham. Mas, quando esses comportamentos t\u00edpicos da inf\u00e2ncia se tornam muito frequentes e come\u00e7am a interferir na rotina ou a causar sofrimento, eles podem ser sintomas do <strong><em>transtorno obsessivo-compulsivo<\/em><\/strong> (<strong><em>TOC<\/em><\/strong>).<\/p>\n<p>Os casos em que a doen\u00e7a se manifesta antes dos 10 anos s\u00e3o classificados pelos especialistas como TOC de in\u00edcio precoce. Acreditava-se que, quanto mais cedo os sintomas aparecessem, pior seria a evolu\u00e7\u00e3o do quadro, mas estudos recentes indicam que n\u00e3o \u00e9 a idade de in\u00edcio o fator determinante para um mau progn\u00f3stico e sim o tempo que o paciente permanece sem tratamento.<\/p>\n<p>O tema foi abordado por Maria Concei\u00e7\u00e3o do Ros\u00e1rio, professora da Unidade de Psiquiatria da Inf\u00e2ncia e Adolesc\u00eancia (UPIA) da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), durante o World Congress on Brain, Behavior and Emotions, realizado no fim de junho, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Ros\u00e1rio cursou doutorado em Psiquiatria na Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMUSP), com\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/97581\/estudo-genetico-familiar-de-criancas-e-adolescentes-com-transtorno-obssessivo-compulsivo-toc\/-com-transtornos-de-aprendizagem\" target=\"_blank\">bolsa da FAPESP<\/a>. Em seguida, fez p\u00f3s-doutorado na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, como bolsista da Obsessive Compulsive Foundation e da Tourette Syndrome Association.<\/p>\n<p>Em parceria com o professor Marcos Mercadante, Ros\u00e1rio fundou a UPIA, que hoje atende aproximadamente 500 crian\u00e7as por m\u00eas. Foi coordenadora da unidade entre 2009 e 2010 e, atualmente, lidera os Ambulat\u00f3rios de Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e Transtorno de D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o e Hiperatividade (TDAH).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 membro do Cons\u00f3rcio Brasileiro de Pesquisa em Transtornos do Espectro Obsessivo-Compulsivo (CTOC) \u2013 que re\u00fane quase 70 colaboradores de sete institui\u00e7\u00f5es em cinco estados brasileiros: S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul e Pernambuco \u2013 e do Cons\u00f3rcio Internacional de Gen\u00e9tica do TOC.<\/p>\n<p>Colabora em pesquisas vinculadas ao Instituto Nacional de Psiquiatria do Desenvolvimento (INPD), um dos Institutos Nacionais de Ci\u00eancia e Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (INCTs) apoiados pela FAPESP.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP, Ros\u00e1rio falou sobre a import\u00e2ncia de diagnosticar e tratar precocemente crian\u00e7as com TOC.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Crian\u00e7as pequenas tendem a gostar de repeti\u00e7\u00f5es e rituais. Quando isso deixa de ser normal?<br \/>\nMaria Concei\u00e7\u00e3o do Ros\u00e1rio\u00a0\u2013 Existem fases do desenvolvimento em que os rituais costumam ficar mais intensos e frequentes, como entre 2 e 5 anos de idade, durante a adolesc\u00eancia e no per\u00edodo pr\u00e9-natal \u2013 um m\u00eas antes de dar \u00e0 luz e nos tr\u00eas meses seguintes ao parto para mulheres e homens que se tornam pais. S\u00e3o per\u00edodos de transi\u00e7\u00e3o na vida e os rituais ajudam a organizar a rotina e a deixar o indiv\u00edduo menos ansioso. No caso de crian\u00e7as pequenas, os rituais costumam surgir na hora de comer, de dormir ou de tomar banho. Uma parte das pessoas pode manifestar sintomas obsessivo-compulsivos nessas fases, mas depois eles desaparecem. No entanto, isso pode significar que h\u00e1 uma predisposi\u00e7\u00e3o. Esses s\u00e3o per\u00edodos de maior vulnerabilidade e, se o indiv\u00edduo passar por uma situa\u00e7\u00e3o traum\u00e1tica ou estressante nessa fase, pode desenvolver a doen\u00e7a. Mas h\u00e1 uma diferen\u00e7a entre ter sintomas obsessivo-compulsivos e ter TOC. Essa diferencia\u00e7\u00e3o \u00e9 feita com base em tr\u00eas fatores: o tempo que a pessoa gasta com os rituais e pensamentos obsessivos, a interfer\u00eancia que eles causam em sua rotina e o inc\u00f4modo que eles provocam. Se a crian\u00e7a come\u00e7a a se atrasar para atividades, deixa de brincar por medo de se sujar ou porque acha que aquilo vai dar azar, ou n\u00e3o consegue dormir se a m\u00e3e n\u00e3o contar a mesma hist\u00f3ria v\u00e1rias vezes do mesmo jeito e fica transtornada com a situa\u00e7\u00e3o, pode ser um sinal de alerta. Mas quando n\u00e3o s\u00e3o muito frequentes, nem muito intensos, os sintomas obsessivo-compulsivos podem ser organizadores e auxiliar no desenvolvimento.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 At\u00e9 quanto tempo por dia a manifesta\u00e7\u00e3o dos sintomas seria considerada normal?<br \/>\nRos\u00e1rio\u00a0\u2013 Em geral, at\u00e9 uma hora por dia \u2013 somando todos os rituais e pensamentos obsessivos. No entanto, isso pode variar. Em alguns casos, por exemplo, pode durar apenas 40 minutos e causar um grande inc\u00f4modo ou interferir muito na rotina. Isso j\u00e1 nos permite fechar o diagn\u00f3stico. \u00c9 preciso considerar em que momentos do dia eles est\u00e3o aparecendo, se existe um fator desencadeante e o que acontece quando a pessoa tem esses pensamentos. Ela fica mais tranquila ao fazer o ritual ou mais ansiosa? Fica muito incomodada? S\u00e3o par\u00e2metros muitas vezes dif\u00edceis de avaliar. Na d\u00favida, os pais devem levar a crian\u00e7a para uma avalia\u00e7\u00e3o. Importante ressaltar que avaliar n\u00e3o significa tratar as crian\u00e7as. H\u00e1 casos em que apenas uma orienta\u00e7\u00e3o e readequa\u00e7\u00e3o da rotina j\u00e1 resolvem. A demora para diagnosticar e tratar, por outro lado, pode piorar a evolu\u00e7\u00e3o do quadro.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Por qu\u00ea?<br \/>\nRos\u00e1rio\u00a0\u2013 Estudos anteriores diziam que o TOC de in\u00edcio precoce \u2013 antes dos 10 anos \u2013 era mais grave e tinha pior evolu\u00e7\u00e3o do que os casos em que os sintomas come\u00e7avam na idade adulta. Mas estamos descobrindo que n\u00e3o \u00e9 a idade em que a doen\u00e7a se manifesta que faz a diferen\u00e7a e sim o tempo que a pessoa fica sem tratamento. Isso \u00e9 o mais determinante. H\u00e1 estudos de neuroimagem que mostram ocorrer uma altera\u00e7\u00e3o na neurotransmiss\u00e3o ap\u00f3s o tratamento \u2013 tanto com medicamentos como com terapia comportamental. Uma das hip\u00f3teses \u00e9 que, quanto antes for regularizada a neurotransmiss\u00e3o no c\u00e9rebro, menos o desenvolvimento ser\u00e1 comprometido. A segunda hip\u00f3tese prop\u00f5e que, quanto mais tempo a crian\u00e7a passa com sintomas obsessivo-compulsivos sem tratamento adequado, maior o risco de comprometimento da escolaridade, da sociabilidade, da autoestima e da maneira como ela se relaciona com os pais, com o mundo e consigo mesma. Quanto mais tempo ela passar com todas essas viv\u00eancias, mais dif\u00edcil ser\u00e1 ter uma vida normal. Uma terceira hip\u00f3tese para a pior evolu\u00e7\u00e3o em pacientes com in\u00edcio precoce \u00e9 a ocorr\u00eancia de comorbidades. Quanto mais tempo sem tratamento, maior o risco de o paciente desenvolver transtornos associados, como depress\u00e3o fobia social, ansiedade generalizada, depend\u00eancias qu\u00edmicas, entre outros. Esse \u00e9 um dos principais fatores de pior resposta ao tratamento.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Quais s\u00e3o os transtornos associados mais frequentes?<br \/>\nRos\u00e1rio\u00a0\u2013 Quanto mais jovem for a crian\u00e7a, maior o risco de sofrer tamb\u00e9m de transtorno de d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o e hiperatividade (TDAH), tiques e outros transtornos de ansiedade. Na idade adulta, a depress\u00e3o \u00e9 o mais frequente, chegando a atingir at\u00e9 80% dos pacientes, segundo alguns estudos.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Existe uma idade m\u00ednima para se fechar o diagn\u00f3stico de TOC?<br \/>\nRos\u00e1rio\u00a0\u2013 N\u00e3o. No caso de transtornos do espectro autista, por exemplo, costuma-se esperar at\u00e9 os 3 anos para fechar o diagn\u00f3stico. J\u00e1 para fazer o diagn\u00f3stico de TDAH, \u00e9 preciso que os sintomas apare\u00e7am at\u00e9 os 12 anos. No caso do TOC n\u00e3o existe um par\u00e2metro de idade. A doen\u00e7a pode se manifestar em qualquer faixa et\u00e1ria. O que precisa ficar claro \u00e9 que TOC abrange quadros muito heterog\u00eaneos. Para tentar reduzir essa heterogeneidade e facilitar as pesquisas e o atendimento cl\u00ednico, tentamos determinar poss\u00edveis subgrupos. Um desses subgrupos \u00e9 o TOC de in\u00edcio precoce. \u00c9 um quadro bem diferente daquele que surge apenas na idade adulta. A evolu\u00e7\u00e3o do quadro vai depender do tipo de sintomas, do perfil da fam\u00edlia, do tipo de tratamento a que a crian\u00e7a tem acesso. Mas, se n\u00e3o for tratado, certamente acabar\u00e1 se tornando um quadro mais grave. Outro fator preditivo de pior progn\u00f3stico \u00e9 a gravidade dos sintomas logo que eles aparecem. Quanto mais intensos forem no in\u00edcio do quadro, pior \u00e9 o progn\u00f3stico.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Qual \u00e9 a causa da doen\u00e7a?<br \/>\nRos\u00e1rio\u00a0\u2013 H\u00e1 uma intera\u00e7\u00e3o de fatores, gen\u00e9ticos, ambientais e neurobiol\u00f3gicos. Mas, independentemente da etiologia, a consequ\u00eancia \u00e9 uma altera\u00e7\u00e3o funcional no c\u00e9rebro. Atualmente, a hip\u00f3tese mais aceita \u00e9 que ocorram altera\u00e7\u00f5es da neurotransmiss\u00e3o nos circuitos c\u00f3rtico-estriato-t\u00e1lamo-corticais. Todos os estudos indicam que esses circuitos est\u00e3o comprometidos de alguma maneira. Mas n\u00e3o se trata de uma les\u00e3o, como no caso de um tumor ou um cisto. \u00c9 uma mudan\u00e7a no funcionamento.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Quais s\u00e3o os fatores de risco para o desenvolvimento de TOC?<br \/>\nRos\u00e1rio\u00a0\u2013 O fato de a crian\u00e7a ter pais com sintomas obsessivo-compulsivos ou com tiques \u00e9 um fator de risco, pois sabemos que h\u00e1 uma predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica e h\u00e1 uma associa\u00e7\u00e3o de TOC com a s\u00edndrome de Tourette (transtorno neuropsiqui\u00e1trico caracterizado por tiques, espasmos ou vocaliza\u00e7\u00f5es que ocorrem repetidamente da mesma maneira com consider\u00e1vel frequ\u00eancia). Situa\u00e7\u00f5es estressantes vivenciadas pela crian\u00e7a tamb\u00e9m s\u00e3o fatores de risco. Uma situa\u00e7\u00e3o traum\u00e1tica pode desencadear a doen\u00e7a, mas n\u00e3o necessariamente precisa ser algo tr\u00e1gico. Pode, por exemplo, ser apenas a mudan\u00e7a para longe de uma pessoa com quem a crian\u00e7a tinha forte v\u00ednculo, como um irm\u00e3o que casou. Em adolescentes e adultos h\u00e1 alguns poucos estudos que falam sobre o uso de drogas. E a exposi\u00e7\u00e3o a toxinas como chumbo, cigarro e \u00e1lcool durante a gesta\u00e7\u00e3o \u00e9 fator de risco para qualquer patologia psiqui\u00e1trica.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Como \u00e9 feito o diagn\u00f3stico?<br \/>\nRos\u00e1rio\u00a0\u2013 O diagn\u00f3stico \u00e9 fundamentalmente cl\u00ednico. Por enquanto, n\u00e3o h\u00e1 exames que detectem o TOC. Existem algumas escalas e instrumentos de avalia\u00e7\u00e3o para monitorar a presen\u00e7a e a gravidade dos sintomas. Mas servem mais para monitorar sua evolu\u00e7\u00e3o durante o tratamento e n\u00e3o para fazer o diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Existem comportamentos repetitivos t\u00edpicos da doen\u00e7a que ajudam no diagn\u00f3stico?<br \/>\nRos\u00e1rio\u00a0\u2013 Em geral, os mais frequentes s\u00e3o medo de contamina\u00e7\u00e3o e mania de limpeza, mania de arruma\u00e7\u00e3o e necessidade de que tudo esteja em ordem sim\u00e9trica, pensamentos de agress\u00e3o, medo de que possa ferir algu\u00e9m ou ser ferido, medo de que algo ruim possa acontecer. Mas, na verdade, os pacientes com TOC podem ter apresenta\u00e7\u00f5es muito variadas. O fato de n\u00e3o ter nenhum desses sintomas mais comuns n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o seja TOC ou que seja um caso mais grave da doen\u00e7a. Outra caracter\u00edstica do TOC na inf\u00e2ncia \u00e9 que os sintomas obsessivo-compulsivos tendem a mudar ao logo do tempo.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 \u00c9 algo que ocorre com tanta frequ\u00eancia que chama a aten\u00e7\u00e3o de quem convive com a crian\u00e7a?<br \/>\nRos\u00e1rio\u00a0\u2013 H\u00e1 casos em que \u00e9 preciso ser muito atento para perceber, pois frequentemente os pacientes escondem os sintomas. \u00c9 comum os pais n\u00e3o notarem. O TOC n\u00e3o altera a capacidade de intelig\u00eancia da crian\u00e7a e n\u00e3o faz com que ela perca a no\u00e7\u00e3o da realidade. Isso por um lado \u00e9 bom, mas por outro pode dificultar o diagn\u00f3stico. A crian\u00e7a percebe que seu comportamento \u00e9 diferente, \u00e9 estranho, pode ficar com medo de acharem que ela \u00e9 louca, de brigarem com ela, de n\u00e3o brincarem mais com ela. Se a fam\u00edlia n\u00e3o souber lidar com os sintomas ou se acomodar a eles, pode piorar muito a evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Por que n\u00e3o \u00e9 bom a fam\u00edlia se acomodar?<br \/>\nRos\u00e1rio\u00a0\u2013 H\u00e1 casos em que m\u00e3es, pais, irm\u00e3os ou at\u00e9 c\u00f4njuges acabam fazendo todas as vontades do doente. J\u00e1 tratei uma fam\u00edlia que tinha duas m\u00e1quinas de lavar em casa porque o adolescente n\u00e3o aceitava que as roupas dele fossem lavadas com as demais por medo de contamina\u00e7\u00e3o. Isso n\u00e3o \u00e9 bom. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o adianta simplesmente dizer para a fam\u00edlia parar de fazer o que o paciente pede. \u00c9 um processo de acompanhamento da fam\u00edlia. Parte do tratamento diz respeito a ajudar a fam\u00edlia a lidar com os sintomas do paciente. Brigar ou deixar de castigo, al\u00e9m de n\u00e3o ajudar, vai fazer a crian\u00e7a se abrir cada vez menos. Fazer tudo que ela quer tamb\u00e9m \u00e9 ruim. Como o quadro \u00e9 multifatorial, o tratamento precisa ser multimodal. Tem de abranger os pacientes e todas as pessoas que est\u00e3o em volta, como familiares, professores. A crian\u00e7a passa boa parte do dia na escola, ent\u00e3o tem que se conversar com a escola, com os professores e com os diretores. \u00c9 preciso buscar estrat\u00e9gias para essa crian\u00e7a n\u00e3o sofrer\u00a0bullying\u00a0e n\u00e3o ser isolada do grupo.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Como \u00e9 o tratamento do TOC?<br \/>\nRos\u00e1rio\u00a0\u2013 \u00c9 baseado em um \u201ctrip\u00e9\u201d: psicoeduca\u00e7\u00e3o, psicoterapia e tratamento farmacol\u00f3gico. A psicoeduca\u00e7\u00e3o, essencial no tratamento, consiste em orientar o paciente e seus familiares sobre os sintomas e sobre a melhor forma de lidar com eles. No Brasil, foi criada em 1996 a Associa\u00e7\u00e3o de Portadores de TOC e de S\u00edndrome de Tourette (<a href=\"http:\/\/www.astoc.org\/\" target=\"_blank\">www.astoc.org<\/a>), que desenvolve um trabalho pioneiro de dar apoio a familiares e a portadores, promover encontros de pacientes e, principalmente, divulgar informa\u00e7\u00f5es atualizadas sobre esses transtornos. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 psicoterapia, as t\u00e9cnicas comportamentais ou cognitivo-comportamentais t\u00eam maiores dados de efic\u00e1cia. Quanto mais nova a crian\u00e7a, mais importante a presen\u00e7a dos pais no processo de psicoterapia. Nos casos moderados a graves, ou quando a psicoterapia n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel, recomenda-se o tratamento com medica\u00e7\u00f5es j\u00e1 aprovadas pelo FDA [Food and Drug Administration, \u00f3rg\u00e3o do governo dos Estados Unidos], para o uso em crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Rituais fazem parte da rotina de qualquer crian\u00e7a pequena. Muitas fazem quest\u00e3o de ouvir sua hist\u00f3ria favorita antes de dormir, ou de dar boa noite para seus bichinhos de pel\u00facia e bonecas. 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