{"id":42321,"date":"2013-01-29T13:49:52","date_gmt":"2013-01-29T15:49:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=42321"},"modified":"2013-01-29T13:49:52","modified_gmt":"2013-01-29T15:49:52","slug":"em-busca-do-remedio-certo-para-cada-paciente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/em-busca-do-remedio-certo-para-cada-paciente\/42321","title":{"rendered":"Em busca do rem\u00e9dio certo para cada paciente"},"content":{"rendered":"<p>Um medicamento indicado para uma pessoa nem sempre pode ser eficaz para outra que sofra da mesma doen\u00e7a. O que tem efeito positivo em um paciente pode desencadear rea\u00e7\u00f5es indesej\u00e1veis em outro.\u00a0A <em><strong>farmacogen\u00e9tica<\/strong><\/em> (ou farmacogen\u00f4mica) pode identificar os fatores gen\u00e9ticos que explicam a variabilidade individual na resposta aos medicamentos. A maior parte da resposta aos medicamentos \u00e9 polig\u00eanica. Para alguns medicamentos, por\u00e9m, h\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o monog\u00eanica. A varia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica pode ser em um gene.<\/p>\n<p>\u201cO que temos hoje em dia \u00e9 uma discuss\u00e3o em torno de pares: um gene, um medicamento\u201d, disse o farmacologista Guilherme Suarez-Kurtz, chefe do Programa de Farmacologia do Instituto Nacional do C\u00e2ncer (Inca), \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP, durante o simp\u00f3sio Medicina Translacional, realizado pela Academia Brasileira de Ci\u00eancias em novembro.<\/p>\n<p>\u201cOs genes CYP representam o grupo mais importante da farmacogen\u00e9tica. As enzimas da fam\u00edlia CYP metabolizam cerca de 80% dos medicamentos de uso cl\u00ednico. Com isso, varia\u00e7\u00f5es nos genes CYP podem alterar as doses a serem usadas\u201d, disse.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda o gene VKORC, que afeta a resposta \u00e0 varfarina (f\u00e1rmaco anticoagulante usado na preven\u00e7\u00e3o de tromboses) e que apresenta varia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas frequentes.<\/p>\n<p>\u201cUm paciente, por apresentar essas caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas, tem um risco aumentado de sofrer efeitos colaterais. A genotipagem pr\u00e9via vai mostrar que a variabilidade gen\u00e9tica desse paciente pode aumentar o risco de efeitos t\u00f3xicos. \u00c9 uma mudan\u00e7a de paradigma, uma nova e mais precisa vari\u00e1vel\u201d, disse Suarez-Kurtz \u00e0\u00a0Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>A genotipagem pr\u00e9via pode, assim, possibilitar a aplica\u00e7\u00e3o de terapias individualizadas. \u201cA forma de se usar essas informa\u00e7\u00f5es no acompanhamento do paciente se d\u00e1 sugerindo uma altera\u00e7\u00e3o de medicamento ou uma altera\u00e7\u00e3o de dose, ou dizer simplesmente que este paciente n\u00e3o pode fazer o tratamento, porque ele vai ter efeitos colaterais e ir\u00e1 interromper a terapia\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, o abacavir, um dos antirretrovirais usados no tratamento da Aids, apresenta problemas de rea\u00e7\u00f5es de hipersensibilidade associadas ao fator gen\u00e9tico.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um rem\u00e9dio de primeira linha no tratamento da Aids, mas n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico. Quando se diagnostica um paciente por infec\u00e7\u00e3o pela Aids, pode-se fazer genotipagem e se prescrever uma terapia alternativa\u201d, avaliou Suarez-Kurtz, que tamb\u00e9m \u00e9 professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Muitas das varia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas t\u00eam um componente associado \u00e0 ancestralidade individual, aponta o pesquisador.<\/p>\n<p>\u201cPor exemplo, um polimorfismo gen\u00e9tico associado \u00e0 ocorr\u00eancia da s\u00edndrome de Stevens-Johnson (doen\u00e7a que provoca les\u00f5es cut\u00e2neas) em pacientes tratados com carbamazepina (medicamento anticonvulsivante utilizado no tratamento da epilepsia) \u00e9 comum nas popula\u00e7\u00f5es asi\u00e1ticas, e raro nas popula\u00e7\u00f5es africanas e europeias, principais ancestrais dos brasileiros. Assim, o risco desta s\u00edndrome nos brasileiros \u00e9 m\u00ednimo\u201d, disse Suarez-Kurtz.<\/p>\n<p>Ado\u00e7\u00e3o cl\u00ednica lenta<\/p>\n<p>Estudo feito por pesquisadores da Rede Nacional de Farmacogen\u00e9tica (Refargen), iniciado em 2010 envolvendo 1.300 amostras, genotipou um n\u00famero grande de polimorfismos farmacogen\u00e9ticos reconhecidamente importantes.<\/p>\n<p>Paralelamente, todos os indiv\u00edduos foram tipados com marcadores de ancestralidade para saber o quanto cada um deles tinha de ancestralidade africana, europeia ou, em menor escala, amer\u00edndia.<\/p>\n<p>\u201cQuantificar a ancestralidade ind\u00edgena \u00e9 dif\u00edcil por dois motivos: primeiro porque \u00e9 dif\u00edcil coletar informa\u00e7\u00f5es dos amer\u00edndios, uma vez que o sistema de prote\u00e7\u00e3o aos povos ind\u00edgenas n\u00e3o permite estudar a gen\u00e9tica dos \u00edndios, e segundo porque a contribui\u00e7\u00e3o m\u00e9dia da ancestralidade amer\u00edndia na popula\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 de menos que 10%\u201d, disse Suarez-Kurtz, coordenador da Refargen.<\/p>\n<p>Entretanto, segundo o cientista, \u00e9 imposs\u00edvel correlacionar a apar\u00eancia f\u00edsica de brasileiros com a sua ancestralidade gen\u00e9tica, ou seja, um indiv\u00edduo categorizado como \u201cpardo\u201d pelo IBGE pode n\u00e3o ter uma ancestralidade dominantemente africana.<\/p>\n<p>Apesar dos avan\u00e7os no campo, a ado\u00e7\u00e3o cl\u00ednica da farmacogen\u00e9tica \u00e9 um processo lento. \u201cOs m\u00e9dicos norte-americanos consideram que existem cerca de 20 pares de medicamentos e genes que t\u00eam componentes farmacogen\u00e9ticos importantes, incluindo a varfarina (anticoagulante) e a code\u00edna (analg\u00e9sico mais usado no mundo). Mas quantos desses m\u00e9dicos modificam as prescri\u00e7\u00f5es para atender \u00e0 farmacogen\u00e9tica \u00e9 outra hist\u00f3ria\u201d, disse Suarez-Kurtz.<\/p>\n<p>O fator gen\u00e9tico n\u00e3o explica toda a variabilidade na resposta aos medicamentos. \u201cA resposta aos medicamentos \u00e9 um fen\u00f3tipo complexo, um processo que envolve v\u00e1rios fatores. Fatores demogr\u00e1ficos (como peso, idade, sexo) e cl\u00ednicos, fun\u00e7\u00e3o renal, fun\u00e7\u00e3o hep\u00e1tica, h\u00e1bitos alimentares, tabagismo, alcoolismo, enfim, s\u00e3o in\u00fameros os fatores que podem afetar a resposta aos medicamentos. As vari\u00e1veis gen\u00e9ticas s\u00e3o um desses fatores. Ent\u00e3o, para alguns medicamentos o fator gen\u00e9tico \u00e9 determinante, enquanto para outros o importante a se levar em conta \u00e9 a idade, e para outros o peso\u201d, concluiu o cientista.<\/p>\n<p>Por Washington Castilhos<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um medicamento indicado para uma pessoa nem sempre pode ser eficaz para outra que sofra da mesma doen\u00e7a. O que tem efeito positivo em um paciente pode desencadear rea\u00e7\u00f5es indesej\u00e1veis em outro.\u00a0A farmacogen\u00e9tica (ou farmacogen\u00f4mica) pode identificar os fatores gen\u00e9ticos que explicam a variabilidade individual na resposta aos medicamentos. 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