{"id":4533,"date":"2009-07-03T11:09:18","date_gmt":"2009-07-03T15:09:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=4533"},"modified":"2009-07-03T11:09:18","modified_gmt":"2009-07-03T15:09:18","slug":"transtorno-de-michael-jackson-atinge-15-dos-pacientes-de-dermatologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2009\/transtorno-de-michael-jackson-atinge-15-dos-pacientes-de-dermatologia\/4533","title":{"rendered":"Transtorno de Michael Jackson atinge 15% dos pacientes de dermatologia"},"content":{"rendered":"<p>A triste morte de Michael Jackson levantou uma quest\u00e3o que muito instiga a todos: o que levava o astro do pop a querer se transformar fisicamente? Segundo a dermatologista e conselheira da Sociedade Brasileira de Dermatologia &#8211; Regional S\u00e3o Paulo (SBD-SP), Dra. Luciana Conrado, \u00e9 muito prov\u00e1vel que Jackson sofria de um transtorno de personalidade chamado &#8220;transtorno dism\u00f3rfico corporal&#8221;, mais conhecido como dismorfofobia, caracterizado pela preocupa\u00e7\u00e3o exagerada com defeitos m\u00ednimos ou inexistentes na face e no corpo. Essas preocupa\u00e7\u00f5es causam interfer\u00eancias no cotidiano dos pacientes (vida social, trabalho, fam\u00edlia). Segundo estudo realizado pela m\u00e9dica, esse transtorno \u00e9 relativamente comum na popula\u00e7\u00e3o geral (em torno de 2%) e a preval\u00eancia em pacientes dermatol\u00f3gicos e de cirurgia pl\u00e1stica de 7 a 15%.<\/p>\n<p>O transtorno envolve uma percep\u00e7\u00e3o distorcida da imagem corporal. Assim, um defeito m\u00ednimo, \u00e9 percebido como algo enorme. No caso de Michael Jackson, por exemplo, ele parecia ter uma n\u00edtida obsess\u00e3o em mudar suas fei\u00e7\u00f5es, como o nariz, queixo, sobrancelhas e cabelos e talvez em tornar-se branco (embora n\u00e3o possa ser afastada a hip\u00f3tese divulgada de que sofria de vitiligo).<\/p>\n<p>Para desenvolver sua tese de doutorado, defendida na Faculdade de Medicina da USP, a Dra. Luciana Conrado acompanhou 350 pessoas e viu que cerca de 10% tinham o transtorno. Destas, 60% j\u00e1 haviam se submetido a algum tratamento est\u00e9tico. A maioria ficou insatisfeita com o resultado. &#8220;Esses pacientes procuram v\u00e1rias vezes o mesmo m\u00e9dico ou passam por diferentes profissionais (conhecido nos EUA como &#8220;doctor shopping&#8221;) submetendo-se a diversos procedimentos. Est\u00e3o sempre insatisfeitos com os resultados obtidos mesmo que do ponto de vista do m\u00e9dico, o resultado seja considerado de sucesso.&#8221;<\/p>\n<p>Ela afirma que os m\u00e9dicos devem ficar atentos para esses casos. &#8220;\u00c9 importante compreender que este transtorno \u00e9 considerado um &#8220;transtorno secreto&#8221;, pois os pacientes t\u00eam dificuldades para falar sobre suas queixas com os profissionais de sa\u00fade e se sentem envergonhados e receosos de que suas queixas sejam interpretadas como &#8220;vaidade&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Existe um forte componente ps\u00edquico atuando na busca da melhora da imagem, principalmente considerando as necessidades de consumo criadas pela ind\u00fastria da beleza e da busca da perfei\u00e7\u00e3o est\u00e9tica. Existe um limite muito t\u00eanue que separa o uso da cosmiatria\/est\u00e9tica para a promo\u00e7\u00e3o de sa\u00fade e bem-estar, e o uso deste conhecimento em favor da busca desenfreada, sem limites e fora da realidade de suposta perfei\u00e7\u00e3o est\u00e9tica. Cabe ao dermatologista estar atento para identificar estes limites e usar de bom senso na orienta\u00e7\u00e3o destes pacientes&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo a dermatologista, a maioria dos pacientes apresenta preju\u00edzo nos relacionamentos interpessoais e profissionais. &#8220;Como resultado de suas queixas obsessivas com a apar\u00eancia, os pacientes podem desenvolver comportamentos compulsivos, em casos mais graves h\u00e1 risco de suic\u00eddio. Al\u00e9m disso, frequentemente procuram tratamentos cosm\u00e9ticos para um transtorno ps\u00edquico&#8221;, explica a m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Para a m\u00e9dica, \u00e9 considerada alta a preval\u00eancia do Transtorno Dism\u00f3rfico Corporal em pacientes dermatol\u00f3gicos o que torna fundamental o treinamento dos profissionais para a investiga\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica, diagn\u00f3stico e encaminhamento para tratamento psiqui\u00e1trico.<\/p>\n<p>Sobre a SBD-SP<\/p>\n<p>A Sociedade Brasileira de Dermatologia &#8211; Regional do Estado de S\u00e3o Paulo (SBD-SP) \u00e9 uma entidade m\u00e9dica sem fins lucrativos, organizada com a finalidade de fomentar a pesquisa, o ensino e o aprimoramento cient\u00edfico da dermatologia como especialidade m\u00e9dica. Fundada em 1970, a SBD-SP congrega atualmente mais de 2.000 associados. A entidade organiza uma s\u00e9rie de eventos durante todo o ano, como os Cursos de Educa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Continuada em Dermatologia (CEMC-D), as Jornadas, a RADESP (Reuni\u00e3o Anual dos Dermatologistas do Estado de S\u00e3o Paulo, realizada no final de cada ano), e cursos sobre essa especialidade voltados exclusivamente para jornalistas. Al\u00e9m dos eventos regionais, a SBD-SP d\u00e1 apoio aos eventos e iniciativas da SBD Nacional, como a Campanha contra o C\u00e2ncer de Pele.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A triste morte de Michael Jackson levantou uma quest\u00e3o que muito instiga a todos: o que levava o astro do pop a querer se transformar fisicamente? Segundo a dermatologista e conselheira da Sociedade Brasileira de Dermatologia &#8211; Regional S\u00e3o Paulo (SBD-SP), Dra. 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