{"id":43748,"date":"2013-04-15T11:40:31","date_gmt":"2013-04-15T14:40:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=43748"},"modified":"2013-04-15T19:44:32","modified_gmt":"2013-04-15T22:44:32","slug":"pesquisadores-testam-proteina-capaz-de-estimular-o-sistema-imunologico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/pesquisadores-testam-proteina-capaz-de-estimular-o-sistema-imunologico\/43748","title":{"rendered":"Pesquisadores testam prote\u00edna capaz de estimular o sistema imunol\u00f3gico"},"content":{"rendered":"<p>Ag\u00eancia FAPESP\u00a0Karina Toledo \u2013 uma terapia experimental feita com um tipo de prote\u00edna conhecido como lectina foi capaz, em testes com camundongos, de estimular o <em><strong>sistema imunol\u00f3gico<\/strong><\/em> e aumentar a resist\u00eancia contra doen\u00e7as como leishmaniose, toxoplasmose e paracoccidioidomicose. Os pesquisadores acreditam que o mesmo m\u00e9todo possa ser usado no combate a outras doen\u00e7as infecciosas e a tumores.<\/p>\n<p>O estudo est\u00e1 sendo conduzido na Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto, da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMRP-USP), sob coordena\u00e7\u00e3o da professora Maria Cristina Roque Antunes Barreira e com\u00a0<a href=\"http:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/1932\/efeitos-biologicos-aplicacoes-farmaceuticas-lectinas\" target=\"_blank\">apoio da FAPESP<\/a>.<\/p>\n<p>Roque-Barreira coordena o Laborat\u00f3rio de Imunoqu\u00edmica e Glicobiologia, que h\u00e1 mais de 20 anos investiga o papel das lectinas \u2013 prote\u00ednas capazes de decodificar as informa\u00e7\u00f5es contidas na camada de a\u00e7\u00facares que reveste as c\u00e9lulas \u2013 na imunidade.<\/p>\n<p>Todas as c\u00e9lulas animais e vegetais possuem, na membrana plasm\u00e1tica, uma camada de a\u00e7\u00facares com estrutura bastante diversa chamada glicoc\u00e1lice. Al\u00e9m de proteger a c\u00e9lula, o glicoc\u00e1lice participa da ativa\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de sinais intracelulares.<\/p>\n<p>\u201cMol\u00e9culas de lectinas possuem uma regi\u00e3o especializada para se ligar a um tipo espec\u00edfico de a\u00e7\u00facar e, com isso, desencadear certas respostas na c\u00e9lula, que podem ser de prolifera\u00e7\u00e3o, migra\u00e7\u00e3o, morte celular ou produ\u00e7\u00e3o de mediadores qu\u00edmicos\u201d, explicou a pesquisadora.<\/p>\n<p>O grupo coordenado por Roque-Barreira dedica-se a estudar lectinas capazes de induzir as c\u00e9lulas de defesa a produzir citocinas, de maneira que uma resposta imunit\u00e1ria mais eficiente contra determinados microrganismos seja montada.<\/p>\n<p>Para desvendar os mecanismos de reconhecimento de a\u00e7\u00facar na superf\u00edcie das c\u00e9lulas de defesa, os pesquisadores testaram uma lectina extra\u00edda da semente de jaca \u2013 chamada ArtinM \u2013 em uma linhagem de c\u00e9lulas do sistema imunol\u00f3gico humano.<\/p>\n<p>\u201cA lectina de jaca, assim como de outras plantas, vem sendo usada como ferramenta em muitos laborat\u00f3rios por sua capacidade de induzir a prolifera\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas em cultura. Mas isso sempre foi feito de maneira emp\u00edrica, n\u00e3o se sabia qual era exatamente a intera\u00e7\u00e3o que ocorria\u201d, disse Roque-Barreira.<\/p>\n<p>Os pesquisadores da FMRP-USP observaram que a a\u00e7\u00e3o de ArtinM sobre c\u00e9lulas do sistema imunol\u00f3gico estava relacionada com o est\u00edmulo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de interleucina 12, uma citocina capaz de ativar um tipo de c\u00e9lula de defesa chamado linf\u00f3cito T helper 1 (TH1).<\/p>\n<p>\u201cEsses linf\u00f3citos TH1 secretam grandes concentra\u00e7\u00f5es de outra citocina chamada interferon-gamma (IFN-?), que aumenta a atividade microbicida dos macr\u00f3fagos, favorecendo o combate a pat\u00f3genos de parasitismo intracelular\u201d, contou Roque-Barreira.<\/p>\n<p>Os pesquisadores ent\u00e3o testaram o efeito da prote\u00edna em dois modelos animais. No primeiro, os camundongos foram infectados com o protozo\u00e1rio\u00a0Leishmania major, causador da leishmaniose cut\u00e2nea.<\/p>\n<p>\u201cUsamos uma linhagem de camundongos altamente suscet\u00edvel ao\u00a0L. major. Nesses animais, a ArtinM induziu a produ\u00e7\u00e3o de interleucina 12, deixando-os mais resistentes \u00e0 infec\u00e7\u00e3o\u201d, contou Roque-Barreira.<\/p>\n<p>No segundo modelo de estudo, os camundongos foram infectados com o fungo\u00a0Paracoccidiodes brasiliensis, causador da paracoccidioidomicose \u2013 doen\u00e7a end\u00eamica no estado de S\u00e3o Paulo que causa fibrose pulmonar e pode atacar outros \u00f3rg\u00e3os. Nesse modelo, a administra\u00e7\u00e3o\u00a0de ArtinM tamb\u00e9m tornou os animais mais resistentes \u00e0 infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo foi descobrir com qual estrutura da c\u00e9lula de defesa essa lectina estava interagindo, contou Roque-Barreira. \u201cVimos que essa lectina se liga aos a\u00e7\u00facares dos receptores do tipo\u00a0toll-like\u00a02 (TLR2), que existem em grandes quantidades na superf\u00edcie dos fag\u00f3citos (grupo de leuc\u00f3citos que inclui neutr\u00f3filos, macr\u00f3fagos e c\u00e9lulas dendr\u00edticas). Isso dispara um sinal que estimula a c\u00e9lula a produzir interleucina 12.\u201d<\/p>\n<p>Para comprovar os achados, os pesquisadores trabalharam com camundongos que tiveram o gene codificador do receptor TLR2 nocauteado. \u201cObservamos, de fato, que, sem TLR2, a ArtinM deixa de induzir a produ\u00e7\u00e3o de interleucina 12\u201d, contou.<\/p>\n<p>Prote\u00ednas recombinantes<\/p>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o terap\u00eautica da lectina extra\u00edda da semente de jaca em humanos \u00e9 limitada, de acordo com Roque-Barreira, pois a prote\u00edna, estranha ao organismo, poderia desencadear uma rea\u00e7\u00e3o imune n\u00e3o desejada. Os cientistas ent\u00e3o decidiram investigar se os pr\u00f3prios pat\u00f3genos causadores das doen\u00e7as tamb\u00e9m expressam lectinas capazes de estimular a produ\u00e7\u00e3o de interleucina 12.<\/p>\n<p>No fungo\u00a0P. brasiliensis\u00a0os pesquisadores encontraram a paracoccina, uma lectina capaz de se ligar a um a\u00e7\u00facar chamado N-acetil- glicosamina.<\/p>\n<p>J\u00e1 no\u00a0Toxoplasma gondii, protozo\u00e1rio causador da toxoplasmose, verificaram que mol\u00e9culas chamadas prote\u00ednas de micronemas s\u00e3o ligantes de a\u00e7\u00facar e possuem propriedades muito semelhantes \u00e0s de ArtinM. \u201cDuas dessas prote\u00ednas, a MIC1 e a MIC4, t\u00eam a capacidade de reconhecer, respectivamente, o \u00e1cido si\u00e1lico e a galactose \u2013 a\u00e7\u00facares que podem estar expressos na superf\u00edcie das c\u00e9lulas de defesa\u201d, explicou Barreira.<\/p>\n<p>Testes\u00a0in vitro\u00a0mostraram que tanto a paracoccina como a MIC1 e a MIC4 tamb\u00e9m interagem com os receptores TLR2 e induzem a produ\u00e7\u00e3o de interleucina 12. A etapa seguinte foi testar o efeito\u00a0in vivo.<\/p>\n<p>Para isso, foram usados dois modelos experimentais: camundongos infectados com\u00a0P. brasiliensise camundongos infectados com\u00a0T. gondii.<\/p>\n<p>Doze dias ap\u00f3s a infec\u00e7\u00e3o pelo\u00a0T. gondii, 100% do grupo de animais n\u00e3o tratados havia morrido. J\u00e1 no grupo que recebeu a MIC1 e a MIC4, 80% dos camundongos estavam vivos ap\u00f3s 30 dias da inocula\u00e7\u00e3o do parasita.<\/p>\n<p>\u201cAvaliamos tamb\u00e9m o n\u00famero de cistos do protozo\u00e1rio que haviam se formado no c\u00e9rebro dos animais. Entre os tratados, encontramos em m\u00e9dia 300 cistos. Nos c\u00e9rebros dos camundongos n\u00e3o tratados, foram mais de mil cistos. Isso mostra que a terapia tornou os macr\u00f3fagos mais eficientes para eliminar os parasitas\u201d, disse Barreira.<\/p>\n<p>A fim de verificar o efeito do tratamento com paracoccina entre os infectados com\u00a0P. brasiliensis, os cientistas quantificaram o n\u00famero de col\u00f4nias do fungo que se formaram no pulm\u00e3o dos camundongos. Foram encontradas, em m\u00e9dia, 300 mil col\u00f4nias entre os animais n\u00e3o tratados. Naqueles que receberam a lectina, o n\u00famero caiu para 50 mil.<\/p>\n<p>\u201cPor meio de microscopia, tamb\u00e9m observamos que o pulm\u00e3o dos animais tratados com paracoccina apresentava seis vezes menos les\u00f5es inflamat\u00f3rias do que o do grupo controle\u201d, disse Roque-Barreira. Os resultados foram (http:\/\/informahealthcare.com\/doi\/abs\/10.3109\/13693780903501671) publicados na revistaMedical Mycology.<\/p>\n<p>Nos dois modelos de estudo, o efeito da terapia foi testado antes e depois da infec\u00e7\u00e3o. De acordo com Roque-Barreira, as lectinas foram capazes de proteger os animais tanto quando administradas de forma profil\u00e1tica quanto terap\u00eautica.<\/p>\n<p>\u201cEssa abordagem pode ser usada tamb\u00e9m em humanos, pois o paciente infectado j\u00e1 est\u00e1 em contato com os ant\u00edgenos contidos nos parasitas. Administrar uma prote\u00edna do pr\u00f3prio pat\u00f3geno n\u00e3o vai criar hipersensibilidade adicional no organismo e vai proteger contra a progress\u00e3o r\u00e1pida da doen\u00e7a\u201d, disse.<\/p>\n<p>O grupo da FMRP-USP\u00a0desenvolveu formas recombinantes dessas prote\u00ednas, ou seja, j\u00e1 \u00e9 capaz de produzi-las em grandes quantidades usando como ferramentas organismos geneticamente transformados para expressarem os genes da paracoccina, da MIC1 e MIC4.<\/p>\n<p>\u201cA ativa\u00e7\u00e3o da resposta imunol\u00f3gica do tipo TH1 pode ser ben\u00e9fica n\u00e3o s\u00f3 contra doen\u00e7as infecciosas como tamb\u00e9m contra c\u00e2ncer. No f\u00edgado, por exemplo, temos evid\u00eancias de que a administra\u00e7\u00e3o de lectinas previne a carcinog\u00eanese\u201d, disse.<\/p>\n<p>Em linhagens de c\u00e9lulas leuc\u00eamicas, os cientistas mostraram que a ArtinM foi capaz de induzir a morte das c\u00e9lulas tumorais. Os resultados do estudo foram publicados (<a href=\"http:\/\/www.plosone.org\/article\/info:doi\/10.1371\/journal.pone.0027892\" target=\"_blank\">www.plosone.org\/article\/info:doi\/10.1371\/journal.pone.0027892<\/a>) na revista\u00a0PLoS One.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0Protection against Paracoccidioides brasiliensis infection conferred by the prophylactic administration of native and recombinant Artin M (doi:10.3109\/13693780903501671)\u00a0pode ser lido por assinantes em\u00a0<a href=\"http:\/\/informahealthcare.com\/doi\/abs\/10.3109\/13693780903501671\" target=\"_blank\">informahealthcare.com\/doi\/abs\/10.3109\/13693780903501671<\/a>.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0The Recognition of N-Glycans by the Lectin Artin M Mediates Cell Death of a Human Myeloid Leukemia Cell Line (doi:10.1371\/journal.pone.0027892)\u00a0pode ser lido em<a href=\"http:\/\/www.plosone.org\/article\/info:doi\/10.1371\/journal.pone.0027892\" target=\"_blank\">www.plosone.org\/article\/info:doi\/10.1371\/journal.pone.0027892<\/a>.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0ArtinM offers new perspectives in the development of antifungal therapy (doi: 10.3389\/fmicb.2012.00218), pode ser lido em<a href=\"http:\/\/www.frontiersin.org\/fungi_and_their_interactions\/10.3389\/fmicb.2012.00218\/abstract\" target=\"_blank\">www.frontiersin.org\/fungi_and_their_interactions\/10.3389\/fmicb.2012.00218\/abstract\u00a0<\/a>.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0The immunomodulatory effect of plant lectins: a review with emphasis on ArtinM properties (doi: DOI 10.1007\/s10719-012-9464-4), pode ser lido em<a href=\"http:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007%2Fs10719-012-9464-4\" target=\"_blank\">link.springer.com\/article\/10.1007%2Fs10719-012-9464-4\u00a0<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ag\u00eancia FAPESP\u00a0Karina Toledo \u2013 uma terapia experimental feita com um tipo de prote\u00edna conhecido como lectina foi capaz, em testes com camundongos, de estimular o sistema imunol\u00f3gico e aumentar a resist\u00eancia contra doen\u00e7as como leishmaniose, toxoplasmose e paracoccidioidomicose. 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