{"id":43830,"date":"2013-04-19T14:49:17","date_gmt":"2013-04-19T17:49:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=43830"},"modified":"2013-04-19T14:49:17","modified_gmt":"2013-04-19T17:49:17","slug":"obra-completa-de-padre-antonio-vieira-e-lancada-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/obra-completa-de-padre-antonio-vieira-e-lancada-em-portugal\/43830","title":{"rendered":"Obra completa de Padre Ant\u00f4nio Vieira \u00e9 lan\u00e7ada em Portugal"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa \u2013 At\u00e9 2014, toda a obra liter\u00e1ria de padre Ant\u00f4nio Vieira (1608-1697) &#8211; 30 volumes com cerca de 12 mil p\u00e1ginas \u2013 dever\u00e1 ser publicada em <em><strong>Portugal<\/strong><\/em>. A edi\u00e7\u00e3o inclui serm\u00f5es, textos prof\u00e9ticos, cartas, escritos pol\u00edticos, poesia e teatro. Os tr\u00eas primeiros volumes (dois contendo\u00a0A Chave dos Profetas\u00a0e um com as\u00a0Cartas Diplom\u00e1ticas) j\u00e1 est\u00e3o \u00e0 venda, os demais ser\u00e3o publicados at\u00e9 o fim do pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>Segundo a editora que publica a obra, C\u00edrculo dos Leitores, uma de cada quatro linhas editadas \u00e9 in\u00e9dita \u2013 n\u00e3o havia sido publicada at\u00e9 hoje em portugu\u00eas ou, no m\u00e1ximo, tiveram edi\u00e7\u00f5es com conte\u00fado incompleto. Os originais consultados (manuscritos ou c\u00f3pias feitas \u00e0 \u00e9poca de Vieira) foram escritos em portugu\u00eas, espanhol, italiano e latim.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 o maior projeto da hist\u00f3ria editorial portuguesa. N\u00e3o \u00e9 muito habitual, especialmente nas \u00e1reas de humanidades, encontrar projetos de grande dimens\u00e3o feito conjuntamente por portugueses e brasileiros\u201d, diz Jos\u00e9 Eduardo Franco, um dos coordenadores-gerais do projeto.<\/p>\n<p>O trabalho de pesquisa para a publica\u00e7\u00e3o mobilizou investigadores portugueses (37) e brasileiros (15) de diversas \u00e1reas (hist\u00f3ria, filosofia, teologia, direito, economia, literatura, lingu\u00edstica, paleografia, filologia cl\u00e1ssica). Os pesquisadores percorreram arquivos em dez pa\u00edses (Portugal, Brasil, Espanha, It\u00e1lia, Holanda, Fran\u00e7a, Alemanha, Inglaterra, Estados Unidos e M\u00e9xico). O trabalho tem patroc\u00ednio da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia de Lisboa, no valor de 500 mil euros (mais de R$ 1,3 milh\u00e3o), pagos ao longo de cinco anos, de acordo com a finaliza\u00e7\u00e3o das atividades.<\/p>\n<p>Vieira \u00e9 figura central do s\u00e9culo 17. Cl\u00e9rigo, professor, mission\u00e1rio e diplomata, viveu em Lisboa, em quatro estados do Brasil e em Roma, e frequentou tanto a corte quanto a selva. \u201cEu costumo dizer que Padre Ant\u00f4nio Vieira foi o Indiana Jones das miss\u00f5es\u201d, brinca o historiador Jos\u00e9 Eduardo Franco, diretor do Centro de Literaturas e Culturas Lus\u00f3fonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.<\/p>\n<p>O pesquisador lembra o fato de padre Ant\u00f4nio Vieira ter sido jesu\u00edta o que facilitou o acesso a conhecimentos em escala global, mesmo na era colonial. \u201cEle fazia parte da primeira ordem religiosa global, uma esp\u00e9cie de multinacional, a Companhia de Jesus. Os jesu\u00edtas estavam espalhados em todo o mundo. Tinham uma rede de educa\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria desde o Jap\u00e3o. Estavam em todos os continentes e funcionavam de forma muito organizada, fazendo a informa\u00e7\u00e3o circular por meio de relat\u00f3rios e cartas\u201d.<\/p>\n<p>Vieira conviveu com nobres, religiosos, grandes comerciantes, \u00edndios, negros e gente humilde. Praticou e defendeu a toler\u00e2ncia religiosa (com os judeus), foi contra a explora\u00e7\u00e3o escravocrata e o etnocentrismo europeu no trato com as popula\u00e7\u00f5es das col\u00f4nias. \u201cEsse homem dedicou a vida ao outro, o que era o mais desprotegido\u201d, destaca Margarida Montenegro, diretora de cultura da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Lisboa.<\/p>\n<p>\u201cA vis\u00e3o dele \u00e9 de que, assim como o rei de Portugal n\u00e3o poderia interferir nos neg\u00f3cios do reino da Fran\u00e7a ou da Inglaterra, o rei tamb\u00e9m n\u00e3o teria nenhum direito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 soberania dos \u00edndios\u201d, complementa Jo\u00e3o Adolfo Hansen, professor titular da Universidade de S\u00e3o Paulo e especialista em padre Antonio Vieira.<\/p>\n<p>O acad\u00eamico lembra que as ideias e a\u00e7\u00f5es do religioso renderam a persegui\u00e7\u00e3o pela Inquisi\u00e7\u00e3o em Portugal. Em uma das cartas publicadas, Vieira sustenta que \u201cem Portugal havia uma institui\u00e7\u00e3o que, sozinha, era pior que tr\u00eas flagelos juntos a guerra, a peste e a fome: a Inquisi\u00e7\u00e3o!\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos 30 volumes, ainda ser\u00e1 editado, at\u00e9 2016, o Dicion\u00e1rio do Padre Ant\u00f4nio Vieira. Em Portugal, o valor total da cole\u00e7\u00e3o chega a 300 euros (cerca de R$ 800).<\/p>\n<p>Gilberto Costa<br \/>\nCorrespondente da Ag\u00eancia Brasil \/ EBC<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Beraldo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa \u2013 At\u00e9 2014, toda a obra liter\u00e1ria de padre Ant\u00f4nio Vieira (1608-1697) &#8211; 30 volumes com cerca de 12 mil p\u00e1ginas \u2013 dever\u00e1 ser publicada em Portugal. A edi\u00e7\u00e3o inclui serm\u00f5es, textos prof\u00e9ticos, cartas, escritos pol\u00edticos, poesia e teatro. 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