{"id":43030,"date":"2013-03-13T10:48:58","date_gmt":"2013-03-13T13:48:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=43030"},"modified":"2013-03-13T10:48:58","modified_gmt":"2013-03-13T13:48:58","slug":"sistema-aprimora-monitoramento-das-ondas-na-costa-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/sistema-aprimora-monitoramento-das-ondas-na-costa-brasileira\/43030","title":{"rendered":"Sistema aprimora monitoramento das ondas na costa brasileira"},"content":{"rendered":"<p>O monitoramento e a <em><strong>previs\u00e3o<\/strong><\/em> de processos costeiros s\u00e3o atividades que interessam a diversos setores da sociedade. Dados sobre as ondas mar\u00edtimas provenientes de simula\u00e7\u00f5es computacionais permitem identificar a gera\u00e7\u00e3o e a chegada de eventos energ\u00e9ticos, como ciclones, de modo a orientar atividades navais, de pesca e explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>O Brasil acaba de ganhar uma ferramenta de modelagem matem\u00e1tica voltada a esse tipo de an\u00e1lise. O Sistema de Previs\u00e3o e Monitoramento Costeiro (SIMCos) foi desenvolvido por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (Ufes) e da Universidade Nacional Aut\u00f4noma do M\u00e9xico (Unam) para simular diversas caracter\u00edsticas das ondas que chegam \u00e0 costa brasileira.<\/p>\n<p>A plataforma produz informa\u00e7\u00f5es sobre altura significativa, altura potencial, per\u00edodo e dire\u00e7\u00e3o de ondas que atingem 61 pontos distintos do litoral do pa\u00eds. Os atributos simulados s\u00e3o gerados a partir de dados de ventos de superf\u00edcie (10 metros acima do mar).<\/p>\n<p>\u201cCalibramos o modelo com base na climatologia das ondas dos \u00faltimos 30 anos, de 1979 a 2010. Os ventos de superf\u00edcie foram calculados a partir de um esquema matem\u00e1tico conhecido como assimila\u00e7\u00e3o de dados. Este mistura observa\u00e7\u00f5es e resultados de modelos com resolu\u00e7\u00e3o temporal de uma hora e espacial de 0,3125 grau\u201d, explica o coordenador do projeto Valdir Innocentini, do Inpe.<\/p>\n<p>O SIMCos faz parte do projeto tem\u00e1tico da FAPESP \u201c<a href=\"http:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/1954\/smcos-sistema-monitoramento-estudos-processos\/\" target=\"_blank\">SMCos: sistema de monitoramento e estudos de processos costeiros<\/a>\u201d. Iniciado em 2007, o estudo contou com a participa\u00e7\u00e3o de ge\u00f3logos, ocean\u00f3grafos, meteorologistas, f\u00edsicos e matem\u00e1ticos. Um\u00a0<a href=\"http:\/\/www.lamma.ufrj.br\/sites\/simcos\/paginas\/sistema\/index.html\" target=\"_blank\">website<\/a>, em fase de testes, foi criado pela equipe para disponibilizar ao p\u00fablico em tempo real as simula\u00e7\u00f5es geradas pelo sistema para os pr\u00f3ximos dias.<\/p>\n<p>Ampla cobertura<\/p>\n<p>O diferencial do SIMCos n\u00e3o reside na cria\u00e7\u00e3o do modelo matem\u00e1tico em si, pois este \u00e9 amplamente conhecido pelos ocean\u00f3grafos. A novidade do projeto \u00e9 a implementa\u00e7\u00e3o dessa modelagem em um sistema que prev\u00ea e monitora o movimento e a altura das ondas em diversos pontos ao longo de toda a costa brasileira.<\/p>\n<p>Outro destaque \u00e9 a simula\u00e7\u00e3o e o monitoramento da altura potencial da onda nos pontos analisados. Este c\u00e1lculo mostra o fluxo de energia presente, um produto do quadrado da altura pelo tempo entre a passagem de dois picos consecutivos de ondas.<\/p>\n<p>O pesquisador do Inpe afirma que, muitas vezes, ondas que s\u00e3o baixas em alto-mar, se possu\u00edrem grande altura potencial, tornam-se altas quando atingem regi\u00f5es pr\u00f3ximas \u00e0 costa, provocando a movimenta\u00e7\u00e3o de sedimentos com efeitos erosivos. Isso representa um perigo para os banhistas e navegantes.<\/p>\n<p>O sistema brasileiro contempla a simula\u00e7\u00e3o da energia contida nas ondas que atingir\u00e3o determinado litoral nos pr\u00f3ximos cinco dias, em intervalos de tr\u00eas horas. O SIMCos apresenta ainda gr\u00e1ficos que mostram a probabilidade de se ter ondas entre 0,5 e 6 metros de altura em cada um dos 61 pontos analisados.<\/p>\n<p>Essas regi\u00f5es que integram o sistema foram selecionadas de forma a contemplar toda a costa brasileira. Segundo Innocentini, rodar o modelo diariamente para todo o litoral do pa\u00eds seria invi\u00e1vel por causa da elevada necessidade de processamento computacional.<\/p>\n<p>Em alto-mar, acima de 100 metros de profundidade, modelos matem\u00e1ticos conseguem prever o movimento das ondas continuamente ao redor do globo. \u201cJ\u00e1 em \u00e1guas rasas, a velocidade das ondas diminui e a f\u00edsica envolvida no processo se torna mais complexa, o que dificulta a cria\u00e7\u00e3o de processos eficientes de simula\u00e7\u00e3o e exige o uso de computadores de alta performance para rodar tais modelos\u201d, conta Innocentini.<\/p>\n<p>O SIMCos \u00e9 executado atualmente no supercomputador Robura, que custou R$ 200 mil e conta com 120 processadores, no Inpe em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos.<\/p>\n<p>Pr\u00f3ximas etapas<\/p>\n<p>Os dados sobre ventos de superf\u00edcie que abastecem o SIMCos foram extra\u00eddos de modelos atmosf\u00e9ricos, pois n\u00e3o h\u00e1 equipamentos que realizem tal medi\u00e7\u00e3o ao longo da costa brasileira.<\/p>\n<p>Innocentini explica que isso n\u00e3o enfraquece as informa\u00e7\u00f5es geradas pelo sistema por duas raz\u00f5es. Uma delas \u00e9 que esses modelos atmosf\u00e9ricos possuem um elevado n\u00edvel de precis\u00e3o nos dados produzidos. A segunda raz\u00e3o \u00e9 que os pesquisadores brasileiros compararam os resultados do SIMCos com informa\u00e7\u00f5es sobre altura de ondas provenientes de sat\u00e9lites, boias e modelos matem\u00e1ticos consolidados que analisam processos costeiros no oceano Atl\u00e2ntico Norte, obtendo similaridade de dados em ambos os casos.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo da pesquisa \u00e9 combinar alguns dados gerados pelo SIMCos com o\u00a0<a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/MOHID_water_modelling_system\" target=\"_blank\">modelo hidrodin\u00e2mico (MOHID)<\/a>\u00a0de circula\u00e7\u00e3o costeira, desenvolvido pelo Instituto Superior T\u00e9cnico (IST), em Portugal. Este simula as correntes mar\u00edtimas mais pr\u00f3ximas \u00e0 costa, as mar\u00e9s, o transporte de sedimentos e a eros\u00e3o.<\/p>\n<p>O uso combinado desses sistemas permitir\u00e1 a avalia\u00e7\u00e3o, por exemplo, do impacto de empreendimentos humanos no transporte de sedimentos em \u00e1reas costeiras. Eventuais ondas gigantes podem modificar de forma severa a costa de uma regi\u00e3o. Ao longo do tempo, entretanto, outras correntes v\u00e3o reconstruir gradativamente a \u00e1rea afetada.<\/p>\n<p>\u201cSe ocorre alguma interfer\u00eancia humana, como a constru\u00e7\u00e3o de um porto ou molhes, o fluxo das correntes reconstrutoras pode ser interrompido e os sedimentos daquela regi\u00e3o n\u00e3o ser\u00e3o mais recuperados. Nosso modelo pode apontar esses casos\u201d, explica Innocentini.<\/p>\n<p>O SIMCos, aliado ao MOHID, pode ser empregado ainda na an\u00e1lise do impacto de fen\u00f4menos clim\u00e1ticos como o El Ni\u00f1o e na altera\u00e7\u00e3o do n\u00edvel m\u00e9dio do mar sobre as ondas e regi\u00f5es costeiras do Brasil.<\/p>\n<p>Por Luiz Paulo Juttel<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O monitoramento e a previs\u00e3o de processos costeiros s\u00e3o atividades que interessam a diversos setores da sociedade. Dados sobre as ondas mar\u00edtimas provenientes de simula\u00e7\u00f5es computacionais permitem identificar a gera\u00e7\u00e3o e a chegada de eventos energ\u00e9ticos, como ciclones, de modo a orientar atividades navais, de pesca e explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo. 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