{"id":43904,"date":"2013-04-24T16:52:55","date_gmt":"2013-04-24T19:52:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=43904"},"modified":"2013-04-24T16:52:55","modified_gmt":"2013-04-24T19:52:55","slug":"efeito-protetor-da-gravidez-contra-o-cancer-de-mama","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/efeito-protetor-da-gravidez-contra-o-cancer-de-mama\/43904","title":{"rendered":"Efeito protetor da gravidez contra o c\u00e2ncer de mama"},"content":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Estudos epidemiol\u00f3gicos indicam que mulheres sem filhos apresentam cerca de quatro vezes mais risco de desenvolver <em><strong>c\u00e2ncer de mama<\/strong><\/em> na menopausa do que aquelas que se tornaram m\u00e3es ainda jovens.<\/p>\n<p>Um\u00a0<a href=\"http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1002\/ijc.27323\/abstract;jsessionid=B8E9A1B65B52A2851FAF047B206BBCA2.d04t01\" target=\"_blank\">artigo publicado<\/a>\u00a0recentemente no\u00a0International Journal of Cancer\u00a0por um grupo do Fox Chase Cancer Center, dos Estados Unidos, em parceria com pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ajuda a entender melhor as transforma\u00e7\u00f5es que ocorrem com as c\u00e9lulas mam\u00e1rias durante a gravidez que as tornam menos suscet\u00edveis ao surgimento de tumores.<\/p>\n<p>A pesquisa foi feita com amostras de tecido mam\u00e1rio de mulheres saud\u00e1veis entre 50 e 69 anos que j\u00e1 estavam havia pelo menos um ano sem menstruar. As amostras foram divididas em dois grupos: 42 mulheres que nunca tiveram filhos e foram classificadas como nul\u00edparas e 71 mulheres que tiveram um ou mais filhos e ficaram gr\u00e1vidas pela primeira vez aos 23 anos em m\u00e9dia (com varia\u00e7\u00e3o de 4,25 anos para mais ou para menos).<\/p>\n<p>Por meio de uma s\u00e9rie de an\u00e1lises, os pesquisadores buscaram avaliar se havia diferen\u00e7as morfol\u00f3gicas e no padr\u00e3o de express\u00e3o dos genes no tecido mam\u00e1rio dos dois grupos. Maria Luiza Silveira Mello e Benedicto Campos Vidal, da Unicamp, ficaram respons\u00e1veis por avaliar a supraorganiza\u00e7\u00e3o da cromatina no n\u00facleo das c\u00e9lulas.<\/p>\n<p>\u201cA cromatina \u00e9 a estrutura que cont\u00e9m o DNA. Ela forma complexos com prote\u00ednas (entre elas, as histonas) e com diversos tipos de pequenos RNAs. Quando a c\u00e9lula entra em processo de divis\u00e3o, a cromatina se compacta na forma de cromossomo\u201d, explicou Mello.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises feitas pelos pesquisadores da Unicamp, com\u00a0<a href=\"http:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/21793\/conteudo-dna-organizacao-cromatina-diferentes\" target=\"_blank\">apoio da FAPESP<\/a>, mostraram que nas amostras dos dois grupos de pacientes havia dois tipos diferentes de n\u00facleo: um em que a cromatina estava mais frouxa e outro em que o material gen\u00e9tico estava mais condensado.<\/p>\n<p>\u201cNas amostras das mulheres que tiveram filhos, a quantidade de n\u00facleos com a cromatina mais condensada foi muito maior. Isso sugere que houve uma modifica\u00e7\u00e3o epigen\u00e9tica intensa nessas c\u00e9lulas e isso permaneceu at\u00e9 a menopausa\u201d, afirmou Mello.<\/p>\n<p>As modifica\u00e7\u00f5es epigen\u00e9ticas correspondem a um conjunto de processos bioqu\u00edmicos disparado por est\u00edmulos ambientais que moldam o funcionamento do genoma e, consequentemente, o perfil fenot\u00edpico, por meio da ativa\u00e7\u00e3o ou desativa\u00e7\u00e3o de genes. Metaforicamente, \u00e9 poss\u00edvel comparar o genoma ao hardware de um computador e o epigenoma ao software que faz a m\u00e1quina funcionar.<\/p>\n<p>Entre os mecanismos epigen\u00e9ticos conhecidos est\u00e3o a metila\u00e7\u00e3o do DNA \u2013 que ocorre quando h\u00e1 adi\u00e7\u00e3o de um grupo metila (formado de part\u00edculas de hidrog\u00eanio e carbono) \u00e0 base citosina do DNA, podendo impedir que alguns genes se expressem \u2013 e a modifica\u00e7\u00e3o de histonas \u2013 relacionadas \u00e0 adi\u00e7\u00e3o ou subtra\u00e7\u00e3o de grupos acetila e metila aos amino\u00e1cidos que formam essas prote\u00ednas.<\/p>\n<p>No trabalho realizado no Fox Chase Cancer Center, os pesquisadores focaram sua aten\u00e7\u00e3o em dois tipos de modifica\u00e7\u00f5es de histonas e encontraram um n\u00famero muito maior de res\u00edduos da prote\u00edna metilados nas amostras das mulheres que tiveram filhos.<\/p>\n<p>\u201cAos comparar os dois grupos, encontramos diferen\u00e7a no padr\u00e3o de express\u00e3o de 298 genes. H\u00e1 cerca de duas a tr\u00eas vezes mais genes metilados no tecido das mulheres que tiveram filhos. Isso mostra que a gesta\u00e7\u00e3o induziu uma reprograma\u00e7\u00e3o local e silenciou alguns genes que poderiam ser inadequados, como aqueles relacionados \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o celular\u201d, afirmou Jose Russo, do Fox Chase Cancer Center e autor principal do trabalho.<\/p>\n<p>Segundo Russo, essas altera\u00e7\u00f5es na express\u00e3o dos genes tamb\u00e9m modificaram a forma como as c\u00e9lulas produzem certas prote\u00ednas e processam o RNA mensageiro.<\/p>\n<p>\u201cA mama ap\u00f3s a gravidez adquire uma assinatura gen\u00f4mica e um perfil fenot\u00edpico diferente. Acreditamos que s\u00e3o essas mudan\u00e7as que fazem com que a mulher fique mais protegida contra o c\u00e2ncer\u201d, disse.<\/p>\n<p>Gravidez precoce<\/p>\n<p>Os resultados confirmam achados de pesquisas anteriores conduzidas pelo grupo de Russo, segundo os quais as c\u00e9lulas da mama s\u00f3 se diferenciam totalmente quando recebem o est\u00edmulo dos horm\u00f4nios da gravidez.<\/p>\n<p>\u201cDescrevemos anteriormente que existem quatro tipos de l\u00f3bulos \u2013 as estruturas funcionais da mama respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o do leite. O tipo um \u00e9 o mais pobremente desenvolvido, como se fosse uma \u00e1rvore sem folhas durante o inverno. O tipo quatro \u00e9 o mais desenvolvido, seria a \u00e1rvore em seu esplendor. Somente no fim da gravidez os l\u00f3bulos atingem o n\u00edvel quatro. Durante esse processo, a gl\u00e2ndula mam\u00e1ria se diferencia. As c\u00e9lulas-tronco ali presentes assumem sua fun\u00e7\u00e3o e isso parece induzir o remodelamento da cromatina\u201d, explicou Russo.<\/p>\n<p>Mas para que a gravidez tenha de fato esse efeito protetor, ressaltou o cientista, \u00e9 preciso que a diferencia\u00e7\u00e3o celular ocorra precocemente, entre 18 e 24 anos. \u201cAs c\u00e9lulas-tronco s\u00e3o mais suscet\u00edveis \u00e0 a\u00e7\u00e3o de carcinog\u00eanicos, como tabaco, \u00e1lcool e radia\u00e7\u00e3o, do que as c\u00e9lulas diferenciadas. Quanto antes ocorrer a diferencia\u00e7\u00e3o, portanto, menor \u00e9 o risco de as c\u00e9lulas sofrerem muta\u00e7\u00e3o\u201d, explicou Russo.<\/p>\n<p>Ciente, no entanto, de que a tend\u00eancia \u00e9 as mulheres adiarem cada vez mais a primeira gesta\u00e7\u00e3o, o pesquisador tem se dedicado a testar um coquetel de horm\u00f4nios capazes de mimetizar o efeito da gravidez e estimular a diferencia\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas mam\u00e1rias.<\/p>\n<p>\u201cEm ratos j\u00e1 vimos que isso \u00e9 poss\u00edvel e de fato confere prote\u00e7\u00e3o contra o c\u00e2ncer. Mas em humanos ainda n\u00e3o sabemos\u201d, disse Russo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Karina Toledo Ag\u00eancia FAPESP\u00a0\u2013 Estudos epidemiol\u00f3gicos indicam que mulheres sem filhos apresentam cerca de quatro vezes mais risco de desenvolver c\u00e2ncer de mama na menopausa do que aquelas que se tornaram m\u00e3es ainda jovens. 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