{"id":42305,"date":"2013-01-28T11:32:36","date_gmt":"2013-01-28T13:32:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/?p=42305"},"modified":"2013-01-28T11:32:36","modified_gmt":"2013-01-28T13:32:36","slug":"brasil-iniciara-obras-do-acelerador-de-eletrons-de-terceira-geracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/2013\/brasil-iniciara-obras-do-acelerador-de-eletrons-de-terceira-geracao\/42305","title":{"rendered":"Brasil iniciar\u00e1 obras do acelerador de el\u00e9trons de terceira gera\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Deve come\u00e7ar ainda este ano, no Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron (LNLS), em Campinas, a constru\u00e7\u00e3o do novo <em><strong>acelerador de el\u00e9trons<\/strong><\/em> de terceira gera\u00e7\u00e3o, batizado de Sirius.\u00a0Capaz de emitir radia\u00e7\u00e3o com maior brilho e gerar imagens com mais resolu\u00e7\u00e3o que o atual, de segunda gera\u00e7\u00e3o, o equipamento poder\u00e1 atrair para o pa\u00eds cientistas de destaque no cen\u00e1rio internacional, como a israelense Ada Yonath \u2013 vencedora do Nobel de Qu\u00edmica em 2009 por seu trabalho sobre a estrutura e a fun\u00e7\u00e3o dos ribossomos \u2013 ou o americano Brian Kobilka \u2013 premiado em 2012 pela descoberta de um novo receptor celular \u2013, afirmou Antonio Jos\u00e9 Roque da Silva, diretor do LNLS.<\/p>\n<p>\u201cSer\u00e1 uma facilidade aberta que atender\u00e1 \u00e0s mais diversas \u00e1reas da ci\u00eancia, desde medicina, biof\u00edsica, biotecnologia, biologia molecular e estrutural, at\u00e9 paleontologia, ci\u00eancias dos materiais, agricultura e nanotecnologia. Se o equipamento estiver realmente no estado da arte, vai atrair pesquisadores de ponta de todo o mundo\u201d, disse.<\/p>\n<p>Desde 1997, no LNLS, est\u00e1 aberto para uso em pesquisas externas um acelerador de el\u00e9trons de segunda gera\u00e7\u00e3o. Atualmente, o laborat\u00f3rio est\u00e1 subordinado ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) e conta com 16 esta\u00e7\u00f5es experimentais, tamb\u00e9m chamadas linhas de luz, que atendem em torno de 500 grupos de pesquisa por ano.<\/p>\n<p>Uma parte dos equipamentos das esta\u00e7\u00f5es experimentais foi adquirida durante projetos apoiados pela FAPESP, como a\u00a0<a href=\"http:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/30742\/abertura-aos-usuarios-linha-luz\" target=\"_blank\">linha de luz<\/a>\u00a0para biologia molecular estrutural (MX2) e equipamentos para a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/30992\/wiggler-mad-beamline-structural-molecular\/\" target=\"_blank\">linha do wiggler<\/a>\u00a0supercondutor.<\/p>\n<p>\u00danico na Am\u00e9rica Latina, o s\u00edncrotron \u00e9 capaz de emitir radia\u00e7\u00e3o de alto brilho em diversas frequ\u00eancias, desde infravermelho at\u00e9 raios X. Isso permite estudar a estrutura at\u00f4mica que comp\u00f5e os mais diversos materiais e descobrir como se distribuem espacialmente e como est\u00e3o interligados.<\/p>\n<p>\u201cPara entender a diferen\u00e7a entre os raios X emitidos por uma m\u00e1quina comum usada na medicina e a radia\u00e7\u00e3o emitida pelo s\u00edncrotron, podemos comparar o feixe de luz de uma lanterna com o de uma ponteira a laser, que tem diverg\u00eancia muito menor\u201d, explicou Roque da Silva.<\/p>\n<p>De acordo com o diretor do LNLS, a mesma analogia pode ser usada para comparar o feixe de f\u00f3tons emitido por um acelerador de segunda e um de terceira gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A energia final dos el\u00e9trons ser\u00e1 mais do que o dobro da atual, que \u00e9 de 1,37 GeV (gigael\u00e9tron-volt). Al\u00e9m de gerar mais intensidade de luz, o Sirius tamb\u00e9m ampliar\u00e1 sua faixa de alcance para os raios X duros (o pen\u00faltimo no espectro eletromagn\u00e9tico, atr\u00e1s dos raios gama). Isso permitir\u00e1 penetrar estruturas mais espessas.<\/p>\n<p>\u201cHoje, ao estudar as propriedades do a\u00e7o, por exemplo, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel penetrar na camada mais superficial do material. Com o novo acelerador conseguir\u00edamos atingir de fato o volume e aprender como os \u00e1tomos est\u00e3o organizados\u201d, contou Roque da Silva.<\/p>\n<p>A menor diverg\u00eancia do feixe de f\u00f3tons, por sua vez, aumentar\u00e1 a resolu\u00e7\u00e3o das imagens, possibilitando a realiza\u00e7\u00e3o de medidas de microscopia com precis\u00e3o nanom\u00e9trica. \u201cSer\u00e1 poss\u00edvel gerar imagens tridimensionais de uma c\u00e9lula e de suas organelas\u201d, contou.<\/p>\n<p>Na fronteira<\/p>\n<p>Segundo o diretor do LNLS, em julho ficar\u00e1 pronto o projeto executivo do novo acelerador, que cont\u00e9m todas as informa\u00e7\u00f5es de arquitetura e infraestrutura necess\u00e1rias para o in\u00edcio das obras. Est\u00e3o previstas a constru\u00e7\u00e3o de at\u00e9 40 esta\u00e7\u00f5es experimentais \u2013 quase o triplo da capacidade atual.<\/p>\n<p>\u201cO projeto conceitual est\u00e1 conclu\u00eddo. Originalmente ele j\u00e1 era competitivo em rela\u00e7\u00e3o aos outros s\u00edncrotrons de terceira gera\u00e7\u00e3o, mas o comit\u00ea internacional de avaliadores nos desafiou a fazer um projeto ainda mais arrojado. Agora ele traz uma s\u00e9rie de inova\u00e7\u00f5es que o colocam, de fato, na fronteira tecnol\u00f3gica\u201d, afirmou Roque da Silva.<\/p>\n<p>Enquanto os demais equipamentos do tipo usam o sistema de eletro\u00edm\u00e3s, o Sirius ser\u00e1 inteiramente baseado no sistema de \u00edm\u00e3s permanentes, o que reduz a necessidade de cabos de alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m fizemos mudan\u00e7as dr\u00e1sticas na rede magn\u00e9tica e na c\u00e2mara de v\u00e1cuo. O feixe de luz do Sirius estar\u00e1 entre os de maior brilho no mundo\u201d, afirmou Roque da Silva.<\/p>\n<p>O custo previsto do projeto, estimado para terminar em 2016, \u00e9 de R$ 650 milh\u00f5es. At\u00e9 o momento, segundo Roque da Silva, o Minist\u00e9rio de Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI) j\u00e1 investiu cerca de R$ 55 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cO MCTI considera o Sirius como um dos projetos priorit\u00e1rios para o pa\u00eds e o apoio tem sido crescente. Mas tamb\u00e9m estamos buscando outros parceiros\u201d, contou Roque da Silva.<\/p>\n<p>O projeto tamb\u00e9m conta com apoio do governo do Estado de S\u00e3o Paulo, que se comprometeu a fazer a desapropria\u00e7\u00e3o do terreno de 150 mil metros quadrados onde ser\u00e1 constru\u00eddo o acelerador \u2013 ao lado das atuais instala\u00e7\u00f5es do LNLS.<\/p>\n<p>\u201cA constru\u00e7\u00e3o do Sirius ser\u00e1, sem d\u00favida, uma das a\u00e7\u00f5es mais importantes do ponto de vista da internacionaliza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia. O poder de nuclea\u00e7\u00e3o de um laborat\u00f3rio desse porte \u00e9 enorme\u201d, avaliou Roque da Silva.<\/p>\n<p>Por Karina Toledo<\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deve come\u00e7ar ainda este ano, no Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron (LNLS), em Campinas, a constru\u00e7\u00e3o do novo acelerador de el\u00e9trons de terceira gera\u00e7\u00e3o, batizado de Sirius.\u00a0Capaz de emitir radia\u00e7\u00e3o com maior brilho e gerar imagens com mais resolu\u00e7\u00e3o que o atual, de segunda gera\u00e7\u00e3o, o equipamento poder\u00e1 atrair para o pa\u00eds cientistas de destaque [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":37419,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_genesis_hide_title":false,"_genesis_hide_breadcrumbs":false,"_genesis_hide_singular_image":false,"_genesis_hide_footer_widgets":false,"_genesis_custom_body_class":"","_genesis_custom_post_class":"","_genesis_layout":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":{"0":"post-42305","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-brasil","8":"entry","9":"gs-1","10":"gs-odd","11":"gs-even","12":"gs-featured-content-entry"},"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/imagens\/computador-tecnologia.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42305","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42305"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42305\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37419"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42305"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42305"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.redenoticia.com.br\/noticia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42305"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}